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sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

4º DOMINGO DO TEMPO COMUM - ANO B

28 de janeiro de 2018

Leituras

         Deuteronômio 18,15-20. Porei em sua boca as minhas palavras.
         Salmo 94/95,1-2.6-9. Vinde, exultemos de alegria no Senhor.
         1Coríntios 7,32-35. O que desejo é levar-vos ao que é melhor.
         Marcos 1,21-28. Num dia de sábado Jesus entrou na sinagoga.


“TODOS FICAVAM ADMIRADOS COM O SEU ENSINAMENTO”


1- PONTO DE PARTIDA

Domingo de Jesus em Cafarnaum. Entramos com Jesus na sinagoga de Cafarnaum, testemunhamos a expulsão de um espírito imundo e reconhecemos que Jesus é portador de um ensinamento cheio de autoridade, sinal da sua fidelidade ao projeto do Pai.

Neste Quarto Domingo do Tempo Comum, na caminhada de Jesus em sua vida pública, vemos o Mestre que ensina com autoridade, isto é, exousia.

Autoridade suscita responsabilidade. Jesus deixa claro Seu lugar divino, sendo responsável por revelar a vontade do Pai às pessoas; por isso, o evangelista refere que Ele ensinava como quem tem autoridade.
           
2- REFLEXÃO BÍBLICA, EXEGÉTICA E LITÚRGICA
                       
Primeira leitura – Deuteronômio 18,15-20.  O capítulo 18 do deuteronômio trata dos direitos dos sacerdotes levíticos (versículos 1-8), das falsas expressões do profetismo (versículos 15-20) e do critério pra distinguir o verdadeiro do falso profeta (versículo 21-22).

Esta passagem figura na secção que o Deuteronômio consagra às instituições e aos ministérios do povo eleito. Depois de ter falado sobre os direitos e deveres do rei e dos sacerdotes, passa ele a falar dos profetas

Este assunto é introduzido por uma prescrição que proíbe Israel de recorrer à adivinhação, como fazem os pagãos (Deuteronômio 18,9-14). O único meio de conhecer a vontade de Deus, será com efeito o recurso ao profeta (versículos 15-20). A adivinhação, a magia, o espiritismo em suas mais variadas formas atestadas em Canaã, são tentativas humanas de entrar em contato com o sobrenatural, conhecê-lo e, se possível, controlá-lo. Para o Deuteronômio, porém, Deus já fez conhecer a sua vontade, expressa claramente na Aliança do Sinai, da qual Moisés é o intermediário pedido pelo próprio povo (versículo 16). O desejo de o homem saber se será ou não feliz, também já foi respondido: Se observar a Lei da Aliança o homem o homem será abençoado e feliz; se a desobedecer, será amaldiçoado.
Sem dúvida, o autor escreve numa época em que a realeza e o sacerdócio atravessam uma crise grave e os profetas são os únicos a proclamar a vontade de Deus, o retorno às fontes da Lei e a constituição de um “povo novo” em torno da Palavra.

De resto, tem o profeta uma superioridade muito nítida sobre o rei e o sacerdote. Enquanto o rei fica preso a um comportamento político, e o sacerdote se restringe à esfera do culto, o profeta, ao contrário, leva a Palavra de Deus a todas as situações da vida individual e social. Além disso, enquanto o sacerdote e o rei se apóiam sobre uma lei já fixa, o profeta é mais sensível às exigências novas, aos casos ainda não previstos. Seu Deus é o Deus das mudanças pessoas e sociais, um Deus das novidades. Sob este título, é o profeta muito mais o homem profano, isto é, mergulhado na realidade do mundo do que o sacerdote, todo imerso no sagrado.

O profeta tem, enfim, o poder de transformar suas palavras em atos. Moisés é verdadeiramente um profeta, o maior de todos eles (cf. Deuteronômio 34,10). Mas Jesus Cristo (Atos 3,33; 7,37) será na realidade o maior de todos os profetas, pois libertará o palavra do sacerdote e do político, para dela fazer a presença ativa de Deus no seio da realidade mais cotidiana.

Conseqüentemente, o Deuteronômio vê a instituição profética como uma continuação como o ofício mediador de Moisés. Como Moisés deu a conhecer a vontade divina conhecida na Lei do Sinai, assim o profeta tem a obrigação de tornar conhecida esta mesma vontade ao povo (versículo 18). “Porque o Senhor Javé nada faz sem revelar o seu segredo aos profetas seus servos” (Amós 3,7).

Mas o profeta apesar de ser “como Moisés”, não é um simples repetidor da Lei. Ele é um interprete da Lei, um intermediário entre Deus e o povo que deve vigiar e promover sempre de novo a fidelidade à Aliança. A exemplo de Elias que foi fortalecer sua vocação no Monte Horeb (1Reis 19,3-18), todo seu profeta busca seu vigor na Aliança do Sinai.

Quando em nossos dias, por desejo de obter saúde, alcançar felicidade, sucesso nos negócios, ou por simples curiosidade, muitos cristãos entregam-se a práticas de astrologia, espiritismo, umbanda e outras mistificações, este texto do Deuteronômio ganha uma renovada atualidade. Deus já fez conhecer a sua vontade nos seus mandamentos. Por meio de Jesus Cristo, que ensina com autoridade (cf. Marcos 1,27), traçou o caminho da felicidade nas Bem-Aventuranças do Evangelho. A mensagem de Cristo é sempre de novo atualizada pelos legítimos pastores e pregadores de Sua Igreja. É na vontade de Deus assim expressa que o cristão deve buscar as orientações para sua vida, e não nos falsos tipos de profetismo.

Salmo responsorial 94/95,1-2.6-9. É uma mistura de dois tipos. Do início até a metade é um hino de louvor; a segunda metade é uma denúncia profética. Este salmo é um ato litúrgico que a Igreja manda recitar todos os dias no começo da Liturgia das Horas como invitatório, recorda-nos que dia após dia, no “hoje” continuamente renovado da nossa vida (cf. versículo 8), ressoa a voz do Senhor, nosso “criador”, “pastor” (cf. versículo 7) e “salvador” (cf. versículo 1): vamos à Sua presença com confiança, “Ele é o nosso Deus, e nós somos o seu povo” é a fórmula densa da Aliança.

O povo já vive na terra prometida, tem um Templo, parece ter chegado ao lugar do repouso. E, apesar disso, cada dia deve ouvir o chamado de Deus e cumpri-lo, para conservar o dom da terra, onde participa no repouso de Deus. Do contrário, sua infidelidade na terra prometida será como a infidelidade dos pais no deserto.

A Carta aos Hebreus nos oferece um comentário cristão deste salmo (Hebreus 3,7-4,11). Todo o tempo do Primeiro Testamento é uma repetição chamada e espera do “hoje” em que o povo poderá entrar no descanso de Deus. Com Cristo chega este “hoje”, com sua ressurreição inaugura-se no mundo o repouso de Deus, que descansou quando terminou seu trabalho criador. Este “hoje” de Cristo se oferece a todos: deve-se ouvi-lo e entrar depressa em seu descanso. Mas a vida cristã é de novo um “começo”, que temos de manter até o fim, para entrar no repouso definitivo de Cristo em Deus.

O rosto de Deus no neste Salmo. Entrar na terra prometida ou conservá-la são questões ligadas à Aliança entre Deus e seu povo. Entrar na terra era conseqüência da fidelidade à Aliança entre Deus; conservar a terra era resultado de uma Aliança mantida ao longo das gerações. Em ambos os casos o tema da Aliança está presente. Entre Deus e o povo há um compromisso de mútua pertença: Ele é o Deus dos hebreus, e o povo é o povo de Deus (versículo 7a). A imagem do pastor (versículo 7a) também é importante pata descobrir o rosto de Deus neste Salmo. A grande ação de Deus-Pastor foi ter conduzido seu povo para fora do cativeiro egípcio, guiando-o, pelo deserto, rumo à liberdade e à vida na terra da promessa.

Jesus se apresentou como pastor (João 10), conhecedor do íntimo de cada pessoa (João 2,25). Por isso sua voz profética denunciou as injustiças e seus causadores (Mateus 23). Denunciou a religião formalista, de aparências (João 7,21), e, num gesto profético, declarou o fim do Templo de Jerusalém e de sua corrupção, apesar da aparente fachada de lugar sagrado (João 2,13-22). Jesus denunciou as mesmas coisas do salmista-profeta. Como os antepassados do tempo do deserto, alguns grupos da época de Jesus viram, contudo, acreditar. Viram João Batista e Jesus agindo e falando, mas os rejeitaram, ao passo que os cobradores de impostos e prostitutas creram.

Por isso, aquele que tem fé não deve fechar seu coração nem seus ouvidos a Deus. Ele, tal qual pastor, encontra, nos momentos difíceis, um caminho para renovar sua Aliança. “Não fecheis o coração; ouvi vosso Deus”. Na compreensão hebraica, o coração é o centro das decisões da pessoa humana.

Cantando este salmo, pedimos a Deus que nos faça atentos à sua voz, mesmo quando estamos em tempo de liberdade e sofrendo a tentação da acomodação. A cada dia é preciso estarmos atentos á voz do Senhor para conservarmos o dom conquistado e avançarmos na caminhada.

NÃO FECHEIS O CORAÇÃO, OUVI HOJE A VOZ DE DEUS!

Segunda leitura – 1Coríntios 7,32-35. Todo o capítulo 7, da Primeira Carta aos Coríntios, é consagrado aos estados de vida do cristão. Paulo falou sucessivamente dos esposos que vivem juntos (1Coríntios 7,3-5.10) e perguntam o que representa a continência para si; dos esposos que vivem separados por suas crenças (versículos 12-16); dos cristãos que não são casados e, entre eles, das pessoas “virgens”, moços e moças (versículos 36-38) e, finalmente, dos celibatários e das viúvas (versículos 39-40). A segunda leitura é tomada, mais uma vez, das “questões práticas”, da Primeira Carta aos Coríntios.

Na linha do “relativismo escatológico” (cf. Domingo passado), Paulo explica as vantagens do celibato, ao menos, quando assumido com vistas à escatologia. Como o sentido da escatologia é que o Senhor nos encontre ocupado com Sua causa (cf. Primeiro Domingo do Advento Ano B), é melhor ficar com o estado de vida que deixe nosso espírito mais livre para pensar nisso. É um conselho de Paulo, não para truncar nossa liberdade, mas para a libertar mais ainda. Claro, está falando do celibato assumido, não do celibato “levado de carona”, como é, muitas vezes, o da nossa instituição eclesiástica; pois, quando não é assumido interiormente, desvia mais a mente da causa do Senhor do que as preocupações matrimoniais. Bem entendido, porém, este celibato, além da liberdade para Deus que proporciona aos que assumem, é também um lembrete para os casados, ajudando-os no meio de suas preocupações, a conservarem, também eles, o sadio relativismo escatológico, que os faz ver o caráter provisório de seu estado e problemas e, sobretudo, o sentido último que deve ser dado a tudo isso.
                                   
Marcos 1,21-28.  Estamos no início do Evangelho de Marcos, logo após o chamamento dos primeiros quatro discípulos, e pela primeira vez e evangelista descreve Jesus enquanto este ensina com autoridade e expulsa um espírito mau.

O texto está englobado de referência ao ensinamento novo do Mestre: dele se fala no começo (versículos 21-22) e no fim (versículo 27) e, portanto, nada é dito sobre o seu conteúdo. No centro a narração coloca um exorcismo (versículos 23-26). A multidão fica admirada mais pela “nova doutrina ensinada com autoridade” do que pelo poder de Jesus sobre os “espíritos impuros” (versículo 27). Depois desse episódio, a fama de Jesus divulga-se extraordinariamente (versículo 28).

Os versículos 21s.27s formam uma moldura (“inclusão”) ao redor do exorcismo, que constitui o núcleo da narração. Moldura importante, porque mostra que sentido o evangelista quer dar ao exorcismo. Jesus ensina, e isto provoca admiração, pois ensina com autoridade (exousia), e não como os escribas que ensinavam “conforme disse rabi x rabi”... Jesus fala de Deus de início (versículo 22). Ora, no versículo 27 aparece que o exorcismo é a confirmação desta exousia (mesmo termo que, em 2,10, é utilizado para perdoar pecados; em 3,15; 6,7, para expulsar demônios; em 11,28ss, para expulsar os vendilhões do Templo de Jerusalém). Este tema da exousia insinua a autoridade divina na atuação de Jesus. É um termo que se relaciona com o mistério de Jesus no Evangelho de Marcos: no Primeiro Testamento, a exousia é dada por Deus ao Filho do Homem (o termo é típico do livro de Daniel; ver especialmente Daniel 7,12.14.26.27). É a exousia escatológica, que põe fim ao reino de Satã e instaura o Reino de Deus.

Marcos 1,23-26 não é uma mera história de exorcismo. É uma Epifania de Jesus, isto é, manifestação de Jesus de Nazaré.  O povo desconhece a verdadeira dimensão de Jesus e os discípulos reconhecem sua função só a partir de Marcos 8,27. Isto vale também para outras curas (Marcos 8,26, porque, afinal, qualquer doença era vista como uma intervenção do Maligno (cf. Jó 1,6—2,10). Considerar a enfermidade como estado abençoado por Deus é uma atitude do Novo Testamento (João 9,1-2; 1Coríntios 12,9; Tiago 5,14-16). Em relação com isto devemos  observar que muitos fenômenos patológicos eram explicados, na Antiguidade, como possessão demoníaca. Aqui, importa que a cura é uma ocasião para se manifestar pela boca do endemoninhado a importância da autoridade de (exousia) de Jesus. Assim, esta história é caracterizada pelo jogo de “luz e sombra” que é típico do Evangelho de Marcos. Jesus é revelado como Messias e Filho de Deus, mas sempre com uma certa reserva, porque, de fato, nem os homens e nem mesmo os discípulos o compreenderam antes de sua Ressurreição.

A expulsão de um espírito mau. Assim interpretavam os contemporâneos de Cristo, como em geral os antigos, os casos de doença mental e transtornos neuropsíquicos, como a epilepsia, por exemplo. O termo “endemoninhados” não significa necessariamente possessão diabólica. Pode referir-se a doentes mentais: esquizofrênicos, epilépticos, paranóicos, etc., pois assim explicavam os transtornos psíquicos. Jesus conformou-se com a crença popular. No mundo antigo, tanto entre os judeus como entre os gregos, e também os romanos, admitia-se a existência de dáimones (demônios=divindades) ou espíritos intermediários entre Deus e a matéria. Os romanos chamavam de pitões. Para os gregos estes espírito eram ambivalentes; podiam ser benéficos ou prejudiciais, com inspiração de gênio ou de loucura, de sorte ou de desgraça. Por um lado, para os judeus eram espíritos impuros, hostis ao ser humano, opostos à pureza religiosa e à santidade moral que o serviço de Deus requer. Sua presença detectava-se especialmente nas doenças mentais e psíquicas, tais como a epilepsia e a esquizofrenia. Os “endemoninhados” dos evangelhos eram doentes deste tipo. É preciso compreender que Jesus sujeitou-se à mentalidade judaica do seu tempo, se bem que em outros aspectos discordou, como, por exemplo, a respeito da suposta interdependência de doença física e do pecado.

É claro que Marcos não traz uma descrição psicológica daquilo que aconteceu lá na sinagoga de Cafarnaum, e seria despistar a atenção do assunto perder-se em considerações psicológicas do tipo de perguntar qual a enfermidade, como o homem conhecia Jesus etc. Inclusive, é possível que numa mesma narração se combinem traços de vários fatos. A intenção da narração é teológica, querigmática: suscitar admiração por aquele a quem até os demônios obedecem. A quem obedeceriam, senão a Deus? O fundamental aqui é que Cristo veio para libertar a pessoa humana do mal na sua totalidade: do mal moral, que é a escravidão do pecado, e das suas conseqüências que causam desgraças no mal físico, que é a doença, a fome, a pobreza, a violência, a guerra, o terrorismo e a morte. Tudo o que é mal pertence, de alguma maneira, à esfera do pecado e afasta-se dos planos de Deus, que quer o bem dos seus filhos e filhas.

3- LUGAR NA LITURGIA

A Liturgia relaciona o Evangelho deste Domingo com a leitura de Deuteronômio 18,15-20. Por esta aproximação destaca-se o caráter profético da atividade de Jesus. Este está sobretudo na exousia, isto é, na sua autoridade. Quem não escuta as palavras que o profeta fala em nome de Deus, Deus lhe pedirás contas! (Deuteronômio 18,15). É, portanto, a revelação da autoridade divina em Jesus Cristo que forma o tema central da liturgia de hoje, e que se deverá comentar especialmente. A partir do Evangelho, pode-se mostrar que a autoridade de Jesus se revela na sua atuação, que é um atestado garantido pelas próprias forças malignas, atestado não apenas para a atuação, mas também para o ensino do qual esta atuação faz parte; pois Jesus ensina por palavras e atos, à maneira dos profetas.
   
4- DA PALAVRA CELEBRADA AO COTIDIANO DA VIDA
Somos batizados, confirmados na fé e convocados pelo Senhor a professar nossa fé no mundo, como profetas hoje. É no “hoje” dos fatos da vida que devemos ouvir a voz do Senhor (Salmo 94/95,8). Somos a voz que Jesus quer utilizar para anunciar o amor de Deus no mundo. Sabemos que Ele não é autoritário, já que bate à porta e aguarda nossa decisão.

Se nos decidimos por Jesus, por Sua proposta, mesmo preocupados com as coisas do mundo, precisamos priorizar nosso testemunho e anunciá-lo com autoridade de cristãos e batizados. Essa é nossa autoridade (exousia) e nossa responsabilidade.

O ensinamento de Jesus fascina-nos e ao mesmo tempo causa-nos receio. Quantas vezes, mesmo dentro de nós, surge a pergunta: “Que tens a ver conosco, Jesus Nazareno?”, ou mais literalmente: “Que há entre mim e Ti?”; Que pretendes da minha vida?”. É como sermos atraídos por Ele irresistivelmente e, ao mesmo tempo, mantermos uma distancia de segurança; desejar a vida plena que Jesus propõe, mas receamos as conseqüências  de um relacionamento com Ele e com sua proposta, requer uma dose de loucura ou pelo menos de pura gratuidade.

“Aos fiéis leigos são os cristãos que estão incorporados a Cristo pelo batismo, que formam o povo de Deus e participam das funções de Cristo: sacerdote, profeta e rei. Realizam, segundo sua condição, a missão de todo o povo cristão na Igreja e no mundo. São homens da Igreja no coração do mundo, e homens do mundo no coração da Igreja” (Documento de Aparecida, 209).

Nos dias de hoje, encontramos inclusive muitas famílias consagradas ao serviço de Deus, priorizando o reino do Senhor antes das coisas do mundo. No testemunho de cada cristão que prioriza as coisas de Deus, fortalecemos nossa missão de sermos sal da terra e luz do mundo, como Jesus declarou.

Precisamos, porém, manter o olhar fixo no olhar do Mestre, pois seja qual for a forma na qual vivemos nosso discipulado, somos tentados por inúmeras situações do mundo, como poder, egoísmo, soberba, e isso sim nos divide definitivamente, pois não é coerente com as coisas do Reino de Deus.

Queremos e devemos ser reconhecidos como discípulos e discípulas de Jesus, por isso também a omissão ou a fragilidade em nossas opiniões e atitudes diante do desafio de evangelizar nos afastam do chamado do Senhor.

A respeito do anúncio missionário da Palavra do Senhor, o profeta Jeremias via essa necessidade no seu tempo, de uma Palavra sem fronteiras: “Ouvi, nações, a palavra do Senhor e anunciai-a nas ilhas mais distantes...” (Jeremias 31,10a).

Mesmo que saibamos que sempre haverá o que realizar, fazer a nossa parte, convidar outros para nos acompanhar e partilhar a missão forma a comunidade, tornando-nos Igreja viva no seguimento dos passos do Mestre. Abrir nosso coração à voz de Deus, deixa-nos ser templos de seu Santo Espírito fortalece e dá coragem, anima para que, cada dia, renovemos nosso espírito missionário.

A caminhada de todos nós necessita de um grande objetivo, colocado sempre à nossa frente. Precisamos viver, com alegria, nossa missão de discípulos missionários de Jesus Cristo.

A celebração litúrgica é uma referência importante para tantas pessoas que vêm se unir aos irmãos, buscando a Palavra de Deus, procurando um espaço de encontro consigo e com o Pai. Cada pessoa presente na assembléia litúrgica pode contribuir para fazer da celebração um lugar de escuta e de ensino com autoridade.

5- PALAVRA SE FAZ CELEBRAÇÃO

      Grande é a insistência da CNBB, para que as comunidades assumam cada vez mais em suas celebrações os cantos litúrgicos propostos no hinário. Sem querer aqui fazer um tratado sobre a música litúrgica e sua importância, gostaríamos de lembrar um aspecto que, de modo geral e abrangente, nos leva a compreender o que se pretende com essa insistência. Diz um dos estudos da CNBB: “cantar a liturgia e não cantar na liturgia”. Isso significa por certo trazer para a celebração e para o seu núcleo vital, isto é, o motivo que celebramos (dizemos mistério celebrado), a música com sua função ritual de evidenciar aquilo que celebramos. De tal modo que, o que ouvimos nas leituras, da mesma forma cantamos na abertura, na comunhão, na aclamação ao evangelho e na apresentação das oferendas. Esses cantos, chamados “próprio do tempo”, relacionam-se com o mistério celebrado e o evidenciam musicalmente.

O meio do povo, Deus suscita profetas, gente comprometida com a fé, com a comunidade, com o bem comum, com a construção de uma sociedade cada vez mais justa e solidária. Muitas vezes, esses profetas pagam com a própria vida o preço de sua honestidade, coragem e generosidade. Modo de vida animado pelo Espírito de Deus que lhes garante autoridade para denunciar injustiças e conclamar o povo da Aliança a persistir no caminho da fidelidade.   

Projetando a narrativa do Deuteronômio para um tempo futuro, podemos entender esse profeta prometido como sendo Jesus; todavia, entre Moisés e Jesus, passaram-se mais de 1200 anos, durante os quais viveram e atuaram todos os grandes profetas, cujos feitos e palavras são narrados na Bíblia. No Evangelho de hoje, vemos Jesus entrar na sinagoga de Cafarnaum, em dia de sábado, praticar a caridade (dentro da mentalidade do seu povo no século I) e ensinar com a autoridade de quem vive para Deus e segundo Deus, sem fanatismo, sem qualquer tipo de fundamentalismo bíblico, mas de acordo com a lei do amor ao próximo, como nos diz a Oração do Dia de hoje: “Concedei-nos, Senhor nosso Deus, adorar-vos de todo coração e amar todas as pessoas com verdadeira caridade”. A celebração se constitui o primeiro lugar para realizar este gesto profético de Jesus ensinando com autoridade. É o que diz o canto: “Antes que te formaste dentro do seio de tua mãe”. Neste canto, que se baseia em outra passagem do Bíblia (Jeremias 1,1-10 ), que muito bem serve de canto de abertura para a celebração eucarística deste domingo, os pobres e os excluídos são os preferidos de Deus em oposição aos que têm o coração fechado, que sempre arrumam desculpas para não festejar com o grande rei. O canto mostra o que ficou dito no evangelho a respeito do Profeta Jesus: “O que é isto? Um ensinamento novo, dado com autoridade: ele manda até nos espíritos maus, e eles obedecem”, invertendo aquele modo de pensar tipicamente humano que valoriza o mais rico, famoso, com saúde, ou importante, trazendo para participar do seu banquete os esquecidos, os coxos, os impuros, os doentes, em suma, os pobres. É essa inversão que se verifica no evangelho e que pode começar, a partir do canto, a se verificar na celebração.

Mas para que a mesa da Palavra e da Eucaristia seja realmente dos pobres e dos impuros e para que nela se realize o cumprimento das profecias que inverte a lógica deste mundo, é preciso em primeiro lugar reconhecê-la como nossa. Somos hoje os convidados que aceitaram, os que sofrem, os que choram e os doentes, pobres e impuros ou desqualificados por qualquer preconceito humano. Somos nós, mas também aqueles que ainda estão nas esquinas, ruas, praças, longe da medicina vitimados pela maldade humana, empobrecidos pelo egoísmo e pecado deste mundo, apedrejados pelos rigores moralistas e impiedosos dos mesmos corações que dizem não à mesa da Eucaristia. O canto cumprirá a sua função aos nos recordar de outro modo o evangelho, e será tanto mais litúrgico, se nos lembrar o que esta mesa significa para nós e para os outros e que muitos ainda faltam neste banquete, à espera de um convite, para desfrutar os primeiros frutos do Reino.

6- ORIENTAÇÕES GERAIS

            1. A homilia (conversa familiar) interpreta as leituras bíblicas dentro da realidade atual, tem o Mistério de Cristo como centro do anúncio e faz ligação com a Liturgia Eucarística e com a vida.

2. Lembrar que no dia 02 de fevereiro, celebramos a Festa da Apresentação do Senhor com lucernário, bênção das velas e procissão. Essa festa encerra as celebrações natalinas e, com a oferta da Virgem Maria e a profecia de Simeão (cf. Lucas 2,33-35), abre o caminho rumo à Páscoa. As velas podem ser bentas de duas formas (cf. orientações do Missal Romano): primeira, com procissão; segunda, com entrada solene. No dia 03, São Brás, bispo mártir. Na bênção de São Brás, pode-se usar a seguinte fórmula: “Por intercessão de São Brás, bispo e mártir, livre-te Deus do mal da garganta e de qualquer outra doença. Em nome do Pai + e do Filho e do Espírito Santo. Amém!”.
           
7- MÚSICA RITUAL

O canto é parte necessária e integrante da liturgia. Não é algo que vem de fora para animar ou enfeitar a liturgia. Por isso devemos cantar a liturgia e não cantar na liturgia. Os cantos e músicas, executados com atitude espiritual e, condizentes com cada domingo, ajudam a comunidade a penetrar no mistério celebrado. Portanto, não basta só saber que os cantos são do Tempo Comum, é preciso executá-los com atitude espiritual. A escolha dos cantos deve ser cuidadosa, para que a comunidade tenha o direito de cantar o mistério celebrado. A função da equipe de canto não é simplesmente cantar o que gosta, mas cantar o mistério da liturgia deste 4º Domingo do Tempo Comum. Os cantos devem estar em sintonia com o Ano Litúrgico, com a Palavra proclamada e com o sacramento celebrado. Não devemos esquecer que toda liturgia é uma celebração da Igreja corpo de Cristo e não de um grupo, de uma pastoral ou de um movimento.

Ensina a Instrução Geral do Missal Romano que o canto de abertura tem por objetivo, além de unir a assembleia, “inseri-la no mistério celebrado” (IGMR nº 47). Nesse sentido o Hinário Litúrgico III da CNBB nos oferece uma ótima opção, que estão gravados no CD: Liturgia VI e Cantos de Abertura e Comunhão. Encontramos também no Ofício Divino das Comunidades ótimas opções.

1. Canto de abertura. Salvai-nos, Deus, para que cantemos teu louvor (Salmo 105/106,47). Sem dúvida, o canto de abertura mais adequado para esse dia é o refrão Salmo 105/106, suplicamos ao Senhor que venha salvar os teus filhos e filhas. “Ó Senhor, salva teus filhos”, CD: Liturgia VI, melodia da faixa 1, exceto o refrão.

Como canto de abertura da celebração, sugere-se o canto proposto pelas Antífonas do Missal Romano e ricamente musicadas pelo Hinário Litúrgico III da CNBB. Isso não significa rigidez. Mas a equipe de liturgia, a equipe de celebração, a equipe de canto juntamente com o padre têm a liberdade de variar sua escolha, desde que isso manifeste o Mistério celebrado e seja fiel aos princípios que regem a escolha de uma música adequada para a celebração. Uma sugestão, para entender bem o que significa isto, seria cantar o tão conhecido canto do profeta Jeremias capítulo 1,1-10: “Antes que te formaste dentro do seio de tua mãe”, letra e partitura no Hinário Litúrgico I da CNBB, pág. 23, suplemento. Em perfeita consonância com as leituras bíblicas de hoje. Neste Domingo é muito forte a dimensão profética na liturgia. Levando em conta que nosso Deus é Libertador Ele merece o louvor das pessoas que vem de todos os cantos da terra: pais e mães; lavradores e operários. Nesse sentido é muito oportuno o canto “De todos os cantos viemos para louvar o Senhor, Pai de eterna bondade, Deus vivo, libertador”, CD: Cantos de Abertura e Comunhão, melodia da faixa 2. Como canto de abertura, não podemos deixar de entoar um destes três cantos que nos introduzem no Mistério a ser celebrado.

A escolha dos cantos para as celebrações seja feita com critérios válidos. Não se devem escolher os cantos para uma celebração porque “são bonitos animados e agradáveis”, ou porque “são fáceis”, mas porque são litúrgicos. Que o texto seja de inspiração bíblica, que cumpram a sua função ministerial e que se relacionam com a festa ou o tempo. Que a música seja a expressão da oração e da fé desta comunidade; que combinem com a letra e com a função litúrgica de cada canto.

2. Ato penitencial. Sugerimos o formulário 4 das invocações para o Temo Comum.

3. Hino de louvor. “Glória a Deus nas alturas...” Vejam o CD: Tríduo Pascal I e II e também no CD Festas Litúrgicas, Partes fixas do Ordinário da Missa do Hinário Litúrgico III da CNBB e também a versão da CNBB musicado por Irmã Miria e outros compositores.

O Hino de Louvor, na versão original e mais antiga, é um hino cristológico, isto é, voltado para Cristo, que exprime o significado do amor do Pai agindo no Filho. O louvor, o bendito, a glória e a adoração ao Pai (primeira parte do Hino de Louvor) se desdobram no trabalho do Filho Único: tirar o pecado do mundo, exprimindo e imprimindo na história humana a compaixão do Pai. Lembremo-nos: o Hino de Louvor não se confunde com a “doxologia menor” (Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo). O Hino de Louvor encontra-se no Missal Romano em prosa ou nas publicações da CNBB versificado numa versão que facilita o canto da assembléia. 

4. Refrão meditativo: Em vez de comentário cantar este refrão meditativo para afinar o coração na escuta da Palavra: “Guarda a Palavra, guarda no coração”, CD: Deus é bom, (Paulus) melodia da faixa...

5. Salmo responsorial 94/95. “Hoje, se ouvirdes a voz do Senhor, não lhe fecheis vosso coração”. “Não fecheis o coração, ouvir hoje a voz de Deus”, CD: Liturgia IX, melodia da faixa 3.

A função do salmista é de suma importância. Sua função ministerial corresponde à função dos leitores e leitoras, pois o salmo é também Palavra de Deus posta em nossa boca para respondermos à sua revelação. Por isso, o salmo dever ser proclamado do Ambão e, se possível, cantado.

6. Aclamação ao Evangelho. “Um grande profeta surgiu entre nós, e Deus visitou o seu povo”, (Lucas 7,16). “Aleluia! Um grande profeta surgiu, surgiu e entre nós se mostrou, CD: Liturgia IX, melodia da faixa 4. O canto de aclamação ao evangelho acompanha os versos que estão no Lecionário Dominical.

Preserve-se a aclamação ao Evangelho cantando o texto proposto pelo Lecionário Dominical. Ele ajudará a manifestar o sentido litúrgico da celebração, conforme orientações da Igreja na sua caminhada litúrgica.

7. Apresentação dos dons.  O canto de apresentação das oferendas, conforme orientamos em outras ocasiões, não necessita versar sobre pão e vinho. Seu tema é o mistério que se celebra acontecendo na fraternidade da Igreja reunida em oração. “De mãos estendidas”, CD Liturgia VI, melodia da faixa 4. Como segunda opção sugerimos “Aceita, Senhor, nossos dons”, do Pe. Zezinho.

8. Canto de comunhão. “Eu sei quem tu és: tu és o santo de Deus” (Marcos 1,24b). Sem dúvida, o canto de comunhão mais adequado para esse dia é “Eu sei quem tu és, ó Jesus nazareno, o santo de Deus eu sei que tu és!”, “tirado do versículo 24b e articulado com o Salmo 33/34, CD: Liturgia VI, melodia da faixa 7.

A mesma orientação dada para o canto de abertura vale para o canto de comunhão. Mas na mesma liberdade e bom senso, sugerimos a versão da “Oração de São Francisco”, “Cristo, quero ser instrumento de tua paz e do teu infinito amor”, música de Frei Fabreti, COMEP (0746-3).

8- ESPAÇO CELEBRATIVO

O espaço da celebração deve expressar o sentido da liturgia do dia. Além dos profetas da Bíblia, em nossa época assistimos muitos autênticos testemunhos proféticos  com o martírio de Irmã Dorothy Stang, missionária por defender os pobres nos conflitos de terra no Pará, em 2005. Zilda Arns que morreu em missão no Haiti, assistindo crianças vitimadas pela fome, pelo abandono e negligencia das autoridades, entre tantas e tantos. Pe. Ezequiel Ramim, por defender os sem terra no Maranhão. D. Oscar Romero vítima da ditadura militar em El Salvador, por pedir aos militares que não matassem. Mas eles não morreram em vão. Colocar junto ao pé da cruz ou junto ao Ambão um arranjo de flores vermelhas com as fotos lembrando o sangue dos mártires-profetas derramado em favor dos excluídos.
9. AÇÃO RITUAL

Fazer uma acolhida bem fraterna e amorosa de cada pessoa que chega para a celebração e, realizar os vários serviços com cordialidade (= de coração). A equipe de acolhida ou a equipe de liturgia pode estar às portas do templo, recebendo as pessoas sem alarde, cumprimentando-as e, desde já, inserindo-as no contexto celebrativo daquele dia, enunciando um versículo bíblico em consonância com o mistério celebrado. Para este domingo, pode ser: Bem vindo, bem vinda! Venha adorar o Senhor.

Ritos Iniciais

1. É importante que não se diga nenhuma palavra antes da saudação: nem “Bom dia ou “Boa noite”, nem comentários ou introduções! Bom dia e boa noite não é saudação. Primeiro devemos saudar a Trindade. Bom dia e boa noite não é uma saudação litúrgica.

            2. Quando cantamos “Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo...” devemos escolher cantos que respeitem a linguagem litúrgica.

3. Compete ao presidente da celebração (bispo, presbítero, diácono ou leigo/a presidindo a celebração da Palavra) pronunciar as palavras do sinal do cruz e não a equipe de canto como muitas vezes acontece.

4. Neste domingo é muito oportuno que a saudação seja cheia de esperança. Para isso sugerimos Romanos 15,13:

O Deus da esperança, que nos cumula de toda a alegria e paz em nossa fé, pela ação do Espírito Santo esteja convosco.

5. Após a saudação inicial, conforme propõe o Missal Romano, dar o sentido litúrgico da celebração, isto é, o mistério celebrado. Pode ser feito por quem preside, ou o diácono ou um leigo ou leiga preparado, dar o sentido da celebração com estas palavras ou outras semelhantes:

Domingo de Jesus em Cafarnaum. Entramos com Jesus na sinagoga de Cafarnaum, testemunhamos e reconhecemos que Jesus é portador de um ensinamento cheio de autoridade, sinal da Sua fidelidade ao projeto do Pai.

6. Em seguida todos são convidados a recordar os acontecimentos da semana, sobretudo aqueles que revelam a vida e a libertação que Jesus nos trouxe. Colocar os acontecimentos de forma orante e não como noticiário.

7. No lugar do Ato penitencial, a aspersão da comunidade recordará a vocação régia, sacerdotal e profética de todo o povo de Deus. Essa tríplice característica do povo batizado será mais evidente se quem preside ou o animador(a) fizer uma monição com palavras semelhantes: “Irmãos e irmãs, pelo Batismo, Deus nos tomou para si e fez de nós um povo sacerdotal, real e profético. Recordemos esse santo dia!: (segue a bênção da água e aspersão conforme o Missal Romano página 1001.

8. Se não for feita aspersão da comunidade, para motivar o Ato Penitencial é oportuno a fórmula 2:

No início desta celebração, peçamos a conversão do coração, fonte de reconciliação com Deus e com os irmãos.

9. Após uns momentos de silêncio, sugerimos a fórmula 4 das invocações do Tempo Comum do Missal Romano, que narra a procura de Cristo pelos abandonados:

Senhor, que viestes procurar quem estava perdido, tende piedade de nós”.

10. Introduzir o Hino de Louvor (Glória), lembrando a alegria da nossa vocação régia, sacerdotal e profética nos dado pelo santo Batismo.

11. A Oração do Dia diz que devemos adorar a Deus e amar todas as pessoas com verdadeira caridade.

Rito da Palavra

1. Em vez de comentários antes das leituras que caíram em desuso, no CD: “Deus é bom” (Paulus) temos um refrão meditativo que muito pode contribuir para afinar a escuta da Palavra de Deus: Guarda a Palavra, guarda no coração. Durante o canto, pode-se queimar incenso junto ao Ambão.

2. A Liturgia da Palavra é uma ação ritual. As leituras, bem proclamadas, será ocasião para suscitar no coração da assembléia, sua vocação profética em Cristo.

3. A Palavra é valorizada também por momentos de silêncio, por exemplo, após as leituras, o salmo e a homilia, fortalecendo a atitude de acolhida à Palavra. “No silêncio, o Espírito torna fecunda a Palavra no coração da comunidade” (Guia Litúrgico Pastoral, página 32).

4. Cuidar para que o canto de Aclamação ao Evangelho, seja cantado o texto proposto pelo Lecionário Dominical. A aclamação respeitando a letra do Lecionário ajudará a manifestar o sentido litúrgico da celebração.

Rito da Eucaristia

1. Como canto de apresentação das oferendas sugerimos “Aceita, Senhor, nossos dons”, do Pe. Zezinho.

2. A oração sobre as oferendas confirma, que as oferendas que depositamos no Altar expressam nosso desejo de servir a Deus.

3. Para a Oração Eucarística sugere-se o formulário VI-C, “Jesus, caminho para o Pai”, que ajudará a clarear a conexão entre a Mesa da Palavra e a Mesa da Eucaristia. Se for escolhida a Oração Eucarística I e III ou a II, que admite troca de Prefácio, é oportuno escolher o Prefácio Comum VI, página 461 do Missal Romano em que contemplamos o Cristo como a Palavra do Pai encarnada. Seguindo esta lógica, cujo embolismo reza: “Ele é a vossa palavra viva, pela qual tudo criastes. Ele é o nosso Salvador e Redentor, verdadeiro homem, concebido do Espírito Santo e nascido da Virgem Maria”. O grifo no texto identifica aqueles elementos em maior consonância com o Mistério celebrado neste Domingo e que pode ser aproveitado na própria, ao modo de mistagogia. As demais não admitem um prefácio diferente. Elas não podem ter os prefácios substituídos com grave prejuízo para a unidade teológica e literária da eucologia.

4. Como segunda opção para o canto de comunhão, sugerimos a versão da “Oração de São Francisco”, “Cristo, quero ser instrumento”. Ver orientações em Música Ritual.

Ritos Finais

1. Na Oração depois da Comunhão, pedimos a Deus que o alimento da redenção nos faça progredir na fé.
           
            2. As comunicações finais (avisos) sejam feitas no espírito do envio da comunidade que ao terminar a Missa, começa a sua missão.

3. As palavras do rito de envio podem estar em consonância como mistério celebrado: Que a autoridade de Jesus se manifeste nas vossas vidas. Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe.

4. É comum além, de entrar em procissão no início da celebração guiados pela cruz, também retirar-se do espaço sagrado em procissão, igualmente guiados pela cruz.

10- CONSIDERAÇÕES FINAIS

Dizem que a Igreja e o Cristianismo estão perdendo terreno no Brasil e no mundo. Certamente se deve ao fato de que não somos mais como era Jesus que ensinava com autoridade, isto é, não somente falando mas também agindo e libertando.

O objetivo da Igreja é ajudar os padres e as comunidades de nossa diocese e todas aquelas outras comunidades fora de nossa diocese que acessar nosso site celebrar melhor o mistério pascal de Cristo.

Um abraço fraterno a todos

Pe. Benedito Mazeti

sábado, 13 de janeiro de 2018

2º DOMINGO DO TEMPO COMUM - ANO B

14 de janeiro de 2018

Leituras

         1Samuel 3,3b-10.19. Tu me chamaste, aqui estou.
         Salmo 39/40,2 e 4ab.7-8a.8b-9.10. Com prazer faço a vossa vontade.
         1Coríntios 6,13c-15ª17-20. Glorificai a Deus com o vosso corpo.
         João 1,35-42: Eu vi e dou testemunho: este é o Filho de Deus.


“EIS O CORDEIRO DE DEUS”


1- PONTO DE PARTIDA  

Domingo do Cordeiro de Deus. Este domingo liga a festa do Batismo do Senhor e a sua atividade pública na Galiléia. Hoje foi escolhido o Evangelho de João, mais adequado para encabeçar a narração da vida pública, pois coloca em plena luz o sentido messiânico da vinda de Jesus, que Marcos faz aparecer aos poucos, ao longo de sua narração, nos próximos domingos.

Nós cremos no amor do Pai que nos chama pelo nome e nos convida a entrar no seguimento de seu Filho. Pedimos que Ele nos renove e nos engaje na missão do Cordeiro de Deus, na luta para desativar os mecanismos de morte dentro e fora de nós, na Igreja e na sociedade.

Celebramos a Páscoa de Jesus Cristo que se manifesta na luta de todas as pessoas e grupos que dão testemunho de vida nova e que continuam a missão de Jesus de tirar o pecado do mundo.

Que toda a terra se prostre diante de ti, ó Deus, e cante louvores ao teu nome, Deus Altíssimo! (Salmo 65,40). Com o Salmo 65/66, somos chamados a adorar o Senhor com todo o universo:

Toda terra te adore,/ Ó Senhor do universo
Os louvores do teu nome,/ Cante o povo em seus versos!
           
2- REFLEXÃO BÍBLICO, EXEGÉTICA E LITÚRGICA

Contemplando os textos

Primeira leitura – 1Samuel 3b-10.19. Samuel é uma figura-chave na história do povo de Deus do Primeiro Testamento. Viveu e desempenhou um papel de liderança na transição da época dos juízes para a época dos reis.

Que o próprio povo de Deus do Primeiro Testamento tinha consciência desta posição-chave de Samuel na história deriva-se de textos como Salmo 98/99,6 e Jeremias 15,1, onde ele é mencionado ao lado de Moisés.
Como no caso de Isaias (6,1-6) Samuel é chamado em um santuário e Amós recebe uma visão importante em um santuário (Amós 9,1-4). O menino Samuel estava a serviço de um sacerdote, enquanto Jeremias e Ezequiel eram, eles mesmos, sacerdotes. Os três receberam o encargo para proclamar o castigo inevitável daquilo que estimavam e amavam.

Samuel, o filho que Deus concedeu a Ana, mulher estéril, acolhendo a sua oração confiante, tinha sido oferecido pela mãe ao serviço do Templo (cf. 1Samuel 2,9-28). Ainda muito jovem, Samuel é chamado por Deus para ser seu profeta e juiz do povo. A cena desenrola-se no santuário, de noite: o jovem é despertado pelo Senhor que o interroga três vezes, e que Samuel confunde com o sacerdote Heli. O jovem ainda não conhecia a voz divina: será o seu mestre a guiá-lo na compreensão e a indicar-lhe o caminho a seguir.

Estamos perante uma narração de vocação profética muito bem elaborada: como sempre, neste tipo de composição é o Senhor a tomar a iniciativa e a bater insistentemente ao coração do homem. Escolhe surpreendentemente quem é fraco, pequeno e, muitas vezes, aparentemente inadequado para a missão que deverá cumprir. Assim sucedeu com Moisés (cf. Êxodo 3), com Gedeão (cf. Juízes 6) e com Jeremias (cf. Jeremias (cf. Jeremias 1): no texto de hoje, o Senhor escolhe um jovem, ainda sem experiência.

Salmo responsorial 39/40,2-4.7-10  O Salmo 39/40 começa com a ação de graças, contando sua libertação: a pessoa humana pôs sua esperança em Deus, Deus respondeu “salvando da cova”, isto é, do grave perigo da morte. É um salmo de ação de graças individual, inspirado numa pessoa que passou por grave situação e clamou por Deus. Ela foi ouvida e agora vem agradecer, provavelmente no Templo de Jerusalém, cercada por muitos peregrinos, curiosos em saber como tudo aconteceu.

O Salmo é resultado da superação de um terrível conflito entre o justo e os injustos. O salmista afirma que, antes de clamar a Deus, estava caindo na cova fatal e no brejo de lodo (versículo 3a). Depois de clamar, Deus o libertou, o pôs em pé sobre a rocha, firmou-lhe os passos e encheu-lhe a garganta de louvores. (versículos 3b-4a).

A conseqüência da libertação é, para o salmista, um canto de ação de graças: é o próprio Deus que põe em sua boca, porque lhe permitiu viver e louvar esse Deus libertador. O salmo mostra Deus que ouve o clamor e liberta, fazendo a pessoa cantar a ação de graças.

Além da obediência sincera aos mandamentos da Aliança, Deus quer a resposta do louvor, em forma pública, para ensinamento dos outros. O salmista protesta diante de Deus por ter cumprido seu ofício perante a “assembléia”: neste louvor, a pessoa humana se torna portadora da revelação para a sua comunidade.

O rosto de Deus no salmo 39/40. Um Deus que inclina o ouvido, isto é, se aproxima (versículo 2), faz subir, coloca o fiel em pé sobre a rocha e firma seus passos (versículo 3), provocando nele a ação de graças (versículo 4). Um Deus que quer a prática da justiça em lugar de sacrifícios (versículos 7-9), pois Ele próprio é justo, fiel, salvador, amoroso e verdadeiro (versículos 10-11).

A Carta aos Hebreus (10,7), aplica a Jesus este salmo que cumpriu plenamente a vontade de Deus entregando sua vida por nós na cruz. Nos evangelhos, encontramos como Jesus realizou a vontade do Pai: “O meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra” (João 4,34). E como realizou a vontade do Pai? Basta ler os evangelhos.

Cantando este Salmo, peçamos ao Senhor a força do seu Espírito, para que sejamos capazes de compreender a nossa vocação e possamos ser fiéis cumpridores de sua vontade.

Segunda leitura – 1Coríntios 6,13c-15a.17-20. A Igreja de Corinto, fundado pelo Apóstolo Paulo no ano 51 depois de Cristo, é numericamente florescente, social e culturalmente variada, e os seus membros são na sua maioria de origem pagã-helenista. Bem depressa se manifesta divisões no interior da comunidade, devido ao ensinamento de mestres que modelam a mensagem cristã segundo as suas convicções filosófico-religiosas. Um dos problemas sobre o qual Paulo deve interferir é o conceito da corporeidade e por conseqüência da sexualidade.

A antropologia semita é muito diferente da helenista. Para os gregos, o corpo é o invólucro e a prisão em que está encerrado o espírito, a verdadeira essência do homem. Para a Bíblia hebraica, pelo contrário, o homem é uma unidade de interioridade e de exterioridade que, embora complexa, é tão forte que se pode dizer que o homem não “tem”, mas “é” um corpo. É o corpo que fornece historicidade e relações, que constrói no tempo e no espaço comunicação e comunhão com os outros e com Deus. Por isso Paulo pode afirmar que “o Senhor é para o corpo” (versículo 13c), ou seja, que o Senhor se une à pessoa na sua totalidade, às suas relações, aos seus afetos, aos sonhos e às emoções.

A partir dessas premissas, é muito discordante também a avaliação da sexualidade em comparação com a mentalidade do mundo grego. Se para os gregos o exercício da sexualidade é indiferente no que diz respeito à vida espiritual, para Paulo, na sexualidade, comercializada e sem amor, o discípulo de Cristo renega a sua própria pertença ao seu Senhor e profana o seu corpo, santuário em que pode celebrar o culto da sua vida oferecida a Deus.

No matrimônio cristão, a doação mútua dos esposos deve ser verdadeira entrega a Cristo. Vinculando a sexualidade diretamente a Cristo, Paulo preparou uma visão personal da mesma.

O corpo dos batizados é templo do Espírito Santo (versículos 18-20). Assim sendo, não pode compactuar com a fornicação, que é um pecado contra o próprio corpo, falta que Paulo esconjura. Há outros pecados contra o corpo (suicídio, embriagues...), mas a fornicação é praticada no corpo e com o corpo, sendo mais corporal ou carnal, já que na prática sexual o corpo e espírito, corpo e pessoa, corpo e individualidade estão mais simultaneamente envolvidos do que em qualquer outra atividade. O instinto do pudor nos mostra como as experiências sexuais marcam a personalidade! Na prostituição não se compra apenas um corpo: vende-se o próprio corpo, solapa-se a consciência do seu valor pessoal. O pecado carnal não fica só na carne. Os diretores de consciência garantem que os pecados da carne enfraquecem as faculdades superiores: inteligência e vontade.
Evangelho – João 1,35-42.  Todo o primeiro capítulo do Evangelho de João é uma introdução ao resto do Evangelho. Como no trailer de um filme os principais atores são apresentados no papel que desempenham, assim João deu à introdução de seu Evangelho a forma de uma apresentação dos principais personagens e grupos de pessoas cujo papel posterior já é sugerido. Neste “trailer” João Batista desempenha o papel de apresentador. Por meio dele conhecemos Jesus e também os que crerão Nele (João 1,35-41), como os judeus que O rejeitarão (João 1,19-28).

O Evangelho de João apresenta Jesus como a realização das expectativas mais profundas da pessoa humana. Para mostrar isso desde o início, ele acumula no primeiro capítulo uma multidão de títulos messiânicos atribuídos a Jesus. João nos dá esta lista: Logos (versículos 1.14); Deus (versículos 1c.18b); a Vida e a Luz (versículo 4; cf. 5.9); o Unigênito (versículos 14d.18b); o Filho (versículo 18); o Cordeiro de Deus (versículos 29.36); o Filho de Deus (versículos 34.49); o eleito de Deus (versículo 34); o Messias (versículo 41); cf. 45); o Rei de Israel (versículo 49); o Filho do Homem (versículo 51. São doze os títulos só no primeiro capítulo.

O texto da liturgia de hoje é a primeira parte do episódio de João 1,35-51, que narra a vocação de Pedro e André, Filipe e Natanael. O episódio todo é constituído  conforme o princípio da “transmissão de convite”. Jesus encontra João; este coloca dois de seus discípulos em contato com Jesus; seguem o divino Mestre (João 1,35-39). Um deles André (João 1,40), convida seu irmão Pedro (João 1,41-42). Depois Jesus encontra Filipe (versículo 43) e este convida Natanael. A atuação de André, convidando Pedro, e de Filipe, convidando Natanael, é estritamente paralela. Possivelmente, o Evangelho recorde estas coisas com tanto carinho, porque prefiguram a missão dos primeiros cristãos, que depois da morte de Jesus deviam levar o convite adiante, de pessoa a pessoa, como ainda nós hoje.

A lição obvia do relato é bem simples: alguns amigos, provavelmente Filipe e André (sempre juntos, aliás, no Evangelho: João 2,40-45; 6,5-9; 12,20-21; Atos 1,13), que também são discípulos do Batista (versículo 35) descobrem o Messias e o seguem. É o início de sua vocação apostólica. Bem depressa, aliás, eles o comunicam a seus irmãos ou conhecidos (versículos 41 e 45) e fazem nascer outras duas vocações apostólicas: de Pedro e Natanael.

Uma teologia da vocação transparece, pois, na narrativa de João. A rede dos conhecimentos humanos pode contribuir para o despontar de uma vocação: a amizade, a concidadania, a troca de um ideal comum em torno do Batista, a fraternidade segundo a carne foram ocorrências da vocação de quatro discípulos. A vocação não é um chamado desumanizado; e ela toma vulto das nas relações humanas mais naturais e comuns.

E, no entanto, a vocação é, claramente, um apelo de Deus e de Cristo: a autoridade com que Cristo troca o nome de Simão (versículo 42b), o olhar que Jesus lança sobre Pedro, é mais expressivo do que qualquer palavra (versículo 42a), o conhecimento misterioso que Jesus tem de Natanael (versículo 48) e sobretudo, a estranha atração  do Mestre pelos dois discípulos de João Batista (versículo 38), demonstram claramente que, embora inserida no humano, a vocação é iniciativa de Deus. Assim, ao mesmo tempo, apelo divino e atitude humana, a vocação prolonga na vida de cada pessoa “chamada” o mistério do Homem-Deus.

Alem desta cena tão simples da vocação dos primeiros apóstolos, João nos convida a importantes desdobramentos doutrinais, válidos para todos os discípulos de Cristo. A narração gira em torno de palavras-chaves: seguir e procurar (versículos 37 e 38) e uma tríplice recompensa: encontrar, ver e morar (versículos 39-41).

Para João, “seguir Cristo” tem uma ressonância mais escatológica do que nos outros evangelistas: é munir-se dos meios prescritos para um dia chegar lá onde “mora” Cristo (João 12,26; 10,9-10). Ora, Cristo vive numa glória adquirida pela cruz; é portanto normal que o discípulo, por sua vez, se engaje nessa cruz para segui-Lo (Mateus 16,24; João 12,26).

A “morada” é igualmente um tema que muito se aproxima da glória (João 14,1-3; 14,10) e a estada que os discípulos André e Filipe têm na morada misteriosa de Cristo, no término de suas pesquisas (versículos 35 e 39), traz presente perfeitamente esta casa do Pai onde, um dia, todos os discípulos de Cristo o encontrarão na glória.

A dupla “procurar-achar” é também significativa. Já o encontramos nos escritos de Lucas a respeito da cena no Templo de Jerusalém, quando Jesus ali ficou, sem os pais saberem, como que para levá-los a procurar o Menino (Lucas 2,41-51). Assim, a dupla “procurar-achar” adquire, sob a caneta de João, um colorido nitidamente sapiencial que não estava, aliás, totalmente excluída da narração de Lucas 2,41-51, se lembrarmos que aquele relato está cercado de versos referentes à sabedoria de Jesus (Lucas 2,40.52)

A vocação geral do Apóstolo ou a vocação geral do discípulo e do cristão seguem, finalmente, o mesmo itinerário, exigem idênticas disposições de espírito e a mesma atitude de Deus. O apelo de Deus convida a compartilhar de sua vida e de sua glória, convida a Nele permanecer; porém o caminho que conduz a pessoa humana a essa glória passa necessariamente pela cruz e morte de seu egoísmo latente.
  
3- A PALAVRA CELEBRADA VIVIDA NO COTIDIANO DA VIDA
       
Do mesmo modo que acontece com Samuel, nós também necessitamos de muitos chamados de Deus para identificar a sua voz e, especialmente, para compreender o que ele quer de nós.

Deus nos chama muitas vezes, na adesão aos Sacramentos, no convite À vocação; chama-nos de muitas formas e, com certeza, cada um de nós recorda o momento singular em que, como Samuel, identificou claramente a sua voz, momento definitivo de nossa adesão a ele.

Mesmo assim, ao escutá-lo, nem sempre é fácil decidir-nos, como o salmista, pela alegria de fazer a sua vontade. Seguidamente, ousamos pedir-lhe que faça a nossa vontade e relutamos em compreender quando esta não se concretiza.

Na verdade, só conseguimos entender as propostas do Senhor quando experimentamos o encontro pessoal com Jesus Cristo. A cada encontro nos vemos transformar e, mesmo que as dificuldades envolvam nossa caminhada, não o deixamos. Dia a dia nos comprometemos com ele e com seu plano de amor. O encontro com Jesus, tal qual aconteceu com os discípulos, invade nossa vida e, a partir daí, nunca mais seremos os mesmos.

“Essa realidade se faz presente em nossa vida por obra do Espírito Santo, o qual também nos ilumina e vivifica através dos sacramentos. Em virtude do Batismo e da Confirmação, somos chamados a ser discípulos missionários de Jesus Cristo e entramos na comunhão trinitária na Igreja. Esta tem seu ponto alto na Eucaristia, que é princípio e projeto da missão do cristão” (Documento de Aparecida, 153).

Experimentamos a presença de Jesus e nos tornamos seus discípulos-missionários comprometidos em anunciá-lo para que mais pessoas o conheçam, possam amá-lo e transformem-se, também, em seus discípulos.

Nas exigências do mundo atual, esta não é uma tarefa fácil; é preciso que estejamos constantemente na presença de Jesus para que ele nos fortaleça e sejamos capazes de conduzir outras pessoas para esse encontro.

O novo Projeto de Evangelização da Igreja do Brasil, à luz da Conferência de Aparecida, propõe uma pedagogia da Missão Permanente. Nesta pedagogia, o processo de formação do discípulo-missionário tem como um de seus aspectos fundamentais o encontro com Jesus Cristo, que culmina com a maturidade do discípulo pelo testemunho pessoal, repercutindo no anúncio e na ação missionária na comunidade.

“O encontro com Jesus, graças à ação invisível do Espírito Santo, realiza-se na fé recebida e vivida na Igreja” (Documento de Aparecida, 246).
E onde encontramos Jesus hoje?

Nós o encontramos na oração pessoal e comunitária, na Sagrada Escritura, na Sagrada Liturgia, assim como no irmão que necessita de nosso auxílio e afeto, seja qual for o motivo (cf. Mateus 25).

Assim, temos o vivo convite para que o encontro com Jesus, o qual nos inunda com seu amor, não seja guardado apenas para nós, mas que nos deixemos transformar e, como São Paulo, digamos: “Ai de mim, se eu não evangelizar” (1Coríntios 9,16).

4- A PALAVRA SE FAZ CELEBRAÇÃO

Cristo entrega seu Corpo e sua Palavra à comunidade

A comunidade, como discípula obediente de Jesus, é orientada a não deixar “cair por terra nenhuma de suas palavras”. Seu crescimento na fé e a contínua presença do Senhor em sua vida estão ordenadas a fazer plena e real a graça na própria existência do discípulo, lá onde ele mora. Onde habitamos – leia-se onde e com quem desenvolvemos nossos afetos e relações, nas situações em que desenvolvemos nossa inteligência e aplicamos nossas energias – é lugar para cumprimento da Palavra de Deus.

Cesário de Arles, nos séculos V-VI foi monge e bispo dedicado à pregação. É dele o seguinte ensinamento:

“Eu lhes pergunto, irmãos e irmãs, digam o que, na opinião de vocês, tem mais valor: a Palavra de Deus ou o Corpo de Cristo? Se quiserem dar uma verdadeira resposta, certamente deverão dizer que a Palavra de Deus não vale menos que o Corpo de Cristo. E por isso, todo cuidado que tomamos quando nos é dado o Corpo de Cristo, para que nenhuma parte escape de nossas mãos e caia por terra, tomemos este mesmo cuidado, para que a Palavra de Deus que nos é entregue, não morra em nosso coração enquanto ficamos pensando em outras coisas ou falando de outras coisas; pois aquela pessoa que escuta de maneira negligente a Palavra de Deus, não será menos culpada do que aquela que, por negligência, permitir que caia por terra o Corpo de Cristo”.

Acompanhar o Senhor e viver com Ele

Na Liturgia, a cada celebração, encontramos Jesus: “Ao vivê-la, celebrando o mistério pascal, os discípulos de Cristo penetram mais nos mistérios do Reino e expressam, de modo sacramental, sua vocação de discípulos e missionários” (Documento de Aparecida, 250).

Como a nossa comunidade realizará o seu discipulado daqui para frente, no ano novo que se abre perante nossos olhos, no caminho que expande aos nossos pés é questão urgente a ser respondida. Acompanharemos o Senhor Jesus por onde Ele for e onde Ele estiver para aprender e viver com ele – seja na dor ou na alegria de nossos irmãos e irmãs, segundo suas circunstâncias de vida – na busca de realizar a vontade de Deus? Aí está uma situação que deveremos resolver a contento, sob pena de contrariar o conselho do Apóstolo: “Porventura ignorais que vossos corpos são membros de Cristo? Quem adere ao Senhor torna-se com ele um só espírito (...) Ou ignorais que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo que ora em vós e que vos é dado por Deus? (...) Então, glorificai a Deus com o vosso corpo.”

5- ORIENTAÇÕES GERAIS

1. Cada pessoa que chega deve sentir-se de fato na Casa aconchegante de Deus. Por isso, é de suma importância que todos sejam bem acolhidos, num espaço também acolhedor. Não de Maneira formal, artificial, como acontece muitas vezes em ambientes de prestação de serviços públicos. Mas de maneira profundamente humana, carinhosa, afetuosa, divinamente humana. Acolher na celebração é uma forma de oração! Valorizar o encontro de irmãos, a acolhida das pessoas e alegria que deverá perpassar toda a celebração.

2. O mês de janeiro, para muitos, é um período de férias e descanso. Valorizar este tempo como propício para avaliação da vida e um encontro mais profundo como o Senhor. Não devemos sobrecarregar nossas comunidades com muitos serviços. O descanso também é sagrado.

3. Dia 20, lembramos São Sebastião. Muitas comunidades celebram a festa do mártir que deu a vida por amor a Cristo e à Igreja, dia 21, lembramos a memória de Santa Inês, virgem e mártir. Inês pertencia à nobreza romana, mas era antes de tudo cristã. O nome Inês deriva de uma palavra grega que significa “casta”.

6- MÚSICA RITUAL

O canto é parte necessária e integrante da liturgia. Não é algo que vem de fora para animar ou enfeitar a liturgia. Por isso devemos cantar a liturgia e não cantar na liturgia. Os cantos e músicas, executados com atitude espiritual e, condizentes com cada domingo, ajudam a comunidade a penetrar no mistério celebrado. Portanto, não basta só saber que os cantos são do Tempo Comum, é preciso executá-los com atitude espiritual. A escolha dos cantos deve ser cuidadosa, para que a comunidade tenha o direito de cantar o mistério celebrado. A função da equipe de canto não é simplesmente cantar o que gosta, mas cantar o mistério da liturgia deste 2º Domingo do Tempo Comum. Os cantos devem estar em sintonia com o Ano Litúrgico, com a Palavra proclamada e com o sacramento celebrado. Não devemos esquecer que toda liturgia é uma celebração da Igreja corpo de Cristo e não de um grupo, de uma pastoral ou de um movimento.

Ensina a Instrução Geral do Missal Romano que o canto de abertura tem por objetivo, além de unir a assembleia, “inseri-la no mistério celebrado” (IGMR nº 47). Nesse sentido o Hinário Litúrgico III da CNBB nos oferece uma ótima opção, que estão gravados no CD: Liturgia VI e Cantos de Abertura e Comunhão. Encontramos também no Ofício Divino das Comunidades ótimas opções.

1. Canto de abertura.  Louvor a Deus num horizonte universal (Salmo 65/66,4). Cantando o Salmo 65/66, somos chamados a adorar o Senhor com todo o universo. “Toda a terra te adore, ó Senhor do universo”, CD Liturgia VI, melodia da faixa 1.

Outro ótimo canto de abertura, para esta celebração, em consonância com o mistério celebrado, sobretudo com a segunda leitura, pode ser: “Nós somos muitos, mas formamos um só corpo”, CD: Cantos de Abertura e Comunhão, melodia da faixa 6. Todas as estrofes coincidem na afirmação da identidade da assembléia com o Corpo de Cristo sob os aspectos vários da participação litúrgica e existencial: reunião, o partir o pão, o cálice abençoado, a obediência, a memória, o mesmo Espírito, etc. O Senhor sempre necessitou de cristãos comprometidos para ajudar na messe. Como o Senhor chamou seus primeiros discípulos, Ele continua nos chamando hoje para a missão junto ao povo de Deus, sobretudo os mais sofridos. Uma terceira excelente opção também pode ser o canto: “O Senhor necessitou de braços”, CD: Cantos de Abertura e Comunhão, melodia da faixa 9. Como canto de abertura, não podemos deixar de entoar um destes cantos, que nos introduz no mistério a ser celebrado.

2. Ato penitencial. Sugerimos a fórmula 1 do Missal Romano, página 393, que contempla a Verdade de Deus que ilumina os povos e a Vida que renova o mundo. Pode-se substituir o Ato Penitencial pela aspersão com água.

3. Hino de louvor. “Glória a Deus nas alturas...” Vejam o CD Tríduo Pascal I e II e também no CD Festas Litúrgicas, Partes fixas do Ordinário da Missa do Hinário Litúrgico III da CNBB e também a versão da CNBB musicado por Irmã Miria e outros compositores.

O Hino de Louvor, na versão original e mais antiga, é um hino cristológico, isto é, voltado para Cristo, que exprime o significado do amor do Pai agindo no Filho. O louvor, o bendito, a glória e a adoração ao Pai (primeira parte do Hino de Louvor) se desdobram no trabalho do Filho Único: tirar o pecado do mundo, exprimindo e imprimindo na história humana a compaixão do Pai. Lembremo-nos: o Hino de Louvor não se confunde com a “doxologia menor” (Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo). O Hino de Louvor encontra-se no Missal Romano em prosa ou nas publicações da CNBB versificado numa versão que facilita o canto da assembléia. 

4. Salmo responsorial 39/40. A alegria de assumir a vocação de Deus: “Eis-me aqui”. “Eu disse: Eis que venho, Senhor, com prazer faço a vossa vontade!” CD: Liturgia IX, melodia da faixa 1.

O Salmo responsorial é uma resposta que damos àquilo que ouvimos na primeira leitura. Isto mostra que o salmo é compromisso de vida e ele também atualiza e leitura para a comunidade celebrante. Primeira leitura, Palavra proposta e o salmo Palavra resposta. Por isso deve ser cantado da Mesa da Palavra (Ambão) por ser Palavra de Deus. Valorizar bem o ministério do salmista.

5. Aclamação ao Evangelho. “Fala, Senhor, teu servo escuta” (1Samuel 3,10); “Encontramos o Messias!” (João 1,41.17b). “Aleluia... Fala, Senhor, que te escuta teu servo! Tu tens palavras de vida eterna! CD: Liturgia XI, melodia da faixa 2. O canto de aclamação ao evangelho acompanha os versos que estão no Lecionário Dominical, página 250.

Aleluia é uma palavra hebraica “Hallelu-Jah” (“Louvai ao Senhor!”), que tem sua origem na liturgia judaica, ocupa lugar de destaque na tradição cristã. Mais do que ornamentar a procissão do Evangeliário, sempre foi a expressão de acolhimento solene de Cristo, que vem a nós por sua Palavra viva, sendo assim manifestação da fé presença atuante do Senhor.

Esta aclamação é quase sempre “ALELUIA” (menos nas missas da Quaresma por seu um tempo penitencial). É uma aclamação pascal a Cristo que é o Verbo de Deus. É um vibrante viva Deus. Os versos que acompanham o refrão devem ser tirados do Lecionário.

6. Apresentação dos dons. O canto de apresentação das oferendas, conforme orientamos em outras ocasiões, não necessita versar sobre pão e vinho. Seu tema é o mistério que se celebra acontecendo na fraternidade da Igreja reunida em oração. “De mãos estendidas”, CD Liturgia VI, melodia da faixa 4.

7. Canto de comunhão. O Cordeiro veio ao mundo para tirar o pecado da humanidade (João 1,29). Sem dúvida, o canto de comunhão mais adequado para esse Domingo é “Jesus passa e o Batista aponta: “Eis o Cordeiro de Deus!”, (João 1,35-36) articulado com o Cântico de Zacarias (Lucas 1,68-79), CD: Liturgia VI, melodia da faixa 5. No Hinário Litúrgico III da CNBB, encontramos outras duas versões do Cântico de Zacarias nas páginas 346 e 347. Este canto retoma o Evangelho na comunhão de maneira autentica. O refrão para este domingo é: “Houve um tempo em que éramos  trevas, hoje andamos à luz de tua luz. Tua face é que nos ilumina, para andarmos no claro, ó Jesus!”.

O canto de comunhão deve retomar o sentido do Evangelho do 2º Domingo do Tempo Comum, o Domingo do Cordeiro de Deus. Esta é a sua função ministerial. Na realidade, aquilo que se proclama no Evangelho nos é dado na Eucaristia, ou seja: é o Evangelho que nos dá o “tom” com o qual o Cristo se dirige a nós em cada celebração eucarística reforçando estes conteúdos bíblico-litúrgicos, garantindo ainda mais a unidade entre a mesa da Palavra e a mesa da Eucaristia. Isto significa que comungar o corpo e sangue de Cristo é compromisso com o Evangelho proclamado. Portanto, o mesmo Senhor que nos falou no Evangelho, nós o comungamos no pão e no vinho.

Forma de executar o Canto de Comunhão. A forma que a tradição litúrgica oferece para o Canto de Comunhão, a de um refrão tirado do texto do Evangelho do dia alternado por versos de um salmo apropriado, foi mantida no 3º fascículo do Hinário Litúrgico da CNBB, nos cantos de Comunhão dos Anos A, B e C.

9. Canto de louvor a Deus após a comunhão. Este canto é opcional. O que não pode faltar é o sagrado silêncio após a comunhão. Enquanto a assembléia ora uns instantes em silêncio, “pode-se” entoar um salmo ou canto de louvor a Deus.

7- ESPAÇO CELEBRATIVO

1. Gregório Lutz, conhecido liturgista, há pouco tempo lançou um escrito
chamado “Eucaristia, a família de Deus em festa”. Nesse opúsculo, ele relata e argumenta de forma bastante clara e simples sobre a dimensão “festiva da Eucaristia”. Ele diz que esse caráter festivo pode ser visualizado nas vestes dos convidados, nas toalhas, velas e flores do espaço, que indicam a presença daquele que é festejado e da alegria dos convidados em desfrutarem a sua “hora”.

2. Com simplicidade, o espaço sagrado deve manifestar esta alegria de celebrarmos a “Festa de Deus com a humanidade”. Toalhas simples, limpas e bonitas, sem muitos brocados e bordados, que transmitam a dignidade do acontecimento. Tudo deve evocar a alegria de vestes dos ministros e ministras não podem chamar mais atenção do que Aquele que deve ser lembrado e que deve transparecer na proclamação dos textos e na oração de ação de graças e suplica.

3. Vemos por aí muito exagero nas vestes – muito brilho, muito glamour, muitos floretes – e nas toalhas e demais alfaias – rendas, brocados, franjas, pregas até na toalha do Altar – que dão às vestes litúrgicas das pessoas e do altar a aparência de “figurino” de teatro, de árvore de Natal ou alegoria. Beleza não é sinônimo de estardalhaço visual, plumas e paetês. Isso fica bem no carnaval. Mas o bom uso das cores, dos tons irá conduzir a feliz certeza da presença de Deus que nos põe em ritmo de festa...

8. AÇÃO RITUAL

Na celebração, recordamos nossa vocação de participantes na Páscoa de Cristo Jesus. Toda nossa vida é lida e construída a partir deste acontecimento. Nossa vida vai sendo assumida como extensão da vida do Crucificado-Ressuscitado que está presente em nosso meio e trabalha – qual servo – conosco em favor do Reinado de Seu Pai.

Ritos Iniciais

1. Um pouco antes da celebração, a comunidade pode cantar um refrão meditativo.

2. Logo após o beijo do Altar e terminado o canto de abertura, sugerimos que a saudação do presidente seja a fórmula “c” do Missal Romano inspirada em 2Tessalonicensses 3,5:

“O Senhor, que encaminha os nossos corações para o amor de Deus e a constância de Cristo, esteja convosco”.

3. Após a saudação inicial, conforme propõe o Missal Romano, dar o sentido litúrgico da celebração, isto é, o mistério celebrado:

Domingo do testemunho de João Batista. Ajudados por João Batista, reconhecemos Jesus como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, fazemos a experiência da intimidade com Ele e renovemos o compromisso de dar testemunho em Seu nome.

4. Após a saudação inicial, apresentar o sentido da celebração, abrindo para a recordação da vida, com acontecimentos que marcaram a semana que passou: fatos tristes e alegres da comunidade, da diocese, do Brasil e do mundo, procurando perceber, na história, a realização da Páscoa do Senhor na vida. Valorizar o testemunho de pessoas ou instituições que apontam para o Cordeiro de Deus, libertando as pessoas da cegueira, das drogas e dos vícios, do analfabetismo, das doenças, da tristeza e do abandono. Esse testemunho pode ser dado também durante a homilia.

5. Para o Ato penitencial sugerimos a fórmula 1 do Missal Romano, página 393, que contempla a Verdade de Deus que ilumina os povos e a Vida que renova o mundo.

6. Muito significativo, no início do tempo comum, substituir o Ato Penitencial pela bênção da água e recordação do batismo.

7. Cada Domingo do Tempo Comum é Páscoa semanal. Cantar de maneira festiva o Hino de louvor (glória).

8. Que Deus nos dê a sua paz. A Oração do Dia reza por todos os que se empenham pela paz e pela justiça de Deus, os “servos” e “filhos” de Deus. Com isso, o tema da reflexão de hoje é o tema da vocação a ser filho e filha de Deus, conforme o modelo de Jesus Cristo, proclamado tal na ocasião de seu batismo. A nossa vocação é uma participação na do Cristo, mediante o Espírito que permanece Nele e nos faz permanecer Nele, para que nós, os novos servos de Deus, sejamos aqueles que, de todos os modos possíveis, tirem o pecado do mundo, empenhando-nos pela paz e justiça de Deus.

Rito da Palavra

1. Todo o enfoque da celebração está no segmento obediente a Jesus, Palavra de Deus entre nós. Uma procissão luminosa com o Evangeliário seria muito precisa para manifestar esta dimensão vocacional da vida cristã. Podem-se envolver homens e mulheres que tenham algum trabalho específico no âmbito da promoção da vida, da justiça e da paz ou mesmo, crianças da catequese/comunidade, que são a promessa feliz no seguimento de Jesus e do crescimento na fé no Evangelho. Onde for possível, sugerimos que a comunidade se aproxime do Ambão e fique ao redor para escutar a proclamação da Boa-Nova.

2. A profissão de fé poderá ser recitada pela comunidade, tendo o Evangeliário em destaque diante da assembléia.

3. João no seu Evangelho destaca vários títulos do Messias. Substituir as preces pela Ladainha dos títulos de Jesus em João. Podemos chamar de Ladainha do Verbo de Deus:

Senhor, tende piedade de nós. (bis)
Cristo, tende piedade de nós. (bis)
Senhor, tende piedade de nós. (bis)

Jesus, Cordeiro de Deus, tende piedade de nós.
Jesus, Verbo de Deus, tende piedade de nós.
Jesus, Deus verdadeiro, tende piedade de nós.
Jesus, Caminho Verdade e Vida, tende piedade de nós.
Jesus, Luz do mundo, tende piedade de nós.
Jesus, Unigênito do Pai, tende piedade de nós.
Jesus, Eleito de Deus, tende piedade de nós.
Jesus, Messias, tende piedade de nós.
Jesus, Filho do Deus Vivo, tende piedade de nós.
Jesus, Filho do Homem, tende piedade de nós.
Jesus, Sabedoria eterna, tende piedade de nós.

Rito da Eucaristia

1. Na oração sobre as oferendas contemplamos a Eucaristia como Sacramento da nossa Redenção.

2. A Oração Eucarística V traz algumas expressões que seriam bastante elucidativas acerca do mistério celebrado, permitindo uma ligação mais íntima com a Liturgia da Palavra, sendo seu desdobramento natural: “Senhor que sempre quisestes ficar muito perto de nós, vivendo conosco no Cristo, falando conosco por ele (...)”; “Queremos a vós oferecer (...) este vinho que nos salva e dá coragem”; “Protegei a vossa Igreja que caminha nas estradas do mundo”. Uma boa melodia encontra-se gravada no CD Ação de Graças no Dia do Senhor (Paulinas – COMEP).

3. Se não for escolhida a Oração Eucarística V, sugerimos o Prefácio dos Domingos do Tempo Comum I, no qual contemplamos o Mistério Pascal de Cristo como luz eterna e também a vocação a sermos um povo santo. Assim manifesta mais claramente o mistério celebrado. Seguindo esta lógica, cujo embolismo reza: “Por ele vós nos chamastes das trevas à vossa luz incomparável, fazendo-nos passar do pecado e da morte à glória de sermos o vosso povo, sacerdócio régio e nação santa, para anunciar, por todo o mundo, as vossas maravilhas”. O grifo no texto identifica aqueles elementos em maior consonância com o Mistério celebrado neste Domingo e que pode ser aproveitado na própria, ao modo de mistagogia. Usando este prefácio, o presidente deve escolher a I, II ou a III Oração Eucarística. A II admite troca de prefácio. As demais não admitem um prefácio diferente. Elas não podem ter os prefácios substituídos com grave prejuízo para a unidade teológica e literária da eucologia.

4. Para as comunidades que celebram a Palavra de Deus com Ação de Graças e distribuição do pão consagrado, o mesmo CD traz uma versão de louvor, que se aproxima do mistério que se proclama na Oração Eucarística V, sem, contudo, causar qualquer confusão, conforme recomenda a CNBB.

5. Solenizar a partilha do pão eucaristizado, destacando, na proclamação no canto entoado pelo (a) solista, e acompanhado pela assembléia com o canto profundamente contemplativo e orante do Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo... Sendo um momento contemplativo, evitar bater palmas e ginástica litúrgica na fração do pão.

6. Na apresentação do pão e do vinho consagrados, antes da comunhão, sugerimos que se use o versículo bíblico conforme a versão latina: “Felizes os convidados para as núpcias do Cordeiro...”.

7. Não sendo possível repartir entre todos, convém, em razão do sinal que se expressa, que alguma parte do pão eucarístico obtido pela fração seja distribuída ao menos a algum fiel no momento da comunhão (cf. Redemptionis Sacramentum, 49).

8. Da mesma forma, valorize-se, na medida do possível, a comunhão do cálice, sob a espécie de vinho, para todos os fiéis, pois assim se “ressalta mais perfeitamente o sinal do banquete eucarístico, e expressa-se com mais clareza a vontade segundo a qual a nova e eterna Aliança, foi selada no sangue do Senhor, e, ainda, a relação entre o banquete eucarístico e o banquete escatológico no Reino do Pai (cf. Mt 27-29)” (Guia Litúrgico Pastoral, p. 30).

Ritos Finais

1. A oração após a comunhão pede que o Espírito da caridade, que é dom permanente de Cristo, nos faça viver unidos com o amor do Pai.

2. Com base na oração sobre o povo n. 2 do Missal Romano, apresentamos o texto abaixo, incrementando-o com aspectos sintéticos do mistério celebrado neste domingo:

Concedei, ó Deus, aos vossos filhos e filhas, vossa assistência e vossa graça;
dai-lhes ouvidos de discípulos e coragem no testemunho da vossa Palavra; fazei que se amem como irmãos e estejam sempre atentos à vossa vontade. Por Cristo, nosso Senhor. Amém. (segue-se com a bênção...)

3. As palavras do rito de envio podem estar em consonância como mistério celebrado: Mostrem a todos com o vosso testemunho o Cordeiro de Deus. Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe.

9- CONSIDERAÇÕES FINAIS

É para nos lembrar disso que seis vezes em cada Missa se reza: “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, tende piedade de nós, dai-nos a paz”. Para conseguirmos isso, para sermos capazes desta missão, nós nos alimentamos com o Corpo e Sangue do Cordeiro imolado e ressuscitado que nos encoraja na missão.

O objetivo da Igreja é ajudar os padres e as comunidades de nossa diocese e todas aquelas comunidades fora de nossa diocese que acessar nosso site celebrar melhor o mistério pascal de Cristo.

Um abraço fraterno a todos


Pe. Benedito Mazeti
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