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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Direito Canônico prevê renúncia do papa por livre vontade


Cidade do Vaticano - A renúncia de um papa está prevista no Código de Direito Canônico, que estabelece que para que seja válida é necessário que seja livre e especifica que não precisa ser aceita por ninguém.
"Se o Romano pontífice renunciar a seu ofício, requer-se para a validade que a renúncia seja livre e se manifeste formalmente, mas que não seja aceita por ninguém", estabelece o cânone 332,2 do Código de Direito Canônico, único elemento válido para julgar o tema.
O Código de Direito Canônico ressalta que os dois casos previstos na legislação para a mudança do líder da Igreja são a morte (do papa) ou sua renúncia, e que essa segunda hipótese tem uma peculiaridade: "não se exige que seja aceita por ninguém, dado que (o papa) não tem superior na terra".
Além disso, acrescenta que "uma vez feita e anunciada a renúncia, no modo que for, à Igreja pelo Romano pontífice fica vacante (a sede pontifícia) e não pode voltar com a palavra".
Assim que a Sede Apostólica estiver vacante se procederá à convocação de um Conclave para escolher o novo papa.
Neste caso, a Sé Vacante começará em 28 de fevereiro de 2013 às oito da noite de Roma, segundo anunciou o próprio pontífice em sua carta de renúncia. 

Fonte: www.exame.abril.com.br

Última renúncia de Papa foi em 1415 Antes de Bento XVI, o Papa Gregório XII foi o último a abdicar do cargo. Lei canônica prevê renúncia do pontífice por livre e espontânea vontade.


Até o Papa Bento XVI anunciar nesta segunda-feira (11) que vaí renunciar em 28 de fevereiro, a última vez que um Papa abdicou do cargo foi há quase 600 anos. Em 1415, o Papa Gregório XII anunciou a saída do cargo para encerrar uma disputa com um candidato rival à Santa Sé.
Na época, a Igreja Católica vivia uma grande crise, chamada de Grande Cisma do Ocidente, que durou de 1378 a 1417 e levou a três sedes papais: Roma, Avignon (França) e Pisa. Consequentemente, o poder passou a ser disputado por três pontífices, um Papa (de Roma) e dois Antipapas (de Avignon e Pisa). Gregório XII enfrentou a concorrência de Bento XIII e Alexandre V. Em 1415, Gregório XII abdicou do cargo no Concílio de Constança, após grande pressão dentro da Igreja, e morreu dois anos depois. O concílio elegeu em 1417 o Papa Martinho V.
O primeiro registro de renúncia de um Papa foi de Ponciano, que ficou no cargo de 230 a 235. Ponciano foi vítima do imperador Maximiniano, que o aprisionou, condenou e deportou para a Sardenha para fazer trabalhos forçados e renunciou ao chegar à ilha. Em 535, o Papa Silvério foi forçado a abdicar do cargo após ser exilado.
O Papa João XVIII ficou à frente da Igreja Católica de 1003 a 1009, quando renunciou. O Papa Bento IX teve seu ordenado marcado por denúncias de corrupção. Ele abdicou do cargo em 1045 em favor de Gregório VI, mas tentou voltar atrás. Acabou voltando como papa em 1047, deixando o posto em 1048.
O Papa Celestino V ficou nove meses no cargo, entre julho e dezembro de 1294, quando renunciou.
Lei canônica prevê renúncia
Na lei canônica, há um dispositivo que prevê que um Papa pode renunciar, mas precisa fazê-lo por sua livre vontade, e não é necessário que sua renúncia seja aceita por ninguém.

A renúncia de um Papa está prevista no Código de Direito Canônico, no artigo 332.2, que estabelece que para ser válida é necessário que seja de livre e espontânea vontade e que não precisa ser aceita por ninguém. Segundo o código, uma vez tendo renunciado, o papa não pode mais voltar atrás.
A Sé Vacante, ou seja, o tempo que transcorre de quando um papa morre ou renuncia - como anunciou nesta segunda-feira Bento XVI - até que se eleja o sucessor, começará em 28 de fevereiro às 20 horas de Roma (17h de Brasília), segundo anunciou o próprio pontífice em sua carta de renúncia.
Após a saída ou morte do Papa, os assuntos da igreja fica sob a responsabilidade do Cardeal Decano, ou Camerlengo. É ele quem convoca o conclave, que significa “local para reuniões secretas”, reúne todos os 120 cardeais da Igreja Católica no Vaticano. Eles ficam isolados em celas particulares e se reúnem na Capela Sistina duas vezes por dia para votar, durante nove dias, nove dias, ou pelo tempo que for necessário.
O voto é secreto. A votação é feita em papel. Para que um Papa seja eleito o candidato deverá ter a maioria dos votos, ou seja, metade mais um. Depois de cada sessão, os papéis da votação são queimados. Se não houver uma definição, uma substância química é adicionada aos papéis para produzir uma fumaça escura, que sai pela chaminé do telhado do Palácio do Vaticano. Se houver uma definição, a fumaça é branca. O novo pontífice é anunciado para a multidão com a frase em latim “Habemus papam”.

Fonte: www.g1.com


Veja repercussão do anúncio de renúncia do Papa Bento XVI


O Papa Bento XVI anunciou que vai renunciar a seu pontificado em 28 de fevereiro.
O Vaticano confirmou a notícia e afirmou que o papado vai ficar vago até que o sucessor seja escolhido.
Veja a seguir a repercussão do anúncio

Alemanha
A Alemanha expressa seu “respeito” e sua “gratidão” ao Papa. “Como um cristão e um católico, não posso deixar de me comover e ser tocado por isso", afirmou o porta-voz do governo Steffen Seibert em entrevista coletiva. “O governo da Alemanha tem o maior respeito pelo santo padre, pelo que fez, e por sua contribuição ao curso de sua vida na Igreja Católica. Ele tem sido a cabeça da Igreja Católica pelos últimos oito anos. Deixou uma assinatura pessoal como um pensador e chefe da igreja, e também como pastor. Quaisquer que sejam suas razões, devem ser respeitadas”, afirmou.
Irmão do Papa
"A idade oprime", afirmou o irmão do Papa Bento XVI, Georg Ratzinger de Regensburg, ao sul da Alemanha. Ele disse que sabia de antemão sobre a renúncia e a qualificou de "processo natural".
Vaticano
“Nos pegou de surpresa”, afirmou o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi. Segundo Lombardi, o Papa renuncia em total "conformidade" com a igreja, mas continua até 28 de fevereiro com "bateria total". Segundo ele, o papa tomou sua decisão com "grande coragem e determinação", "consciente dos problemas que a igreja enfrenta atualmente".
Israel
O chefe rabino de Israel Yona Metzger afirmou, segundo seu porta-voz, que “durante seu período [como papa] houve a melhor relação possível entre a igreja e o rabinato e nós esperamos que essa tendência continue”. Metzger ainda desejou “boa saúde e longos dias” ao Papa, conforme o porta-voz
França
O presidente francês, François Hollande, afirmou que considera a decisão do Papa "respeitável". “Não me cabe fazer comentários sobre essa decisão que pertence à igreja. Não tenho que dizer se está correto. É uma decisão que reflete uma vontade que tem que ser respeitada”, afirmou a jornalistas em Pierrefitte-sur-Seine
Salvador
"Foi para mim uma surpresa imensa porque no dia 9 de janeiro estive com ele", afirmou Dom Murilo Krieger, arcebispo de Salvador e primaz do Brasil. "Me aparentava a idade que tem, mas parecia bem disposto, ele perguntou sobre Salvador. Para ter chegado a essa decisão, ele deve ter pensado muito, avaliado muito, rezado muito. Fez isso, certamente, sentindo que as forças que ele tem já não são suficentes para exercer a missao que ele exerce. É uma atitude baseada e fundamentada na honestidade."
Itália
O primeiro-ministro italiano, Mario Monti, afirmou que está "muito alterado por conta desta notícia inesperada". "Soube desta notícia há um minuto", disse aos jornalistas durante um congresso em Milão.

Fonte: www.g1.com

Leia a íntegra do discurso de renúncia do Papa Bento XVI Pontífice anunciou que vai deixar o cargo em 28 de fevereiro. Ele afirmou que não tem mais energias para exercer o pontificado.

O Papa Bento XVI anunciou nesta segunda-feira (11) que vai renunciar ao pontificado em 28 de fevereiro. Leia abaixo a íntegra do discurso em que ele, falando em latim, fez o anúncio:
"Caros irmãos:
Convoquei-os para este consitório, não apenas para as três canonizações, mas também para comunicar a vocês uma decisão de grande importância para a vida da Igreja. Após ter repetidamente examinado minha consciência perante Deus, eu tive certeza de que minhas forças, devido à avançada idade, não são mais apropriadas para o adequado exercício do ministério de Pedro. Eu estou bem consciente de que esse ministério, devido à sua natureza essencialmente espiritual, deve ser levado não apenas com com palavras e fatos, mas não menos com oração e sofrimento. Contudo, no mundo de hoje, sujeito a mudanças tão rápidas e abalado por questões de profunda relevância para a vida da fé, para governar a barca de São Pedro e proclamar o Evangelho, é necessário tanto força da mente como do corpo, o que, nos últimos meses, se deteriorou em mim numa extensão em que eu tenho de reconhecer minha incapacidade de adequadamente cumprir o ministério a mim confiado. Por essa razão, e bem consciente da seriedade desse ato, com plena liberdade, declaro que renuncio ao ministério como Bispo de Roma, sucessor de São Pedro, confiado a mim pelos cardeais em 19 de abril de 2005, a partir de 28 de fevereiro de 2013, às 20h, a Sé de Roma, a Sé de São Pedro, vai estar vaga e um conclave para eleger o novo Sumo Pontífice terá de ser convocado por quem tem competência para isso.
Caros irmãos, agradeço sinceramente por todo o amor e trabalho com que vocês me apoiaram em meu ministério, e peço perdão por todos os meus defeitos. E agora, vamos confiar a Sagrada Igreja aos cuidados de nosso Supremo Pastor, Nosso Senhor Jesus Cristo, e implorar a sua santa mãe Maria, para que ajude os cardeiais com sua solicitude maternal, para eleger um novo Sumo Pontífice. Em relação a mim, desejo também devotamente servir a Santa Igreja de Deus no futuro, através de uma vida dedicada à oração."

Fonte: www.g1.com

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Papa reflete sobre o mistério da encarnação de Jesus


Após uma pausa de uma semana, o papa Bento XVI retomou na quarta-feira, 2 de janeiro, seu encontro com os fiéis na Audiência Geral. Na Sala Paulo VI, o Santo Padre dedicou a catequese para explicar sobre a origem de Jesus.
Bento XVI iniciou as reflexões lembrando que o Natal do Senhor ilumina sempre com a sua luz as trevas que muitas vezes cercam o mundo. E sobre a origem desta luz, a origem de Cristo, ele explicou que dos quatro Evangelhos emerge com clareza a resposta a essa pergunta.
“... a sua verdadeira origem é o Pai; Ele vem totalmente Dele, mas de modo diferente de qualquer profeta enviado por Deus que o precederam. Esta origem do mistério de Deus, “que ninguém conhece”, está contida já nas histórias sobre a infância dos Evangelhos de Mateus e de Lucas, que estamos lendo neste tempo natalício”, disse.
E ao refletir sobre a expressão “por obra do Espírito Santo encarnou-se no seio da Virgem Maria”, professada no Credo, o Papa lembrou a importância de Maria nesse contexto da origem de Jesus.
“Sem ela a entrada de Deus na história da humanidade não chegaria ao seu fim e não teria tido lugar aquele que é central na nossa Profissão de fé: Deus é um Deus conosco. Assim Maria pertence de modo irrenunciável à nossa fé no Deus que age, que entra na história”, afirmou.
O Pontífice destacou ainda que, também na vida cotidiana, os fiéis podem sentir a sua pobreza, a sua insuficiência, mas lembrou que Deus escolheu justamente uma mulher humilde, em uma vila desconhecida. “Sempre, também em meio às dificuldades mais difíceis de enfrentar, devemos ter confiança em Deus, renovando a fé na sua presença e ação na nossa história, como naquela de Maria. Nada é impossível para Deus!”.
Por fim, Bento XVI enfatizou que Jesus é o Filho unigênito do Pai, vem de Deus, e este é o grande mistério que se celebra no Natal: o Filho de Deus, por obra do Espírito Santo, encarnou-se no seio da Virgem Maria.
“Este é um anúncio que soa sempre novo e que traz em si esperança e alegria ao nosso coração, porque nos doa toda vez a certeza de que, mesmo se muitas vezes nos sentimos fracos, pobres, incapazes diante da dificuldade e do mal do mundo, o poder de Deus age sempre e opera maravilhas propriamente na fraqueza”, finalizou.

Fonte: www.cnbb.org.br

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Reze pelas intenções do Papa Bento XVI

Neste primeiro mês de 2013, o Papa Bento XVI pede orações para que os cristãos conheçam a Cristo e aprofundem sua fé, e faz um pedido especial em prol dos que vivem no Oriente Médio. 

Como intenção geral, o Santo Padre reza "para que, neste Ano da Fé, os cristãos aprofundem o conhecimento do mistério de Cristo e testemunhem a própria fé com alegria". 

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E na intenção missionária, Bento XVI roga "para que as comunidades do Oriente Médio recebam, do Espírito Santo, a força da fidelidade e da perseverança, particularmente quando são discriminadas".

Todos os meses o Santo Padre confia suas intenções ao Apostolado da Oração, uma iniciativa que é seguida por milhões de pessoas em todo mundo.

Mensagem do Papa para o Dia de Oração pelas Vocações: " As vocações, sinal da esperança fundada na fé"


papa-benedetto-xviO Papa Bento XVI divulgou uma mensagem por ocasião do 50º Dia Mundial de Oração pelas Vocações, a ser realizada em 21 de abril de 2013, 4º Domingo de Páscoa.
Na mensagem o Santo Padre convida a todos para refletir sobre o tema “As vocações, sinal da esperança fundada na fé”, que se integra no contexto do Ano da Fé e no cinquentenário da abertura do Concílio Ecumênico Vaticano II.
Leia a mensagem:
Amados irmãos e irmãs!
No quinquagésimo Dia Mundial de Oração pelas Vocações que será celebrado no IV Domingo de Páscoa, 21 de Abril de 2013, desejo convidar-vos a refletir sobre o tema «As vocações sinal da esperança fundada na fé», que bem se integra no contexto do Ano da Fé e no cinquentenário da abertura do Concílio Ecumênico Vaticano II. Decorria o período da Assembleia conciliar quando o Servo de Deus Paulo VI instituiu este Dia de unânime invocação a Deus Pai para que continue a enviar operários para a sua Igreja (cf. Mt 9,38). «O problema do número suficiente de sacerdotes – sublinhava então o Sumo Pontífice – interpela todos os fiéis, não só porque disso depende o futuro da sociedade cristã, mas também porque este problema é o indicador concreto e inexorável da vitalidade de fé e amor de cada comunidade paroquial e diocesana, e o testemunho da saúde moral das famílias cristãs. Onde desabrocham numerosas as vocações para o estado eclesiástico e religioso, vive-se generosamente segundo o Evangelho» (Paulo VI, Radiomensagem, 11 de Abril de 1964).
Nestas cinco décadas, as várias comunidades eclesiais dispersas pelo mundo inteiro têm-se espiritualmente unido todos os anos, no IV Domingo de Páscoa, para implorar de Deus o dom de santas vocações e propor de novo à reflexão de todos a urgência da resposta à chamada divina. Na realidade, este significativo encontro anual tem favorecido fortemente o empenho por se consolidar sempre mais, no centro da espiritualidade, da ação pastoral e da oração dos fiéis, a importância das vocações para o sacerdócio e a vida consagrada.
A esperança é expectativa de algo de positivo para o futuro, mas que deve ao mesmo tempo sustentar o nosso presente, marcado frequentemente por dissabores e insucessos. Onde está fundada a nossa esperança? Olhando a história do povo de Israel narrada no Antigo Testamento, vemos aparecer constantemente, mesmo nos momentos de maior dificuldade como o exílio, um elemento que os profetas de modo particular não cessam de recordar: a memória das promessas feitas por Deus aos Patriarcas; memória essa que requer a imitação do comportamento exemplar de Abraão, o qual – como sublinha o Apóstolo Paulo – «foi com uma esperança, para além do que se podia esperar, que ele acreditou e assim se tornou pai de muitos povos, conforme o que tinha sido dito: Assim será a tua descendência» (Rm 4,18). Então, uma verdade consoladora e instrutiva que emerge de toda a história da salvação é a fidelidade de Deus à aliança, com a qual Se comprometeu e que renovou sempre que o homem a rompeu pela infidelidade, pelo pecado, desde o tempo do dilúvio (cf. Gn 8,21-22) até ao êxodo e ao caminho no deserto (cf. Dt 9,7); fidelidade de Deus que foi até ao ponto de selar a nova e eterna aliança com o homem por meio do sangue de seu Filho, morto e ressuscitado para a nossa salvação.
Em todos os momentos, sobretudo nos mais difíceis, é sempre a fidelidade do Senhor – verdadeira força motriz da história da salvação – que faz vibrar os corações dos homens e mulheres e os confirma na esperança de chegar um dia à «Terra Prometida». O fundamento seguro de toda a esperança está aqui: Deus nunca nos deixa sozinhos e permanece fiel à palavra dada. Por este motivo, em toda a situação, seja ela feliz ou desfavorável, podemos manter uma esperança firme, rezando com o salmista: «Só em Deus descansa a minha alma, d’Ele vem a minha esperança» (Sl 62/61,6). Portanto ter esperança equivale a confiar no Deus fiel, que mantém as promessas da aliança. Por isso, a fé e a esperança estão intimamente unidas. A esperança «é, de fato, uma palavra central da fé bíblica, a ponto de, em várias passagens, ser possível intercambiar os termos “fé” e “esperança”. Assim, a Carta aos Hebreus liga estreitamente a “plenitude da fé” (10,22) com a “imutável profissão da esperança” (10,23). De igual modo, quando a Primeira Carta de Pedro exorta os cristãos a estarem sempre prontos a responder a propósito do logos – o sentido e a razão – da sua esperança (3,15), “esperança” equivale a “fé”» (Enc. Spe salvi, 2).
Amados irmãos e irmãs, em que consiste a fidelidade de Deus à qual podemos confiar-nos com firme esperança? Consiste no seu amor. Ele, que é Pai, derrama o seu amor no mais íntimo de nós mesmos, através do Espírito Santo (cf. Rm 5,5). E é precisamente este amor, manifestado plenamente em Jesus Cristo, que interpela a nossa existência, pedindo a cada qual uma resposta a propósito do que quer fazer da sua vida e quanto está disposto a apostar para a realizar plenamente. Por vezes o amor de Deus segue percursos surpreendentes, mas sempre alcança a quantos se deixam encontrar. Assim a esperança nutre-se desta certeza: «Nós conhecemos o amor que Deus nos tem, pois cremos nele» (1 Jo 4,16). E este amor exigente e profundo, que vai além da superficialidade, infunde-nos coragem, dá-nos esperança no caminho da vida e no futuro, faz-nos ter confiança em nós mesmos, na história e nos outros. Apraz-me repetir, de modo particular a vós jovens, estas palavras: «Que seria da vossa vida, sem este amor? Deus cuida do homem desde a criação até ao fim dos tempos, quando completar o seu desígnio de salvação. No Senhor ressuscitado, temos a certeza da nossa esperança» (Discurso aos jovens da diocese de São Marino-Montefeltro, 19 de Junho de 2011).
Também hoje, como aconteceu durante a sua vida terrena, Jesus, o Ressuscitado, passa pelas estradas da nossa vida e vê-nos imersos nas nossas atividades, com os nossos desejos e necessidades. É precisamente no nosso dia-a-dia que Ele continua a dirigir-nos a sua palavra; chama-nos a realizar a nossa vida com Ele, o único capaz de saciar a nossa sede de esperança. Vivente na comunidade de discípulos que é a Igreja, Ele chama também hoje a segui-Lo. E este apelo pode chegar em qualquer momento. Jesus repete também hoje: «Vem e segue-Me!» (Mc 10,21). Para acolher este convite, é preciso deixar de escolher por si mesmo o próprio caminho. Segui-Lo significa entranhar a própria vontade na vontade de Jesus, dar-Lhe verdadeiramente a precedência, antepô-Lo a tudo o que faz parte da nossa vida: família, trabalho, interesses pessoais, nós mesmos. Significa entregar-Lhe a própria vida, viver com Ele em profunda intimidade, por Ele entrar em comunhão com o Pai no Espírito Santo e, consequentemente, com os irmãos e irmãs. Esta comunhão de vida com Jesus é o «lugar» privilegiado onde se pode experimentar a esperança e onde a vida será livre e plena.
As vocações sacerdotais e religiosas nascem da experiência do encontro pessoal com Cristo, do diálogo sincero e familiar com Ele, para entrar na sua vontade. Por isso, é necessário crescer na experiência de fé, entendida como profunda relação com Jesus, como escuta interior da sua voz que ressoa dentro de nós. Este itinerário, que torna uma pessoa capaz de acolher a chamada de Deus, é possível no âmbito de comunidades cristãs que vivem uma intensa atmosfera de fé, um generoso testemunho de adesão ao Evangelho, uma paixão missionária que induza a pessoa à doação total de si mesma pelo Reino de Deus, alimentada pela recepção dos sacramentos, especialmente a Eucaristia, e por uma fervorosa vida de oração. Esta «deve, por um lado, ser muito pessoal, um confronto do meu eu com Deus, com o Deus vivo; mas, por outro, deve ser incessantemente guiada e iluminada pelas grandes orações da Igreja e dos santos, pela oração litúrgica, na qual o Senhor nos ensina continuamente a rezar de modo justo» (Enc. Spe salvi, 34).
A oração constante e profunda faz crescer a fé da comunidade cristã, na certeza sempre renovada de que Deus nunca abandona o seu povo e que o sustenta suscitando vocações especiais, para o sacerdócio e para a vida consagrada, que sejam sinais de esperança para o mundo. Na realidade, os presbíteros e os religiosos são chamados a entregar-se de forma incondicional ao Povo de Deus, num serviço de amor ao Evangelho e à Igreja, num serviço àquela esperança firme que só a abertura ao horizonte de Deus pode gerar.
Assim eles, com o testemunho da sua fé e com o seu fervor apostólico, podem transmitir, em particular às novas gerações, o ardente desejo de responder generosa e prontamente a Cristo, que chama a segui-Lo mais de perto. Quando um discípulo de Jesus acolhe a chamada divina para se dedicar ao ministério sacerdotal ou à vida consagrada, manifesta-se um dos frutos mais maduros da comunidade cristã, que ajuda a olhar com particular confiança e esperança para o futuro da Igreja e o seu empenho de evangelização. Na verdade, sempre terá necessidade de novos trabalhadores para a pregação do Evangelho, a celebração da Eucaristia, o sacramento da Reconciliação.
Por isso, oxalá não faltem sacerdotes zelosos que saibam estar ao lado dos jovens como «companheiros de viagem», para os ajudarem, no caminho por vezes tortuoso e obscuro da vida, a reconhecer Cristo, Caminho, Verdade e Vida (cf. Jo 14,6); para lhes proporem com coragem evangélica a beleza do serviço a Deus, à comunidade cristã, aos irmãos. Não faltem sacerdotes que mostrem a fecundidade de um compromisso entusiasmante, que confere um sentido de plenitude à própria existência, porque fundado sobre a fé n’Aquele que nos amou primeiro (cf. 1 Jo 4,19).
Do mesmo modo, desejo que os jovens, no meio de tantas propostas superficiais e efêmeras, saibam cultivar a atração pelos valores, as metas altas, as opções radicais por um serviço aos outros seguindo os passos de Jesus. Amados jovens, não tenhais medo de O seguir e de percorrer os caminhos exigentes e corajosos da caridade e do compromisso generoso. Sereis felizes por servir, sereis testemunhas daquela alegria que o mundo não pode dar, sereis chamas vivas de um amor infinito e eterno, aprendereis a «dar a razão da vossa esperança» (1 Ped 3,15).

Vaticano, 6 de Outubro 2012.

No Angelus Papa explica "quem são os construtores da paz"


Ao meio-dia do dia 1º de janeiro de 2013, após a celebração da Missa pela Solenidade de Maria, Mãe de Deus, o papa Bento XVI conduziu a primeira Oração Mariana do Angelus do ano.
O Santo Padre saudou a todos, desejando que em 2013 “chegue a cada homem e a cada mulher do mundo a benção de Deus”. “E o faço com a antiga fórmula contida na Sagrada Escritura: ‘O Senhor te abençoe e te guarde. O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face e se compadeça de ti. O Senhor volte para ti o seu rosto e te dê a paz’”, disse o papa.
Bento XVI iniciou sua reflexão recordando a luz de Jesus que passou a iluminar o mundo: “como a luz e o calor do sol são uma benção para a terra, assim a luz de Deus o e é para a humanidade, quando Ele faz brilhar sobre ela a sua face. Isto aconteceu com o nascimento de Jesus Cristo. Deus fez resplandecer para nós a sua face: inicialmente de um jeito muito humilde, escondido em Belém somente Maria e José e alguns pastores foram testemunhas desta revelação mas pouco a pouco, como o sol que do amanhecer chega ao meio-dia, a luz de Cristo cresceu e se difundiu por toda a parte”.
Então, Bento XVI, referindo-se ao canto de glória dos anjos, saudando o nascimento do Salvador, enfatizou qual deve ser a atitude dos cristãos: “este é o canto dos cristãos debaixo do céu; um canto que dos corações e dos lábios passa a gestos concretos, nos atitudes de amor que constroem diálogo, compreensão e reconciliação".
O Santo Padre recordou que oito dias após o Natal, “quando a Igreja, como a Virgem Maria Mãe de Deus, mostra ao mundo o recém-nascido Jesus, Príncipe da Paz”, é celebrada a Jornada Mundial da Paz. E sublinhou: “aquele Menino, que é o Verbo de Deus feito carne, veio para trazer aos homens uma paz que o mundo não pode dar. A sua missão é derrubar o ‘muro da inimizade’ ”.
Continuando sua reflexão, o Papa sublinhou que entre as bem-aventuranças proclamadas por Jesus, às margens do Mar da Galiléia, está: “bem-aventurados os construtores da paz, porque serão chamados filhos de Deus”, que foi o tema do Dia Mundial da Paz deste ano.
Então o Pontífice explicou quem são os construtores da paz: “São todos aqueles que, no dia-a-dia, procuram vencer o mal com o bem, com a força da verdade, com as armas da oração e do perdão, com o trabalho honesto e bem realizado, com a pesquisa científica a serviço da vida, com as obras de misericórdia físicas e espirituais. Os operadores de paz são tantos, - destacou - mas trabalham silenciosamente. Como o fermento na massa, fazem crescer a humanidade segundo os desígnios de Deus”.
Por fim, Bento XVI pediu a Maria Santíssima, Mãe de Deus, “que nos abençoe, como uma mãe abençoa os seus filhos que devem partir para uma viagem. Um ano novo é como uma viagem – diz Bento XVI -: com a luz e a graça de Deus, possa ser um caminho de paz para cada ser humano e para cada família, para cada país e para o mundo inteiro”.
Entre as felicitações de Ano Novo em diversas línguas, Bento XVI se dirigiu também aos povos de língua portuguesa: “a todos os povos e nações de língua portuguesa, aos seus lares e comunidades, aos seus governantes e instituições, desejo a paz do Céu que hoje vemos reclinada nos braços da Virgem Mãe. Feliz Ano Novo!”

Fonte: www.cnbb.org.br

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

RETROSPECTIVA 2012 DO PAPA BENTO XVI


Ano da Fé, Cuba, México, Líbano, Twitter: esses foram alguns momentos significativos que marcaram o ano de Bento XVI. A Rádio Vaticano fez uma rápida restrospectiva do ano. Eis alguns fatos de 2012 que merecem ser recordados, começando pelas viagens realizadas.
Em março, o Pontífice voltou à América Latina, visitando o México e Cuba.
Em terra mexicana, denunciou a violência, a corrupção e o narcotráfico. Em Cuba, ao invés, a esperança permeou seus discursos, alentando e encorajando o povo tão sofrido.
Já o tema da reconciliação marcou a viagem apostólica ao Líbano, em setembro. Numa região dilacerada pela violência, com a Síria martirizada com a guerra civil, o Santo Padre fez-se peregrino de paz. O motivo da visita foi a entrega da Exortação apostólica pós-sinodal "Ecclesia in Medio Oriente", fruto do Sínodo dos Bispos médio-orientais realizado no Vaticano em outubro de 2010.
Em maio, em Milão, celebrou-se o VII Encontro Mundial das Famílias. A eles, pais e filhos, o Papa confiou uma tarefa extraordinária: vocês, afirmou, são "a única força que verdadeiramente pode transformar o mundo".
Na Itália, destaque para a visita às vítimas do terremoto na Emilia Romagna e da Lombardia. Em Rovereto di Novi, um dos centros mais atingidos pelo abalo sísmico, o Papa comovido assegurou a proximidade espiritual e concreta da Igreja.
Sobre a vida eclesiástica, ressalta-se a XIII Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, cuja edição foi dedicada à nova evangelização. Trata-se de um tema particularmente importante para Bento XVI que, para enfrentar esse desafio pastoral imperioso para a Igreja, criou um dicastério especial.
Ligado ao tema da nova evangelização, está o Ano da Fé – convocado por Bento XVI nos 50 anos de abertura do Concílio Vaticano II e no vigésimo aniversário de promulgação do Catecismo da Igreja.
Neste ano, o Papa publicou também um Motu proprio sobre o serviço da caridade e outro que instituiu a Pontifícia Academia de Latinidade. Elevou à honra dos altares sete novos Santos e proclamou "Doutores da Igreja" São João d'Ávila e Santa Hidelgarda de Bingen.
Além disso, criou 28 cardeais, em dois consistórios: um em fevereiro, e o outro em novembro.
Foi um ano também de sofrimento para o Papa, que se viu traído em sua própria casa. Em maio foi detido seu mordomo por apropriar-se de documentos pessoais depois difundidos na mídia. Foi o cume do chamado "Vatileaks" que registrou um processo e uma condenação a Paulo Gabriele, ao qual Bento XVI concedeu a graça poucos dias antes do Natal.
Bento XVI pediu transparência também na administração do Ior (Instituto para Obras de Religião).
Ao longo do ano, o sétimo de seu Pontificado, Bento XVI não poupou energias para anunciar o Evangelho ao maior número possível de pessoas. E o fez nas celebrações, nas audiências e nos encontros, visitando paróquias, cárceres e institutos caritativos.
Teve bom êxito também a publicação do livro "A infância de Jesus", com o qual o Papa concluiu a sua trilogia sobre Jesus de Nazaré. Um presente para todos aqueles, fiéis e não somente, que se encontram em busca da verdade.
Em novembro, Bento XVI se dirigiu aos jovens do mundo inteiro, publicando uma mensagem em vista da JMJRio2013 – que promete ser um dos eventos mais importantes da Igreja neste ano que está para iniciar. “Agora que a Jornada Mundial da Juventude retorna à América Latina, exorto todos os jovens do continente: transmiti aos vossos coetâneos do mundo inteiro o entusiasmo da vossa fé”.
Neste último mês do ano, no dia 12 de dezembro, o Papa estreou no Twitter, tornando-se uma das personalidades mais populares dessa rede social (mais de dois milhões e 300 mil seguidores) com a conta @pontifex. E com um de seus últimos tuites, encerramos essa retrospectiva, aderindo aos votos de Bento XVI: “No final do ano, peçamos que a Igreja, apesar dos seus limites, cresça sempre mais como casa de Deus”.

Fonte: www.cnbb.org.br

Papa celebra solenidade de Maria, mãe de Deus


Bento XVI celebrou na manhã deste 1º dia de 2013, na Basílica de São Pedro, a Missa da Solenidade de Maria Santíssima, a Santa Mãe de Deus. O Papa recebeu os diplomatas que representam seus países junto à Santa Sé e lembrou que hoje também é o Dia Mundial da Paz.
No início de sua homilia, o Santo Padre destacou como “é particularmente significativo que no início de cada novo ano Deus projeta sobre nós, seu povo, a luminosidade de seu santo Nome que é pronunciado três vezes na solene fórmula da bênção bíblica. E não menos significativo é que ao Verbo de Deus – que <<se fez carne e veio habituar no meio de nós>> como a <<luz verdadeira, que ilumina todo homem>> – seja dado oito dias após o seu natal – como nos narra o Evangelho de hoje – o nome de Jesus”. "É por este nome que estamos aqui reunidos.”
Após, Bento XVI saudou os presentes, começando pelos Embaixadores do Corpo diplomático acreditado junto à Santa Sé, seguido por seu Secretário de Estado, Cardeal Tarcisio Bertone. Ao Cardeal Turkson e a todos os componentes do Pontifício Conselho da Justiça e da Paz agradeceu pelo empenho em difundir a Mensagem para o Dia Mundial da Paz, que este ano tem como tema “Bem-aventurados os construtores de paz".
Falando sobre a inspiração para a Mensagem do Dia Mundial da Paz deste ano, baseada no Evangelho de São Mateus ‘Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus’, explicou o Santo Padre: “infelizmente, apesar de o mundo ainda estar marcado por ‘focos de tensão e de conflitos causados pelas crescentes desigualdades entre ricos e pobres, pelo prevalecimento de uma mentalidade egoísta e individualista expressa inclusive por um capitalismo financeiro desregulado’, bem como por diferentes formas de terrorismo e de criminalidade, tenho a convicção de que ‘as multíplices obras de paz, das quais o mundo é rico, testemunham a inata vocação da humanidade à paz. Em toda pessoa o desejo de paz é aspiração essencial e coincide, de certo modo, com o desejo de uma vida plena, feliz e bem realizada. O homem é feito para a paz que é dom de Deus”.
E acrescenta: “a bem-aventurança diz que ‘a paz é dom messiânico e obra humana ao mesmo tempo. É paz com Deus, no viver segundo a sua vontade. É paz interior consigo mesmo, e paz exterior com o próximo e com toda a criação’. Sim, a paz é o bem por excelência a ser invocado como dom de Deus e, ao mesmo tempo, a ser construída com todo esforço”.
Ao meditar sobre o fundamento, a origem e a raiz desta paz, Bento XVI destaca a figura de Maria, que permaneceu inabalável diante de tantas dificuldades: “Como podemos sentir a paz em nós, apesar dos problemas, das obscuridades, das angústias? A resposta nos é dada pelas Leituras da liturgia de hoje. Os textos bíblicos, sobretudo o texto extraído do Evangelho de Lucas, pouco antes proclamado, nos propõem contemplar a paz interior de Maria, a Mãe de Jesus. Cumprem-se para ela, durante os dias em que <<deu à luz o seu filho primogênito>>, muitos eventos imprevistos: não somente o nascimento do Filho, mas antes a viagem cansativa de Nazaré a Belém, o não encontrar lugar no alojamento, a busca fortuita de um refúgio durante a noite; e depois o canto dos anjos e a visita inesperada dos pastores. Em tudo isso, porém, Maria não se perturba, não se agita, não fica transtornada com os fatos maiores do que ela; simplesmente pondera, em silêncio, o que acontece, guarda-o em sua memória e em seu coração, refletindo sobre eles com calma e serenidade”.
E ressalta o Santo Padre: “Essa é a paz interior que queremos ter em meio aos eventos por vezes tumultuados e confusos da história, eventos dos quais muitas vezes não entendemos o sentido e que nos desconcertam”.
O Santo Padre, explicando a identidade de Maria como Mãe de Deus, disse: “segundo a Lei de Moisés, após oito dias do nascimento, a criança deveria ser circuncidada, e naquele momento lhe era dado o nome. Deus mesmo, mediante a sua mensagem, havia dito a Maria – e também a José – que o nome a ser dado ao Menino era <<Jesus>>”. “Aquele nome que Deus já havia estabelecido antes mesmo que o Menino fosse concebido, agora lhe é dado oficialmente no momento da circuncisão. E isso marca uma vez para sempre também a identidade de Maria: ela é <<a mãe de Jesus>>, ou seja, a mãe do Salvador, do Cristo, do Senhor. Jesus não é um homem como qualquer outro, mas é o Verbo de Deus, uma das Pessoas divinas, o Filho de Deus: por isso a Igreja deu a Maria o título de Theotokos, isto é, <<Mãe de Deus>>”.
E recorda Bento XVI, referindo-se à primeira Leitura: “a paz é dom de Deus e está ligada ao esplendor do rosto de Deus, segundo o texto do Livro dos Números, que transmite a bênção usada pelos sacerdotes do povo de Israel nas assembléias litúrgicas”. “Da contemplação da face Deus nascem alegria, segurança e paz”.
Então Bento XVI explicou o significado concreto do contemplar a face do Senhor: “Significa conhecê-lo diretamente, por quanto é possível nesta vida, mediante Jesus Cristo, no que se revelou. Gozar do esplendor da face de Deus significa penetrar no mistério do seu Nome a nós manifestado por Jesus, compreender algo da sua vida íntima e da sua vontade, a fim de que possamos viver segundo o seu desígnio de amor sobre a humanidade”. “O Filho de Deus feito carne fez-nos conhecer o Pai, fez-nos perceber em sua face humana visível a face invisível do Pai; através do dom do Espírito Santo derramado em nossos corações, fez-nos conhecer que n'Ele também nós somos filhos de Deus”.
E o Santo Padre acrescentou que a contemplação do esplendor da face de Deus Pai em Jesus Cristo, que nos torna também filhos, nos dá “a mesma segurança que o menino tem nos braços de um pai bom e onipotente”, e é nesta contemplação que reside “o princípio daquela paz profunda - <<paz com Deus>> - que está indissoluvelmente ligada à fé e à graça”. “Nada pode tirar dos fiéis esta paz, nem mesmo as dificuldades e os sofrimentos da vida”.
Por fim, o Pontífice pediu a Virgem Maria, venerada hoje com o título de Mãe de Deus, que nos ajude a contemplar a face de Jesus, Príncipe da Paz. “Que nos auxilie e nos acompanhe neste novo ano; alcance para nós e para o mundo inteiro o dom da paz”.

FONTE: www.cnbb.org.br

sábado, 22 de setembro de 2012

Os principais compromissos de Bento XVI no mês de outubro: Sínodo, Ano da Fé e canonizações


O Sínodo sobre a Nova Evangelização, a abertura do Ano da Fé e a canonização de sete Beatos: são esses os principais compromissos de Bento XVI para o mês de outubro.
O mestre das Celebrações Litúrgicas Pontifícias, Mons. Guido Marini, publicou nesta sexta-feira, detalhadamente, as próximas datas da agenda papal até o início de novembro.
A celebração do Sínodo e, antes dele, a oração de consagração a fim de que o Sínodo seja um momento de graça e de luz para a Igreja.
O mês de outubro começará para o Papa com duas etapas próximas uma da outra.
Três dias antes de presidir à missa de abertura do encontro sobre a Nova Evangelização, programada para as 9h30 de domingo, dia 7, a ser celebrada na Basílica de São Pedro, Bento XVI irá a Loreto – região italiana das Marcas – ajoelhar-se aos pés da Virgem da Santa Casa e confiar a ela – como fez, cinqüenta anos atrás, o Papa João XXIII na vigília do Concílio – o bom êxito da reunião sinodal.
A missa inaugural de 7 de outubro será também ocasião para o Pontífice proclamar Santa Ildegarda de Bingen e São João d'Avila "Doutores da Igreja".
O dia 11 de setembro será outra data-evento do mês: durante a liturgia eucarística, que terá início às 10h locais na Basílica vaticana, Bento XVI abrirá o Ano da Fé.
Também o domingo, 21 de outubro, será um dia especial. Em pleno Sínodo sobre a Nova Evangelização, o Papa doará à veneração universal da Igreja sete testemunhas da fé de épocas diferentes.
A missa, presidida a partir das 9h30 locais, terá a canonização dos Beatos Giacomo Berthieu, Pedro Calungsod, Giovanni Battista Piamarta, Maria do Monte Carmelo Sallés y Barangueras, Marianna Cope, Anna Schäffer e Caterina Tekakwitha, a primeira Santa de origem pele-vermelha (designação comum aos povos aborígines dos EUA, ndr).
No domingo sucessivo, 28 de outubro, o Santo Padre presidirá à missa de conclusão do Sínodo. No início de novembro terá, como em todos os anos, dois momentos de intenso recolhimento espiritual: no dia 2, às 18h locais, descerá à Cripta vaticana para rezar diante do túmulo dos Pontífices defuntos, e no dia seguinte, às 11h30, celebrará, na Basílica de São Pedro, a missa em sufrágio pelos bispos, arcebispos e cardeais falecidos nos últimos doze meses.

Fonte: www.cnbb.org.br

quarta-feira, 16 de março de 2011

Papa na Alemanha: divulgado logo, lema e foco da viagem


Logotipo, o lema e o enfoque da viagem que Bento XVI fará à Alemanha entre os dias 22 e 25 de setembro foram apresentados nesta terça-feira, 15. O anúncio foi realizado durante a Assembleia Geral da Conferência dos Bispos do país.
"Onde está Deus há futuro" [livre tradução] é o lema da visita, inspirada em uma frase do próprio Pontífice durante sua visita à Áustria, em 2007. O logotipo porta as cores da bandeira alemã e mostra um grupo de fiéis caminhando em direção a uma igreja. As dioceses de Berlim, Erfurt e Friburgo são os destinos do Santo Padre em terras germânicas.
A coletiva de imprensa de apresentação contou com a presença do presidente da Conferência Episcopal Alemã, Arcebispo Robert Zollitsch; do Bispo de Erfurt, Dom Joachim Wanke; do Administrador Diocesano da Arquidiocese de Berlim, Dom Matthias Heinrich, e do secretário da Conferência e coordenador geral da viagem, padre Hans Langendörfer.
"A Igreja Católica na Alemanha está ansiosa com a vinda do Papa. Sim, a própria Alemanha está ansiosa", exclamou o Arcebispo Zollitsch durante a coletiva. Já Dom Mathias celebrou o fato de a capital alemã estar incluída entre as estações da viagem do Papa. Segundo o prelado, a cidade é um dos centros da "diáspora católica" no país – um entre cada cinco católicos tem origem estrangeira e há mais de uma dezena de paróquias que celebram serviços religiosos em idiomas distintos do alemão. Dessa forma, a Igreja presente em Berlim, segundo Dom Mathias, possui um caráter especialmente aberto e universal.
Na capital, apenas um terço da população pertence a uma das duas grandes igrejas (católica e luterana). O Papa será recebido pelo presidente, Christian Wulff, pronunciará um discurso no Bundestag (parlamento) e presidirá a celebração da Santa Missa.
Já o Bispo de Erfurt, Dom Wanke, disse que era uma alegria o Papa visitar uma diocese no território da extinta República Democrática Alemã (RDA) - também conhecida como Alemanha Oriental, durou de 1949 a 1990 e surgiu com o fim da Zona de Ocupação Soviética, mantendo a influência de regimes esquerdistas.
Em Erfurt, o Papa presidirá a Missa ao ar livre na praça da catedral. "Para nós, é um sinal que nos dá força para dar testemunho público de nossa fé", afirmou. Também está em estudo a possibilidade de um encontro do Papa com representantes do Conselho da Igreja Evangélica, a cúpula da principal igreja protestante no país.
Segundo o coordenador geral da viagem, padre Hans Langendörfer, dois temas terão especial destaque: a questão de Deus e do futuro da nação. "Para nós, cristãos, o futuro não é um poder anônimo, nem um princípio, que poderia nos pegar de surpresa, tampouco um destino inevitável. O nosso futuro é com Deus, o que define o tema para esse testemunho.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Bento XVI: Cristo não está dividido


CIDADE DO VATICANO, domingo, 23 de janeiro de 2011 (ZENIT.org) – Apresentamos as palavras que Bento XVI dirigiu hoje durante a oração do Angelus aos fiéis congregados na Praça de São Pedro. 
* * *
Queridos irmãos e irmãs!
Nestes dias, de 18 a 25 de janeiro, realiza-se a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. Este ano, tem por tema uma passagem do livro dos Atos dos Apóstolos, que resume em poucas palavras a vida da primeira comunidade cristã de Jerusalém: “Eles eram perseverantes em ouvir o ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações (At 2, 42). É muito significativo que este tema tenha sido proposto pelas Igrejas e comunidades cristãs de Jerusalém, reunidas em espírito ecumênico. Sabemos quantas provas devem enfrentar os irmãos e irmãs da Terra Santa e do Oriente Médio. Seu serviço é portanto ainda mais precioso, valorizado por um testemunho que, em certos casos, chegou até o sacrifício da vida. Por isso, enquanto acolhemos com alegria as inspirações para a reflexão oferecidas pelas comunidades que vivem em Jerusalém, unimo-nos em torno delas, e isso se converte para todos em um fator ulterior de comunhão.
Também hoje, para ser no mundo sinal e instrumento de união íntima com Deus e de unidade entre os homens, nós, cristãos, devemos fundar nossa vida nestes quatro “pilares”: a vida fundada na fé dos Apóstolos transmitida na viva Tradição da Igreja, a comunhão fraterna, a Eucaristia e a oração. Só desta forma, permanecendo firmemente unida a Cristo, a Igreja pode realizar eficazmente sua missão, apesar de todos os limites e das faltas de seus membros, apesar das divisões, que já o apóstolo Paulo teve de enfrentar na comunidade de Corinto, como recorda a segunda leitura bíblica deste domingo, onde diz: “Rogo-vos, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que todos estejais em pleno acordo e que não haja entre vós divisões. Vivei em boa harmonia, no mesmo espírito e no mesmo sentimento” (1, 10). O apóstolo, de fato, soubera que na comunidade cristã de Corinto houvera discórdias e divisões; por isso, com grande firmeza, acrescenta: “Então estaria Cristo dividido?” (1,13). Dizendo isso, ele afirma que toda divisão na Igreja é uma ofensa a Cristo; e, ao mesmo tempo, que é sempre n’Ele, única Cabeça e Senhor, onde podemos voltar a nos encontrar unidos, pela força inesgotável de sua graça.
Daí então o chamado sempre atual do Evangelho de hoje: “Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo” (Mt 4,17). O sério dever de conversão a Cristo é o caminho que conduz a Igreja, com os tempos que Deus dispõe, à plena unidade visível. Disso são um sinal os encontros ecumênicos que se multiplicam nestes dias em todo o mundo. Aqui em Roma, além de se encontrarem presentes delegações ecumênicas, começará amanhã uma sessão de encontro da Comissão do diálogo teológico entre a Igreja Católica e as Antigas Igrejas Orientais. E depois de amanhã concluiremos a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos com a solene celebração das Vésperas na festa da Conversão de São Paulo. Que nos acompanhe sempre, neste caminho, a Virgem Maria, Mãe da Igreja.
[Traduzido por ZENIT
©Libreria Editrice Vaticana]

Conversão é o caminho da unidade, diz Papa


CIDADE DO VATICANO, domingo, 23 de janeiro de 2011 (ZENIT.org) – Bento XVI afirmou hoje, durante a oração do Angelus com os peregrinos no Vaticano, que o caminho para a unidade plena dos cristãos passa necessariamente pela conversão de cada um.
“O sério dever de conversão a Cristo é o caminho que conduz a Igreja, com os tempos que Deus dispõe, à plena unidade visível”, disse o Papa.
Citando a segunda leitura da liturgia deste domingo, a propósito das divisões existentes na comunidade cristã de Corinto, o pontífice quis recordar, com o apóstolo Paulo, que “toda divisão na Igreja é uma ofensa a Cristo”.
Ao mesmo tempo – acrescentou – “é sempre n’Ele, única Cabeça e Senhor, onde podemos voltar a nos encontrar unidos, pela força inesgotável de sua graça”.
“Só desta forma, permanecendo firmemente unida a Cristo, a Igreja pode realizar eficazmente sua missão, apesar de todos os limites e das faltas de seus membros, apesar das divisões”, explicou o Papa.
Para poder cumprir sua missão de ser “no mundo sinal e instrumento de união íntima com Deus e de unidade entre os homens” – acrescentou –, os cristãos devem fundar sua vida em quatro pilares: “a vida fundada na fé dos Apóstolos transmitida na viva Tradição da Igreja, a comunhão fraterna, a Eucaristia e a oração”.
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