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segunda-feira, 22 de agosto de 2016

22º DOMINGO DO TEMPO COMUM - ANO C

28 de agosto de 2016

Leituras 
         Eclesiástico 3,19-21.30-31
         Salmo 67/68,4-7.10-11
         Hebreus 12,18-19.22-24a
         Lucas 14,1.7-14 

“VOCÊ RECEBERÁ A RECOMPENSA NA RESSURREIÇÃO DOS JUSTOS”


1- PONTO DE PARTIDA

Domingo do banquete dos humildes. Neste 22º domingo, Jesus está como hóspede na casa de um notável fariseu, em dia de sábado e, não se deixa manipular pelo anfitrião. Observando a disputa dos convidados pelos primeiros lugares no banquete, o Mestre faz a contraproposta: procurar os últimos lugares. Ele diz que não devem ser convidados só os que dispõem de condições para retribuir, mas também os pobres e aleijados que nada possuem para oferecer. A humildade e a gratuidade são virtudes dos discípulos promotores do Reino. Hoje lembramos o dia do catequista.

O Evangelho não proíbe afeição aos familiares e amigos, mas o amor gratuito de Deus requer algo mais: no convite a tomar parte do banquete da vida, optar solidariamente pelos que são esquecidos e tidos como menos importantes.

Fazendo memória desse fato, recordamos Jesus que se fez pequeno entre os pequenos. Ele nos convida a abandonar qualquer atitude de arrogância e auto-suficiência e a acolher a misericórdia e compaixão do nosso Deus.

2- REFLEXÃO BÍBLICA, EXEGÉTICA E LITÚRGICA

Contemplando os textos

Primeira leitura – Eclesiástico 3,17-18.2028-29. No tempo da Bíblia, uns 200 anos antes de Cristo, havia um homem experiente na vida e conhecedor dos antigos livros da Bíblia. Ele, então, resolveu escrever um livro, onde juntou a sabedoria do povo do seu tempo à fé dos antepassados.

O autor não tem como objetivo de dar definições nem de fazer distinções entre humildade e mansidão; fala delas como expressão da mesma realidade. “Meu filho, realiza tuas obras com mansidão”.

O versículo 19 traz uma norma de sabedoria e bom senso? Quanto maior é alguém, mais deve fazer-se pequeno. Em outras palavras quer dizer: quanto mais importante é o papel que alguém desempenha na sociedade, mais ele deve tomar consciência de sua verdadeira realidade de criatura pecadora e limitada. A exaltação não convém ao nenhum ser humano feito do pó da terra. Ele deve tomar consciência de sua pequenez e aceitar sua condição. É o que fez Abraão no diálogo com Deus: “Não leveis a mal, se ainda ouso falar ao meu Senhor, embora seu eu pó e cinza” (Gênesis 18,27). Maria, que na Anunciação tem a revelação do papel importante e único que vai desempenhar na obra messiânica, tem exatamente esta atitude: “olhou para a humildade de sua serva”; e ao mesmo tempo tem consciência de que “fez em mim grandes coisas o Todo-Poderoso” (Lucas 1,47-49).

No versículo 21 o autor lembra que grande mesmo é o poder de Deus. Nenhum outro ser é grande diante de Deus. E Ele é honrado, não pelos “grandes”, mas pelos pequenos e humildes.  Não se trata de auto-aniquilamento diante de Deus, mas de sabedoria e autenticidade de se reconhecer aquilo que se é mesmo, em relação a Deus.

O versículo 19 é uma consideração sobre a situação daquele que não assume a atitude de humildade, que não se reconhece o que realmente é. O orgulho é um mal, como uma doença que debilita e transtorna o organismo interior da pessoa. É como um câncer que vai corroendo. O orgulho é uma obstinação que termina na cegueira e no endurecimento As próprias decepções que o orgulhoso experimenta não o esclarecem, nem o convertem, justamente porque não se reconhece doente, porque recusa o remédio. E este também é o motivo por que Deus recusa sua graça ao orgulhoso. Não porque haja entre ele e Deus um jogo de competição, mas porque, pelo orgulho, ele se torna incapaz de receber o dom, a graça de Deus.

Bem diferente é a atitude da pessoa prudente (versículo 31), daquele que reconhece sua situação, sua limitação, e se abre para acolher o dom de Deus. Ele tem um ouvido sempre pronto a escutar o ensinamento de Deus, um coração aberto ao sopro do Espírito. É uma atitude constante de docilidade e de prontidão a qualquer manifestação da vontade de Deus.

O texto da primeira leitura deixa claro que a atitude que agrada a Deus é a humildade Esta bota do reconhecimento da grandeza absoluta de Deus e da confiança Nele. Em contrapartida, o orgulho origina-se da auto-suficiência que absolutiza pessoas, cargos sociais, culturas e coisas.

Salmo responsorial – Salmo 67/68,4-7.10-11. O Salmo 67/68 é um hino que vai ser entoado na procissão pelo deserto. Deus na frente, o povo atrás, como rebanho; conclusão na terra que o próprio Senhor tornou com a chuva, e onde o seu povo vai habitar. É uma ação de graças coletiva. O povo está reunido (talvez após a volta do exílio na Babilônia e a reconstrução do Templo de Jerusalém) e celebra, agradecido, a presença de deus na sua caminhada, recordando a grande peregrinação do passado, ou seja, a época em que Deus caminhou à frente do povo para a posse da terra prometida.

Os “justos” são convidados a “alegrar-se” e a “exultar na presença de Deus” (versículos 4-5), tal como Maria do Magnificat (cf. Lucas 1,46b-47). Na sua pobreza, eles – em primeiro lugar o “órfão”, a “viúva”, os “abandonados”, os “prisioneiros”- experimentam incessantemente a solicitude paterna de Deus (versículos 6-7).

O rosto de Deus neste salmo. São muitos os aspectos que compõem o rosto de Deus. Apontamos alguns. Em primeiro lugar, note-se a variedade nomes que recebe: “Deus”, “Javé”, “Senhor”, “Todo-Poderoso”, “Deus do Sinai”, “Deus de Israel”. São nomes que pretendem abraçar toda a história do povo. Deus está sempre presente nela. Em segundo lugar, algumas expressões que identificam a Javé: “Pai dos órfãos, protetor das viúvas”, aquele que dá uma casa (terra) aos excluídos, liberta e enriquece os cativos (versículos 6-7a), pastor que conduz seu rebanho pobre à conquista da terra (versículos 11.14).

No Novo Testamento, seria interessante pesquisar os títulos que Jesus recebe nos evangelhos. Além disso, ver como agiu em relação aos excluídos (doentes, viúvas, órfãos, estrangeiros, pecadores); fazer um elenco de suas ações; ver como põe em movimento a marcha da humanidade em busca da liberdade e vida (Mateus 2; Lucas 9,51—19,27) e como agiu em relação aos não-judeus.

O salmista convida a louvar e exaltar a Deus, pois Ele é Pai dos órfãos, protetor das viúvas, ou seja, de todo o povo necessitado. Agradeçamos a esse nosso Deus, que cria um mundo justo, e está sempre presente e atuante na vida e na caminhada de nosso povo.

COM CARINHO PREPARASTE UMA MESA PARA O POBRE.

Segunda leitura – Hebreus 12,18-19.22-24a. Na segunda leitura da carta aos Hebreus, Paulo mostra à comunidade os dois modos de experimentar Deus. No passado, no deserto e na Aliança do monte Sinai, o povo fez a experiência de um Deus próximo, mas, ao mesmo tempo, distante. Ele se revela na tempestade, na escuridão, no toque da trombeta e na sarça ardente. Ninguém podia aproximar-se Dele. Todavia, no tempo da Nova Aliança assinalada com o sangue de Jesus, Deus tornou-se próximo e íntimo, a ponto de morar e formar com seu povo uma única família. Em Jesus Cristo, a comum idade faz a experiência imediata de Deus. A leitura exorta “a procurar a paz com todos e a santidade, sem a qual ninguém verá o Senhor”.

A assembléia do Sinai foi celebrada graças à mediação dos anjos (versículo 22; cf. Atos 7,38-53; Gálatas 3,19; Hebreus 2,2), enquanto a assembléia dos cristão se reúne em torno do mediador Único e definitivo (versículo 24) e para uma Aliança totalmente superior (cf. Êxodo 24,8; Hebreus 9,19-20; 10,29).

Esta passagem quer convencer os cristãos de que sua esperança deve ser espiritualizada. Como o Sinai (ou a Sião) que o substitui: Salmo 67/68,17; Isaias 2,2-3; Jeremias 31,11-12; Gálatas 4,21-26), foi u lugar da “assembléia” das tribos (versículo 23); cf. Atos 7,38; Deuteronômio 4,10; 9,10; 18,16), assim a Igreja, Sião espiritual, convoca a assembléia das nações. Todavia, ela não pode perder este direito de primogenitura como Esaú o perdeu (Neemias 12,16-17; cf. versículo 25).

Dispersos pelo mundo, os cristãos não esperam mais, como os judeus, um congraçamento geográfico, pois eles próprios são os primogênitos de um reino cuja capital não fica mais aqui na terra.

Evangelho – Lucas 14,1.7-14. Jesus entra na casa de um chefe dos fariseus para tomar parte de uma refeição, em dia de sábado. Trata-se de uma refeição festiva, possivelmente após a celebração religiosa da sinagoga. Todos observam Jesus. Contradizendo os preceitos religiosos do sábado, Jesus cura um homem hidrópico, revelando-se, mais uma vez, soberano diante da Lei. É a terceira cura narrada pelo evangelista Lucas. Nesta, como nas anteriores (Lucas 6,6-11 e 13,13-17), predomina o interesse pela polêmica a respeito do sábado. Os fariseus que haviam convidado Jesus para o banquete com o objetivo de descaracterizar sua pregação, em sua hipocrisia, se calam diante da pergunta: “S Lei permite ou não permite curar em dia de sábado?” Se não era permitido fazer o bem em dia de sábado, o que dizer de reunir os amigos, parentes e vizinhos ricos para um banquete (versículo 1)? Os opositores de Jesus arquitetaram a armadilha do homem hidrópico para surpreender o Mestre, mas eles é que acabaram caindo nela.

Jesus observa o comportamento social dos convidados à refeição na casa de um fariseu notável. Os primeiros lugares eram os mais disputados. O pressuposto mínimo de um convidado é esperar, com paciência, que o dono da casa lhe indique seu lugar à mesa, pois não é o grau de intimidade entre eles que determina isso, mas sim o grau de valorização que o anfitrião atribui àquele convidado. A alguns – talvez os mais humildes, mas que lhe são caros – fará aproximar-se mais. Outros serão convidados a ceder o lugar para alguém e ir um pouco para trás; ainda outros serão chamados a ladear o anfitrião. Estar afastado e ser convidado a tomar um lugar mais próximo é uma honra, porém, colocar-se próximo e ser convidado a dar o lugar para outro é uma humilhação (versículos 7-11). A partir da observação do comportamento dos convidados, Jesus destaca a atitude de humildade e de gratuidade para além das normas de boas maneiras.

Ao chefe dos fariseus, Jesus adverte: “Quando você for dar um banquete, não convide os amigos, nem os irmãos, nem os parentes, nem os vizinhos ricos, porque estes irão também convidar você; pelo contrário, convide os pobres, as aleijados, os coxos, os cegos. Então tu serás feliz, porque eles não te podem retribuir. Tu receberás a recompensa na ressurreição dos justos”. Em outros termos, não se concentre nem se relacione somente com quem tem condições para retribuir, mas inclua também quem é capaz de partilhar gratuitamente (versículos 12-14). O banquete do sábado reflete os valores da sociedade humana. A proposta de Jesus, sem fazer objeção ao banquete, questiona as normas que o regem e inverte completamente a escala de valores da sociedade. Esta ressurreição dos justos que Jesus fala indica o banquete messiânico do Reino. Ali está reservado o seu premio, já desde agora, aquele que ajuda os outros sem lhe passar a fatura, isto é, que não pede nada em troca. Vista pelos critérios de uma sociedade consumista, essa atitude é absurda, mas aos olhos de Jesus investir nos pobres, doentes e abandonados é o melhor investimento.

No segundo livro dos Macabeus 12,45a que contempla a ressurreição dos mortos, já afirmava que uma belíssima recompensa está reservada para os que adormeceram na piedade, “santo e piedoso pensamento, este de orar pelos mortos...”.  O Primeiro Testamento contém 46 livros, o único livro que fala de maneira clara a doutrina da “ressurreição dos mortos” é o livro dos irmãos Macabeus.

Esta parábola aprofunda um dos temas-chaves das bem-aventuranças e do sermão da montanha: “Se a vossa justiça não ultrapassar a dos escribas e fariseus, com certeza não entrareis no Reino dos céus” (Mateus 5,20). Lucas clareia o tema: “Se amais aqueles que vos amam, que recompensa tereis? Os pecadores também os que os amam. E se fizerdes o bem aos que vos fazem, que recompensa tereis?  Também os pecadores fazem o mesmo (Lucas 6,32s). a qualidade de amor que Jesus propõe é a que não é movida pele espera de recompensa imediata, toma lá dá cá.
3- DA PALAVRA CELEBRADA AO COTIDIANO DA VIDA

Nestes dias fui convidado a tomar parte em uma festa de casamento. Na hora do banquete, foi aquele alvoroço. Sem esperar qualquer orientação, as pessoas foram tomando conta das mesas e constituindo grupos por afinidade e interesses. Os organizadores tiveram muito trabalho para acomodar os que chegavam um pouco atrasados. Era visível o constrangimento destes: sentar onde e junto de quem? Outros eram solicitados a sair do lugar e tomar assento à mesa de amigos e familiares.

Jesus relaciona o tomar assento à mesa e a participação no banquete do Reino. Melhor dizendo, a participação do Reino de Deus se visibiliza através à mesa, do gesto humano do comer e do beber durante uma refeição. A mesa não é apenas o lugar para saciar a fome, mas um espaço de relação. Comer é comungar. A experiência de comer sozinho é muito triste. Alimentar-se é gratificante quando, à mesa, há mais do que uma pessoa. Ao me alimentar, comungo com o outro que também se alimenta. Compartilho com ele um pouco do meu ser, da minha intimidade, dos meus projetos, bem como acolho e me nutro do que ele tem a compartilhar. A refeição é a relação. A mesa é espaço em que se decide a nossa salvação, momento de expressar nossa humanidade e religiosidade, de praticar a caridade para com todos e de acolher o pobre. A mesa onde se priorizam a concorrência e o status, onde o pobre é excluído, deixa de ser mesa do Senhor, portadora da bênção.

Jesus está empenhado na formação dos discípulos e revela, hoje, por meio da parábola sobre a escolha dos lugares num banquete e sobre a escolha dos convidados, as atitudes de vida que nos tornam participantes do banquete do Reino, ao qual somos todos convidados. Antes, porém, os interesses egocêntricos devem ceder espaço à humildade e à simplicidade. Estas constituem a opção básica do(a) discípulo(a) que vive em comunidade o espírito do Reino: procurar os últimos lugares do banquete da vida, não por ser masoquista, mas por se deixar orientar pela vontade e pela justiça do Reino, e não pela lógica da sociedade neoliberal da troca de favores, do “dando que se recebe” ou do “toma lá, da cá”. O Eclesiástico adverte os convidados ao banquete: “Quanto mais importante você for, tanto mais seja humilde e encontrará favor diante do Senhor. Pois o poder do Senhor é grande, mas ele é glorificado pelos humildes” (Eclo 3,19-21).

O Mestre sublinha a virtude da humildade. “Quem se eleva será humilhado, e quem se humilha será elevado”. Humildade é palavra que deriva do latim humilis, a qual vem de hummus=terra (significando “filhos da terra”). Humilde é aquele que se move perto da terra; aquele que, com sabedoria e realismo, reconhece sua real situação em relação a Deus, às outras pessoas e a si mesmo. Santa Teresa define a humildade de forma concisa: “humilde é andar na verdade”.

A humildade é uma virtude incontestável, que anda meio esquecida, mas se faz sempre mais necessária. O cristianismo fez dela uma das mais importantes virtudes, condição mesma para viver sua proposta. Para reconhecer a majestade e a infinitude de Deus e reconhecer-se criatura finita, pobre e limitada, é preciso ser humilde, ou seja, ter noção exata da própria envergadura e dos próprios condicionamentos.

A humildade, como conduta ao estilo da proposta de Jesus, é uma virtude que não está em moda. É, antes, estranha, chocante e até incômoda para a mentalidade moderna, marcada pela concorrência, pelo mérito e pela celebridade. A humildade é vista como indigna pelo homem atual que idolatra sua própria imagem, sua autonomia, seu prestígio e sua dignidade, por ele confundidos com o ocupar e desfrutar os primeiros lugares na mesa da vida. Ninguém aceita ficar no último lugar da fila, seja no trabalho, na escola, na família, seja na comunidade eclesial. É vergonhoso ser preterido. Nessa hora, quem não reclama intimamente: “Não reconhecem meus méritos, que injustiça! Não é possível, que vergonha!”. Como filhos (as) de nosso tempo, não é fácil aceitar, com alegria e com todas as conseqüências, a fraqueza, a precariedade e reafirmar a nossa opção evangélica pela humildade e pela gratuidade.

Que importância a humildade tem para o (a) discípulo(a)? Ser humilde é ser real e autêntico consigo e com os outros. Agrada às pessoas quem não pensa tanto em si mesmo, mas também nos outros. A pessoa humilde trata os outros como importantes. Ninguém gosta de conviver com indivíduos inchados de orgulho e centrados em si mesmos. Enquanto a pessoa humilde suscita e alimenta relações de fraternidade, os arrogantes e orgulhosos criam barreiras e destroem as relações entre as pessoas. Aquilo que a arrogância e a auto-suficiência negam e destroem, a humildade reafirma e consolida. O(a) discípulo(a) que pauta sua vida “no servir com humildade” tem grande capacidade de construir relacionamentos saudáveis.

Praticar a humildade e a generosidade – segundo a proposta de Cristo pobre, humilde e dedicado ao serviço, especialmente aos pobres – é testemunhar a gratuidade do Reino, como mistério de comunhão de pessoas sem dominação ou subordinação. Na sociedade marcada pela competitividade e pela luta, na qual os sistemas econômicos, políticos e tecnológicos se auto-alimentam, excluindo do banquete da vida os pequenos, os(as) autênticos(as) discípulos(as) caracterizam-se pela solidariedade com os pobres e marginalizados, colocando-se a seu lado com o objetivo de torná-los convivas da mesa do banquete do Reino.

Enfim, a humildade é a atitude mais digna do homem diante de Deus, porque não o diminui, mas o coloca em seu lugar. É, além disso, o estilo mais social e que melhor possibilita a relação do ser humano com seus semelhantes. Para entender tudo isso, para ser humilde e andar na verdade de nossa própria condição, precisamos ser pobres de espírito perante Deus, isto é, vazios de nós mesmos para podermos ser plenos dele, sabendo que tudo em nossa vida é graça e dom, efeito da misericórdia e do amor com que Deus nos amou.

4- A PALAVRA SE FAZ CELEBRAÇÃO

A resposta do salmo desta liturgia revela a gratidão que temos pelo cuidado e carinho da parte de Deus, que prepara uma mesa para o pobre. A mesa que o Senhor nos prepara é o caminho mais seguro para o estreitamento dos laços de amizade no Senhor (Oração sobre as oferendas).

A essência do cristianismo se manifesta na maneira com que os cristãos se relacionam entre si e com os que estão próximos. Jesus é o modelo donde devemos nos orientar e, neste sentido, o primeiro lugar onde fazemos a experiência do amor relacional é o altar do Senhor. Ele é, portanto, o nosso oriente. É o lugar para onde todos os olhares se voltam naturalmente, como bem nos recorda a IGMR 299. Torna-se para nós “pedra angular” de todas as relações interpessoais.

 A máxima que geralmente se usa para expressar isso é “a Eucaristia faz Igreja”. João Paulo II na encíclica Ecclesia de Eucharistia expressa tal noção ao afirmar que a comunidade dos fiéis nasce diretamente do Mistério Pascal. Portanto, a igreja nasce eucarística, pois é fruto da ação de graças, isto é, do reconhecimento da amizade inequívoca entre Deus e o mundo por Ele criado, em Cristo, nosso Senhor. Este acontecimento se dá na unidade do Espírito Santo, que conforme o ensino de Fulgêncio de Ruspas (século VI), verifica-se na unidade de coração e alma da comunidade cristã, porque estes estão transformados pelo Espírito que receberam e pelo qual se tornaram Igreja.

A liturgia de hoje nos convida a sermos nós, Eucaristia para os outros. Após sermos alimentados “pelo pão da vida” que é também o “pão da caridade”, somos impulsionados ao serviço para o bem de todos (Oração depois da comunhão). É a partilha da vida que é manifestada pelo amor.

O altar é o lugar onde se dá o nascimento da Igreja segundo o amor de Jesus, para que o mundo seja transformado por esse mesmo amor atuante no Corpo Eclesial. Por isso rezamos na Oração com a qual a eucaristia é feita (Oração Eucarística III): “Que este sacrifício de nossa reconciliação estenda a paz e a salvação ao mundo inteiro.”.

5- LIGANDO A PALAVRA COM A AÇÃO EUCARÍSTICA

A assembléia litúrgica é uma reunião aberta a todos. É encontro de irmãos que se acolhem mutuamente na fé, tendo atenção especial para “os últimos”. Jesus é o nosso anfitrião e servo que, fazendo-se pão partilhado, doa sua vida em alimento. Ele nos acolhe personalizadamente e nos torna participantes da mesa do banquete do Reino, sem distinções.

Na Eucaristia renova-se para nós o gesto de humildade do Senhor que, inclinando-se, lavou os pés de seus discípulos: “Se eu, que sou o Mestre e Senhor, lavei os seus pés, também vocês devem lavar os pés uns dos outros” (João 13,14). A exemplo de Cristo que se humilha a ponto de colocar-se em nossas mãos na Eucaristia, somos convidados ao discipulado pelo serviço humilde de uns para com os outros.

Tomar lugar à mesa eucarística partilhando do pão, isto é, da própria vida de Jesus Cristo ofertada em alimento para a vida em abundância, é um gesto tremendamente significativo. Nossa vida recebe a vida dele que nos revigora e fortalece. Tornamo-nos um com ele (cf. João 17,21). Por outro lado, é comprometedor. Não é possível persistir na atitude dos fariseus que acolhiam somente os privilegiados na vida social. Quem não se dispõe a dar a vida por aqueles que são privados do acesso a ela não deveria se sentir no direito de aproximar-se da mesa eucarística. Fazer memória de Jesus é permitir que o pão (símbolo de todos os bens que trazem a vida) seja repartido entre aqueles que, em sua pobreza, não têm como retribuir.

No banquete eucarístico todos são convidados por Jesus: “Amigo, vem mais para cima”, porque Deus se tornou próximo e íntimo. Assim, no pão partilhado experimentamos a gratuidade e a solidariedade de Deus para com a humanidade. Ao participar da mesa eucarística, melhor compreendemos que nosso Deus optou por privilegiar os excluídos (pobres, aleijados, doentes, cegos) e que nossa felicidade consiste em servi-los, a exemplo de Jesus, que está no meio de nós como aquele que serve.
A Eucaristia que celebramos é sacramento de comunhão eclesial, mesa de inclusão e sinal, por excelência, da união de todos no banquete do Reino. O apóstolo Paulo qualifica como indigna de uma comunidade cristã a ceia do Senhor que acontece num contexto de discórdia e de indiferença pelos pobres (cf. 1 Coríntios 11,17-22.27-34).

Assim como o Cristo que não se prevaleceu de sua condição divina e continua se fazendo pobre entre as criaturas sob as humildes espécies eucarísticas de pão e vinho, também nós, através das águas do batismo e participando do banquete eucarístico, somos convidados a ser discípulos(as) de Cristo, caminhando sobre a terra com a missão de acolher, reconciliar, libertar e promover relações redimidas.

6. ORIENTAÇÕES GERAIS

1. Preparar bem a celebração. A preparação feita por uma equipe que tenha formação litúrgica adequada pode assegurar uma celebração mais autêntica do mistério pascal do Senhor, assim como a ligação como os acontecimentos da vida, inseridos neste mesmo mistério de Cristo (cf. Doc. da CNBB 43, n. 211). Garantir que o povo de Deus exerça o direito e o dever de participar segundo a diversidade de ministérios, funções e ofícios de cada pessoa (Doc. da CNBB 43, n. 212; Sacrosanctum Concilium, n.14). Preparar a celebração e utilizar de uma metodologia – um caminho.

2. Falando da importância da preparação, recordamos que para a participação de toda a assembléia ser “plena, consciente e ativa” (Sacrosanctum Concilium, n.14) é conveniente que a preparação desenvolva-se com os seguintes passos: 1º: pedir as luzes do Espírito Santo; 2º: avaliar a celebração anterior; 3º: aprofundar e conversar sobre o que se vai celebrar; 4º: ler e aprofundar as leituras bíblicas e as orações; 5º: exercitar a criatividade; 6º: escolher os cantos relacionados com o mistério celebrado; 7º: elaborar o roteiro; 8º: distribuir os vários ministérios e serviços.

3. “É muito recomendável que os fiéis recebam o Corpo do Senhor em hóstias consagradas na mesma Missa e participem do cálice nos casos previstos, para que, também através dos sinais, a comunhão se manifeste mais claramente como participação do Sacrifício celebrado” (IGMR nº 56 h). Um dos mais graves abusos nas celebrações da eucaristia é a distribuição da comunhão do sacrário como prática normal. Assim pecamos contra toda a dinâmica da ceia eucarística, que consta da preparação das oferendas, da ação de graças sobre os dons trazidos, da fração do pão consagrado e da sua distribuição àqueles que, com a oblação deste pão, se oferecem a si mesmos com Jesus ao Pai.

4 Lembrar que, no dia 03 de setembro, a Igreja faz memória de São Gregório Magno. Ele foi um santo e humilde e papa.

7- MÚSICA RITUAL

O canto é parte necessária e integrante da liturgia. Não é algo que vem de fora para animar ou enfeitar a liturgia. Por isso devemos cantar a liturgia e não cantar na liturgia. Os cantos e músicas, executados com atitude espiritual e, condizentes com cada domingo, ajudam a comunidade a penetrar no mistério celebrado. Portanto, não basta só saber que os cantos são do Tempo Comum, é preciso executá-los com atitude espiritual. A escolha dos cantos deve ser cuidadosa, para que a comunidade tenha o direito de cantar o mistério celebrado. A função da equipe de canto não é simplesmente cantar o que gosta, mas cantar o mistério da liturgia deste 22º Domingo do Tempo Comum. Os cantos devem estar em sintonia com o Ano Litúrgico, com a Palavra proclamada e com o sacramento celebrado. Não devemos esquecer que toda liturgia é uma celebração da Igreja corpo de Cristo e não de um grupo, de uma pastoral ou de um movimento.

Ensina a Instrução Geral do Missal Romano que o canto de abertura tem por objetivo, além de unir a assembléia, inseri-la no mistério celebrado (IGMR nº 47). Nesse sentido o Hinário Litúrgico III da CNBB nos oferece uma ótima opção, que estão gravados nos CDs Liturgia VI e XI e também no CD: Cantos de Abertura e Comunhão.

1. Canto de abertura. Deus é bom e clemente, cheio de misericórdia para os que o invocam (Salmo 85/86,3-5). “Senhor, de mim tem piedade, dia e noite a ti meu clamor!”, CD: Liturgia VII, melodia da faixa 1.

Como povo eleito de Deus pela consagração batismal, devemos ser sinal de salvação, não podemos excluir ninguém do banquete eucarístico. Outra opção importante é o canto: “Ó Pai, somos nós o povo eleito”, CD: Cantos de Abertura e Comunhão, melodia da faixa 1.

2. Hino de louvor. “Glória a Deus nas alturas.” Vejam o CD Tríduo Pascal I e II e também no CD: Festas Litúrgicas I; Partes fixas do Ordinário da Missa do Hinário Litúrgico III da CNBB e também a versão da CNBB musicado por Irmã Miria Reginaldo Veloso e outros compositores.

O Hino de Louvor, na versão original e mais antiga, é um hino cristológico, isto é, voltado para Cristo, que exprime o significado do amor do Pai agindo no Filho. O louvor, o bendito, a glória e a adoração ao Pai (primeira parte do Hino de Louvor) se desdobram no trabalho do Filho Único: tirar o pecado do mundo, exprimindo e imprimindo na história humana a compaixão do Pai. Lembremo-nos: o Hino de Louvor não se confunde com a “doxologia menor” (Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo). O Hino de Louvor encontra-se no Missal Romano em prosa ou nas publicações da CNBB versificado numa versão que facilita o canto da assembléia.

3. Salmo responsorial 68/67. A Onipotência de Deus. “Com carinho preparaste uma mesa para o pobre”, melodia da faixa CD: Liturgia XII, melodia da faixa 3.

O Salmo responsorial é uma resposta que damos àquilo que ouvimos na primeira leitura. Isto mostra que o salmo é compromisso de vida e ele também atualiza e leitura para a comunidade celebrante. Primeira leitura, Palavra proposta e salmo Palavra resposta. Por isso deve ser cantado da Mesa da Palavra (Ambão) por ser Palavra de Deus. Valorizar bem o ministério do salmista.

4. Aclamação ao Evangelho. O Mestre manso e humilde (Mateus 11,29ab). “O Senhor me enviou a levar boas notícias aos que tem o coração ferido, proclamar aos cativos a liberdade” (Isaias 61,1-20). “Aleluia... foi o Senhor quem me mandou boas notícias anunciar”, CD: Liturgia XII, melodia da faixa 3. O canto de aclamação ao evangelho acompanha os versos que estão no Lecionário Dominical.

5. Refrão após a homilia. “Onde estiver teu tesouro, irmão,/ Lá estará inteiro o teu coração”, Ofício Divino das Comunidades, página 467.

6. Apresentação dos dons. A escuta da Palavra e colocá-la em prática, deve gerar na assembléia a partilha para que ela possa ser sinal vivo do Senhor. Devemos ser oferenda com nossas oferendas. O canto da apresentação das oferendas poderia ser tão somente o conhecido refrão: “Onde reina o amor, fraterno amor”, da comunidade Taizé (Coração confiante – Paulinas/COMEP). Pode-se também intercalar com o refrão  “acima após a homilia “Onde estiver teu tesouro irmão...”. Outra opção é o canto: “As mesmas mãos que plantaram a semente aqui estão”, CD: Liturgia VII, melodia da faixa 4.

7. Canto de comunhão. “Quando tu fores convidado, vai sentar-te no último lugar” (Lucas 14,10b). “Quem quiser o melhor lugar, ponha-se no derradeiro”, CD: Liturgia XII, melodia da faixa 4, exceto o refrão.

A Igreja oferece duas opções importantes para este Domingo: “Eis meu povo, o banquete que preparei para ti”, CD: Cantos de Abertura e Comunhão, melodia da faixa 18; e Efésios 1,3-10: Bendito seja Deus, Pai do Senhor Jesus Cristo. Por Cristo nos brindou todas as bênçãos do Espírito. Está no CD: Cantos de Abertura e Comunhão, melodia da faixa 17.

8- O ESPAÇO CELEBRATIVO

1. Preparar bem o espaço celebrativo, de modo que seja acolhedor, aconchegante, como sugere o próprio Senhor no Evangelho.

2. A cruz dos cristãos (referência à vida gasta em favor do próximo) deve ser assumida, carregada pelo caminho da vida, à maneira de Jesus. Cláudio Pastro diz que ela é sinal da nossa vitória. Por isso “Uma procissão atrás da Cruz, traz presente a Igreja peregrina que segue a Cristo e caminha sob sua bandeira”.

9. AÇÃO RITUAL

Ao celebrar o Mistério Pascal de Jesus, a Igreja remonta à sua origem, que é a unidade do Espírito Santo. É formada tendo um só coração e uma só alma, isto que dizer que a sua identidade mais profunda nasce do encontro dos fiéis em torno do altar de Cristo.

Acolher de maneira calorosa as pessoas que chegam para tomar parte na celebração. Ter um cuidado para com os portadores de deficiência, os idosos e as crianças, de modo que desde o início da celebração experimentem o amor solidário de nosso Deus.

Ritos Iniciais

1. A celebração tem início com a reunião da comunidade cristã (IGMR 27.47). O canto de abertura começa tendo em conta essa realidade eclesial, e vai introduzir a assembleia no Mistério celebrado.

2. O sentido litúrgico, após a saudação do presidente, pode ser feito por quem preside, pelo diácono ou um ministro devidamente preparado com palavras semelhantes às que seguem:

Domingo do banquete dos humildes. Jesus olhando como as pessoas buscam se promover, recebemos dele o convite para abandonar qualquer atitude de arrogância e auto-suficiência r acolher a misericórdia do nosso Deus.

3. Sobre os ritos iniciais, o teólogo Francisco Taborda nos lembra que “com a procissão de entrada e a saudação ao altar e à assembleia, a ekklesia está constituída naquilo que lhe é peculiar: reunida em torno de Cristo (representado no altar), por convocação de Deus sob a presidência do ministro ordenado.” Por isso, o presidente da celebração, gozando de um pouco de liberdade, mas munido das Escrituras, poderia aproveitar as palavras do Apóstolo em Romanos 5,5 articulando-as com Efésios 6,23 e saudar a assembléia dos fiéis:

A vós, irmãos e irmãs, graça e paz da parte Deus, nosso Pai, que pelo Espírito derramou em nossos corações o seu amor.

4. Seria interessante cantar a saudação. Esta alternativa àquelas apresentadas pelo Missal, de maneira alguma fere o sentido teológico-litúrgico no que concerne à sua genética tipicamente escriturística, além de estar em perfeita sintonia com a Oração do Dia. Se for cantada será ainda melhor aproveitada pelos fiéis que podem lhe responder Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.


5. Em seguida fazer a “recordação da vida” trazendo os fatos que são as manifestações da Páscoa do Senhor na vida da comunidade, do país e do mundo, mas de forma orante e não como noticiário.  Deve ter presente a realidade dos(das) catequistas.

6. Para a motivação do Ato penitencial sugerimos a fórmula 2 do Missal Romano, página 391:

No início desta celebração eucarística, peçamos a conversão do coração, fonte de reconciliação com Deus e com os irmãos.

Após uns momentos de silêncio, rezar cantando a invocação alternativa número 4 para o Tempo Comum da página 394 do Missal Romano:

Senhor, que vistes procurar quem estava perdido...

7. Domingo é Páscoa semanal dos cristãos, dia do banquete eucarístico. Entoar de maneira solene o Hino de Louvor (Glória).

8. A Oração do Dia estabelece o sentido da liturgia do deste Domingo. Suplicamos ao Deus do universo um estreitamento dos laços que nos unem com Ele “para alimentar em nós o que é bom”. Propomo-nos a guardar, cuidadosamente, o que nos deu. Não nos é conveniente guardar outra coisa que não provém de Deus, isto é, sua Palavra perene e desafiadora.

Rito da Palavra

1. Cada vez mais, cai em desuso os chamados “comentários” antes das leituras. Preferem-se as brevíssimas monições que exortam os fiéis para o acontecimento que se seguirá. São mais afetivos e introdutórios, do que informativos de qualquer conteúdo teológico ou catequético. São, inclusive, dispensáveis, sendo preferível o silêncio ou um refrão meditativo que provoque na assembléia aquela atitude vigilante para a escuta e conseqüentemente acolhida da Palavra de Deus.

2. Para aguçar o ouvido dos fiéis para a Escuta da novidade do Evangelho de Jesus, sugerimos o refrão: “Para ti, meu Senhor, levanto os meus olhos! Para ti, meu Senhor, levanto os meus olhos! Ouvidos, ó Senhor tu abriste. Liberta-me, Senhor, para servir-te. Ouvidos, ó Senhor, tu abriste. Liberta-me Senhor para servir-te”.Outra opção interessante é o refrão “Senhor que a tua Palavra, transforme a nossa vida, queremos caminhar com retidão na tua luz”.

3. Destacar o Evangeliário. Depois da procissão de entrada deve permanecer sobre a Mesa do Altar até a procissão para a Mesa da Palavra como é costume no Rito Romano. Portanto, cada vez mais se tem abandonado o hábito de fazer “procissão com a Bíblia”, já que a importância e a dignidade do Evangeliário foram recuperadas. A procissão, portanto, é reservada para o livro dos Evangelhos. Procissão que pode ser solenizada com incenso e velas do Altar para o Ambão.

Rito da Eucaristia

1. O canto da apresentação das oferendas poderia ser tão somente o conhecido refrão Onde reina o amor, fraterno amor da comunidade Taizé (Coração confiante – Paulinas/COMEP). Pode-se também intercalar com esse outro refrão “Onde estiver teu tesouro irmão...”.

2. Na Oração sobre o pão e o vinho destaca a oferenda como bênção; que ela realize na prática o que significa no sacramento.

3. Quanto ao prefácio: se não for cantado, quem preside procure proclamá-lo com ênfase, mas ao mesmo tempo calmamente, de forma serena e orante. Frase por frase. Cada frase é importante, anunciadora do mistério que hoje celebramos. Basta prestar bem atenção nelas! A boa proclamação do Prefácio, como abertura solene da grande oração eucarística (bem proclamada também), tem um profundo sentido evangelizador, pois, por seu conteúdo e, sobre tudo, por ser oração, toca fundo no coração da assembléia.

4. Se for escolhida as Orações Eucarísticas I, II e III sugerimos o Prefácio para os Domingos do Comum VI, página 433 do Missal Romano que contempla as provas do amor paterno de Deus e o penhor da vida futura. Seguindo esta lógica, cujo embolismo reza: “E, ainda peregrinos neste mundo, não só recebemos, todos os dias, as provas do vosso amor de Pai, mas também possuímos, já agora, a garantia da vida futura”. O grifo no texto identifica aqueles elementos em maior consonância com o Mistério celebrado neste Domingo e que pode ser aproveitado na própria, ao modo de mistagogia. Usando este prefácio, o presidente deve escolher a I, II ou a III Oração Eucarística. A II admite troca de prefácio. As demais não podem ter os prefácios substituídos sem grave prejuízo para a unidade teológica e literária da eucologia.

5. Proclamar com vibração a ação de graças (Oração Eucarística). Na Oração Eucarística, “compete a quem preside, pelo seu tom de voz, pela atitude orante, pelos gestos, pelo semblante e pela autenticidade, elevar ao Pai o louvor e a oferenda pascal de todo o povo sacerdotal, por Cristo, no Espírito”.

6. A comunhão deve ser nas duas espécies. Todos são convidados ao banquete da vida e o vinho é sinal de festa e alegria dos que comungam da vida do Senhor. Ver a Instrução Geral do Missal Romano (IGMR): “A comunhão realiza mais plenamente o seu aspecto de sinal quando sob as duas espécies. Sob esta forma se manifesta mais perfeitamente o sinal dom banquete eucarístico e se exprime de modo mais claro a vontade divina de realizar a nova e eterna Aliança no Sangue do Senhor, assim como a relação entre o banquete eucarístico e o banquete escatológico do reino do Pai” (n. 240 e 271).

Ritos Finais

1. Na oração pós-comunhão pedimos a Deus a graça de vivermos o que nos salva: que a Eucaristia fortifique nossos corações para que possamos “vos servir em nossos irmãos e irmãs”.

2. Na bênção em nome da Santíssima Trindade levem-se em conta as possibilidades que o Missal Romano oferece (bênçãos solenes, na oração sobre o povo). Ela expressa que a ação ritual se prolonga na vida cotidiana do povo em todas as suas dimensões, também políticas e sociais. Ver a bênção final do Tempo Comum IV do Missal Romano.

3. As palavras do rito de envio podem estar em consonância com o mistério celebrado. Sejam humildes e compassivos. Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe!

10- CONSIDERAÇÕES FINAIS

Para falar de maneira clara e radical: entre as criaturas e entre os homens não pode haver primeiro lugar, porque o primeiro lugar é de Deus, e só Dele. Esta verdade, levada a sério e praticada na convivência humana, garantirá paz e felicidade, porque levará as pessoas ao serviço mútuo e ao amor humilde, uns para com os outros, na linha de Jesus no lava-pés (João 13), e nisto encontrarão a sua verdadeira grandeza.

O objetivo da Igreja e da nossa equipe diocesana de liturgia é ajudar os padres e as comunidades de nossa diocese e todas aquelas outras comunidades fora de nossa diocese que acessar nosso site celebrar melhor o mistério pascal de Cristo.

Um abraço fraterno a todos
           

Pe. Benedito Mazeti

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

20º DOMINGO DO TEMPO COMUM - ANO C

14 de agosto de 2016

Leituras

         Jeremias 38,4-6.8-10
         Salmo 39/40,2-4.18
         Hebreus 12,1-4
         Lucas 12,49-53


“NÃO VIM TRAZER A PAZ, MAS A DIVISÃO”


1- PONTO DE PARTIDA

Domingo da verdadeira paz de Jesus. A Palavra de Deus neste Domingo, não é uma crítica às famílias, quando Jesus fala de divisões familiares. Jesus não quer provocar desunião nas famílias. É preciso compreender essas palavras de Jesus no contexto de sua época e de sua catequese. No seu tempo e até hoje no Oriente não cristão, receber o batismo era adesão à Igreja.

            Agosto mês vocacional. Hoje junto com o mistério celebrado, trazemos presente na liturgia a vida dos pais. A paternidade humana é um reflexo da paternidade do Criador. A paternidade humana engrandece os pais porque é obra de Deus Pai.

2- REFLEXÃO BÍBLICA, EXEGÉTICA E LITÚRGICA

Primeira leitura – Jeremias 38,4-6.8-10. Estamos nos últimos dias de Jerusalém, antes de cair nas mãos dos babilônios e do exílio do povo. A cidade está cercada e sofre com fome. Jeremias continua a pregar a queda iminente de Jerusalém e aconselha a rendição ao exército inimigo (cf. Jeremias 37,17;38,17-18), mas os chefes do povo não querem ouvi-lo e o rei é muito fraco para vence-los. O profeta sofre falsas acusações por causa da Palavra de Deus.

Vamos observar, no ano 587 antes de Cristo, uma Jerusalém assediada pelo exército babilônico de Nabucodonosor. O rei Sedecias (597-586 antes de Cristo) e seus conselheiros não sabiam mais a quem recorrer. O Egito era rechaçado pela Babilônia e a Assíria totalmente destruída. Não havia uma saída. Mesmo assim, os dirigentes do país procuravam ignorar o perigo, dizendo que “tudo vai bem, tudo vai bem, quando tudo ia mal” (Jeremias 6,14). E a religião era usada para encobrir esta desorientação, tentando resolver a crise política através de ritos alienantes e vazios.

Jeremias, no meio de tudo isso, não perdia ocasião para denunciar as falsas soluções políticas, magníficas coberturas para as maiores injustiças sociais possíveis.

Chegamos, assim ao capítulo 38 do Livro do Profeta Jeremias, escrito por Baruc, secretário do profeta. Encontramos Jeremias prisioneiro do governo, acusado injustamente de querer passar para o lado do inimigo. E a questão não parou aí. Jeremias 38,4-6.8-10 narra como os príncipes judeus (uma nova classe dirigente que subira ao poder após a deportação da antiga classe em 597 antes de Cristo) colocaram-no dentro de uma cisterna seca com a intenção de matá-lo.

Por que eliminar o profeta? Não via saída para a situação trágica em que se encontrava Jerusalém e repetia sempre que tudo era inútil. De qualquer maneira os babilônios tomariam a cidade (38,2-3). Seu destino já estava traçado. O país estava condenado, e esta condenação era o julgamento justo de Javé pela violação da Aliança.

Por isso as autoridades acusaram Jeremias de desanimar o povo e os soldados, de entreguismo, de derrotismo, de subversão, isto é, queriam que o profeta animasse o povo com uma falsa esperança. Se não fosse a intervenção de um amigo junto ao rei, que até gostava de ouvi-lo, Jeremias teria sido morto.

Que alternativa oferecia Jeremias? O povo abandonara o caminho da justiça, a começar pelo rei, cada um construía o seu própria Deus, isto é, um individualismo religioso conforme os seus interesses: por isso não havia salvação política ou militar para Jerusalém. Tudo estava perdido, tudo estava podre.

A única saída seria: “Praticai a justiça desde o nascer do dia, livrai o oprimido das mãos do opressor, para que meu furor não se inflame como o fogo braseiro que não se pode extinguir” (Jeremias 21,12).

Ele é uma pessoa incapacitada e insegura, dá ouvidos aos chefes (versículos 4-5) e depois, aconselhado por um eunuco da corte (trata-se de um funcionário, versículo 1), procura remediar a sua atitude, fazendo que o profeta saia da cisterna (versículos 9-10). Apesar disso, o rei Sedecias continua a não confiar plenamente na palavra do profeta Jeremias.

Sedecias é mesmo a caricatura de um rei! Ele deveria governar o seu povo com um pastor, isto é, dar segurança, mas, pelo contrário, deixa-se governar pelos seus assessores, em vez de governar é governado por eles. Sobretudo, como soberano de Israel, deveria fazer um discernimento sobre a vontade do Senhor, mas mostra-se continuamente incerto e incapaz de tomar decisões. Trata-se de um rei que não é mau, mas é simplesmente incapaz de tomar decisões: ouve a todos e não escuta a Palavra de Deus.

É preciso saber que a história do profeta Jeremias se repete, hoje, na história de muitos profetas. Basta olhar os nossos governantes que passam um ânimo falso para o povo dizendo que o país está bem, que a economia vai bem, que estamos combatendo a corrupção e na verdade é mentira.

Salmo responsorial – 39/40,2-4.18. O Salmo 39/40 começa com a ação de graças, contando sua libertação: a pessoa humana pôs sua esperança em Deus, Deus respondeu “salvando da cova”, isto é, do grave perigo da morte. É um salmo de ação de graças, inspirado numa pessoa que passou por grave situação e clamou por Deus. Ela foi ouvida e agora vem agradecer, provavelmente no Templo de Jerusalém, cercada por muitos peregrinos, curiosos em saber como tudo aconteceu.

A consequência da libertação é, para o salmista, um canto de ação de graças: é o próprio Deus que põe em sua boca, porque lhe permitiu viver e louvar esse Deus libertador. O salmo mostra Deus que ouve o clamor e liberta, fazendo a pessoa cantar a ação de graças.

Além da obediência sincera aos mandamentos da Aliança, Deus quer a resposta do louvor, em forma pública, para ensinamento dos outros. O salmista protesta diante de Deus por ter cumprido seu ofício perante a “assembleia”: neste louvor, a pessoa humana se torna portadora da revelação para a sua comunidade.

O rosto de Deus no salmo 39/40. Um Deus que inclina o ouvido, isto é, se aproxima (versículo 2), faz subir, coloca o fiel em pé sobre a rocha e firma seus passos (versículo 3), provocando nele a ação de graças (versículo 4). Um Deus que quer a prática da justiça em lugar de sacrifícios (versículos 7-9), pois Ele próprio é justo, fiel, salvador, amoroso e verdadeiro (versículos 10-11).

A Carta aos Hebreus 10,7, aplica a Jesus este salmo que cumpriu plenamente a vontade de Deus entregando sua vida por nós na cruz. Nos evangelhos, encontramos como Jesus realizou a vontade do Pai.

Cantando este Salmo, peçamos ao Senhor a força do seu Espírito, para que sejamos capazes de compreender a nossa vocação e possamos ser fiéis cumpridores de sua vontade.

R: PROVAI E VEDE QUÃO SUAVE É O SENHOR!

Segunda leitura – Hebreus 12,1-4. Depois de ter contemplado no capítulo 11 a fé de numerosas testemunhas do Primeiro Testamento, “Rodeados de tão grande número de testemunhas”, versículo 1, o capítulo 12 da Carta aos Hebreus coloca a ênfase sobre o testemunho de Cristo, que está na origem da sua fé e lhe dá cumprimento. A Sua confiança e determinação diante da “cruz” (versículo 2) deve amparar os cristãos perante os sofrimentos, as perseguições e as adversidades (versículos 3-4).

O cristão deve desatar-se das cadeias do pecado, que deprime a vida, levando-a cair em outros. O pecado é um mal que anda por perto (“eu-perí-staton”) sob forma de tentações, em ocasiões de pecado que o mundo, a carne, o próximo e o diabo oferecem em quantidade (cf. 1Pedro 2,1; 1João 2,16), travando a caminhada para Deus. “Cadeias do pecado” são o peso do pecado cometido ou a aflição de quem errou. Tal peso, além dos pecados, podem ser as práticas superadas do judaísmo, os ritualismos, os formalismos e legalismos, as tradições, as tradições superadas (João 5,44).

Se o versículo 2 consideram as testemunhas da fé no Primeiro Testamento, muito mais deve-se olhar para Jesus Cristo (“aphorôntes” = fixar o olhar de longe e desejar), de quem elas eram prefiguração e em quem se recapitulam todas as suas perfeições.

No versículo 3 os cristãos são intimados a considerar repetida e atentamente (“analogísasthe” conota cálculo, ponderação, contemplação, reflexão) a Cristo redentor, que sofreu tamanha contradição e perseguição da parte dos pecadores, a ponto de as contrariedades que passam os fiéis, comparadas com aquelas, serem insignificantes. Portanto, a Cruz é remédio para qualquer tribulação: – nela se encontra o afeto aos pais, porque foi ali que Jesus confiou sua Mãe ao discípulo predileto, – nela se acha a caridade para com o próximo, visto quer o Redentor orou pelos seus carrascos. Na Cruz se reconhece a paciência nas contrariedades, se exercita a perseverança até o fim. Com razão se afirma que na Cruz se descobre o exemplar de todas as virtudes. Dizia Santo Agostinho: “A Cruz era escola... o lenho em que Jesus pendeu, tornou-se a cátedra de onde se ensinava” (Sermão 234,2).

O sacrifício de Cristo é motivo de confronto, de discernimento, a fim de que, fortalecidos na fé, os cristãos possam viver a sua vida humana com participação plena. Dizia a propósito São Gregório Magno: “Se se lembra da Paixão de Cristo, nada há tão difícil que não se tolere de bom ânimo”. Tal era o perigo dos cristãos de Jerusalém, os quais em consequência das duras provações, estavam para desanimar e desesperar.

É neste sentido que Jesus dá início à fé e a leva a cumprimento (cf. versículo 2b). Ele é “autor” enquanto a fé tem n’Ele o único ponto de referência e só n’Ele pode o cristão colocar toda a sua esperança; “cumprimento” enquanto Jesus com a salvação que brota da sua Cruz e da Sua ressurreição torna a fé capaz de atuar plenamente na vida.

Evangelho – Lucas 12,49-53.  Não podemos perder de vista que o trecho proposta pela liturgia de hoje se encaixe na longa “relação de Lucas a respeito da viagem de Jesus para Jerusalém” (9,51-18,14). Viagem dramática que o levará a sofrer a Paixão e a morte. Os versículos 49 e 50 nos relembram a dura realidade destas profecias: o Messias está angustiado diante do “batismo” (da morte) que está por certo esperando-O em Jerusalém. Jesus não foi um super-homem insensível. Não poderíamos imaginar que a vida pública do Cristo foi um perpétuo Getsêmani?

Lucas se preocupa em mostrar-nos em Jesus de Nazaré a imagem e a realidade do Kyrios, do Senhor escondido e glorificado (Lucas 24,13-35) que age no meio da Igreja nascente. Por cauda disto, Lucas vai “apagar” um pouco todas as declarações do original Marcos acentuando o rosto humano de Jesus de Nazaré. Temos aqui uma das poucas passagens do Evangelho de Lucas revelando a face humana e angustiada de Jesus. Por isso tem um relevo muito especial.

O discípulo não está acima do Mestre. Ele também conhecerá o sofrimento, a perseguição e a incompreensão. A começar pela própria família, não há de se estranhar. Isto faz parte das recomendações e advertências que Jesus está fazendo aos seus discípulos. Eles devem ser vigilantes, no sentido de ser plenamente no sentido de ser disponíveis para a missão. A pobreza não é só um problema de dinheiro: ela é antes de, mais nada uma doação total a Deus e ao próximo, mesmo se isto exija da gente romper com os próprios parentes e a sociedade.

Uma questão aparece nitidamente: Jesus não está falando de um fogo material, destruidor e vingador como em Lucas 9,54. O fogo aqui tem um sentido simbólico. Pode ser o fogo do castigo e do julgamento (cf. Isaias 66,15-16; Ezequiel 38,22; 39,6; Malaquias 3,19; Judite 16,17; Zacarias 13,9), o fogo da provação e a da purificação (Malaquias 3,2s; Eclesiástico 2,5), o fogo da paixão interior (Eclesiástico 9,8; 22,16). Os padres da Igreja viam aqui o fogo da caridade (1Coríntios 13) e  do Espírito Santo. Esta última interpretação parece ser a mais correta porque é ligada ao tema do batismo que aparece no versículo seguinte. Por outro lado, Lucas descreve o dia de Pentecostes utilizando a imagem das “línguas de fogo” (Atos 2,3.19).

Os versículos 49-50 são como dois membros paralelos, com a oposição fogo-água. Jesus veio acender o fogo na terra, mas, antes tem que  “ser batizado num batismo” que gera angústia extrema. Os termos são misteriosos mas deixam entender que o Messias deverá sofrer uma prova muito dolorosa. O batismo tem também um sentido simbólico: é uma referência à própria Paixão e morte, bastante clara para nós, mas que deve ter ficado misteriosa para os discípulos.

Jesus, sinal de contradição (versículo 51-53). Os tempos messiânicos foram desde sempre anunciados pelos profetas como um tempo de paz e de salvação. Porém, a paz trazida por Jesus não é uma falsa paz suave e mítica ignorando os conflitos. Ela exige tomada de posição que podem provocar a incompreensão e até a perseguição. Os discípulos devem estar prontos a sofrer tudo isto por causa do Evangelho. Portanto, não se perturbem, não tenham medo!

O tema da espada é utilizado por Lucas em correlação com a ideia de divisão: “Eis que este menino foi colocado para a queda a para o reerguimento de muitos em Israel, e como um sinal de contradição” (Lucas 2,34). No versículo 51 Lucas não fala de mais de espada mas só de divisão.

Não podemos esquecer que os primeiros cristãos eram todos convertidos vindos do judaísmo e do paganismo. Lucas pensa mais nos cristãos vindos do paganismo porque era sírio de Antioquia, foi discípulos dos Apóstolos e, mais tarde seguidor de Paulo (cf. o prólogo antimarcionista ao Evangelho de Lucas, composto no século II). O batismo de um elemento da família, quase sempre um adulto (o batismo de crianças surgirá bem depois), provocava muitas vezes separações e divisões na própria casa. Naquela época o batismo era realmente adesão à Igreja e nunca, como acontece infelizmente hoje, um ato de rotina de cunho meramente social para agradar aos pais ou à pessoa...

Em Miquéias capítulo 7,2 temos um quadro geral de corrupção da humanidade onde “não há um elemento reto entre todos”. Porém virá o dia do castigo “porque o filho despreza o pai e a filha se revolta contra sua mãe, a nora contra a sogra, e os inimigos de cada um são os de sua casa” (Miquéias 7,6). Mateus e Lucas citam o trecho do profeta Miquéias, entretanto, de maneira diferente. Prolongando o tema da espada, Mateus focaliza a ideia de separação (Miquéias 35) sem praticamente modificar a citação de Miquéias. Lucas retoma o tema da divisão (versículo 51) e insiste nela introduzindo uma problemática numérica ausente em Mateus: “numa casa com cinco pessoas, estarão dividas três contra duas e duas contra três” (versículo 52). Temos aqui um prelúdio ao versículo 53 onde encontramos seis apelações (pai/filho/mãe/filha/sogra/nora) mas só cinco pessoas porque a noiva sendo introduzida na casa, a sua sogra é ao mesmo tempo a mãe do seu esposo.

3- DA PALAVRA CELEBRADA AO COTIDIANO DA VIDA

A Liturgia da Palavra de hoje nos conduz a percorrer um itinerário em três passagens importantes.

A história do profeta Jeremias e o salmo responsorial nos colocam perante a temática do sofrimento do justo: o profeta é rejeitado, porque a sua palavra é verdadeira. Existe portanto uma verdade que cada cristão deve esculpir na sua vida: levar a Palavra de Deus nunca será fonte de sucesso ou motivo de consentimento humano. Certamente, como nos testemunha o salmo responsorial, é fonte de libertação (Salmo 39,2-3), desde que esta libertação seja toda e somente atribuída a Deus. O tema do sofrimento do justo encontra em Jesus a sua expressão mais completa, como nos recorda a Carta aos Hebreus. Não se trata apenas de um sofrimento parecido com generosa resignação: é escolhido por amor e em obediência ao Pai (prefácio dos domingos do Tempo Comum VII), como instrumento de salvação para todos.

Também os cristãos são chamados a viver esta discórdia, devido à sua fé comprometida com o Reino de Deus. A pacificação interior jamais pode ser fruto de compromissos: ela acontece na consciência de viver até o fim o chamamento a serem discípulos de Jesus. Perante esta prioridade não há nada a fazer: não há afetos, domínios ou falsas pacificações. Coloca-se aqui portanto, a segunda passagem: o cristão é chamado a viver um discernimento na sua vida quotidiana para compreender, aqui e agora, o chamamento do Senhor, no qual se podem assentar os pés, como “sobre a rocha” (Salmo 39,3).

Este discernimento é fonte de fadigas, enquanto impõe ao discípulo que saiba descobrir a vontade de Deus, no meio das hesitações e das ambiguidades da História. Que critérios e instrumentos se devem utilizar para o realizar? Como se pode verificar, de cada vez, se está certo ou errado? Como fazer para não sermos um “rei errado”, como sucedeu a Sedecias? Eis então a terceira passagem que nos é indicada pela Carta aos Hebreus com uma frase lapidar: “fixando os olhos em Jesus, guia da nossa fé e autor da sua perfeição” (Hebreus 12,2). Só Jesus Cristo, e mais ninguém, por mais sábio ou santo que seja, pode ser o nosso ponto de referência. Confiamos que seja Ele a nos ajudar a cumprir o nosso ato de fé e de caridade e, deste modo, a tornar firmes os nossos passos, para “corrermos” (cf. Hebreus 12,1) dentro da nossa vida em obediência ao Pai.

As três passagens expostas na celebração constituem a espinha dorsal de um Cristianismo autêntico, que não reduz a fé a uma consolação da alma ou a um para raio dos nossos medos, mas sim a uma fé que se empenha com generosidade na construção de um mundo melhor e do Reino de Deus.

4- A PALAVRA SE FAZ CELEBRAÇÃO

Inflamados pelo Espírito de Jesus, temos a missão de manter aceso o fogo do amor e da justiça do reino de Deus, para que se realize o sonho de uma sociedade a serviço da vida para todos. “O profeta é aquele que anuncia a verdade profunda dos fatos” e promove ações capazes de mudar os rumos da história.

Na Eucaristia damos graças a Deus e ao repartir entre nós o pão e o vinho eucaristizados renovemos nossa fé e perseveremos na vontade de Deus, mesmo em meio a conflitos e dificuldades.

5- LIGANDO A PALAVRA COM A AÇÃO EUCARÍSTICA

Em cada celebração participamos da Páscoa de Jesus ao receber a semente da vida eterna, busca fundamental de nossa vida. Celebrar a Eucaristia é um encontro com o Senhor que vem ao nosso encontro na Palavra, no pão e vinho eucaristizados e nos fatos da vida. É ocasião para perceber que o projeto de Jesus causa conflitos e oposições na família e na sociedade. Ele não nos pede uma paz individualista e suave sem compromisso, mas uma paz que exige tomada de posição que podem provocar a incompreensão e até a perseguição por amor ao Reino de Deus. A celebração eucarística nos convida a rever a nossa consagração batismal como compromisso na transformação da sociedade para que todos tenham vida. Um exemplo forte de que o batismo é adesão à Igreja e ao Reino de Deus é o exemplo dos mártires. Cada celebração que participamos, comungando a Palavra e o corpo e sangue do Senhor, somos chamados a entrar num processo contínuo de conversão para que encontremos a “verdadeira paz”. Corpo entregue e Sangue derramado: “Fazei isso em memória de mim”.

6- ORIENTAÇÕES GERAIS

3. Convidar grupos de famílias para se reunirem durante a semana a fim de refletirem sobre sua missão na sociedade.

4. O mês de agosto é também chamado de “mês vocacional”, isto é, o mês de destacar a pastoral vocacional. A comissão Episcopal Pastoral para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada, insiste numa nova terminologia para os domingos deste mês. Não devemos refletir somente sobre a vocação especifica. É importante que tenhamos presente esse conteúdo para preparar as preces e alguma referência particular em relação às vocações:

- 1º Domingo: vocação para os ministérios ordenados (bispo, presbítero e diácono);

-  2º Domingo: vocação para a vida em família;

- 3º Domingo: vocação para a vida consagrada (vida religiosa contemplativa e missionária, institutos seculares, sociedades de vida apostólica e outras novas formas de vida religiosa);

- 4º Domingo: vocação para os ministérios e serviços na comunidade e na sociedade.

5. O CD: Liturgia VI, Ano A, CD: Liturgia IX, Ano B e o CD: Cantos de Abertura e Comunhão Tempo Comum I e II, da coleção Hinário Litúrgico da CNBB nos oferecem cantos adequados para cada Domingo. O repertório bem ensaiado manifestará, mais harmonicamente, o mistério celebrado.

7- MÚSICA RITUAL

O canto é parte necessária e integrante da liturgia. Não é algo que vem de fora para animar ou enfeitar a liturgia. Por isso devemos cantar a liturgia e não cantar na liturgia. Os cantos e músicas, executados com atitude espiritual e, condizentes com cada domingo, ajudam a comunidade a penetrar no mistério celebrado. Portanto, não basta só saber que os cantos são do Tempo Comum, é preciso executá-los com atitude espiritual. A escolha dos cantos deve ser cuidadosa, para que a comunidade tenha o direito de cantar o mistério celebrado. A função da equipe de canto não é simplesmente cantar o que gosta, mas cantar o mistério da liturgia deste 20º Domingo do Tempo Comum. Os cantos devem estar em sintonia com o Ano Litúrgico, com a Palavra proclamada e com o sacramento celebrado. Não devemos esquecer que toda liturgia é uma celebração da Igreja corpo de Cristo e não de um grupo, de uma pastoral ou de um movimento.

Dar uma passada nos cantos (refrão e uma estrofe), seguido de um momento de silêncio e oração pessoal, ajuda a criar um clima alegre e orante para a celebração. É fundamental uns momentos de silêncio antes da celebração. O repertório bem ensaiado previamente e com o povo, minutos antes da celebração, irá colaborar para a participação de todos.

A celebração tem início com a reunião da comunidade cristã (IGMR 27.47). O canto de abertura começa tendo em conta essa realidade eclesial.

1. Canto de abertura. “Deus, protege teu ungido; um dia contigo é melhor que mil sem ti” (Salmo 83/84,10-11). Para o canto de abertura, sugerimos esta antífona que está articulada com o Salmo 85/86, que coloca a comunidade em forma de súplica pedindo que o Senhor ensine Seus caminhos. “Deus, nosso Pai protetor, dá-nos hoje um sinal de tua graça!”, CD: Liturgia VII, mesma melodia da faixa 1. As estrofes são do Salmo 85/86/32, nos dá a certeza de que somente Deus é o Senhor e sabe governar o mundo com justiça.

2. Hino de louvor. “Glória a Deus nas alturas...” Vejam o CD: Tríduo Pascal I e II e também no CD: Festas Litúrgicas I.

O Hino de louvor “Glória a Deus nas alturas” é antiqüíssimo e venerável, com ele a Igreja, congrega no Espírito Santo, glorifica e suplica a Deus e ao Cordeiro. Não é permitido substituir o texto desse hino por outro (cf. IGMR n. 53). O CD: Festas Litúrgicas I propõe, na faixa 2, uma melodia para esse hino que pode ser cantado de forma bem festivo, solista e assembleia. Ver também nos outros CDs que citamos acima.

3. Salmo responsorial 39/40. Súplica de socorro, atendida por Deus. É o Deus aliado que nos livra dos perigos e coloca canto novo em nossos lábios. “Socorrei-me, Senhor, e vinde logo em meu auxílio!”, melodia igual à faixa 21 do CD: Liturgia XI.

Para a Liturgia da Palavra ser mais rica e proveitosa, há séculos um salmo tem sido cantado como prolongamento meditativo e orante da Palavra proclamada. Ele reaviva o diálogo da Aliança entre Deus e seu povo, estreita os laços de amor e fidelidade. A tradicional execução do Salmo responsorial é dialogal: o povo responde com um refrão aos versos do Salmo, cantados um ou uma salmista. Deve ser cantado da mesa da Palavra.

4. Aclamação ao Evangelho. “Lídia... O Senhor lhe abrira o coração para que entendesse a o que Paulo dizia” (Atos 16,14). “Vem abrir nosso coração, Senhor”, CD: Liturgia XII, melodia da faixa 1. O canto de aclamação ao evangelho acompanha os versos que estão no Lecionário Dominical. Portanto, preserve-se a aclamação ao Evangelho cantando o texto proposto pelo Lecionário Dominical. Ele ajudará a manifestar o sentido litúrgico da celebração, conforme orientações da Igreja na sua caminhada litúrgica. Outra opção é colocar nesta letra a melodia: “Eu confio em nosso Senhor, com fé esperança e amor”. É uma melodia antiga que todos conhecem, e para as gerações mais jovens vale a pena aprender esse tesouro de séculos na Igreja.

Aleluia é uma palavra hebraica “Hallelu-Jah” (“Louvai ao Senhor!”), que tem sua origem na liturgia judaica, ocupa lugar de destaque na tradição cristã. Mais do que ornamentar a procissão do Evangeliário, sempre foi a expressão de acolhimento solene de Cristo, que vem a nós por sua Palavra viva, sendo assim manifestação da fé presença atuante do Senhor.

5. Canto de Apresentação dos dons. Neste Domingo seria muito oportuno que o canto de apresentação das oferendas evidencie a família diante do altar, por ser dia dos pais. Nesse sentido sugerimos o canto: “A mesa santa que preparamos... pais, mães e filhos diante do altar”, CD: Liturgia VI, melodia da faixa 23.

6. Canto de comunhão. “Eu vim para lançar fogo a terra e como gostaria que já estivesse aceso” (Lucas 12,49). “Vim lançar sobre a terra um fogo, um incêndio eu vim atear”, CD: Liturgia XI, mesma melodia da faixa 23, exceto o refrão.

Este canto também permite estabelecer e experimentar a unidade das duas mesas, considerando a Liturgia um único ato de culto. O canto de comunhão deve retomar o sentido do Evangelho do dia. Esta é a sua função ministerial. Na realidade, aquilo que se proclama no Evangelho nos é dado na Eucaristia, ou seja: é o Evangelho que nos dá o “tom” com o qual o Cristo se dirige a nós em cada celebração eucarística reforçando estes conteúdos bíblico-litúrgicos, garantindo ainda mais a unidade entre a mesa da Palavra e a mesa da Eucaristia.

8- ESPAÇO CELEBRATIVO

            1. Preparar o espaço da celebração bem festivo, porque cada domingo é Páscoa semanal. Os enfeites não podem ofuscar as duas mesas principais: mesa da Palavra e o Altar.

2. O ambão, segundo a tradição cristã, faz referência ao sepulcro vazio, ao lugar da Ressurreição e do anúncio do Cristo vivo. Ao lado dele, no Tempo Pascal e quando há celebrações de Batismo e Crisma, se coloca o símbolo de Cristo Ressuscitado, o Círio Pascal. Para isso, haja espaço suficiente para um belo candelabro e, se for oportuno, em algumas circunstâncias, um arranjo floral. Em outras oportunidades se pode também colocar a Menorá (candelabro de sete braços).

            3. A cor litúrgica é o verde nos paramentos no ambão. Pode-se também destacar com um detalhe o verde na mesa do altar.

9. AÇÃO RITUAL

A equipe de acolhida, incluindo quem preside, recebe as pessoas que vão chegando de maneira afetuosa, saudando-as cordialmente.

Convidar alguns pais para participarem da procissão de entrada (mas não fazer este convite na última hora – é importante que eles sejam preparados e orientados de como proceder durante a procissão, ao chegar ao presbitério, se farão genuflexão ou inclinação, o lugar em que permanecerão etc.).

Ritos Iniciais

1. A celebração tem início com a reunião da comunidade cristã (IGMR 27.47) e não com palavras do comentarista. O canto de abertura começa tendo em conta essa realidade eclesial, e vai introduzir a assembléia no Mistério celebrado.

2. Hoje é Dia dos Pais. Alguns pais podem acompanhar a procissão de entrada, com velas acesas, expressando a atitude de vigilância na família. Um pai pode conduzir o Evangeliário e, ao chegar à frente, colocá-lo sobre o altar.

3. A opção “c”, do Missal Romano para a saudação presidencial é muito oportuna para iluminar o sentido litúrgico deste domingo:

“O Senhor, que encaminha os nossos corações para o amor de Deus e a constância de Cristo, esteja convosco” (2Tessalonicenses 3,5).

4. O sentido litúrgico, após a saudação do presidente, pode ser feito por quem preside, pelo diácono ou um ministro devidamente preparado com palavras semelhantes às que seguem:

Domingo da verdadeira paz de Jesus. Escutando a palavra do Senhor, nós o reconhecemos como aquele quer ascender em nós o fogo da paz e da misericórdia. O Senhor nos orienta a paz como tomada de posição. Celebramos a Páscoa de Jesus Cristo em todas as pessoas e grupos que se preocupam com a vida do povo.

5. Em seguida fazer a “recordação da vida” trazendo os fatos que são as manifestações da Páscoa do Senhor na vida da comunidade, do país e do mundo, mas de forma orante e não como noticiário.  Deve ter presente a realidade de sofrimento em que vive hoje a multidão de empobrecidos, a grande massa sobrante e excluída do processo de desenvolvimento social, econômico e político em nosso país e no mundo usando alguns símbolos. Trazer os acontecimentos de maneira orante e não como noticiário.

6. Se a opção é rezar o ato penitencial, sugerimos que a motivação para o Ato Penitencial seja a fórmula I da página 390 do Missal Romano:

O Senhor Jesus, que nos convida à mesa da Palavra e da Eucaristia, nos chama à conversão.

Após uns momentos de silêncio rezar ou cantar o Ato Penitencial da formula 1, para os domingos do Tempo Comum na página 393 do Missal Romano, que destaca Cristo como Caminho, Verdade e Vida.

7. Cada Domingo do Tempo Comum é Páscoa semanal. Cantar de maneira festiva o Hino de louvor (glória).
8. Na Oração do Dia admiramos a bondade de Deus que nos prepara bens espirituais e ao mesmo tempo supliquemos a Deus para ascender em nossos corações os dons da caridade.

Rito da Palavra

1. Espiritualmente alimentada nas duas mesas, a Igreja, em uma, instrui-se mais, e na outra santifica-se mais plenamente; pois na Palavra de Deus se anuncia a Aliança divina, e na Eucaristia se renova esta mesma Aliança nova e eterna. Numa recorda-se a história da salvação com palavras; na outra, a mesma história se expressa por meio dos sinais sacramentais da Liturgia (Elenco das Leituras da Missa, Lecionário Dominical, página 17).

2. As leituras, bem preparadas e proclamadas pelos ministros leitores, ajudarão as comunidades a se desprenderem dos folhetos e a acolher a Palavra de Deus como discípulos atentos que ouvem o próprio Cristo que lhes fala ao coração.

3. Antes de ler, é preciso primeiro mergulhar na Luz Palavra, rezar a Palavra. Pois “na liturgia da Palavra, Cristo está realmente presente e atuante no Espírito Santo. Daí decorre a exigência para os leitores, ainda mais para quem proclama o Evangelho, de ter uma atitude espiritual de quem está sendo porta-voz de Deus que fala ao seu povo”. Portanto, dar real importância à proclamação das leituras e do Salmo.

4. O Salmo responsorial, muito caro à piedade do povo, seja cantado, de tal forma que a assembléia responda à primeira leitura de forma orante e piedosa.

5. É bom na homilia falar sobre a missão dos pais à luz das leituras do dia.

6. Antes da Profissão de Fé, trazer uma vela grande. O presidente da celebração ou um pai acende-a, dizendo: Bendito sejas, Senhor, vigia do teu povo! Acende em nós (principalmente nos pais) teu clarão para acolhermos com alegria a salvação.  Vigiemos e acolhemos o santo Evangelho na nossa vida. (A partir desta luz, vão-se acendendo as velas da assembleia). Seria muito interessante as esposas, entregarem as velas aos pais. Na ausente de esposas os filhos ou alguém da família pode entregar a vela.

Rito da Eucaristia

1. Valorizar nesse dia a procissão das oferendas levadas pelos próprios fiéis, pois “embora os fiéis já não tragam de casa, como outrora, o pão e o vinho destinados à liturgia, o rito de levá-los ao altar conserva a mesma força e significado espiritual” (IGMR, nº 73).

2. Neste domingo por ser Dia dos Pais, uma família pode levar o pão e o vinho até o Altar.

3. Na Oração sobre o pão e o vinho suplicamos a Deus que acolha nossas oferendas pelas quais entramos em comunhão com Ele.

4. Se for escolhida outra oração eucarística sugerimos o Prefácio para os Domingos do Comum III, página 430 do Missal Romano o qual destaca A salvação pela morte de Cristo. Seguindo esta lógica, cujo embolismo reza: “Nós reconhecemos ser digno da vossa glória vir em socorro dos mortais com a vossa divindade. E servir-vos da nossa condição mortal, para nos libertar da morte e abrir-nos o caminho da salvação, por Cristo, Senhor nosso”. O grifo no texto identifica aqueles elementos em maior consonância com o Mistério celebrado neste Domingo e que pode ser aproveitado na própria, ao modo de mistagogia. Usando este prefácio, o presidente deve escolher a I, II ou a III Oração Eucarística. A II admite troca de prefácio. As demais não podem ter os prefácios substituídos sem grave prejuízo para a unidade teológica e literária da eucologia.

5. A fração do pão, durante o Cordeiro, seja um momento importante para a assembleia. Cristo é “o pão descido do céu que é dado a todos que o buscam”. Quem preside deve realçar bem o gesto da “fração do pão” e da partilha do Pão da Vida, no momento da comunhão, acompanhado pelo canto do “Cordeiro de Deus”. Durante a fração do pão e sua mistura no cálice, o grupo de cantores canta a invocação “Cordeiro de Deus” à qual o povo responde tende piedade de nós. Para preservar o caráter de ladainha do Cordeiro de Deus, seria interessante que um solista cantasse a primeira parte e a assembléia respondesse o tende piedade de nós e por último o dai-nos a paz. Quando se usa o pão ázimo demora-se mais para terminar a fração do pão. É bom saber que o canto do “Cordeiro de Deus”, deve durar até o término da fração do pão como diz o Missal Romano e não somente cantar três vezes.

6. A comunhão expressa mais nitidamente o mistério da Eucaristia quando distribuída em duas espécies, como ordenou Jesus na última ceia, “tomai comei, tomai bebei”. Vale todo esforço e tentativa no sentido de se recuperar a comunhão no Corpo e Sangue do Senhor para todos, conforme autoriza e incentiva a Igreja. “A comunhão realiza mais plenamente o seu aspecto de sinal quando sob as duas espécies. Sob essa forma se manifesta mais perfeitamente o sinal do banquete eucarístico e se exprime de modo mais claro a vontade divina de realizar a nova e eterna Aliança no Sangue do Senhor, assim como a relação entre o banquete eucarístico e o banquete escatológico no Reino do Pai” (IGMR, nº 240).

Ritos Finais

1. A Oração depois da comunhão nos dá a certeza de que a Eucaristia nos une a Cristo assemelhando-nos a Ele.

2. Bênção especial para as famílias e pais presentes. Aproveitar as sugestões do Ritual de Bênçãos, próprias para as famílias. Aqui vai uma proposta:


Pr. O Senhor esteja convosco.

T. Ele estás no meio de nós.

Pr. Deus, Pai da família humana, guarde e faça prosperar o lar de todos vós.

T. Amém!

Pr. O Senhor Jesus, que viveu na família de Nazaré, faça de nossas casas e moradias um lugar de aconchego, respeito, diálogo e harmonia cristã.

T. Amém!

Pr. O Espírito Santo, que ilumina, anima e unifica, transforme nossas igrejas e comunidades em verdadeiras famílias, abertas, acolhedoras e dedicadas aos mais pobres.

T. Amém!

Abençoe-vos...

3. As palavras do rito de envio devem estar em consonância com o mistério celebrado: “Ascendei em vós o fogo do amor de Deus”. Ide em paz e o Senhor vos acompanhe!

4. É comum além, de entrar em procissão no início da celebração guiados pela cruz, também retirar-se do espaço sagrado em procissão, igualmente guiados pela cruz.

5. Se houver condições, fazer um ágape fraterno após a celebração com as famílias. Pode ser um café comunitário como costumam fazer os orientais após a celebração.

10- CONSIDERAÇÕES FINAIS

O Pai hoje nos convida a uma maior disponibilidade para seguir Jesus, que vem ao encontro de nosso esmorecimento e fraqueza e se oferece como sustento, pão que satisfaz, responde às nossas angústias e nos anima a prosseguir, com coragem, seu caminho.

O objetivo da Igreja e da nossa equipe diocesana de liturgia é ajudar os padres e as comunidades de nossa diocese e todas aquelas outras comunidades fora de nossa diocese que acessar nosso site celebrar melhor o mistério pascal de Cristo.

Um abraço fraterno a todos
           

Pe. Benedito Mazeti
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