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quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

4º DOMINGO DO ADVENTO - ANO B

24 de dezembro de 2017

Leituras

         2Samuel 7,1-5.8b-12.14a.16. Vou preparar um lugar para o meu povo.
         Salmo 88/89,2-5.27.29. De geração em geração eu cantarei vossa verdade.
         Romanos 16,25-27. Agora esse mistério foi manifestado.
         Lucas 1,26-38. O Espírito virá sobre ti.


“ALEGRA-TE, CHEIA DE GRAÇA, O SENHOR ESTÁ CONTIGO!”


1- PONTO DE PARTIDA

Domingo de Maria grávida. Estamos bem próximos! É o Quarto Domingo do Advento. Neste Domingo, já se forma um clima de expectativa e preparação final.

Estamos reunidos com Maria, a “mulher cheia de graça”, como ouvimos da boca do anjo! Com Maria ouvimos a Palavra. Com Maria celebramos a Eucaristia: memória da Páscoa de Jesus que deu sentido pleno ao Natal. Se não fosse a Páscoa, o Natal não seria o que é: tão importante para nós! Nem mesmo Maria seria o que ela é: tão importante para a humanidade como Mãe do Salvador e nossa mãe!

Lembrando a espera de Maria, preparemo-nos para a novidade de Deus que chega para nós neste Natal. Bendigamos o Pai pela manifestação do seu Filho em nossa vida, fazendo que toda a humanidade entre no dinamismo do seu amor e da sua fidelidade.

2- REFLEXÃO BÍBLICA, EXEGÉTICA E LITÚRGICA

Primeira leitura – 2Samuel 7,1-5.8b-12.14. O Filho de Davi. O Deus que tirou Israel do Egito e fez com ele uma Aliança (Êxodo 20,2; 24,3-8), também estabeleceu Davi como rei, como “Servo” predileto (2Samuel 7,5). Quando Davi quer construir uma “casa” (= templo) para Deus, este manda Natã dizer que nunca precisou de casa alguma, mas acompanhou Israel numa tenda (7,6b), em todas as circunstâncias (7,9) Por isso, Deus construirá uma “casa” (= dinastia) para Davi, firme para sempre. Esta promessa é plenamente realizada em Jesus, Filho de Maria, na linguagem de Davi (cf. 1Crônicas 17,1-15 – 2Samuel 7,1-3 cf. Deuteronômio 12,9-10; Salmo 131/132,1-5 – 2Samuel 7,8-11 cf. 1Samuel 16,11; salmo 77/78,70-71; 88/89,4.28-30 – 2Samuel 7,16 cf. 2Samuel 23,5; Lucas 1,32-33).

Na verdade a tradição primitiva teve que responder à dupla apreensão de Davi: o futuro de sua dinastia, e o futuro de seu povo. Sabemos que Davi não é rei de uma nação homogênea: suas sucessivas unções no Sul (2Samuel 2,1-4), no Norte (2Samuel 5,1-3) e depois em Jerusalém (2Samuel 5,6-10) demonstram, claramente, que sua realeza ainda era feita de fragmentos e porções.

Toda a passagem (7,1-16) está moldada de um jogo de palavras. O versículo 5: “Eis o que diz o Senhor: Não és Tu quem me edificará uma casa para eu habitar”; versículo 11: “O Senhor anuncia-te que Ele quer fazer-te uma casa”; versículo 16: “Tua casa e teu reino estão estabelecidos para sempre diante de Mim”. Casa significa alternadamente templo, descendência e dinastia. Todo este jogo de palavras é usado para ensinar, de um lado, que Deus é totalmente independente da dinastia davídica, a partir de seu fundador (cf. versículos 8-9), é totalmente dependente de Deus. Deus não precisa de uma casa ou de um templo para estar presente no meio de seu povo ou para manifestar essa presença. Sua ação na história não está ligada a um lugar santo e não é de nenhum modo geograficamente limitada. Um templo não servirá a título nenhum de garantia da presença de Deus, nem de meio de pressão para obrigá-Lo a agir (cf. 1Reis 8,27; Isaias 66,1ss; Atos 7,48).

Estas intuições teológicas chega ao seu auge em textos do Novo Testamento como João 1,14: “O Verbo se fez carne e habitou entre nós”, isto é armou a sua tenda entre nós; João 2,21: “O templo do qual Jesus falava era o seu próprio corpo (ressuscitado)”; cf. João 4,20-26; 1Coríntios 3,16-17). Em Cristo todos são assumidos na Aliança filial entre Deus e as pessoas, que Nele, o descendente de Davi por excelência, se tornam Pai e filhos e morada viva de Deus.

Salmo responsorial – Salmo 88/89,2-5.27.29. O Salmo reflete uma liturgia de louvor no Templo de Jerusalém. O termo e tema central é sem dúvida o de “rei da glória” (versículos 7-8). Mas a fórmula assumirá significado profundamente novo em Belém: aí o cenário será simples e muito humano. É considerado um Salmo real ou régio.

O hino começa com uma introdução (versículos 2-5) Aí aparecem as duas palavras-chave deste Salmo: “amor e fidelidade de Deus”. Afirma-se que o amor foi construído para sempre e a fidelidade é mais firme que o céu (versículo 3). Essas duas palavras aparecem, respectivamente, sete e dez vezes ao longo dos 53 versículos do Salmo. Estão em jogo o “amor e a fidelidade” divinos, traduzidos na história do povo como “Aliança” feita ao rei Davi. Em outras palavras, o amor e a fidelidade de Deus aliado produziram uma dinastia para o Povo de Deus: Davi terá sempre um descendente no trono.

O rei é considerado filho primogênito de Deus, Altíssimo sobre os reis da terra (versículos 27-28). Deus lhe mantém para sempre seu amor e fidelidade na Aliança (versículo 29), também quando os descendentes dele ocuparem seu lugar no trono.

Qual o rosto de Deus no Salmo 88/99? O Salmo revela um Deus aliado que caminha com seu povo. Israel se orgulha de ser o escolhido de Deus, Senhor do universo e da história. É o Deus do amor e da fidelidade que produzem justiça e direito. Indiretamente, o Salmo aponta também para a função da autoridade política: ser agente da justiça e do direito que Deus quer na sociedade. Portanto, o Deus deste Salmo tem os pés no chão e faz história com seu povo.

Jesus Cristo é a expressão máxima do amor e da fidelidade de Deus (João 1,17), palavras que atravessam de ponta a ponta todo o Salmo 88/89. O tema da Aliança encontra também em Jesus seu ponto alto. A nova e eterna Aliança é selada no sangue de Cristo. O tema da unção está presente no batismo de Jesus e em toda a sua vida. O Espírito está sobre Ele para dar início à grande utopia do reinado de Deus na história. Jesus é o Messias.

Cantemos ao Senhor de todo coração porque se revela fiel às suas promessas e ao seu amor por nós para sempre.

Ó SENHIOR, QUERO CANTAR O VOSSO NOME
DESDE AGORA E PARA SEMPRE!

Segunda leitura – Romanos 16,25-27.  O Mistério de Deus revelado em Jesus Cristo e a fé universal. No hino final de Romanos, aparece o poder salvador de Deus, que confirma a comunidade nascida do Evangelho. O sentido daquilo que, como um germe, estava escondido nas antigas Escrituras, fica agora visível, e isso, para todas as nações. Porém, esta manifestação não se impõe pela força, mas exige a fé em Jesus Cristo e sua obra (cf. Efésios 3,20-21; 1Coríntios 1,8; Colossenses 2,7; 1,26-27; Efésios 3,3-12).

A revelação do Mistério é o cerne desta doxologia de Paulo. Este Mistério. Em geral, na literatura paulina, é o do acesso dos pagãos à salvação, no raiar dos últimos tempos (versículo 26); cf. (Efésios 3,8-9; Romanos 11,25; Colossenses 1,25-27). Este Mistério é concebido pela sabedoria de Deus, e “sábio por excelência” (versículo 27), que pode prever o desfecho de uma história além dos séculos, no século futuro (mesmo sentido em Daniel 2,20-28).

Este Mistério estava antes escondido no tempo (versículo 25b); cf. 1Coríntios 2,6-8), mas agora foi manifestado, primeiro por Jesus Cristo e sua morte por toda a humanidade (tema essencial da Carta aos Romanos), em seguida por Paulo e pelo Evangelho que ele deve proclamar ao mundo (tema do começo da carta: Romanos 1,5).

O Mistério também é o segredo do mundo por vir, a constituição de uma humanidade reconciliada com Deus e consigo mesmo. A sabedoria de Deus realiza este Mistério na Cruz de Cristo; os Apóstolos Dele são as testemunhas e os realizadores.

O desígnio de Deus é sempre o mesmo, salvar todas as pessoas (cf. 1Timóteo 2,4), pois Deus é fiel. Essa realidade, Paulo chama de Mistério. O Mistério corresponde à Sabedoria de Deus (versículo 27); 1Coríntios 2,7; Efésios 3,9; Colossenses 2,2-3) escondido e agora revelado (versículo 25; 1Coríntios 2,7; Efésios 3,5.9s; Colossenses 1,26).

Agora, este Mistério de Deus, isto é, sua vontade salvífica para com judeus e pagãos, que sendo revelada e comunicada revela a própria pessoa de Deus em Cristo, tornou-se conhecido das pessoas. As pessoas poderão então andar na “luz do Mistério” revelado por Deus em Cristo, isto é, viver na esperança-certeza de que Deus quer salvar todas as pessoas, viver na fé, que sendo resposta ao Evangelho engaja a pessoa humana toda e por isso é sempre obediente, obediência que é fé.

Diante do Mistério revelado, só há aceitação ou rejeição, não há meio termo. E a decisão deve ser tomada agora, não pode ser deixada para amanhã. Cristo, chave da história e do destino das pessoas, coloca toda a cada pessoa em crise, quando tem de se decidir a favor ou contra Ele.
Evangelho – Lucas 1,26-38. Maria faz parte da comunidade dos pobres que esperavam a libertação de Deus. Mas jamais esperava que podia ser ela a mãe do Salvador, pois não tinha ainda se casado. Por isso ela ficou sem entender... Ficou pensando no coração o sentido daquele anúncio... ficou confusa...

É preciso entender o quadro e o contexto histórico dos versículos 26-27. A aparição do Anjo Gabriel situa a cena da Anunciação e a situa no seu contexto profético e escatológico. Desde Daniel 8,16; 9,21.24-26, Gabriel era considerado como o depositário do segredo da contagem das “setenta semanas”, fixadas antes do estabelecimento do Reino definitivo.

O anjo aparece, inicialmente em Lucas 1,17 no Templo a Zacarias; seis meses depois (180 dias) a Maria (Lucas 1,26), após nove meses (270 dias) Cristo nasce, e 40 dias mais tarde é apresentado no Templo de Jerusalém. Ora, esses números perfazem um total de 490 dias ou “setenta semanas!”. Cada etapa é, aliás, assinalada pela expressão “completados os dias...” (Lucas 1,23; 2,6; 2,22), que dá aos eventos a significação de cumprimento profético.

Cristo é, portanto, o Messias previsto em Daniel 9, ao mesmo tempo Messias humano e misterioso Filho do homem, de origem quase divina (Daniel 7,13).

A Cena de desenrola numa pequenina casa da Galiléia, região desprezada (João 1,46; 7,41), em sensível contraste com a grandiosa cena da anunciação do Batista, no Templo de Jerusalém (Lucas 1,5-25): já se insinua aqui a oposição entre Maria e Jerusalém. Define-se desde a saudação do anjo. Este produz, com efeito, a saudação de Sofonias 3,16 e Zacarias 9,9 que faziam de Jerusalém uma saudação messiânica, destinada a anunciar-lhe a próxima vinda do Senhor “em seu seio” (sentido literal da fórmula de Sofonias 3,16). O ano Gabriel transpõe, portanto, para a Virgem, os privilégios até então atribuídos a Jerusalém.

A expressão “cheia de graça” na fórmula de Lucas indica que a Virgem era “graciosa” como Rute de Booz (Rute 2,2; 10,13), Ester perante Assuero (Ester 2,9,15,17; 5,2,8; 7,3; 8,5), como qualquer mulher aos olhos de seu marido (Provérbios 5,19; 7,5; 18,22; Cântico dos Cânticos 8,10). Esse contexto matrimonial é, pois, profundamente evocativo: há muito Deus procura uma esposa que Lhe seja fiel. Interpelada por uma expressão freqüente nas relações entre esposos, Maria compreende que Deus vai realizar, com ela, o mistério dos esponsais prometidos no Primeiro Testamento. Esse mistério atingirá mesmo um realismo inédito, pois as duas naturezas – divina e humana – vão unir-se na pessoa de Jesus.

O anjo não exige que a Virgem imponha a seu Filho o nome de Emanuel, previsto em Isaias 7,14. Nenhuma tradição, entretanto, pensava em “Jesus”, que significa “Javé nosso salvador”. Este nome evoca dois personagens do Primeiro Testamento: determinaram importantes ocorrências de salvação na história do povo: Josué, “salvador” do deserto (Eclesiástico 46,1-2) e Jesus, sacerdote por ocasião de Babilônia (Zacarias 3,1-10; Ageu 2,1-9). Jesus Cristo realizará uma salvação bem mais decisiva quando ocupar o primeiro lugar da fileira, através do sofrimento e da morte, para obter a salvação da humanidade inteira.

A criança que vai nascer será fruto de uma intervenção especial de Deus; pertencerá àquele mundo divino e celeste que a nuvem geralmente simboliza (versículo 35).

É importante refletir que um Messias que não fosse homem não poderia associar a humanidade na obra da salvação; um Messias que não fosse Filho de Deus não poderia nos ensinar a única via possível de salvação: a filial adesão ao Pai.

3- DA PALAVRA CELEBRADA AO COTIDIANO DA VIDA

Queremos acolher e viver a Palavra de hoje, assim como Maria a acolheu e viveu. Com Maria, queremos “dar à luz” Jesus e sua mensagem para o mundo, onde há milhões de pobres excluídos, na expectativa de um futuro mais humano para todos. “a missão do anúncio da Boa-Nova de Jesus Cristo tem destinação universal. Seu mandato de caridade alcança todas as dimensões da existência, todas as pessoas, todos os ambientes da convivência e todos os povos. Nada do humano pode lhe parecer estranho” (Documento de Aparecida, 380).

Maria aceita com fé a proposta divina e declara-se a serva do Senhor. Ela é modelo do discípulo cristão e mãe da humanidade. “Com sua fé, Maria chega a ser o primeiro membro da comunidade dos que crêem em Cristo, e também se faz colaboradora no renascimento espiritual dos discípulos. Sua figura de mulher livre e forte emerge do Evangelho, conscientemente orientada para o verdadeiro seguimento de Cristo. Ela viveu completamente toda a peregrinação da fé como Mãe de Cristo e depois dos discípulos, sem estar livre da incompreensão e da busca constante do projeto do Pai” (Documento de Aparecida, 266).

O Evangelho de hoje pode ser lido como a concretização perfeita e definitiva da promessa feita a Davi na primeira leitura. Os dois textos revelam a gratuidade da ação de Deus ao escolher Davi e Maria e, através deles, realizar suas maravilhas. Davi, um simples pastor de rebanhos, é ungido para ser chefe do povo de Israel; Maria, moradora de uma aldeia sem importância, torna-se a Mãe do Filho de Deus, Aquele que herdará o trono de Davi e reinará para sempre. O Deus de Israel cumpre as promessas feitas aos patriarcas, a Davi, a Maria. Davi e Maria experimentam a gratuidade da ação de Deus.

Por isso, pedimos no início da Missa: “Derramai, ó Deus, a vossa graça em nossos corações para que, conhecendo a encarnação do vosso Filho, cheguemos, por sua paixão e cruz, à glória da ressurreição”.

4- A PALAVRA SE FAZ CELEBRAÇÃO

“Cumpra-se em mim tua Palavra”
           
A Palavra da Salvação se faz gente no ventre da Mãe Maria. A fé cristã entende que, em Jesus, Deus realiza aquilo que desde a criação guardou para Israel e foi revelando pelo trabalho dos reis, pela voz dos profetas e pela lira dos cantores. No boca de Maria, imagem do povo de Israel em aliança com seu Senhor, ícone da fidelidade ao pacto que seus antepassados aceitaram de Deus, ressoa o sim às suas promessas. Não por outro motivo, ela é chamada Arca da Aliança, uma referência clara à “shechinah” (divina presença) que peregrina em meio ao povo, guardada em seu interior. É imagem da Igreja, ainda por ser claramente “Casa da Palavra”, pois em seu seio está o Verbo feito carne. Conseqüentemente se torna “Bet-Lehem”, Casa do Pão, pois o Verbo feito carne deu a si mesmo como alimento, para que vivamos a vida que o anima.

Ao celebrar Palavra, proclamando as narrativas e cantando os hinos das Escrituras, a comunidade cristã ocupa o seu lugar e se reconhece não somente grávida do Verbo, mas, sobretudo, lugar onde Ele se torna história, na concretude da vida no mundo.

Deus vem ao encontro dos mais pobres

Neste Quarto Domingo do Advento, vivemos este grande mistério: a Igreja está grávida de Cristo. Ela está para dar à luz Jesus, no hoje do nosso tempo: Deus que vem morar entre os empobrecidos; encarnar-se neles para salvá-los. Seria interessante retomar o número 401 do Documento de Aparecida, que apresenta os “novos rostos pobres”, “os novos excluídos”, frutos da globalização em que vivemos.

Celebrando a Eucaristia, entramos em comunhão com o Pobre mais pobre de todos os pobres: O Verbo eterno do Pai, que, nascido da Virgem Maria, viveu em tudo a condição humana (menos o pecado!), morreu e ressuscitou pela salvação de todos, e agora, na condição humilde de pão e vinho, se torna Corpo entregue e Sangue derramado. Comungando deste Corpo entregue e deste Sangue derramado, assimilamos, dentro de nós, o Pobre que Cristo é, para que com Ele sejamos também servos uns dos outros na construção de uma sociedade nova, onde reinem a justiça, a comunhão e a paz. É isso que Deus quer de nós ao celebrarmos o Natal do Senhor.

O mesmo Espírito nos santifica na caminhada.

A Liturgia celebrada é interpretação cultual e existencial das Escrituras. Nesse sentido, aquilo que é “dito” nos textos é “visto e vivido” nos ritos. Podemos notar esse “procedimento” na oração sobre as oferendas, que reza: “(...) o mesmo Espírito que trouxe a vida ao seio de Maria, santifique estas colocadas sobre o vosso altar” e poderíamos completar com a epiclese sobre os comungantes: “afim de que participando co Corpo e Sangue de Cristo sejamos reunidos pelo (mesmo) Espírito Santo num só corpo”. Quando nos reunimos, portanto, no amor de Cristo, faz-se a passagem do “antigo” para o “novo”, não só dos “Testamentos”, passagem essa em que reconhecemos o Novo realizando o Antigo se florescendo no Novo, mas, sobretudo, da velha criatura que rejuvenesce e volta à condição de parceira fiel de Deus.

5- ORIENTAÇÕES GERAIS

1. Neste domingo valorize-se, especialmente, a acolhida de todos que vêm para a celebração, com a mesma alegria que a Virgem Maria acolheu o Salvador em seu seio.

2. Valorizar a participação das mães gestantes nos vários momentos da celebração.

3. Embora estejamos perto do Natal, ainda é Advento. É oportuno, portanto, garantir ainda o seu clima, evitando elementos festivos tipicamente natalinos (cantos de Natal, luzes, muitas flores, etc.).
6- MÚSICA RITUAL

O canto é parte necessária e integrante da liturgia. Não é algo que vem de fora para animar ou enfeitar a liturgia. Por isso devemos cantar a liturgia e não cantar na liturgia. Os cantos e músicas, executados com atitude espiritual e, condizentes com cada domingo, ajudam a comunidade a penetrar no mistério celebrado. Portanto, não basta só saber que os cantos são do Tempo do Advento, é preciso executá-los com atitude espiritual. A escolha dos cantos deve ser cuidadosa, para que a comunidade tenha o direito de cantar o mistério celebrado. A função da equipe de canto não é simplesmente cantar o que gosta, mas cantar o mistério da liturgia deste 2º Domingo do Advento. Os cantos devem estar em sintonia com o Ano Litúrgico, com a Palavra proclamada e com o sacramento celebrado. Não devemos esquecer que toda liturgia é uma celebração da Igreja corpo de Cristo e não de um grupo, de uma pastoral ou de um movimento.

Ensina a Instrução Geral do Missal Romano que o canto de abertura tem por objetivo, além de unir a assembléia, “inseri-la no mistério celebrado” (IGMR nº 47). Nesse sentido o Hinário Litúrgico I da CNBB nos oferece uma ótima opção, que estão gravados no CD: Liturgia VIII, Advento – Anos B e C. Encontramos também no Ofício Divino das Comunidades ótimas opções.

1. Canto de abertura.  O orvalho do Céu faz o Salvador brotar da terra (Isaias 45,8). Para este Quarto Domingo do Advento é muito oportuno o canto “Oh! Vinde, enfim, eterno Deus, descei, descei dos altos céus”, CD: Liturgia VIII, melodia da faixa 7. Esta canto é inspirado em vários textos bíblicos.

2- Canto para o acendimento das velas da Coroa do Advento. “Acendamos a lamparina”, CD, Cristo, Clarão do Pai, melodia da faixa 2, Paulus. Ver no google. Outra ótima opção é o refrão: A luz virá, a luz virá e resplandecerá o novo dia! (CD: Alegrai-vos sempre no Senhor, melodia da faixa 3 – Paulus.

3- Ato penitencial - O Ato penitencial neste período pode ser feito conforme a terceira fórmula do Missal Romano, página 395. A música ver no CD, Campanha da Fraternidade 2013, melodia da faixa 4.

4. Salmo responsorial  88/89. Bondade e fidelidade de Deus para com a casa de Davi. “Ó Senhor, quero cantar o vosso nome desde agora e para sempre!”, CD: Liturgia VIII, música da faixa 8.

Para a Liturgia da Palavra ser mais rica e proveitosa, há séculos um salmo tem sido cantado como prolongamento meditativo e orante da Palavra proclamada. Ele reaviva o diálogo da Aliança entre Deus e seu povo, estreita os laços de amor e fidelidade. A tradicional execução do Salmo responsorial é dialogal: o povo responde com um refrão aos versos do Salmo, cantados um ou uma salmista. Deve ser cantado da mesa da Palavra.

5. Aclamação ao Evangelho. “Eis a serva do Senhor” (Lucas 1,38) “Aleluia... Eis a serva do Senhor! Que em mim venha cumprir-se tudo quanto me disseste”, CD: Liturgia VIII, música igual a faixa 9. O canto de aclamação ao evangelho acompanha os versos que estão no Lecionário Dominical.
A aclamação ao Evangelho é um grito do povo reunido, expressando seu consentimento, aplauso e voto. É um louvor vibrante ao Cristo, que nos vem relatar Deus e seu Reino no meio das pessoas. Ele é cantado enquanto todos se preparam para ouvir o Evangelho (todos se levantam, quem está presidindo vai até ao Ambão).

6. Apresentação dos dons. A escuta da Palavra e colocá-la em prática, deve despertar na assembléia a esperança da chegada do Senhor. A partilha nos torna sinal vivo do Senhor. O canto de apresentação dos dons, conforme orientamos em outras ocasiões, não necessita versar sobre pão e vinho. Seu tema é o mistério que se celebra acontecendo na fraternidade da Igreja reunida em oração. Neste Quarto Domingo do Advento o canto mais apropriado seria: “Muito suspira por ti teu povo fiel, tua Israel, ó santo Messias!”, CD: Liturgia VIII, música da faixa 10.

7. Canto de comunhão. “A Virgem conceberá o Emanuel, “Deus conosco” (Isaias 7,14). A melhor opção para o canto de comunhão para este Quarto Domingo do Advento é o canto: “Salve, Maria, tu és a estrela virginal de Nazaré”, CD Festas Litúrgicas III, melodia da faixa 16. Se a equipe de canto não conhecer, a Igreja oferece outras opções como: “A minha alma engrandece o Senhor, meu coração muito se alegrou...”, CD: Liturgia VIII, música da faixa 11; “O Senhor fez por mim maravilhas, Santo é seu nome, CD: Liturgia IV, música da faixa 12; “O Senhor fez por mim maravilhas, santo, santo, santo é teu nome.” CD: Liturgia VIII, música da faixa 6.  Estes cantos retomam o Evangelho na comunhão de maneira autentica. Veja orientação abaixo.

O fato de a Antífona da Comunhão, em geral, retomar um texto do Evangelho do dia revela a profunda unidade entre a Liturgia da Palavra e a Liturgia, Eucarística e evidencia que a participação na Ceia do Senhor, mediante a Comunhão, implica um compromisso de realizar, no dia-a-dia da vida, aquela mesma entrega do Corpo e do Sangue de Cristo, oferecidos uma vez por todas (Hebreus 7,27).

            8. Canto de louvor a Deus após a comunhão: Durante o Tempo do Advento omite-se este canto

7- ESPAÇO CELEBRATIVO

1. Contemplando o lugar em que celebramos, a partir da espiritualidade que nasce dos textos bíblicos e eucológicos deste 4º Domingo, não podemos deixar de reconhecer nele a esterilização da Arca da Aliança. É lugar de cumprimento daquilo que se anuncia na Liturgia da Palavra e que nos nutre, ao comungarmos do Pão e Vinho Eucaristizados.

2. Nesse domingo, a imagem de “Nossa Senhora grávida” pode estar no átrio (entrada) do lugar da celebração ou no presbitério próximo à Mesa da Palavra. Velas podem estar acesas ao seu redor. O aroma do incenso queimando aos pés aos pés da imagem, que pode ser um ícone, recorda o sacrifício de louvor daqueles e daquelas que se dedicam a fazer a vontade do Senhor (cf. Hebreus 10,5-10/ II leitura), como Maria de Nazaré.

3. Durante o tempo do Advento, como já é costume, tem destaque a Coroa do Advento. Evite-se utilizar flores e matérias artificiais e espalhafatosos, muitas vezes típicos da linguagem comercial: pisca-pisca, festões, papai noel, etc. Fiel à sua origem, a Coroa do Advento é confeccionada apenas com galhos verdes em forma circular, símbolo do eterno que mergulha e se deixa entrever no tempo. A nossa exagerada criatividade fez a coroa tomar outras formas e, conseqüentemente, perder seu sentido. As quatro velas acesas uma a cada domingo, de forma crescente, anunciam que a Luz vence as Trevas. Proclamam o porvir da Páscoa do Natal. A Coroa pode ser colocada próximo ao altar ou da mesa da Palavra.

4. Uma orientação, em vista do Natal: evita-se enfeitar com pisca-pisca a árvore de Natal localizada à frente da assembléia ou perto do presépio, como em muitas comunidades se faz! É que o show de pisca-piscas durante a Missa transforma-se em “ruído”, “rouba a cena”, pois distrai as pessoas do verdadeiro centro de atenção, que é o mistério celebrado na mesa da Palavra e na mesa da eucaristia. São símbolos da onda consumista das festas natalinas e de final de ano que invade as mentes e os corações das pessoas já desde o mês de outubro. Não se deixem influenciar por esta onda consumista que queima etapas e deturpa o Mistério do Natal.

5. Que o presépio seja, o quanto possível, expressão de nossa fé cristã e de nossa cultura. É muito significativo construir o presépio em mutirão. Ele deve ser simples como foi simples e pobre a manjedoura onde Jesus nasceu. Muitas vezes enfeitamos o presépio de luzes, pisca-pisca e cores, enfeitamos tanto que talvez nem dê muito para perceber que se trata de uma cena rural simplíssima num lugarejo sem importância. Aliás, mesmo quando não há luzes e enfeites, a cena é contemplada com os olhos da fé ou da milenar tradição histórica, e ambas conseguem ampliar o que vemos, tornar tudo mais imponente do que realmente foi no momento em que acontece. Da pequena Belém vem um grande sinal. O símbolo fala por si mesmo. Se houver árvore de Natal, pode-se colocar nela frutos de nossa terra e outros símbolos que expressem nossos sonhos e esperanças.

8. AÇÃO RITUAL

A celebração deste quarto Domingo do Advento põe em evidência a figura de Maria como símbolo que acontece cada vez que fazemos assembléia em torno da Palavra e do Pão e Vinho Consagrados: o Verbo se faz carne e habita entre nós. No seio da Igreja é gerado o Cristo, como verdadeiro dom de Deus para que todos tenham vida e a tenham em abundância (João 10,10).

Ritos Iniciais

1. Após o sinal da cruz e a saudação inicial, abrindo para a recordação da vida, convidar a assembléia a recordar situações por meio das quais as pessoas se preparam para acolher a visita do Senhor. Onde as condições permitem, proponha-se uma breve partilha destas situações. Nos lugares em que não for possível, faça-se a recordação em silêncio e nomeiam-se, com antecedência, algumas pessoas para compartilhar com a comunidade alguns fatos que evoquem a preparação para o Natal do Senhor. Isto também pode ser feito no início da Liturgia da Palavra, antes de ouvir a Palavra que Deus fala pela Bíblia, quando a comunidade abre-se para ouvir a Palavra d’Ele na vida.

2. A saudação de quem preside, usando a fórmula “c”, manifestará a esperança e a certeza da realização das promessas em Maria e também em nós:
“O Deus da esperança, que nos cumula de toda a alegria e paz em nossa fé, pela ação do Espírito Santo, estejam convosco”.

3. Alguém pode introduzir a assembléia no mistério celebrado, após a saudação do presidente com palavras semelhantes:

4. Com a intenção de exprimir o sentido da Coroa do Advento e de recuperar o seu sentido original e litúrgico, sugerimos que, a cada domingo, nos ritos iniciais, depois do sinal da cruz, da saudação do presidente e da recordação da vida, antes de dar o sentido litúrgico, acende-se solenemente a terceira vela da coroa com a seguinte oração de benção, dentro do rito proposto. Lembre-se que as velas não são símbolo, mas a luz que elas irradiam, sim. Portanto, a cor das velas não interfere no significado da Coroa do Advento, podendo, pois, utilizar quatro velas brancas.

- Acendimento Solene da Coroa do Advento:

Alguém se aproxima da coroa, trazendo uma pequenina chama ou uma vela pequena acesa (evitem-se os fósforos que criam ruído, apagam-se facilmente, enfraquecendo a ação simbólica, do ponto de vista exterior, o que acarreta na assembleia dispersão e impaciência). Depois de acesa a primeira vela, cantar este refrão que está no CD, Cristo Clarão do Pai, melodia da faixa 2, Paulus. Se a equipe de canto não tiver o CD, é só entrar no google que encontra-se a música e também a partitura.

Acendamos a lamparina, acendamos a lamparina.
Sentinela a vigiar:
logo o Senhor virá, logo o Senhor virá.
Deus-Conosco: luz a brilhar. Deus-Conosco: luz a brilhar!
Sugestão: pode-se substituir lamparina por vela: “Acendamos a terceira vela”.

Outra opção é o refrão:

A luz virá, a luz virá e resplandecerá o novo dia!
(CD: Alegrai-vos sempre no Senhor, melodia da faixa 3 – Paulus.

4. Terminada esta ação ritual, dirigi-se para a Mesa do Altar e do Ambão para acender as velas que ladeiam tais peças.

6. Alguém pode introduzir a assembleia no mistério celebrado, após a saudação do presidente com palavras semelhantes:

Irmãos e irmãs, realização das promessas ocorreu no seio de Maria e se prolonga no seio da comunidade cristã. A Igreja, e exemplo de Maria, é a santa habitação preparada por Deus, pois nela se prolonga a ação do Espírito Santo que fecunda em nós o Verbo Eterno do Pai. Que a celebração nos ajude a mergulhar nesse grande Mistério, a fim de que sejamos sensíveis e operosos no cuidado dos pobres, habitação desse mesmo Mistério.

7. O Ato penitencial neste período pode ser feito conforme a segunda fórmula do Missal Romano, página 395, que fala de um Deus que defende os pobres, que é refúgio dos fracos e a esperança dos pecadores.

8. Na oração do dia pedimos a Deus que derrame a graça em nossos corações, para que possamos compreender que o Mistério da Salvação, entrou no mundo com a Anunciação e vai até a Ressurreição.

Rito da Palavra

1. Antes da Primeira Leitura em vez de comentário que já caiu do uso, é interessante cantar a repetição do Ofício Divino das Comunidades preparando o coração da assembléia para acolher a Palavra:

- Abram-se os portões, o Rei vai chegar! (bis)
- Portas escancaradas para o Rei passar! (bis)

2. Destacar a procissão com o Evangeliário do Altar para a Mesa da Palavra.

3. Após a proclamação do Evangelho, pode-se fazer a benção da árvore de Natal, iniciando-se com este texto de Isaías:

“Para ti virá o esplendor do Líbano, pinheiros, olmeiros e ciprestes virão enfeitar minha morada” (Is 60,13). Oração: “Bendito sejais, Senhor nosso Pai, que nos concedestes recordar com fé os mistérios do nascimento de vosso Filho no meio dos pobres! Concedei a todos nós, reunidos ao redor desta árvore, que sejamos enriquecidos com os exemplos de vida de Jesus Cristo, que vive e reina para sempre. Amém!”.

4. Deixar sempre uns instantes de silêncio após cada leitura e também após a homilia, para um diálogo orante de amor e compromisso da comunidade com o Senhor.

5. Seria interessante “cantar” a resposta das preces expressando o desejo e expectativa, retomando o clamor das comunidades do Apocalipse: “Vem, Senhor Jesus!”.
6. Outra alternativa é nos quatro domingos do Advento, as preces podem ser cantadas na forma de Ladainha do Advento, do CD: “Luz do Universo”, do Mosteiro da Anunciação do Senhor, cidade de Goiás, ou também numa bonita versão de Ir. Miria Kolling. Quem não tiver o CD, a Litania do Advento (Ladainha) pode ser recitada no momento das preces, substituindo-as.

Rito da Eucaristia

1. Na oração sobre as oferendas suplicamos a Deus que o mesmo Espírito Santo e santificador que trouxe a vida ao seio de Maria, santifique as nossas oferendas.

2. Na Oração Eucarística, a reunião de todos em torno do Altar suscitará a experiência da Virgem na experiência da Igreja “O Verbo se fez carne e habitou entre nós”. A mesma Palavra que encontrou abrigo no seio da Virgem encontrará abrigo no pão e no vinho e na vida dos comungantes.
3. O Prefácio do Advento II nos parece bastante oportuno para este Quarto Domingo. “Predito por todos os profetas, esperado com amor de mãe pela Virgem Maria”. Também indicamos o Prefácio IIA que realça o papel importante de Maria na história da salvação. O Hinário Litúrgico I, página 73, apresenta para este domingo a louvação, em melodia popular, própria do Advento, muito apropriada para o eito de Ação de graças na Celebração da Palavra.

Ritos Finais

1. Na oração depois da comunhão suplicamos a Deus depois de nutridos pela Eucaristia penhor da eterna redenção, preparemos dignamente o Mistério de Jesus Cristo.

2. A bênção solene do Advento encerrará de modo especial este tempo bonito e dedicado à espera do Senhor.

3. Lembrando a gravidez de Maria, pode-se dar uma bênção especial às mães gestantes presentes na celebração, e a todo o povo a bênção própria do Advento (página 519 do Missal Romano).

Sugestão de oração sobre as mães gestantes:

Presidente: Ó Deus, ternura de paz, nós vos contemplamos na gravidez de Maria e na gravidez destas nossas irmãs. Dai saúde a estas crianças que estão para nascer e tranqüilidade às suas mães. Elas nos ajudam a esperar, com toda a criação que geme e sofre em dores de parto, a libertação e a adoção de filhos e filhas de Deus. Bendito sejais pela alegria da vinda de Jesus Cristo, nosso Salvador.

Todos: Amém.

Presidente: O Deus, defensor da vida, confirme estas mulheres na fé e na missão de acalentar a vida que está para nascer.

Todos: Amém.

Que elas acompanhem sempre estas novas vidas com o seu amor maternal.

Todos: Amém. 

4. As palavras do rito de envio podem estar em consonância com o mistério celebrado: Vivei na graça de Deus como Maria viveu. Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe.

5. O Tempo do Advento é oportuno para motivar a genuína devoção mariana, orientando-a, pela liturgia, para seu verdadeiro fim: A contemplação daquela que se faz aberta para que a Palavra do Senhor viesse habitar entre nós. É o que afirma o papa Paulo VI na encíclica Marialis Cultus (cf. n. 4). Ela, Maria de Nazaré, é a última testemunha da Antiga Aliança e a Primeira da Nova Aliança, pois recolhe a esperança de Israel que em seu ventre se vê cumprida. Seus olhos se mantêm permanentemente abertos, em estado de vigília e expectação. Assim, podemos dar o devido destaque a sua “imagem ou ícone” e lhe seja dedicada uma saudação no fim da celebração eucarística, nos ritos finais preferencialmente. Assim, após a bênção final, é oportuno saudar a Virgem Maria Neste Quarto Domingo é muito oportuno rezar a tradicional oração do Ângelus:

O anjo do Senhor anunciou à Maria...

9- REDESCOBRINDO O MISSAL ROMANO

1. “Os dias de semana dos dias 17 a 24 de dezembro inclusive visam de modo mais direto a preparação do Natal do Senhor.” (IGMR, nº 42).

10- CONSIDERAÇÕES FINAIS

Maria, por sua palavra e por suas atitudes, fez-se modelo para todos os que crêem. O Primeiro Testamento começa com a fé de Abraão (Gênesis 15,6). O Novo Testamento começa com a fé de Maria. Ela é a Mãe e o exemplo de todos os membros da Nova Aliança, assim como Abraão foi pai e exemplo dos crentes de Israel. Somente nela a Igreja, comunidade dos fiéis, se realiza plenamente, porque sua fé foi completa e perfeita.

O objetivo da Igreja é ajudar os padres e as comunidades de nossa diocese e todas aquelas outras comunidades fora de nossa diocese que acessar nosso site celebrar melhor o mistério pascal de Cristo.

Um abraço fraterno a todos
           

Pe. Benedito Mazeti

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

3º DOMINGO DO ADVENTO - ANO B

17 de dezembro de 2017

Leituras

         Isaias 61,1-2a.10-11. Exulto de alegria no Senhor.
         Lucas 1,46-48.49-50.53-54. A minha alma engrandece ao Senhor.
         1Tessalonicenses 5,16-24. Afastai-vos de toda espécie de maldade.
         João 1,6-8.19-28. Eu sou a voz que grita no deserto.


“NO MEIO DE VÓS ESTÁ AQUELE QUE VÓS NÃO CONHECEIS”


1- PONTO DE PARTIDA

Domingo da alegria. Iniciamos a terceira semana do Advento, preparando-nos para a celebração do Senhor que vem. Tempo do Advento é um momento em que o Senhor nos alerta para a verdade de sua vinda.

Nossa celebração é uma exultação de alegria porque Aquele que esperamos já está conosco, em nosso meio, na luta dos pobres e pequenos. Ele mesmo vem para endireitar nossos caminhos e para nos conduzir à festa do seu Natal, com os olhos abertos e o coração sensível aos sinais de sua manifestação.

Nossa alegria não é simples festa, diversão ou euforia. É a alegria da certeza de que o Reino de Deus está no meio de nós.

2- REFLEXÃO BÍBLICA, EXEGÉTICA E LITÚRGICA

Primeira leitura – Isaias 61,1-2a.10-11. O profeta Isaias dirigi-se aos que estão desanimados. Anuncia-lhes uma notícia encantadora, cheia de esperança, capaz de levantar os que estão caídos.

Isaias se apresenta com a missão de anunciar uma mensagem de libertação aos mais necessitados. E isto como conseqüência de uma unção especial do Espírito. Usava-se a cerimônia da unção especialmente na entronização dos reis (1Samuel 9,16; 16,1.12; 1Reis 1,39). O sentido desse rito era marcar com um sinal externo, no caso com o óleo, a estes homens como eleitos e separados por Deus para o governo do povo. Pela unção o Espírito de Deus descia sobre o ungido (1Samuel 16,13) dando-lhe assim as condições de exercer sua missão. No nosso texto de hoje a presença do Espírito de Deus é tão forte que o rito do óleo passa para um segundo plano. A consagração a Deus confere ao Profeta a missão de ser mensageiro de uma boa-nova. Esta novidade dirige-se em primeiro lugar aos pobres, os “anawim”: pessoas humildes, fiéis a Deus que sofrem por causa de doenças, da pobreza, de perseguições e prisões. A eles todos é anunciado o fim de seus sofrimentos, a libertação de sua situação de miséria e escravização. É anunciado um não de graça, um ano de libertação. Há aqui uma referencia ao ano sabático, ou ano jubilar (Levítico 25,10ss).

O sentido desses versículos aplica-se perfeitamente ao Novo Testamento. Cristo mesmo os aplicou a si, ao apresentar-se na sinagoga de Nazaré: “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir” (Lucas 4,16-21). No tempo do Advento a mesma mensagem é dirigida, com toda a sua carga de esperança, para libertar as pessoas sofredoras de nosso tempo de toda espécie de sofrimento e opressão.

A conseqüência dessa boa notícia é um hino de júbilo e alegria que invade no coração dos pobres. Apesar de predominar no Primeiro Testamento as perspectivas e promessas de ordem material, nesses versículos 10-11 o motivo da alegria é totalmente espiritual, é Deus mesmo. Usa-se a metáfora, bastante comum, da veste: vestes de salvação, manto de justiça. Para significar uma atitude interna de júbilo e festa.

Esta nova Aliança vai ter, além do mais, uma repercussão missionária: todas as nações ficarão maravilhadas com o sinal de bênção divina constituído pelo povo (versículos 9 e 11). Essa Aliança não é, um privilégio que formaria um povo acima dos outros; ela fez deste povo um sinal legível para os outros e acolhedor para os seus empreendimentos.

Pelo fato de ser e Eucaristia o memorial do sacrifício do Senhor, que confirma a Nova Aliança com Deus e fixa o Salvador numa atitude de abertura para todos os homens, ela nos habilita a inscrever, em todos os gestos de nossa vida, esta dupla dimensão de firme apego a Deus e de acolhimento a todos.

Salmo responsorial – Lucas 1,46-48.49-50.53-54. Se Maria, como a antiga Jerusalém e como os “servos” do “servo do Senhor”, vê as gerações futuras unirem-se aos seus louvores (primeira leitura), não é para cantar a sua grandeza, mas a grandeza de Deus, o Altíssimo, que se inclina sobre os humildes. Unindo-nos hoje ao cântico de Maria, tornamo-nos também nós, com ela, “sinal de Aliança”, que se renova de geração em geração.

Vamos responder à Palavra de Deus com a mesma oração de Maria e de todos os pobres que, como ela, reconhecem a vinda de Deus em suas vidas.

O SENHOR FEZ POR MIM MARAVILHAS,
SANTO, SANTO, SANTO É O SEU NOME.

Segunda leitura – 1Tessalonicenses 5,16-24. A Primeira Carta aos Tessalonicenses é o primeiro escrito do Novo Testamento no ano 50-51 depois de Cristo. A palavra-chave desta carta de São Paulo é “Evangelho”. Para o Apóstolo, a Boa-Nova de Jesus Cristo era verdadeiramente boa, pois se destinava à salvação de todos os homens.

Eram muitos os que, na comunidade de Tessalônica, composta sobretudo de assalariados e escravos obrigados a longos dias de trabalho, sem interrupção semanal, tinham acolhido a mensagem de Paulo como se o fim do mundo estivesse iminente e portanto nada mais podiam fazer do que esperá-lo passivamente. Neste contexto, Paulo, na carta que escreve enviou a eles convida os tessalonicenses a saberem viver na oração incessante, com vigilância e discernimento.

No início da leitura litúrgica, Paulo exorta o cristão a viver na alegria (cf. romanos 15,32s; 2Coríntios 13,11; Filipenses 4,4-5), na oração e na ação de graças (Romanos 12,12; Colossenses 4,2). Embora o cristão viva no mundo uma existência igual à de qualquer pessoa, ele possui, no fundo do coração, uma certeza de salvação e um sentido da história que lhe permite reconhecer, em tudo, os eventos da salvação. Paulo também orienta sobre o uso correto dos carismas dados pelo Espírito. A cada um dos membros da comunidade.

O texto pode facilmente ser dividido em três partes, onde cada uma destaca uma realidade da vida em comum. A primeira mostra as qualidades pessoais do fiel, a segunda o discernimento quanto às doutrinas, e a terceira a atitude para com Deus. Os versículos 16-18 mostram as três atitudes da pessoa humana diante de Deus e sua vontade.

Na segunda parte, Paulo exorta a não criar obstáculos às manifestações do Espírito que, como um fogo, abrasa, aquece e não deve ser extinto na comunidade. Fazer isso seria opor-se à graça. Para isso é muito importante o discernimento. Discernir é essencial na comunidade cristã, pois a conduz à maturidade, pela qual ela é capaz de perceber o que mais lhe convém. Discernir é criar uma sensibilidade comum, que inspira, nas situações concretas, posicionamentos preciosos, concordes, exatos e comuns em prol da edificação dos irmãos (Filipenses 1,9-11), pelo serviço da Igreja, fortalecimento da sua unidade (cf. 1Coríntios 12) e submissão à lei máxima da caridade (cf. 1Coríntios 13).

Em vários momentos da Igreja a ação do Espírito inquietou seus dirigentes (cf. 1Coríntios 12-14). Entretanto, Paulo exorta, não a extinguir a ação do Espírito, mas a discernir sua presença. Desprezar a profecia, seria um risco demasiado grande, seria empobrecer a Igreja. O Espírito é livre, sopra onde e quando quer (cf. João 3,8), sem Ele a Igreja não existiria, perderia seu dinamismo, sua criatividade.

A parte conclusiva do texto, versículos 23-24, é uma oração paralela à de 3,11-13, que conclui a primeira parte da carta. A pessoa humana é objeto do beneplácito divino, e deve-se conservar sem defeito para o Dia do Senhor. Deve-se dizer que “espírito e alma” são uma única e mesma realidade, sem necessidade de se apelar para uma parte inferior e outra superior da pessoa, para a identificação semântica entre “vosso espírito” e “convosco”, ou dizer que se trata do Espírito de Deus na pessoa humana.

O Deus da paz, invocação freqüente em Paulo (Romanos 15,33; 16,20; Filipenses 4,9; 2Coríntios 13,11), é a fonte da santidade. Ele escolhe, santifica, consagra, separa as pessoas que deverão se conservar irrepreensíveis pra o Dia do Senhor.

Evangelho – João 1,6-8.19-28. Os versículos de 6-8 explicam que João Batista não é a Luz verdadeira, mas testemunha da Luz. Suspeita-se que esta afirmação enfática responda à opinião de certas seitas, de que João seria o Messias. Sem dúvida, a figura de João marcou sua época. São João parece querer definir claramente o lugar de João Batista. Ele não é a Luz, mas testemunha a Luz. A Luz é o Logos, Jesus. João é apenas uma lâmpada provisória (João 5,33-35). Isto, os judeus o aprenderam de seu próprio testemunho, narrado no Evangelho de hoje (João 1,19ss).
Os judeus (isto é, os dirigentes do povo) enviaram sacerdotes e levitas – especialistas em matéria de abluções rituais – para verificar o novo rito da ablução que o Batista enceta e pergunta-lhe a que título ele introduz este rito (versículo 19). Bem depressa, porém, a conversa orienta-se para a personalidade de João Batista. (Quem és tu? Interrogação muito freqüente no Quarto Evangelho: João 6,42; 7,11-12; 7,40-42; 9,36; 10,24). Mas João esconde sua verdadeira personalidade e se limita a declarar que não é o Messias nem Elias, nem o “Profeta” cujo aparecimento, após longos séculos sem profecias, deveria por um termo ao longo silêncio (Ezequiel 7,26; Isaias 2,1-3; Lucas 29; Salmo 73/74,9; Deuteronômio 18,18). Habilmente o Batista consegue desviar o assunto de sua pessoa, conduzindo-o a personalidade de Cristo (versículo 26), personalidade bem mais importante do que a sua e, no entanto, desconhecida.

Para São João, a melhor síntese do e sua missão, é defini-lo como testemunha da Luz, que é Cristo. João é o primeiro a reconhecer a identidade de Jesus e indica-a nos primeiros dias de uma seqüência semanal (João 1,19-51).

No primeiro dia (versículos 19-28) João dá o seu testemunho, numa espécie de “prova inicial”, declarando antes de mais nada que ele “não é o Cristo”, mas também reconhecendo que entre os seus ouvintes-discípulos está já presente “Aquele que vem depois” dele, ao qual ele não é digno de prestar o serviço “das sandálias”, serviço que nem sequer um mestre podia pretender dos seus discípulos.

O testemunho de João culminará no segundo dia, quando testemunhará que “Ele é o Filho de Deus” (João 1,29-34). No terceiro dia, João Batista desaparece da cena direta, em coincidência com a passagem de alguns dos seus discípulos da sua seqüela para a de Jesus (João 1,35-42).

Ele está no meio de comunidade cristã e ela não o conhece. A alegria de João Batista é pelo batismo de Jesus. Ele sabe que sua pessoa e seu ministério de profeta estão em segundo lugar e em função de outra pessoa superior a ele que é Cristo Jesus. João não vê o Batismo de Jesus como concorrência, mas alegra-se com isto.

3- DA PALAVRA CELEBRADA AO COTIDIANO DA VIDA

É o Domingo da alegria, estamos próximos do Natal. A alegria, sujeita a interpretações ilegítimas, recebe dos próprios textos clara especificação: “em Deus”. Não se trata da alegria humana, mas daqueles que Nele esperam, como nas Bem-Aventuranças, em que os pobres e afligidos de todas as formas são tidos como felizes, porque não têm em quem esperar senão em Deus. Não se trata da alegria conquistada, produzida, ou provocada que parece já ter entrado, inclusive, na mentalidade de muitos grupos cristãos, que reduzem a alegria ao prazer, à agitação canções, impondo inclusive nas liturgias da Igreja essa pobre concepção. A alegria em Deus é a alegria dos que esperam, dos que desejam, dos deserdados e aflitos, dos pobres e dos doentes, dos oprimidos e excluídos que aguardam, em Cristo, e na sua proximidade e vinda, a libertação. Não sem razão, o Salmo responsorial é o cântico de Maria, que canta na mesma alegria em Deus: “de bens saciou os famintos, e despediu, sem nada, os ricos”.

A presença escondida de Cristo, em nosso meio, só não é reconhecida pelos adversários de Jesus: os que estão incomodados com o anúncio de sua chegada entre os homens, “entre os mais humildes e perdidos”. Aos que crêem tal segredo é compartilhado comunitariamente. E o segredo é: Ele está presente na Vida. Na vida dos pobres, dos aflitos, dos sofridos, da comunidade; na simplicidade dos sinais sacramentais, da Palavra ouvida na fé; como testemunho vigoroso que ressoa na fragilidade da Igreja de Cristo. A Encarnação esperado do Verbo de Deus, celebrada no Natal, antecipa-se de tantas formas que só a cegueira da maldade, da violência, da mentira que reina entre os saciados e enfarados deste mundo não vê. Aos sedentos, desejosos, buscadores e necessitados é que Ele se apresenta. Sim, Ele está bem perto como canta a Antífona de entrada da celebração deste Domingo: “Alegrai-vos: ele está bem perto, sim, alegrai-vos mais no Senhor!”.

Dessa forma, a celebração de hoje espelha o testemunho de João Batista: Não sou eu o Messias. Não esperem em mim, não esperem em homem algum. Coloquem sua esperança em Deus. Nele vocês encontrarão a alegria verdadeira. Alegrai-vos Nele!”. O prefácio, como confirmação de tal compreensão eclesial, reza: “O próprio Senhor nos dá a alegria de entrarmos agora no mistério do seu Natal, para que sua chegada nos encontre vigilantes na oração e celebrando os seus louvores”. A “alegria serena”, outra expressão para designar a alegria em Deus, há de ser vivida quando na proximidade dos pobres se reconhece a proximidade de Cristo. O caminho do Evangelho e da realização cristã se afirma, então, como despojamento de si e das suas seguranças, encontrado em Deus o bem maior que nos cumula verdadeiramente. A vigilância, como exercício concreto dos bem-aventurados que esperam Deus e em Deus, é o motor da Alegria verdadeira. Só em Deus temos a realização verdadeira, por isso os aguardamos alegres.

4- A PALAVRA SE FAZ CELEBRAÇÃO
           
O Advento se estruturou na história das celebrações como tempo preparatório ao Natal do Senhor, o que verificamos na oração do Dia, deste Terceiro Domingo. Parece-nos que sua origem mais remota está ligada às práticas austeras de jejum e penitência antes de se explicitar em celebrações litúrgicas. Portanto, na origem do Advento está o desejo e a necessidade de os cristãos fazerem uma revisão de sua vida, para discernir como se portar diante da visita de Deus em Jesus de Nazaré, celebrada nestas Igrejas, ocasião de realização do batismo conforme costume oriental.

Domingo Gaudete

Este Domingo tem sido tradicionalmente de Domingo Gaudete, isto é, Domingo do “Alegrai-vos”. O nome vem da Antífona de Entrada, tirada de Filipenses 4,4.5b: “Alegrai-vos sempre no Senhor! De novo eu vos digo: alegrai-vos! O Senhor está perto”. Por isso, rezamos no início da Missa: “O Deus de bondade, que vedes o vosso povo esperando fervoroso o Natal do Senhor, dai chegarmos às alegrias da salvação e celebrá-las sempre com intenso júbilo na solene Liturgia”.

Aplainar os caminhos, alinhar a vida

É tempo de aplainar os caminhos e alinhar a vida. Embora na época de São Leão Magno ainda não conhecesse o Advento como tempo litúrgico, pois não estava estruturado dessa forma, vários sermões seus nos indicam com precisão o rumo de sua espiritualidade. Mais tarde esses textos ou seu conteúdo teológico, foram trazidos para o interior das celebrações tanto do Ofício Divino, quanto da Eucaristia. Num desses sermões ele escreve: “Quando o Salvador instruiu aos seus discípulos sobre o Advento do Reino de Deus e o fim dos tempos do mundo à pessoa dos apóstolos deu um ensinamento que vale para toda a Igreja, e disse: Velai sobre vós mesmos para que os vossos corações não se tornem pesados com o excesso de comer, com a embriaguez e com as preocupações da vida. (...) É indispensável que cada um se prepare para acolher este Dia: para que ele não nos surpreenda enquanto estamos ocupados só com o nosso ventre, ou imerso nos afazeres da vida”.

Maranatha!

Vem, Senhor Jesus. Em cada eucaristia celebrada, a comunidade experimenta a preparação de sua vida, mediante a escuta da Palavra que põe a sua vida nos “eixos” do Evangelho do Reino, e do pronunciar da bênção sobre o Pão e o Vinho, símbolos do homem e da mulher, submetendo-os à lógica de seu reinado.

No coração da Oração Eucarística, encontra-se a aclamação memorial que consta do reconhecimento de que, em Jesus, Deus nos visita sempre de novo, de modo que tomando parte de seu Corpo e Sangue ele sempre “há de voltar! Maraná tha!” O mundo, então se vê pronto para acolher o Salvador.

5- ORIENTAÇÕES GERAIS

1. A cor própria do Tempo do Advento é o roxo. Lembra-nos que é período de recolhimento, de contida alegria, de expectativa e preparação. Não cantaremos o Hino de Louvor (a não ser nas solenidades e festas tais como Imaculada Conceição, Nossa Senhora de Guadalupe ou em alguma celebração especial); fica reservado para a noite de Natal, quando juntamos nossa voz à dos anjos para dar glória a Deus pela salvação que realiza em nosso meio. O Aleluia..., no entanto, continua ressoando.

3. É importante lembrarmos às comunidades a Coleta Campanha para a Evangelização, que será realizada neste 3º Domingo do Advento, nos dias 16 e 17 de dezembro. Este ano com o lema: com o lema: “Sal da terra e luz do mundo” (Mateus 5,13-14). Cristãos leigos e leigas comprometidos com a Evangelização. A Campanha para a Evangelização é, na Igreja do Brasil, uma resposta firme e significativa de todos aqueles que acreditam e assumem a responsabilidade evangelizadora. A Boa-Nova da salvação deve chegar a todos os cantos de nosso país: das grandes cidades às pequenas aldeias, das periferias às comunidades rurais, alcançando as crianças, os jovens, os adultos, os ricos e os pobres, de modo especial a todos aqueles que sofrem. Nossa generosidade seja uma oferta viva ao Cristo, que por nós se encarnou no ventre da Virgem Maria.

4. Esta será a destinação de sua coleta: 45% para cada Diocese; 20% para as 17 Subsedes ou regionais da CNBB; e 35% para a CNBB Nacional.

6- MÚSICA RITUAL

O canto é parte necessária e integrante da liturgia. Não é algo que vem de fora para animar ou enfeitar a liturgia. Por isso devemos cantar a liturgia e não cantar na liturgia. Os cantos e músicas, executados com atitude espiritual e, condizentes com cada domingo, ajudam a comunidade a penetrar no mistério celebrado. Portanto, não basta só saber que os cantos são do Tempo do Advento, é preciso executá-los com atitude espiritual. A escolha dos cantos deve ser cuidadosa, para que a comunidade tenha o direito de cantar o mistério celebrado. A função da equipe de canto não é simplesmente cantar o que gosta, mas cantar o mistério da liturgia deste 2º Domingo do Advento. Os cantos devem estar em sintonia com o Ano Litúrgico, com a Palavra proclamada e com o sacramento celebrado. Não devemos esquecer que toda liturgia é uma celebração da Igreja corpo de Cristo e não de um grupo, de uma pastoral ou de um movimento.

Ensina a Instrução Geral do Missal Romano que o canto de abertura tem por objetivo, além de unir a assembléia, “inseri-la no mistério celebrado” (IGMR nº 47). Nesse sentido o Hinário Litúrgico I da CNBB nos oferece uma ótima opção, que estão gravados no CD: Liturgia VIII, Advento – Anos B e C. Encontramos também no Ofício Divino das Comunidades ótimas opções.

1. Canto de abertura.  “Alegrai-vos, o Senhor está próximo” (Filipenses 4,4-5). Para este segundo Domingo da Alegria é muito oportuno o canto “Alegrai-vos: ele está bem perto, sim, alegrai-vos mais no Senhor!”, CD: Liturgia VIII, melodia da faixa. O refrão é tirado da carta de Paulo aos Filipenses e articulado com o Salmo 84/85: “Foste amigo, Senhor, da tua terra, libertaste os cativos de Jacó”. Tanto a Antífona como o Salmo expressam que a verdadeira alegria vem de Deus.

2- Canto para o acendimento das velas da Coroa do Advento. “Acendamos a lamparina”, CD, Cristo, Clarão do Pai, melodia da faixa 2, Paulus. Ver no google. Outra ótima opção é o refrão: “A luz virá, a luz virá e resplandecerá o novo dia”, CD: Alegrai-vos sempre no Senhor, melodia da faixa 3 – Paulus.

3- Ato penitencial - O Ato penitencial neste período pode ser feito conforme a terceira fórmula do Missal Romano, página 395. A música ver no CD, Campanha da Fraternidade 2013, melodia da faixa 4.

4. Salmo responsorial  Lucas 1,  O Magnificat. “A minha alma se alegra no meu Deus”, CD: Liturgia VIII, música da faixa 6.

Para a Liturgia da Palavra ser mais rica e proveitosa, há séculos um salmo tem sido cantado como prolongamento meditativo e orante da Palavra proclamada. Ele reaviva o diálogo da Aliança entre Deus e seu povo, estreita os laços de amor e fidelidade. A tradicional execução do Salmo responsorial é dialogal: o povo responde com um refrão aos versos do Salmo, cantados um ou uma salmista. Deve ser cantado da mesa da Palavra.

5. Aclamação ao Evangelho. O Espírito do Senhor enviou-me levar a Boa-Nova aos pobres (Isaias 61,1) “Aleluia... O Espírito consagrou-me e mandou-me anunciar”, CD: Liturgia VIII, música igual a faixa 9. O canto de aclamação ao evangelho acompanha os versos que estão no Lecionário Dominical.

A aclamação ao Evangelho é um grito do povo reunido, expressando seu consentimento, aplauso e voto. É um louvor vibrante ao Cristo, que nos vem relatar Deus e seu Reino no meio das pessoas. Ele é cantado enquanto todos se preparam para ouvir o Evangelho (todos se levantam, quem está presidindo vai até ao Ambão).

6. Apresentação dos dons. A escuta da Palavra e colocá-la em prática, deve despertar na assembléia a alegria da chegada do Senhor. A partilha nos torna sinal vivo do Senhor. O canto de apresentação dos dons, conforme orientamos em outras ocasiões, não necessita versar sobre pão e vinho. Seu tema é o mistério que se celebra acontecendo na fraternidade da Igreja reunida em oração. Neste Terceiro Domingo do Advento o canto mais apropriado seria: “As nossas mãos se abrem, mesmo na luta e na dor”, CD: Liturgia IV, música da faixa 10.

7. Canto de comunhão. “Coragem, o nosso Deus vem salvar-nos” (Isaias 35,4). “Ide e contai o que ouviste e quanto vistes”, CD: Liturgia IV, música da faixa 8. Este canto retoma o Evangelho na comunhão de maneira autentica. Veja orientação abaixo.

O fato de a Antífona da Comunhão, em geral, retomar um texto do Evangelho do dia revela a profunda unidade entre a Liturgia da Palavra e a Liturgia, Eucarística e evidencia que a participação na Ceia do Senhor, mediante a Comunhão, implica um compromisso de realizar, no dia-a-dia da vida, aquela mesma entrega do Corpo e do Sangue de Cristo, oferecidos uma vez por todas (Hebreus 7,27).

            10. Canto de louvor a Deus após a comunhão: Durante o Tempo do Advento omite-se este canto

7- ESPAÇO CELEBRATIVO

            1. O Tempo do Advento, como sabemos, é marcado por certa austeridade no ambiente. Chamamos de reserva simbólica o procedimento de “guardar” certos elementos rituais ou ornamentais durante o período preparatório das festas. Fazemos isso tanto na Quaresma, quanto no Advento. O Clima do Tempo do Advento, porém, não possui o grau de austeridade próprio do tempo quaresmal. Neste terceiro domingo, chamado de “Domingo Gaudete”, tal simplicidade dá lugar à “alegria serena” do Natal, antecipada, tanto nas flores quanto nos paramentos e toalhas que dão lugar do roxo ao róseo.

            2. Ornamentar, discretamente, o espaço celebrativo com flores em tons de rosa, para salientar a alegria deste Terceiro Domingo “Gaudete”.

3. Durante o tempo do Advento, como já é costume, tem destaque a Coroa do Advento. Evite-se utilizar flores e matérias artificiais e espalhafatosos, muitas vezes típicos da linguagem comercial: pisca-pisca, festões, papai noel, etc. Fiel à sua origem, a Coroa do Advento é confeccionada apenas com galhos verdes em forma circular, símbolo do eterno que mergulha e se deixa entrever no tempo. A nossa exagerada criatividade fez a coroa tomar outras formas e, conseqüentemente, perder seu sentido. As quatro velas acesas uma a cada domingo, de forma crescente, anunciam que a Luz vence as Trevas. Proclamam o porvir da Páscoa do Natal. A Coroa pode ser colocada próximo ao altar ou da mesa da Palavra.

8. AÇÃO RITUAL

Ritos Iniciais

1. Após o sinal da cruz e a saudação inicial, abrindo para a recordação da vida, convidar a assembléia a recordar situações por meio das quais as pessoas se preparam para acolher a visita do Senhor. Onde as condições permitem, proponha-se uma breve partilha destas situações. Nos lugares em que não for possível, faça-se a recordação em silêncio e nomeiam-se, com antecedência, algumas pessoas para compartilhar com a comunidade alguns fatos que evoquem a preparação para o Natal do Senhor. Isto também pode ser feito no início da Liturgia da Palavra, antes de ouvir a Palavra que Deus fala pela Bíblia, quando a comunidade abre-se para ouvir a Palavra d’Ele na vida.

2. A saudação de quem preside, pode ser a fórmula “d” do Missal Romano (Romanos 15,13), manifestará a esperança e a alegria da espera e da certeza da realização das promessas. Depois disso é que se propõe o sentido litúrgico e não antes do canto de entrada.

O Deus da esperança, que nos cumula de toda alegria e paz em nossa fé, pela ação do Espírito Santo, esteja convosco.

3. Com a intenção de exprimir o sentido da Coroa do Advento e de recuperar o seu sentido original e litúrgico, sugerimos que, a cada domingo, nos ritos iniciais, depois do sinal da cruz, da saudação do presidente e da recordação da vida, antes de dar o sentido litúrgico, acende-se solenemente a terceira vela da coroa com a seguinte oração de benção, dentro do rito proposto. Lembre-se que as velas não são símbolo, mas a luz que elas irradiam, sim. Portanto, a cor das velas não interfere no significado da Coroa do Advento, podendo, pois, utilizar quatro velas brancas.

- Acendimento Solene da Coroa do Advento:

Alguém se aproxima da coroa, trazendo uma pequenina chama ou uma vela pequena acesa (evitem-se os fósforos que criam ruído, apagam-se facilmente, enfraquecendo a ação simbólica, do ponto de vista exterior, o que acarreta na assembleia dispersão e impaciência). Depois de acesa a primeira vela, cantar este refrão que está no CD, Cristo Clarão do Pai, melodia da faixa 2, Paulus. Se a equipe de canto não tiver o CD, é só entrar no google que encontra-se a música e também a partitura.

Acendamos a lamparina, acendamos a lamparina.
Sentinela a vigiar:
logo o Senhor virá, logo o Senhor virá.
Deus-Conosco: luz a brilhar. Deus-Conosco: luz a brilhar!
Sugestão: pode-se substituir lamparina por vela: “Acendamos a terceira vela”.

Outra opção é o refrão:

A luz virá, a luz virá
e resplandecerá o novo dia!
(CD: Alegrai-vos sempre no Senhor, melodia da faixa 3 – Paulus.

4. Terminada esta ação ritual, dirigi-se para a Mesa do Altar e do Ambão para acender as velas que ladeiam tais peças.

5. Essa ação ritual pode ser usada nos quatro domingos do Advento.

6. Alguém pode introduzir a assembleia no mistério celebrado, após a saudação do presidente com palavras semelhantes:

Domingo da alegria. Irmãos e irmãs, a alegria cristã se baseia na nossa esperança, que tem em Deus o seu único amparo. Alegria verdadeira é aquela que se realiza não segundo as propostas deste mundo, mas segundo o que Deus nos reserva.

7. Terminada esta ação ritual, dirigi-se para a Mesa do Altar e do Ambão para acender as velas que ladeiam tais peças.

8. Seja toda a celebração marcada por um toque de esperançosa alegria. Por exemplo, nos Ritos Iniciais dar o abraço da paz. As pessoas podem saudar umas às outras com palavras inspiradas na Antífona de hoje: “Alegre-se! O Senhor está perto!”.

9. O Ato penitencial neste período pode ser feito conforme a terceira fórmula do Missal Romano, página 395, n. 2.

10. Na oração do dia pedimos a Deus que possamos chegar à alegria da salvação e celebrá-la, já, em nossa vida.

Rito da Palavra

1. Antes da Primeira Leitura em vez de comentário que já caiu do uso, é interessante cantar a repetição do Ofício Divino das Comunidades preparando o coração da assembléia para acolher a Palavra:

- Já chegou o tempo, o Senhor vem vindo! (bis)
- Venham, pelo deserto, um caminho abrindo! (bis)

2. Destacar a procissão com o Evangeliário do Altar para a Mesa da Palavra.

3. Deixar sempre uns instantes de silêncio após cada leitura e também após a homilia, para um diálogo orante de amor e compromisso da comunidade com o Senhor.

4. Após o Evangelho, sugerimos proclamar à maneira do anúncio das “calendas” que se faz na Solenidade da Epifania do Senhor, as “Trovas da Alegria”, conforme o texto abaixo, anunciando o enfoque do mistério das duas semanas que seguem: a memória da visita do Verbo na Encarnação no seio da Virgem Maria, em Jesus seu Filho.

Eis, queimando em nosso peito               Alegrai-vos, pois, irmãos
Jubilosa alegria:                                       O Senhor já está bem perto.
A Palavra do Eterno                                 Seu fulgor em nós rebrilha
Faz-se nossa companhia;                         Sua visita é fato certo.
                                                                


Grita João, com voz feroz                       O Mistério que, de longe,
Contra a morte, pela vida                        Vem o mundo visitar
O Messias já virá                                     Vai, decerto, envolver
Com vontade decidida:                            Água e terra, fogo e ar.
                                                     
Pelo Espírito animado                             Tudo novo, recriado                        
Vai limpar nossos canteiros                     Pela voz da eternidade.
Palha estéril queimará                             Vinte e cinco de dezembro
Vai o trigo p’ro celeiro.                           Veste-se Deus de humanidade.

5. Seria interessante responder a cada prece retomando o clamor das comunidades do Apocalipse: “Vem, Senhor Jesus!”.

6. Outra alternativa é nos quatro domingos do Advento, as preces podem ser cantadas na forma de Ladainha do Advento, do CD: “Luz do Universo”, do Mosteiro da Anunciação do Senhor, cidade de Goiás, ou também numa bonita versão de Ir. Miria Kolling. Quem não tiver o CD, a Litania do Advento (Ladainha) pode ser recitada no momento das preces, substituindo-as. Ver no roteiro de Domingo passado.

Rito da Eucaristia

1. O rito da preparação dos dons tem como finalidade despertar nos fiéis a solidariedade para com o culto e a Igreja. Sua característica própria é a partilha. Despertar nos fiéis que hoje é dia da coleta para a Campanha da Evangelização da CNBB.

2. Na oração sobre as oferendas suplicamos a Deus que nos permita participar da salvação divina pele celebração litúrgica, lugar privilegiado da revelação de Deus.

3. É sumamente louvável que, quem preside a celebração eucarística em nome de Cristo, proclame o Prefácio também com ênfase, pausadamente, em tom orante, com grata e vibrante esperança. Para o povo que escuta, isso é muito importante. Ajuda a alimentar a esperança. Por que não fazer o mesmo com toda a Oração Eucarística e, inclusive com as demais orações? Para tanto, nada melhor do que uma adequada preparação prévia, em algum momento da semana, com a realização de uma boa leitura orante dos textos.

4. O Prefácio do Advento II nos parece bastante oportuno para este Terceiro Domingo, nos alegrando com Aquele que esperado com amor de mãe pela Virgem Maria, e que João Batista anunciou estar próximo, presente entre nós.

Ritos Finais

1. Na oração depois da comunhão suplicamos a Deus que purificados pelo sacramento pascal, nos preparamos para a festa do Natal.

2. Bênção solene própria do Advento, com imposição das mãos sobre o povo (página 519 do Missal Romano).

3. As palavras do rito de envio podem estar em consonância com o mistério celebrado: Preparai o caminho do Senhor! Ide em paz e o Senhor vos acompanhe.

4. O Tempo do Advento é oportuno para motivar a genuína devoção mariana, orientando-a, pela liturgia, para seu verdadeiro fim: A contemplação daquela que se faz aberta para que a Palavra do Senhor viesse habitar entre nós. É o que afirma o papa Paulo VI na encíclica Marialis Cultus (cf. n. 4). Ela, Maria de Nazaré, é a última testemunha da Antiga Aliança e a Primeira da Nova Aliança, pois recolhe a esperança de Israel que em seu ventre se vê cumprida. Seus olhos se mantêm permanentemente abertos, em estado de vigília e expectação. Assim, podemos dar o devido destaque a sua “imagem ou ícone” e lhe seja dedicada uma saudação no fim da celebração eucarística, nos ritos finais preferencialmente. Assim, após a bênção final, é oportuno saudar a Virgem Maria com as palavras do Anjo, o que sugerimos se faça cantando, conforme o texto que está no Hinário Litúrgico I da CNBB, página 9:

“EU TE SAUDO, CHEIA DE GRAÇA”, (Bis)
SAUDOU O ANJO A VIRGEM SANTA. (Bis)
“CUMPRA-SE EM MIM TUA PALAVRA, (Bis)
POIS DO SENHOR SOU A ESVRAVA”. (Bis)

5. Outro canto muito adequado para este momento mariano é o canto: “Salve Maria, tu és a estrela virginal de Nazaré”, que está no CD: Festas Litúrgicas III, melodia da faixa 16. Ou outro canto adequado. Pode-se também cantar ou rezar a Salve Rainha ou a forma tradicional conhecida do Ângelus, ou simplesmente rezar a Ave Maria.

9- REDESCOBRINDO O MISSAL ROMANO

2. “Os dias de semana dos dias 17 a 24 de dezembro inclusive visam de modo mais direto a preparação do Natal do Senhor.” (IGMR, nº 42). A partir de hoje iniciamos o Advento Natalício.

10- CONSIDERAÇÕES FINAIS

Preparemo-nos dignamente para a vinda do Salvador. É preciso promover, a partir de nossos próprios lares, a reconciliação e a paz. Vivamos intensamente o novo céu e a nova terra, com que Cristo nos presenteia no seu nascimento. Deus abre o caminho para nós. Não recusemos entrar nele.

O objetivo da Igreja é ajudar os padres e as comunidades de nossa diocese e todas aquelas outras comunidades fora de nossa diocese que acessar nosso site celebrar melhor o mistério pascal de Cristo.

Um abraço fraterno a todos
           
Pe. Benedito Mazeti
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