Mostrando postagens com marcador CF-2014. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador CF-2014. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 6 de março de 2014

TEM INICIO A CF-2014

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) abriu oficialmente a Campanha da Fraternidade de 2014 nesta Quarta-feira de Cinzas, dia 5 de março, em sua sede em Brasília (DF). Este ano, a campanha aborda o tema “Fraternidade e Tráfico Humano” e o lema “É para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5,1).
Representantes do governo e entidades da sociedade civil marcaram presença na solenidade, entre eles: o ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso; o representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Marcello Laverene Machado; e a secretária executiva do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic), pastora Romi Márcia Bencke.
O bispo auxiliar de Brasília e secretário geral da CNBB, dom Leonardo Ulrich Steiner, presidiu a cerimônia. Segundo dom Leonardo, a Igreja inicia um “tempo de conversão” em se tratando da Quaresma. No Brasil, a Conferência dos Bispos apresenta a Campanha da Fraternidade “como itinerário de libertação pessoal, comunitária e social”.
Para dom Leonardo Steiner, a CF 2014 quer contribuir na identificação das práticas do tráfico humano em suas várias formas. “O tráfico humano de hoje é, certamente, fruto da cultura que vivemos. A Campanha da Fraternidade, ao trazer à luz um verdadeiro drama humano deseja despertar a sensibilidade de todas as pessoas de boa vontade”, explicou.
O ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, disse que o governo se une à CNBB e às demais entidades na luta contra o tráfico de pessoas. Para o ministro, o Estado deve reagir frente a essa realidade. “É inaceitável um crime como o tráfico humano e que pessoas sejam tratadas como objetos, como escravos. Não importa a modalidade deste crime. Ele tem que ser objeto de uma reação muito forte da sociedade moderna, do Estado moderno”, disse.
Mensagem do papa
O papa Francisco enviou mensagem por ocasião da abertura da campanha no Brasil. O texto foi lido pelo secretário executivo da CF 2014, padre Luiz Carlos Dias. 
De acordo com o papa, não é possível ficar impassível, sabendo que existem seres humanos tratados como mercadoria.  "Pense-se em adoções de criança para remoção de órgãos, em mulheres enganadas e obrigadas a prostituir-se, em trabalhadores explorados, sem direitos nem voz, etc”, disse.  O papa se dirigiu aos fiéis, exortando sobre a problemática do tráfico de pessoas. “Queridos brasileiros, tenhamos a certeza: Eu só ofendo a dignidade humana do outro, porque antes vendi a minha”, lembrou o papa.
Dignidade humana
Para a secretária executiva do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic), pastora Romi Márcia Bencke, é necessário debater a temática do tráfico humano de forma aberta e coerente. “A Campanha da Fraternidade nos coloca um grande desafio de falar honestamente das hierarquias econômicas, sociais e culturais, que acabam legitimando esse tipo de exploração humana”, apontou a pastora.
O representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Marcello Laverene Machado, destacou que a OAB reconhece a CNBB como uma parceira de lutas em defesa da dignidade humana. “A Campanha da Fraternidade vai chamar a atenção para essa grande chaga que é a opressão, o abandono, em uma sociedade estruturada sob bases injustas, visando apenas o consumismo e o capitalismo. Que cada brasileiro nesta campanha, lute pelo desaparecimento do tráfico humano”, concluiu.

Fonte: www.cnbb.org.br

quarta-feira, 5 de março de 2014

QUARTA-FEIRA DE CINZAS - ANO A

05 de março de 2014

         Joel 2,12-18
         Salmo 50/51,3-6a.12-14 e 17
         2Coríntios 5,20—6,2
         Mateus 6,1-6.16-18


TEU PAI, QUE VÊ O QUE ESTÁ OCULTO, TE DARÁ A RECOMPENSA


1- PONTO DE PARTIDA

Com a celebração de hoje iniciamos nossa caminhada quaresmal, preparando a grande festa da Páscoa do Senhor. Iniciamos fazendo gestos bem concretos como o jejum e a penitência pela imposição das cinzas, sinais que nos indicam que devemos neste tempo nos abrir para Deus e para os irmãos. A celebração e a imposição das cinzas lembram as palavras de Jesus: “Convertei-vos e crede no evangelho”.

Receber as cinzas, nesta quarta-feira, significa confirmar nossa fé na Páscoa de Cristo, na reconciliação, na esperança de um dia estar na comunhão do Ressuscitado.

Celebramos neste dia o mistério do Deus misericordioso que acolhe nossa penitência e nossa reconciliação pela conversão que consiste em crer no Evangelho, ser discípulos missionários de Cristo e entrar no seu caminho pascal.

Começamos hoje a campanha da Fraternidade. Ela tem como tema: “Tráfico Humano e Fraternidade” e como lema inspirado na Carta aos Gálatas: “É para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gálatas 5,1).

2- REFLEXÃO BÍBLICA, EXEGÉTICA E LITÚRGICA

Primeira leitura – Joel 2,12-18. A Palavra de Deus, na primeira leitura, nos vem pelo profeta Joel. Em seu tempo, a região de Judá estava sofrendo grande calamidade causada pela inesperada praga de gafanhotos que acabara com as plantações. Os inimigos aproveitaram o sofrimento do povo para ironizar Deus.

Por meio dessa tragédia ecológica, o profeta ajuda o povo a perceber o convite de Deus para se converter e voltar-se para ele. A situação exige uma ação religiosa de expiação, uma jornada de jejum e penitência de toda a nação. A realidade ecológica colocada sob olhar de fé torna-se ambiente litúrgico e a praga de gafanhotos, “dia do Senhor”: momento da história em que Deus intervém por meio da natureza. Nesse “dia” ele faz um julgamento público, corrigindo e salvando.

Para encontrar graça neste dia insuportável, é preciso converter-se e voltar ao Senhor. Não basta um ato externo e ritual, mas exige-se uma mudança de coração. O profeta Joel aqui o que Jesus resumirá mais tarde na frase: “Fazei penitência (em grego metanoein), porque o (Reino de Deus) está chegando”. Se a pessoa humana voltar atrás, também Deus voltará atrás em seu rigor e mostrará que Ele é bom e compassivo.

A conversão do povo, a mudança de vida são condições para que a misericórdia do Senhor entre em ação. O profeta Joel diz que há sempre tempo para se converter, como está escrito em Dt 30,9-10: “[...] o Senhor teu Deus tornará a se alegrar contigo [...] se escutares a voz do Senhor teu Deus, guardando seus mandamentos e mandatos [...] se te converteres ao Senhor teu Deus com todo o coração e com toda a alma”.

Salmo responsorial 50/51, 3-6a.12-14.17. O Salmo começa com o apelo à misericórdia, que inclui a confissão formal do pecado; este versículo é síntese ou germe do resto do Salmo. Começa a primeira parte, no reino do pecado, sem mencionar Deus. O pecado é um ato pessoal contra Deus, não mera violência de ordem abstrata.
           
O Salmo 51(50) é a súplica de uma pessoa que reconhece sua profunda miséria e seus pecados; que tem plena consciência da gravidade da própria culpa, pois quebrou a Aliança com o Senhor. São muitos os pedidos, mas todos se concentram em torno do primeiro: “Tem piedade de mim, ó Deus, por teu amor!”.

O rosto de Deus no Salmo 50/51 é o Deus da Aliança. A expressão “pequei contra ti, somente contra ti” (versículo 6a) não quer dizer que essa pessoa não tenha ofendido o próximo. Seu pecado é de injustiça (versículo 4a). A expressão quer dizer que a injustiça contra o semelhante é um pecado contra Deus e uma violação da Aliança. O salmista, pois, tem consciência aguda da transgressão que cometeu. Porém, maior que seu pecado é a confiança no Deus que perdoa. Maior que a sua injustiça é a graça do parceiro fiel. Aquilo que o ser humano não pode fazer (apagar a dívida que tem com Deus), Deus o concede gratuitamente ao perdoar. Podemos contemplar neste Salmo o rosto de Deus como parceiro fiel.

O tema da súplica está presente na vida de Jesus. O tema do perdão ilimitado de Deus aparece forte, por exemplo, no capítulo 18 de Mateus, nas parábolas da misericórdia (Lucas 15) e nos episódios em que Jesus perdoa a recria plenamente as pessoas (por exemplo, João 8,1-11; Lucas 7,36-50 etc.

O salmista em oração coloca-se diante da misericórdia de Deus, confiando que Ele tudo pode e quer sanar, regenerar, recriar todas as coisas com a santidade e a novidade do seu Espírito.

No Primeiro Testamento este Salmo lembrava ao povo a misericórdia de Deus com Davi, apesar de seu grande pecado. Cantando hoje este salmo, peçamos que o Senhor tenha misericórdia de nós e nos ajude a viver em profunda comunhão com Ele e com os irmãos.

PIEDADE, Ó SENHOR, TENDE PIEDADE,
POIS PECAMOS CONTRA VÓS!

Segunda leitura – 2Coríntios 5,20—6,2. A comunidade de Corinto, além de conflitos internos, estava tendo dificuldades de relacionamento com Paulo. Ele então escreve a ela, lembrando que a comunidade é chamada a ser sinal de reconciliação de todas as pessoas com Deus. Cristo fez-se excluído por nós. Deus o colocou como Redentor dos pecadores. Paulo diz que somos embaixadores da misericórdia e do perdão de Deus neste tempo favorável. O tempo da reconciliação é agora; é agora o dia da salvação. Nós somos responsáveis por isso.

A mudança situa-se somente da parte dos reconciliados, reconduzidos á comunhão e à amizade com Deus por meio de Jesus Cristo. Mediante a pregação Deus estende a mão a todos. E Paulo suplica: “Deixem que Deus os transforme de inimigos em seus amigos” (versículo 20). Suplica também: “Não deixem que se perca a graça de Deus que vocês já receberam” (versículo 27). Aqui aparece a outra face da moeda. Deus não age sozinho. A pessoa humana não se salva apesar de si mesma. A pessoa humana encontra-se diante da possibilidade de se abrir e de se fechar, de dar ou não dar resposta à proposta de Deus. São possibilidades de sua liberdade de sua responsabilidade, decisivas para sua sorte eterna.  

Evangelho – Mateus 6,1-6.16-18. O Evangelho de hoje faz parte do grande Sermão da Montanha, narrado por Mateus (5-7). Ele reúne sentenças de Jesus em um discurso inaugural, uma grande didakhé. É o apelo que Jesus dirige a quem quer segui-lo; é o manifesto do Messias Jesus, Salvador. Nele encontramos novas normas para seu seguimento, com a recomendação de fazermos “brilhar a luz diante da humanidade, para que vendo as obras, glorifiquem o Pai” (Mateus 5,16).

Na Palavra de hoje, a recomendação é agir, porém não com a finalidade de ser aplaudido pelos outros. A norma de ser luz fala da conseqüência da atitude de quem segue Jesus. Hoje ouvimos a proposta de retorno a Deus, que propõe três ações básicas: a oração, o jejum e a esmola. Nas palavras de Jesus, o mais importante não é o gesto externo, e sim a atitude interior com a qual realizamos nossas ações.

Este Evangelho toca num ponto fraco de nossa maneira de ser e viver: a tendência de “praticar a justiça para sermos vistos...”. Assim, a oração é diálogo permanente com Deus, a escuta profunda da sua Palavra e não mera exterioridade, com repetição contínua de nossas próprias palavras. A oração nos ajuda a enxergar a realidade com os “olhos” de Deus e nos abre a um compromisso fraterno e solidário com a vida e a dignidade de todas as pessoas, vendo em todas elas a imagem de Jesus, nosso irmão. Aqui a oração é pessoal, e não a oração comunitária necessariamente pública, perante a assembléia. Os salmos falam da oração na cama (cf. Sl 4,5; 7,2-5), de súplicas de doentes (cf. Sl 6;38). Jesus fala da oração que ele mesmo praticou ao se retirar, à noite ou de madrugada, para se encontrar com o Pai face a face, em particular, porque Deus não está confinado no templo mas presente em toda parte. Não se deve converter a oração em espetáculo. É estranho e mentiroso parecer que se louva a Deus para glória própria.

O jejum, na época de Jesus, podia ser voluntário ou prescrito. Podia ser público por causa de alguma calamidade, conforme o profeta Joel, ou privado, acompanhando uma súplica pessoal. Há o jejum ritual do dia da expiação que recebe a crítica e indignação de Isaías. Para o profeta (cf. Is 58,1-7), o jejum consiste em libertar os prisioneiros, acabar com a opressão, partilhar nossos bens com os mais pobres e acolhê-los como irmãos. Isso exige de nós o jejum da auto-suficiência, do desejo de dominar e de acumular, que nos distancia do projeto de Deus, Jejum é a prática da Justiça.

A esmola é muito recomendada no Primeiro Testamento. O livro de Provérbios 19,7 diz que “quem se compadece do pobre empresta ao Senhor”. Jesus não fala dela, mas fala de “um copo de água” dado em seu nome e de que seremos julgados pelo preceito capital do amor ao próximo. Os pequenos são irmãos de Jesus e tudo que fizermos ao faminto, ao nu, ao sedento, ao peregrino... Estaremos fazendo a ele. É mais que esmola. É amor fraterno, irmandade.

3- DA PALAVRA CELEBRADA AO COTIDIANO DA VIDA

As ações solidárias, as orações , os ritos e jejuns são aceitos se brotam como expressão de nossa relação amorosa com Deus e seu plano. Ele revela-se benigno, compassivo, paciente, cheio de misericórdia, inclinado a perdoar sempre e não deixa que seu povo sofra infâmia nem dominação.

No caminho de conversão quaresmal, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) nos apresenta a Campanha da Fraternidade como itinerário de libertação pessoal, comunitária e social. Tráfico Humano e Fraternidade é o tema da Campanha para a Quaresma de 2014. O lema é inspirado na Carta aos Gálatas: “É para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gálatas 5,1).

O tráfico humano viola a grandeza de filhos, destrói a imagem de Deus, cerceia a liberdade daqueles que foram resgatados por Cristo. As comunidades, as famílias, as pessoas certamente buscarão superar a globalização da indiferença em relação ao tráfico humano.

Ao entrarmos na Quaresma, sentimos como estranho e incoerente o espetáculo de oração na televisão, no rádio, em que pessoas se mostram e fazem sucesso com a reza ostensiva do terço, com ostensórios dourados, com roupas vistosas... A própria liturgia – ação, serviço público comunitário – tem-se tornado espetáculo, show... Certamente, Jesus diria hoje: “Hipócritas... já receberam o seu pagamento!”.

Atualmente, também é complicado falar de esmola. Jesus propõe que quem deseja segui-lo “vá, venda tudo o que tem e dê aos pobres”. É partilha. Não se trata de dar apenas algum trocado, uma roupa, um prato de comida, muitas vezes por desencargo de consciência ou para livrar-nos da importunação. Esmola é, sim, a caridade praticada como solidariedade e serviço amoroso e efetivo aos irmãos necessitados, como entrega de nossa vida, de nossas forças, de nosso tempo, de nossos bens para o bem comum. É participação em projetos e movimentos populares pela geração de empregos, pela democratização da posse da terra, no campo e na cidade, pela construção de moradia e pela ampliação de postos de saúde e de atendimento para todos. É ajudar a pessoa a desenvolver suas capacidades, a se tornar sujeito de sua promoção.

Este tempo litúrgico iniciado hoje é momento privilegiado de mudança. Não se trata de fazer a luz brilhar para “sermos admirados”, fazermos sucesso. O resultado é louvor de Deus e não o nosso. O mandamento de “não praticar a justiça na frente dos homens só para ser visto por eles” completa a recomendação de ser luz para o mundo. A luz é de Jesus Messias e não luz pessoal, porque somos pó. Pó não brilha.
4- A PALAVRA SE FAZ CELEBRAÇÃO

Não endureçais o coração

A aclamação ao Evangelho, nessa quarta-feira de cinzas, conduz nosso olhar para o objetivo central da quaresma: ouvir a Palavra de Deus à medida que o coração se dilata. O itinerário proposto pela Igreja para este tempo suscita o cuidado para não vivermos da própria justiça (cf. Evangelho), o que seria publicar a vaidade que culmina na hipocrisia. Em conformidade, a primeira leitura e o Evangelho ressoam no rito das cinzas distribuídas após a homilia. Este gesto muito antigo, anterior à própria Igreja Cristã, comemora o fato de os seres humanos estarem atentos à sua vulnerabilidade e, não fechados em si mesmos, procurarem a plenitude em seu Criador.

Adentrar na justiça de Deus e vivê-la em relação ao próximo

Fazer a experiência das cinzas é render-se à justiça divina, renunciando à própria. Bento XVI, em sua mensagem para a Quaresma de 2010, dizia que “a injustiça, fruto do mal, não tem raízes exclusivamente externas: tem origem no coração do homem, onde se encontram os germes de uma misteriosa convivência com o mal. Reconhece-o com amargura o Salmista: ‘Eis que eu nasci na culpa, e a minha mãe concebeu-me no pecado’ (Salmo 51,7).”

Amolecer o coração, portanto, é necessário para que contemplemos a Deus na sua justiça. Isso significa, por um lado. “a aceitação plena da vontade do Deus de Israel: e, por outro, equidade em relação ao próximo (cf. Êxodo 29,12-17)”.

O tempo de quaresma nos readmite neste caminho, permitindo-nos reconhecermo-nos pó da terra, para dele sermos levantados (cf. 113,7). Assim, proclama-se, já no início deste itinerário e o seu destino: a Páscoa da Ressurreição.

5- LIGANDO A PALAVRA COM A AÇÃO EUCARÍSTICA

Como assembléia pecadora e necessita de purificação, abrimo-nos à escuta da Palavra de Deus e à solidariedade para com os irmãos, acolhendo a conversão, a reconciliação e a salvação, que misericordiosamente o Senhor nos oferece.

Com nossas cabeças “perfumadas”, assinaladas pelas cinzas da penitência, reconhecemos humildemente nossa condição humana, dando a deus o lugar central em nossa vida e ao seu projeto nossa adesão livre, consciente e amorosa.

Confiantes, suplicamos sua graça e confirmamos nosso compromisso de mudança, direcionando nosso jejum e nossa ação co-responsável e solidária para a realidade sofrida dos povos e do chão da Amazônia.

Cheios de gratidão, oferecemos ao Pai – por Cristo, com Cristo e em Cristo – nossa ação de graças pelo farto alimento espiritual que ele nos dá, sinal de seu amor para conosco, fazendo-nos participantes do mistério da morte e ressurreição do Filho amado.

Disponíveis, abrimo-nos a seu convite para nos desprender-mos de nossa auto-suficiência e de tudo o que é supérfluo e para dividirmos com os irmãos nossos bens e nossa vida, tornando-nos instrumentos de conversão, de perdão e de justiça no mundo em que vivemos.

6- QUARTA-FEIRA DE CINZAS

A festa mais importante do ano, a celebração do acontecimento central e máximo de toda a história da humanidade, é a Páscoa. E por que ela é tão especial, merece uma preparação à altura. Então, começa na Quarta-Feira de Cinzas nossa preparação para a Páscoa.

E como inauguramos esta preparação? Colocando cinza sobre nossa cabeça, como sinal de penitência, isto é, como prova de que estamos dispostos a nos alinhar no caminho de Deus com seu projeto de justiça e paz para todos. Além disso, passamos esse dia fazendo jejum, também como sinal de penitência.

Serão então quarenta dias de preparação: Quaresma. A Campanha da Fraternidade, enfocando um problema social que mais aflige a sociedade, à luz da Palavra de Deus, vai nos ajudando na preparação para a Páscoa.

Quarta-Feira de Cinzas! Celebramos neste dia o mistério do Deus misericordioso que acolhe nossa penitência, nossa conversão, isto é, o reconhecimento de nossa condição de criaturas limitadas, mortais e pecadoras. Conversão que consiste em crer no Evangelho, isto é, aderir a ele, vive segundo o ensinamento do Senhor Jesus. Numa palavra, trata-se de entrar no caminho pascal de Jesus. “Convertei-vos e crede no Evangelho”: é o convite que Jesus faz (cf. Marcos 1,15).

Esta Palavra a ouvimos ao receber cinzas sobre nossa cabeça. Por que cinzas? É para lembrar que, de fato, somos pó. Mas não reduzidos a pó! A fé em Jesus ressuscitado faz com que a vida renasça das cinzas. Quando o ser humano reconhece sua condição de criatura realmente necessitada da ação de Deus, em Cristo e no Espírito, então Jesus Cristo faz brotar vida de nossa condição mortal. Reconhecer-se assim é entrar numa atitude pascal, isto é, de passagem com Cristo da morte para a vida. Esta Páscoa vivemos na conversão, através dos exercícios de oração, jejum e esmola ou partilha de bens e gestos solidários, no espírito do Sermão da Montanha.

Páscoa que celebramos na Eucaristia, pela qual aclamamos Deus como aquele que, acolhendo nossa penitência, corrige nossos vícios, eleva nossos sentimentos, fortifica nosso espírito fraterno e, assim, nos dá a graça de nos aproximarmos do seu jeito misericordioso de ser e nos garante uma eterna recompensa.

Por isso que o presbítero, em nome de toda a assembléia, canta na Oração Eucarística: “Senhor, Pai santo, Deus eterno e todo-poderoso [...]. Vós acolheis nossa penitência como oferenda à vossa glória. O jejum e a abstinência que praticamos, quebrando nosso orgulho, nos convidam a imitar vossa misericórdia, repartindo o pão com os necessitados [...]. Pela penitência da Quaresma, corrigis nossos vícios, elevais nossos sentimentos, fortificais nosso espírito fraterno e nos garantis uma eterna recompensa” (Prefácio da Quaresma III e IV).

Com a oferta total de Cristo ao Pai, pelo Espírito Santo, na liturgia eucarística, une-se também a oferta de nossa penitência quaresmal. E Deus, por sua vez, nos recompensa com o corpo entregue e o sangue derramado de seu Filho Jesus, na santa comunhão.

Que o Cristo pascal nos ajude para que nosso jejum seja realmente agradável a Deus e nos sirva de remédio para a cura de nossos vícios. E assim possamos celebrar dignamente a santa Páscoa de Cristo e nossa Páscoa.

7- ORIENTAÇÕES GERAIS

1. A Cruz do Senhor deve permanecer em lugar de destaque durante toda a Quaresma.

2. Preparar com antecedência as cinzas, se possível com ramos secos usados no Domingo de Ramos do ano anterior, conforme é tradição da Igreja. Não é preciso que o rito de bênção e distribuição das cinzas seja unido à Missa; no entanto, pode ser realizado após a liturgia da Palavra, com textos bíblicos, orações e cânticos próprios do dia. Após a homilia, faz-se a bênção e a distribuição das cinzas. Termina-se com a oração dos fiéis e o Pai-Nosso. Outra boa alternativa é seguir o roteiro conforme o Ofício Divino das Comunidades.

3. Os cantos contribuem muito com a espiritualidade (mística) própria da Quaresma. Por isso, não basta deixar de cantar o Glória e o Aleluia. É preciso cuidar que o conteúdo dos cantos, seu ritmo e o uso dos instrumentos musicais sejam uma autentica expressão da Quaresma. O Hinário Litúrgico da CNBB, fascículo 2, oferece um rico repertório para a Quaresma.

4. O CD: da Campanha da Fraternidade 2014 trouxe um belíssimo repertório quaresmal. Não podemos deixar de utilizar o CD: Liturgia XIII, Quaresma Ano A, editado pela Paulus, com muitos cantos bíblicos.

5. Um bom ensaio dos cantos previstos para a celebração se faz necessário, para que ela transcorra em clima realmente orante e de fé. Após o ensaio de cantos uns momentos de silêncio e oração pessoal ajudam a criar um clima alegre e orante para a celebração.

6. Colocar o cartaz da Campanha da Fraternidade em lugares visíveis da Igreja. De preferência, não no presbitério.

7. O Ato penitencial é omitido nesta Missa, pois é substituído pelo rito da imposição das cinzas, que se dá após a homilia. É importante valorizar este rito em sua dimensão penitencial, na disposição à conversão. O Missal Romano sugere duas fórmulas de orações de bênção e duas exortações para o momento da imposição das cinzas. Escolher com antecedência as que são serão usadas na celebração.

8. Em todo o rito, a Palavra se conjuga com o silêncio. Momentos de silêncio após as leituras, o salmo e a homilia, fortalecem a atitude de acolhida da Palavra. O silêncio é o momento em que o Espírito Santo torna fecunda a Palavra no coração da comunidade. Nem tudo cabe em palavras.
9. A homilia (conversa familiar) interpreta as leituras bíblicas a partir da realidade atual, tendo o mistério de Cristo como centro do anúncio e fazendo a ligação com a liturgia eucarística (dimensão mistagógica) e com a vida (compromisso e missão).

10. Na celebração de hoje da Quarta-Feira de Cinzas não se faz a Profissão de Fé.

8- MÚSICA RITUAL

O canto é parte necessária e integrante da liturgia. Não é algo que vem de fora para animar ou enfeitar a liturgia. Por isso devemos “cantar a liturgia” e não cantar na liturgia. Os cantos e músicas, executados com “atitude espiritual” e, condizentes com cada domingo da Quaresma, ajudam a comunidade a penetrar no mistério celebrado. Portanto, não basta só saber que os cantos são da “Quaresma é preciso executá-los com atitude espiritual”. A escolha dos cantos deve ser cuidadosa, para que a comunidade tenha o direito de cantar o mistério celebrado. Jamais os cantos devem ser escolhidos para satisfazer o ego de um grupo ou de um movimento ou de uma pastoral. Não devemos esquecer que toda liturgia é uma celebração da Igreja corpo de Cristo e não de um grupo, de uma pastoral ou de um movimento.

A equipe de canto faz parte da assembléia. Não deve ser um grupo que se coloca à frente da assembléia, como se estivesse apresentando um show. A ação litúrgica se dirige ao Pai, por Cristo, no Espírito Santo. Portanto, a equipe de canto deve se colocar entre o presbitério e a assembléia e estar voltada para o altar, para a presidência e para a Mesa da Palavra.

1. Canto de abertura. Deus não despreza o criou: que ele tenha compaixão (Sabedoria 11,24-24.27). Como canto de abertura, sugerimos que se cante “Senhor, eis aqui o teu povo”, CD: Liturgia XIII, melodia da faixa 1, Quaresma Ano A, ou Hinário Litúrgico II, página 296; “Fala assim meu coração: Vou buscar a tua face!”, CD: CF-2014, melodia da faixa 3 ou CD: CF-2011, melodia da faixa 3; “Volta, meu povo, ao teu Senhor”, CD: CF-2014, melodia da faixa 2.
  
Ensina a Instrução Geral do Missal Romano que o canto de abertura tem por objetivo, além de unir a assembléia, inseri-la no mistério celebrado (IGMR nº 47). Nesse sentido o Hinário Litúrgico II da CNBB nos oferece uma ótima opção, que estão gravados no CD: Liturgia XIII, Quaresma Ano A.

2- Salmo responsorial 50/51. Deus restabelece em nós um coração puro. “Piedade, ó Senhor, tende piedade, pois pecamos contra vós!”, CD: CF-2014, melodia da faixa 5.

3- Aclamação ao Santo Evangelho. Ouvir hoje a voz de Deus (Salmo 95/94,8). “Louvor a vós, ó Cristo, rei da eterna glória!”, CD CF-2014, melodia da faixa 6.

4. Canto da imposição das cinzas. Durante este rito penitencial da imposição das cinzas sobre a cabeça, sugerimos que a assembléia cante “Pecador, agora é tempo”, CD: Liturgia XIII, melodia da faixa 4 ou no Hinário Litúrgico II da CNBB, página 277; Hinário Litúrgico II. O rito termina com a oração dos fiéis.

5. Canto de apresentação dos dons. O canto de apresentação das oferendas, conforme orientamos em outras ocasiões, não necessita versar sobre pão e vinho. Seu tema é o mistério que se celebra acontecendo na fraternidade da Igreja reunida em oração. “O vosso coração de pedra”, CD: Liturgia XIII, melodia da faixa 5 ou Hinário Litúrgico II da CNBB, página 275;  Eis o tempo de conversão”, CD: Liturgia XIV, melodia da faixa 6 ou no Hinário Litúrgico da CNBB II, pág. 217; “Escuta, Senhor, a voz do povo teu”, CD: CF-2014, melodia da faixa 7. Outra opção é ou o hino da Campanha da Fraternidade.

6. O canto do Santo. Um lembrete importante: para o canto do Santo, se for o caso, sempre anunciá-lo antes do diálogo inicial da Oração Eucarística. Nunca quando o presidente da celebração termina o Prefácio convidando a cantar. Se o (a) comentarista comunica neste momento o número do canto no livro, quebra todo o ritmo e a beleza da ligação imediata do Prefácio como o canto do Santo.

7. Canto de comunhão: Meditar a lei do Senhor dia e noite (Salmo 1,2-3). “Agora o tempo se cumpriu”, CD: Liturgia XIV, melodia da faixa 3; “Vem meu povo, ao banquete da vida”, CD: CF-2014, melodia da faixa 10. A Igreja também oferece mais duas opções para canto de comunhão: “Reconciliai-vos com Deus”, CD: CF-2011, melodia da faixa 11 ou Hinário Litúrgico II da CNBB, página 290; “Quando invocar, eu atenderei”, CD: Liturgia XIII, melodia da faixa 7 ou Hinário Litúrgico II da CNBB, página 54.

O canto de comunhão deve retomar o sentido do Evangelho desta Quarta-Feira de Cinzas. Esta é a sua função ministerial. Na realidade, aquilo que se proclama no Evangelho nos é dado na Eucaristia, ou seja: é o Evangelho que nos dá o “tom” com o qual o Cristo se dirige a nós em cada celebração eucarística reforçando estes conteúdos bíblico-litúrgicos, garantindo ainda mais a unidade entre a mesa da Palavra e a mesa da Eucaristia. Isto significa que comungar o corpo e sangue de Cristo é compromisso com o Evangelho proclamado. Portanto, o mesmo Senhor que nos falou no Evangelho, nós o comungamos no pão e no vinho.

9- ESPAÇO CELEBRATIVO

1. Se há um elemento, que, sem palavras, cumpre a função mistagógica, isto é, de conduzir para dentro do mistério celebrado, este é o Espaço Sagrado. Por isso, devemos dedicar-lhe todo o nosso cuidado.

2. Como tempo preparatório para a páscoa anual, a quaresma nos convida a uma intensa revisão de vida. Os elementos simbólicos festivos serão reservados. O espaço celebrativo expressa essa “reserva simbólica” através da retirada das flores, do despojamento e austeridade que convém a este tempo. Também a cor roxa da estola (ou casula) e das toalhas ajudará a sinalizar o tom penitencial característico desse tempo.

3. A cruz é elemento importante em qualquer tempo, mas na quaresma é, sem dúvida, um sinal marcante da paixão de Cristo e da paixão do mundo. Para que esse sinal seja devidamente enfocado, sugerimos um incensário aos pés da cruz. As brasas sejam alimentadas de forma constante e discretamente, sem excessos.

4. Para o tempo quaresmal, já é de praxe, o uso da cor roxa nas vestes, velas e paramentos. Mas temos que ir além. Redescobrir, a cada vez, o sentido da chamada “reserva simbólica”: Durante este tempo (a quaresma) é proibido ornar o altar com flores, cantar o aleluia ou o hino de louvor, com exceção das solenidades e festas.

5. Isso nos ajuda a preparar o espaço celebrativo levando em conta o tempo quaresmal. O ambiente deve estar “despojado a austero”. Isso vale também para outros tempos litúrgicos. Devemos “fazer uma limpeza” de tudo o que é supérfluo no espaço celebrativo, como cartazes, folhagens, fitas, adornos, faixas, muitas imagens, etc. Os exageros de enfeites causam uma verdadeira “poluição visual”, e é preciso achar um lugar “para pousar o olhar e contemplar”. Por outro lado, devemos valorizar e destacar o que érealmente essencial para a celebração do Mistério de Cristo, isto é, o altar, a mesa da Palavra, a cadeira presidencial e a pia batismal. Durante a Quaresma outros símbolos fortes são importantes, como a cruz, a cor roxa e outros próprios para cada celebração.

6. A equipe procure caracterizar o ambiente e organizar toda a celebração dentro de uma certa sobriedade (cor roxa, sem flores, sem glória, sem aleluia e sem o canto de louvor a Deus após a comunhão. Isso não quer dizer que o ambiente seja de tristeza. A fé cristã une numa mesma celebração “a dor e a alegria, a luta e a festa”. Na Quaresma se retoma o silêncio, as celebrações são mais silenciosas, sóbrias, simples, austera. Não se enfeita o espaço celebrativo com flores. Os instrumentos apenas acompanham o canto. Não deve ter baterias e instrumentos de percussão fazendo aquele barulho como se fosse uma boate. É o silêncio que predomina. O espaço da celebração, a partir desta quarta-feira, deve ser organizado e permanecer por toda a Quaresma.

7. O cartaz da Campanha da Fraternidade e outras gravuras afins sejam colocados no mural ou noutro espaço cuja finalidade é informar os fiéis dos acontecimentos comunitários. Não é oportuno afixá-lo, por exemplo, na Mesa do Altar ou na Mesa da Palavra. Caso seja apresentado na procissão de abertura, ou na homilia, deve ser reconduzido a um lugar oportuno.

10. AÇÃO RITUAL

“Convertei-vos, a mim que eu voltarei a vós”. Essa frase exprime, perfeitamente, o significado do caminho que, a partir de hoje, percorremos como comunidade pascal. Busquemos revigorar nosso Batismo, reconhecendo nossa fragilidade e suplicando o auxílio do Senhor para que saiamos da ignorância e recordemos: fomos mergulhados na morte e ressurreição do Senhor: “as coisas antigas já se passaram, fomos nascidos de novo”.

Se a celebração for à noite, iniciá-la com as luzes apagadas e em profundo silêncio. Badalar o sino lentamente ou, se for conveniente, tocar um instrumento (atabaque, berimbau ou outro).

No início da celebração, criar um clima silencioso e orante, através de um refrão meditativo, como: “Misericórdia, Senhor misericórdia, misericórdia”

Ritos Iniciais

1. Onde for possível, iniciar a celebração fora da Igreja, com um convite a toda a comunidade para que se apresente como penitente diante do Senhor que a convoca. Onde houver batismo na noite pascal, é importante acolher os candidatos aos sacramentos de iniciação.

2. Logo após o sinal da cruz, saudação e sentido litúrgico, o presidente ou animador convida a assembléia a recordar, silenciosamente, acontecimentos, fatos, situações que evocam nossa fragilidade e pequenez diante do grande mistério da vida.

3. Aqui, pode-se trazer presente algumas situações do Tráfico Humano que são agressões à vida das pessoas conforme o texto-base da Campanha da Fraternidade 2014. Se a comunidade for pequena, pode-se fazer esta recordação com uma conversa de dois a dois.

4. Em seguida, o presidente da celebração conduz a comunidade ao silêncio e convida para que deponham seus “ramos secos” junto à cruz processional, trazendo na memória todos estes fatos que foram recordados, apresentando-os diante da Cruz do Senhor como situações que revelam a “sequidão”, o “pó” da nossa existência e a humanidade gananciosa que utiliza o ser humano para o tráfico.

5. Enquanto se dá esta ação ritual, canta-se o canto “O vosso coração de pedra se converterá”.

6. O presidente conclui a ação simbólica rezando a Oração do Dia que está no Missal Romano. Nesta oração suplicamos a Deus que a penitencia nos fortaleça e nos purifique.

Rito da Palavra

1. Convém caprichar o máximo na proclamação da Palavra de Deus (leituras, canto do salmo, evangelho). Proclamar de tal maneira que a assembléia sinta que é realmente Deus quem está falando para seu povo. Por isso, que tal fazer previamente um bom ensaio, e, mais que isso, uma verdadeira vivência da Palavra com os(as) leitores e o(a) cantor(a) do salmo responsorial? A Palavra merece, e a assembléia agradece!

2. Convém que o ministro, ao rezar a oração de bênção sobre as cinzas, o faça pausadamente, com unção, dando ênfase às frases e às palavras mais importantes. Esta oração tem riquíssimo conteúdo e forte tom evangelizador. A boa proclamação vai ajudar os fiéis a vivenciarem melhor o espírito penitencial do rito.

3. Convém que haja cinzas em abundância e que sejam esparsas abundantemente sobre a cabeça dos fiéis.

4. Quem recebe as cinzas, em sinal de compromisso faz uma inclinação diante da Cruz e beija a Bíblia aberta sobre a mesa da Palavra. As cinzas que sobrarem podem ser trazidas juntamente com as oferendas e, no final da celebração, levadas aos doentes e pessoas impossibilitadas de participar.

Rito da Eucaristia

3. Na Oração sobre as oferendas pedimos a Deus que Ele ajude-nos a dominar os maus desejos pela penitência e pela caridade.

            4. O Prefácio I da Quaresma faz referência direta ao Evangelho ao citar a oração e a prática do amor fraterno, como preparação pra a Páscoa. Usando este prefácio, o presidente deve escolher entre as três primeiras orações eucarísticas que são as únicas que admitem outros prefácios.
           
5. Sugerimos celebrar a eucaristia com a Oração Eucarística VII (ou: Sobre a Reconciliação I). Ou também com a Oração Eucarística II, com o Prefácio II ou III da Quaresma (muito sugestivos!).

Ritos finais

1. Na Oração depois da comunhão, ajudados pelo sacramento da Eucaristia, suplicamos a Deus que o nosso jejum seja agradável a Deus e útil para nós.

2. Bênção solene, para todo o povo, como sugere o Missal Romano, página 521.   Sugerimos também a oração sobre o povo, número 6, página 531 do Missal Romano.

3. As palavras do rito de envio devem estar em consonância com o mistério celebrado: “Que a tua mão esquerda não saiba o que faz a tua mão direita”. Ide em paz e o Senhor vos acompanhe!”

11- REDESCOBRINDO O MISSAL ROMANO

3. O Tempo da Quaresma tem como objetivo preparar a celebração da Páscoa; a liturgia quaresmal, com efeito, dispõe para a celebração do mistério pascal tanto os catecúmenos, pelos diversos graus de iniciação cristã, como os fiéis, pela comemoração do batismo e penitência (IGMR, nº 27, página 105, Normas Universais sobre o Ano Litúrgico e o Calendário).

12- CONSIDERAÇÕES FINAIS

É tempo de Quaresma. É tempo de conversão. Chegou o dia favorável e o momento da salvação. O que importa é a purificação interior. Achegaremos até o presidente da celebração para que ele imponha as cinzas sobre nossas frontes e diremos de nossa vontade de arrancar o coração de pedra de nosso peito e colocar aí um coração novo, convertido, renovado. Somente assim poderemos celebrar dignamente os mistérios da morte e da Ressureição do Senhor.

O objetivo da Igreja e da nossa equipe diocesana de liturgia é ajudar os padres e as comunidades de nossa diocese e todas aquelas outras comunidades fora de nossa diocese que acessar nosso site celebrar melhor o mistério pascal de Cristo.

Um abraço fraterno a todos
Pe. Benedito Mazeti


QUARESMA

A celebração da Quarta-feira de Cinzas tece início a partir do final do século V e então começa a fazer da Quaresma. No começo só os penitentes recebiam as cinzas na quarta-feira, só mais tarde é que foi estendida a todos os cristãos.
Com a Quarta-feira de cinzas, inicia a Quaresma. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) promove a Campanha da fraternidade, desde o ano de 1964, como itinerário evangelizador para viver intensamente o Tempo da Quaresma. A Igreja propõe como tema da Campanha deste ano: Tráfico Humano e Fraternidade e com o lema é inspirado na Carta aos Gálatas: “É para a liberdade que Cristo nos libertou”, (Gálatas 5,1).
As cinzas que pobremente recebemos em nossas cabeças, lembram a necessidade de conversão e de fé no Evangelho e a nossa condição humana que é transitória e abre a porta de entrada para o caminho da Quaresma que nos prepara para a Páscoa da Ressurreição. Recebendo as cinzas, reconheçamos que somos pó e pó voltaremos a ser, mas não reduzidos a pó A fé em Jesus ressuscitado faz com que a vida renasça das cinzas. A Quarta-Feira de Cinzas, porta de entrada da Quaresma, começa denunciando as deficiências graves do nosso mundo: a falta de coração puro.
Do ponto de vista físico, sabemos que as cinzas são o produto destruído da combustão das coisas vivas. A vida está presente nas plantas, com a morte e a combustão, tornam-se cinzas, símbolo de aniquilamento e de morte. As cinzas representam também a escuridão, pois elas estão presentes no apagamento da luz do fogo. Esse símbolo trágico é assumido pela Igreja, para manifestar a realidade do ser humano quando falta a presença de Deus em sua vida. Nos povos primitivos, as cinzas representam a combustão da vida, a passagem ao reino dos mortos. No livro de Jó (42,6), simbolizam o sofrimento, o luto e o remorso. No Cristianismo, tem a função pedagógica de perceber a fragilidade humana e converter os fiéis à penitência e à conversão de vida. A sacralização das cinzas, colocadas em forma de cruz, une os fiéis aos ritos de passagem e purificação pelo fogo vivo do Espírito Santo.
A imposição das cinzas é um rito antigo, mas não é antiquado e encerra uma mensagem espiritual. Não é somente um símbolo do nosso aniquilamento, e menos ainda um gesto doentio e masoquista. É também, e sobretudo, um sinal de começo de vida e renovação.
A cinza desta quarta-feira é a cinza da ressurreição. Deus é capaz de tirar a vida da morte e ressurreição das cinzas, como brota a planta de um grão que morre na terra. Receber as cinzas na quarta-feira significa inscrever-se na escola de conversão que a Igreja inaugura no tempo da Quaresma. Não significa bênção, proteção ou algo mágico.
É importante observar que a Quarta-Feira de Cinzas não poderá reduzir-se a um simples rito de distribuir as cinzas, mas deve tomar um cunho de entrada na Quaresma que poderá ser um encaminhamento para uma celebração penitencial a ser realizada sacramentalmente em tempo oportuno. Seria como que uma marca bem forte, um selo que inaugura a Quaresma.
A espiritualidade quaresmal é caracterizada também por uma atenção profunda e prolongada da Palavra de Deus. É esta Palavra que ilumina a vida e chama à conversão, derramando em nós confiança na misericórdia de Deus.
É preciso urgentemente fazer da Quaresma um tempo favorável de avaliação de nossas opções de vida e linhas de trabalho, para corrigir os erros e aprofundar a vivência da fé, abrindo-nos a Deus, aos outros e realizando ações concretas de fraternidade e solidariedade.


Pe. Benedito Mazeti

ORAÇÃO DA CF2014


segunda-feira, 3 de março de 2014

HINO DA CF 2014


ABERTURA DA CF 2014

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) fará a abertura oficial da Campanha da Fraternidade de 2014 na Quarta-feira de Cinzas, dia 5 de março, às 14h, em sua sede em Brasília. Este ano, a campanha aborda o tema “Fraternidade e Tráfico Humano” e o lema “É para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5,1). O evento será transmitido, ao vivo, pelas emissoras de inspiração católica.
bispo auxiliar de Brasília e secretário geral da CNBB, dom Leonardo Ulrich Steiner, presidirá a cerimônia. Na ocasião estarão presentes representantes do governo e de entidades da sociedade civil. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso; o ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Marcello Laverene Machado; e a secretária Executiva do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic), pastora Romi Márcia Bencke, confirmaram presença.
Na ocasião, será divulgada a mensagem do papa Francisco para a Campanha da Fraternidade.
Dioceses
Em todo o país, paróquias e dioceses programaram atividades para a quarta-feira de Cinzas, dia 5 de março. Confira horários e locais de missas em algumas dioceses e os eventos de lançamento da Campanha da Fraternidade:

MISSAS

Mogi das Cruzes (SP): missa presidida pelo bispo da diocese, dom Pedro Luiz Stringhini, na Catedral Sant’Ana, às 19h30.
Praça Coronel Benedito de Almeida, s/nº - Centro - Mogi das Cruzes (SP).
Belo Horizonte (MG): missa presidida pelo arcebispo, dom Walmor Oliveira Azevedo, no Santuário de Adoração Perpétua – Paróquia Nossa Senhora da Boa Viagem, às 17h.
Rua Sergipe, 175 – Funcionários – Belo Horizonte (MG).
Piracicaba (SP): missa presidida pelo bispo da diocese, dom Fernando Mason, na Catedral Santo Antônio, às 19h30.
Praça da Catedral, s/nº - Centro – Piracicaba (SP).
Santa Cruz do Sul (RS): missa presidida pelo bispo da diocese, dom Canísio Klaus, na Catedral São João Batista, às 19h.
Curitiba (PR): missa presidida pelo arcebispo, dom Moacyr José Vitti, na catedral Basílica Menor Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, às 12h.
Rua Barão do Cerro Azul, 31, Centro – Curitiba (PR).

EVENTOS

Abertura da Campanha da Fraternidade na arquidiocese de Belo Horizonte (MG).
Sábado, dia 8, às 13h30, no auditório do Museu da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG).
Rua Dom José Gaspar, 290 – Coração Eucarístico – Belo Horizonte (MG).
Abertura da Campanha da Fraternidade 2014. Na arquidiocese de Goiânia (GO).
Quarta-feira, dia 5, às 9h no auditório da Cúria Metropolitana.
Coletiva de imprensa com o arcebispo de Curitiba, dom Moacyr José Vitti, sobre a Campanha da Fraternidade na arquidiocese de Curitiba (PR).
Quarta-feira, dia 5, às 8h, no Salão Nobre da Cúria Arquidiocesana.
Av. Jaime Reis, 369 – São Francisco - Curitiba (PR).
Abertura da Campanha da Fraternidade e início das Celebrações dos 80 anos da diocese de Caxias do Sul (RS).
Quarta-feira, dia 5, às 10h, no espaço Mater Dei da catedral diocesana de Caxias do Sul (RS), acesso pelo Jardim de Maria.
Rua Sinimbu, 1756 – Centro – Caxias do Sul (RS).
Lançamento do Texto-base da Campanha da Fraternidade 2014 no Regional Sul 1 da CNBB.
Quinta-feira, dia 13, às 15h, no auditório Vilela da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).
Avenida Pedro Álvares Cabral, 201 – Ibirapuera – São Paulo (SP).

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

CF - 2014 - O CARTAZ

1-O cartaz da Campanha da Fraternidade quer refletir a crueldade do tráfico humano. As mãos acorrentadas e estendidas simbolizam a situação de dominação e exploração dos irmãos e irmãs traficados e o seu sentimento de impotência perante os traficantes. A mão que sustenta as correntes representa a força coercitiva do tráfico, que explora vítimas que estão distantes de sua terra, de sua família e de sua gente.

2-Essa situação rompe com o projeto de vida na liberdade e na paz e viola a dignidade e os direitos do ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus. A sombra na parte superior do cartaz expressa as violações do tráfico humano, que ferem a fraternidade e a solidariedade, que empobrecem e desumanizam a sociedade.

3-As correntes rompidas e envoltas em luz revigoram a vida sofrida das pessoas dominadas por esse crime e apontam para a esperança de libertação do tráfico humano. Essa esperança se nutre da entrega total de Jesus Cristo na cruz para vencer as situações de morte e conceder a liberdade a todos. “É para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5, 1), especialmente os que sofrem com injustiças, como as presentes nas modalidades do tráfico humano, representadas pelas mãos na parte inferior.

4-A maioria das pessoas traficadas é pobre ou está em situação de grande vulnerabilidade. As redes criminosas do tráfico valem-se dessa condição, que facilita o aliciamento com enganosas promessas de vida mais digna. Uma vez nas mãos dos traficantes, mulheres, homens e crianças, adolescentes e jovens são explorados em atividades contra a própria vontade e por meios violentos.

FONTE: www.cnbb.org.br
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...