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quarta-feira, 27 de junho de 2018

SOLENIDADE DOS APÓSTOLOS PEDRO E PAULO - MISSA DA VIGÍLIA - ANO B


30 de junho de 2018

Leituras

     Atos 3,1-10. O povo todo viu o homem andando e louvando a Deus.
     Salmo 18/19,2-5. Os céus proclamam a glória do Senhor.
     Gálatas 1,11-20. O evangelho pregado por mim não é conforme a critérios humanos.
     João 21,15-19. Apascenta os meus cordeiros.


                      “APASCENTA AS MINHAS OVELHAS”


1-PONTO DE PARTIDA

Solenidade dos Apóstolos Pedro e Paulo. Celebramos neste domingo a Páscoa de Jesus, na vida e no ministério dos apóstolos Pedro e Paulo, agradecendo a Deus pela fé de Pedro e pelo empenho missionário de Paulo, testemunhas fiéis de Jesus Cristo. Rezemos em comunhão com a Igreja de Roma, que testemunhou o martírio deles, e com seu bispo de Roma, Francisco.

Os Apóstolos Pedro e Paulo se notabilizaram no grupo dos apóstolos de Jesus. Apesar da notoriedade que lhes foi dada ao longo da história da Igreja e, ainda hoje, eles são apresentados pelos evangelistas e nos Atos com profundas marcas de fragilidade humana, durante o seu encontro com Jesus.

Celebrando hoje a Páscoa desses dois grandes apóstolos e mártires de Jesus, a Igreja é lembrada que em todas as comunidades cristãs precisam estar presentes, e muito ligados com duas faces, os fundamentos da mesma missão evangelizadora: a vida eclesial com dinâmica de comunhão e participação e sua ação transformadora no mundo.

Hoje também rezamos especialmente pelo papa Francisco, bispo de Roma, cidade onde se deu o martírio de Pedro e Paulo. Sua missão é selar para que a Igreja permaneça unida, fiel a Jesus Cristo e seu projeto, realizando com humildade e coragem uma ação evangelizadora, cada vez mais inculturada, profética e aberta a todos.

2- REFLEXÃO BÍBLICA, EXEGÉTICA E LITÚRGICA

Primeira leitura – Atos dos Apóstolos 3,1-10. A comunidade cristã primitiva, embora consciente da novidade da sua fé, ainda não se tinha distanciado das práticas religiosas hebraicas. Os próprios Apóstolos Pedro e João iam ao Templo para participarem no sacrifício vespertino (cf. Êxodo 28,38-42), que incluía a oração da tarde e à qual se unia espiritualmente, por exemplo, o piedoso Cornélio (cf. Atos 10,3). É nesta circunstancia que Pedro realiza “no nome de Jesus Cristo, o Nazareno” (versículo 6) o primeiro milagre, curando um homem manco de nascença.

Passagem que relata a cura de um homem manco e faz parte de um conjunto de relatos (Atos 3-5) onde a pessoa de Pedro ocupa lugar preponderante.

O relato de hoje destaca, antes de tudo, o poder taumatúrgico dos apóstolos, sinal porque se reconhece que são verdadeiramente os depositários do poder messiânico de Jesus. Pedro responde à sua espera operando a cura do homem manco, não em nome do Senhor “ressuscitado”, mas em nome do “Messias” Jesus de Nazaré (versículo 6; cf. Marcos 9,38; 16,17). Pedro imita na versão de seu milagre, os gestos e as palavras de Jesus de Nazaré que curava todos os males. Seu mandamento é idêntico ao de Jesus:  “levanta-te e anda” (versículo 6. cf. Lucas 5,23); o milagre ocorre onde Jesus operava uma cura semelhante (Mateus 21,14); o Apóstolo Pedro, enfim, toma o doente pela mão, à maneira de Jesus (versículo 7; cf. Lucas 8,54).

O poder de fazer milagres atribuídos aos Apóstolos é percebido pela comunidade como um sinal de continuidade entre o tempo de Jesus e o tempo da Igreja; trata-se de uma garantia de que Jesus-Messias está sempre entre os cristãos, para além mesmo de sua morte.

Pedro, “em nome”, isto é, na pessoa e autoridade humano-divina “de Jesus Cristo” (versículo 6), faz o milagre. É este “Nome” que Pedro e João defendem e pregam ao longo de três capítulos dos Atos dos Apóstolos (capítulos 3-5). E é ainda por causa deste “Nome” que os dois Apóstolos devem comparecer – como outrora Jesus – perante o Sinédrio e sofrer a prisão (cf. Atos 4,1-22; 5,17-18.26-33). Apesar disso eles permaneciam na certeza da fé de que só “em nome de Jesus” podemos se salvos (cf. Atos 4,12). Se nos deixarmos conquistar totalmente pelo amor de Jesus Cristo também cumpriremos atos de heroísmo.

É importante lembrar que o milagre de Pedro significa também a reunião, no Templo, de todos os excluídos. Mesmo sendo adepto da liturgia do Templo, Pedro tinha consciência de que, na assembléia litúrgica cristã, as barreiras que excluem os impuros (pagãos, enfermos, crianças: cf. Levítico 21,18; 2Samuel 5,8), de agora em diante devem ser destruídas (versículo 8).

Lucas, finalmente, diz-nos que o manco curado entra no Templo “caminhando, saltando e louvando a Deus” (versículo 8). Vê no acontecimento a realização de Isaias 35,6: “Então o manco saltará como um cervo”.  Ao introduzir o coxo no Templo, Pedro exprime sua fé na vitória

Salmo responsorial – 18/19,2-5. O Salmo 19/19 mistura dois tipos, e isso levou a dividi-lo em dois. De fato, de 2 a 7 temos um hino de louvor, sem nenhuma introdução. Nele o céu e o firmamento, o dia e a noite, em silêncio, cantam os louvores de quem os criou. É, portanto, um hino de louvor ao Deus Criador. Mas na sua segunda parte (versículos de 8-15) o estilo é sapiencial, apresentando uma reflexão sobre a Lei de Deus.

Nos versículos utilizados pela liturgia de hoje, temos um solene louvor ao Criador do universo: céu, firmamento, dia, noite e, sobretudo, o sol, proclamam, sem palavras, os louvores de quem os fez. O louvor silencioso é o mais importante, pois demonstra que as palavras não conseguem exprimir tudo o que se sente. O sol é comparado como esposo que sai do quarto, como guerreiro e como atleta que percorre o caminho que lhe foi traçado. Na primeira estrofe, o Salmo louva a Deus pela glória que Lhe provém da “obra” da Criação (versículos 2-3). Afirma depois que a “linguagem” da Criação, embora diferente da nossa, alcança o mundo inteiro (versículos 4-5). A liturgia aplica o texto à pregação dos Apóstolos, que chegou aos confins do mundo.

O rosto de Deus tem duas imagens muito fortes neste Salmo: o Deus da Aliança (versículos 8-15), que entrega a Lei a seu povo, e o Deus Criador, reconhecido como tal por suas criaturas em todo o mundo (versículos 2-7).

O Novo Testamento viu em Jesus o cumprimento perfeito da Nova Aliança, Aquele que faz ver de forma perfeita o Pai (João 1,18; 14, 9). Sua lei é o amor (João 13,34). Jesus louva o Pai por ter revelado seu projeto aos pequeninos (Mateus 11,25) e mandou aprender com os lírios do campo e as aves do céu o amor que o Pai tem por nós (Mateus 6,25-30).

Segunda leitura – Gálatas 1,11-20.  Paulo afirma que deve seu evangelho a uma “revelação”, isto é, a uma intervenção pessoal de Cristo em sua vida, e não à comunidade cristã de Jerusalém (versículos 11-12). É certo que Paulo deve a ela numerosas fórmulas e tradições (cf. 1Coríntios 15,1-3), mas o conteúdo de sua mensagem é de ordem “apocalíptica” (revelação).

Paulo está percorrendo um caminho oposto ao que leva a Jesus: perseguia “terrivelmente a Igreja de Deus” (versículo 13). Comporta-se de boa fé (“Agia assim sem saber”: 1Timóteo 1,13), mas Jesus Ressuscitado, na Sua misericórdia,apareceu-lhe no caminho de Damasco e pergunta-lhe: Saulo, Saulo, porque Me persegues”? ( Atos 9,4).

A aparição divina, que lhe penetra o íntimo, contém em resumo todo o mistério de Cristo e da Igreja. Paulo quis fazê-lo totalmente seu; por isso reflete refugiando-se no deserto (versículo 17). Depois de três anos vai à Jerusalém para se encontrar com “Cefas”, Pedro em aramaico (versículo 18); dialoga com ele, é informado por ele e recebe dele aprovação. Portanto, o seu Evangelho é autêntico, a sua autoridade é válida. Notemos que Paulo chama a Pedro com o nome que Jesus lhe atribuiu, reconhecendo assim a investidura de Pedro como chefe da Igreja (cf. João 1,42; Mateus 16,18).

A idéia essencial que disso se conclui é que Paulo, o antigo perseguidor, não entrou apenas em um processo de conversão individual, fazendo-se discípulo depois de ter sido hostil. Sua conversão coincide com um apelo mais fundamental que o tornou o apóstolo das nações (versículo 16). Conversão, acesso à apostolicidade e abertura desta às nações, tais são, para Paulo, as características essenciais do acontecimento do caminho de Damasco.

Não é tanto pelo conteúdo que o Evangelho de Paulo difere dos Doze; difere por causa de sua difusão entre as nações, difusão que, aos olhos de Paulo, faz parte integrante de sua mensagem. Vai a Jerusalém não para verificar se seu Evangelho está correto, mas para defender o princípio de um Evangelho para as nações (portanto, de um acesso a Cristo sem lei e sem circuncisão: cf. Gálatas 2,6).  Na realidade, não poderia haver desconfiança dos Doze para com um Evangelho vindo do próprio Deus; Paulo, porém, leva amplamente em consideração seus contatos com Jerusalém, a fim de destacar a unidade da missão.
Evangelho – João 21,15-19. João reflete uma manifestação de Jesus ressuscitado a Pedro e a alguns dos Doze Apóstolos no mar de Tiberíades (João 21,1). Narra a pesca milagrosa (João 21,1-11) e o alimento que Jesus preparou para eles (versículos 12-14). Relata depois o diálogo entre Jesus e Pedro. A “Simão, filho de João” o Mestre pergunta três vezes se O ama; depois de cada resposta afirmava, confere-lhe o poder de apascentar as Suas ovelhas (versículos 15-17). Finalmente preanuncia-lhe o cárcere e o martírio, com o qual o Apóstolo glorificará a Deus.

No Evangelho de João é o Ressuscitado que transmite Seus poderes a seus discípulos (João 20,21-23). Em particular, é no quadro das aparições do Ressuscitado que o primado é conferida a Pedro (nossa leitura de hoje), ao contrário de Mateus, Marcos e Lucas (Sinóticos), que situam esse acontecimento antes da morte de Jesus (Mateus 16,13-20). O evangelista João quer manifestar que os poderes missionários de sacramentais da Igreja são apenas a irradiação da glória do Ressuscitado (cf. também Mateus 28,18-19).

Nessa passagem, consagrada ao primado de Pedro, a transmissão de poderes por Jesus não se faz sem algum humor. Por três vezes Pedro renega seu Mestre (João 18,17-27); também por três vezes Jesus exige dele uma profissão de amor. Pedro se acreditava superior aos outros em seu zelo para com o Senhor (Mateus 26,33); Cristo o convida para uma superioridade no amor (“mais do que estes”, versículo 15).

Pedro não afirma abertamente seu apego ao Senhor: humildemente se abandona ao conhecimento que dele Cristo pode ter (“tu o sabes...”: 15-17). Cristo lhe pergunta duas vezes se tem amor por ele (ágape) e Pedro responde que tem apego (philein) por seu Mestre. O Apóstolo, portanto, não se pronuncia sobre o amor religioso que Jesus lhe pede; contenta-se em manifestar-lhe sua amizade.

Na realidade, é pelo exercício de seu primado e pela maneira como amará os cordeiros e as ovelhas do Senhor que Pedro manifestará seu apego ao Senhor e o ágape que o anima.

O amor (ágape) trazido por Cristo em sua morte (João 15,14) de agora em diante tem sua instituição própria: a Igreja, conduzida por Pedro, é o sacramento visível do ágape do Salvador. Que o pastor ame as suas ovelhas segundo convém, e o sinal do amor de Cristo pelas pessoas será entregue ao mundo. O primado, portanto, não é uma recompensa dada ao amor eventual de Pedro por seu Mestre: trata-se de instituição que revela o amor de Cristo pelas pessoas.

3- DA PALAVRA CELEBRADA AO COTIDIANO DA VIDA

Podemos retomar alguns pensamentos das leituras bíblicas, começando pelo texto do Evangelho. Este diálogo entre Jesus e Simão, filho de João, possui uma força e uma densidade tais que deixa um sinal na nossa vida espiritual. Jesus pergunta três vezes ao pescador da Galiléia se ele O ama. Nos discursos da Última Ceia o Senhor falou diversas vezes do amor pela Sua pessoa, especificando que seria verdade só se fosse acompanhado pela prática dos Mandamentos: “Se me amais, obedecereis aos meus mandamentos” (João 14,15; cf. 14,21-23). Agora Ele pergunta, categoricamente, a Pedro se O ama. O texto grego utiliza dois verbos diferentes, ora um, oura outro, talvez para variar. Ao ouvir a tríplice pergunta, Pedro fica atônito: no final ele não responde ao “me amas mais do que estes?” inicial, e confia no conhecimento divino de Jesus, “Senhor, tu sabes tudo” (versículo 17), para Lhe dizer que o ama.

Depois de cada resposta afirmativa, Jesus confere ao Apóstolo o encargo: “Apascenta as minhas ovelhas, apascenta os meus cordeiros” (versículos 15-17). Do amor nasce o serviço na Igreja, serviço que é exercício de amor que Pedro deve cumprir, amando toda a Igreja. A Si mesmo, Bom Pastor, (João 10,10), Jesus faz suceder o pastor Pedro, como Seu vigário e continuador. As ovelhas e os cordeiros, isto é, todos os cristãos, são de Jesus, mas Pedro deve prestar-lhes o seu serviço de amor e de guia. Jesus Bom Pastor, dá “a vida pelas ovelhas” (João10,15) e preanuncia a mesma sorte ao pastor vigário: “Estenderás a mão” (versículo 8) para que, porventura, seja pregado numa cruz.

Exercemos já talvez atividades na paróquia; façamos tudo com amor. Ou então, poderíamos cumpri-las, mas ainda não nos decidimos: esforcemo-nos para que isso aconteça o mais depressa possível, preparemo-nos, atuemos por amor.

O apostolado nasce do amor e é exercido no amor. É o que nos dizem, na sua atividade concreta, os dois santos que festejamos. Pedro não tem ouro e nem prata, mas possui na realidade uma coisa ainda mais poderosa, “O que tenho te dou”, isto é, a fé operosa: “em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda” (Primeira leitura: Atos 3,6). Esta fé, fortalecida por obra do Espírito Santo no Pentecostes, levou Pedro a pronunciar a sua primeira pregação: com o milagre do coxo colocou as premissas para o seu segundo discurso sobre o “Nome” de Jesus (cf. Atos 4).

A Solenidade dos santos Apóstolos Pedro e Paulo quer despertar em nós o compromisso pelo apostolado no amor.

4- A PALAVRA SE FAZ CELEBRAÇÃO

A liturgia celebrada deve causar em nós a necessidade de sermos testemunhas do Cristo que celebramos. Como reza a Oração do Dia, os apóstolos “nos deram as primícias da fé”, e cabe a nós sermos propagadores e animadores dessa fé. Firmes no amor, queremos ser “um só corpo e uma só alma” (Oração depois da Comunhão) em louvor a Deus.

A nossa vida de cristãos, assim como a de Cristo, tende a se tornar louvor ao Pai, cujo sentido é deixar que a existência inteira seja dirigida pelo Mistério da Páscoa. O Hinário Litúrgico da CNBB, em um de seus hinos para esta solenidade, canta esta realidade acontecendo na entrega dos apóstolos Pedro e Paulo: “Toda a Igreja unida celebra a memória pascal do Cordeiro, irmanada com Pedro e com Paulo, que seguiram a Cristo por primeiro”.

Nós, os cristãos, assim como os judeus, reconhecemos a debilidade de nosso louvor que é imagem de nossa fraqueza como homens e mulheres, sujeitos às quedas e falhas da história humana. As circunstancias culturais, sociais e mesmo religiosas, nem sempre nos favorecem ser testemunhas do Evangelho. No louvor que damos a Deus em nossas celebrações (Santo), “apelamos à assembléia lá do alto, para que dê força a nossa fraca voz e apóie nosso louvor” (Giraldo, Cesare. Redescobrindo a Eucaristia. São Paulo: Loyola, 2002). Assembléia lá do alto, que na antiga anáfora de São Tiago da Igreja de Jerusalém, é chamada de “Jerusalém celeste”. Podemos constatar hoje na Anáfora de São Tiago que está no Missal do Rito Maronita na página 269: “Na verdade, ó Pai, é digno, justo e necessário, dar-Vos graças, bendizer-Vos, louvar-Vos, adorar-Vos, Vós que sois Criador de todas as coisas, visíveis e invisíveis. A Vós enaltecem todas as criaturas: os céus e suas potestades, o sol, a lua e todos os astros, a terra, os mares e tudo o que eles contém; a Jerusalém celestial, a assembléia dos primeiros eleitos inscritos no Céu, os Anjos e Arcanjos, ministros do Altíssimo, todos cantam hinos de vitória, louvando e continuamente Vossa Majestade gloriosa, aclamando e dizendo: Santo, Santo, Santo...”

O resultado a este apelo é a participação na comunhão dos santos. Santos esses que, depois de cumprir todas as tarefas que o tempo lhes confiou, agora juntos com os anjos são “os especialistas do Sanctus”. São os defuntos (defuncti), isto é, os que cumpriram a missão de ser ícones, rendem os louvores do Santo, dia a dia. Unir-vos à sua voz segura, reforça nosso canto – isto é, nossa existência – que é sempre condicionado pelo tempo e pelo espaço.

Nesta perspectiva, realiza-se aquilo que suplicamos na Oração depois da Comunhão, saboreando os frutos da fé de Pedro e de Paulo, tendo fortalecido nossa identidade de ícones do Cordeiro, unidos aos Santos e Santas de Deus.

5- LIGANDO A PALAVRA COM A AÇÃO EUCARÍSTICA

É muito bom louvar a Deus hoje pelo testemunho dos Apóstolos Pedro e Paulo – “duas oliveiras diante do Senhor, brilhantes candelabros de esplêndido fulgor” (Hino do Ofício das Leituras).

Rezamos no Prefácio: “Hoje, vós nos concedeis a alegria de festejar os Apóstolos São Pedro e São Paulo. Pedro, o primeiro a proclamar a fé, fundou a Igreja primitiva sobre a herança de Israel. Paulo, mestre e doutor das nações, anunciou-lhes o Evangelho da Salvação. Por diferentes meios, os dois congregaram a única família de Cristo e, unidos pela coroa do martírio, recebem hoje, por toda a terra, igual veneração...”. Esses santos plantaram a Igreja, regando-a com seu sangue. Beberam do cálice do Senhor e se tornaram amigos de Deus (cf. Antífona de Entrada).

Pedro e Paulo foram como Cristo, “derramados em sacrifício”. Viveram a entrega da morte e a alegria da libertação e da salvação realizada pelo Senhor. Cristo morreu pelos irmãos. Nesta Eucaristia, como Ele mesmo pediu, fazemos memória do mistério de sua Páscoa. Recordamos também a entrega dos mártires Pedro e Paulo e dos mártires de todos os tempos. Com Cristo entreguemos também a nossa vida e a vida de tantos irmãos e irmãs para “ser derramada em sacrifício agradável a Deus”.

Que a nossa vida seja expressão desta entrega: “Fortalecei, ó Deus, com o vosso sacramento os fiéis que iluminastes com o ensinamento dos apóstolos...” (Oração Pós-Comunhão). Como Pedro e Paulo devemos ter uma vida totalmente disponível a nossos irmãos.

Hoje, especialmente, suplicamos para que o Papa que é o bispo de Roma e todos os pastores sejam pétros nas mãos do Senhor, fiéis ao Evangelho, na condução da Igreja como servidora da vida e sinal e instrumento da comunhão entre os povos.
6. ORIENTAÇÕES GERAIS

1. Atenção aos dois formulários de celebração: um deverá ser usado no sábado (Missa da Vigília) e o outro deverá ser usado no Domingo (Missa do Dia).

2. A equipe de liturgia precisa estar atenta aos dons e carismas presentes na comunidade, cuidar para que haja abertura a novos membros, partilhar bem os serviços.

3. A cor litúrgica desta solenidade é o vermelho, lembrando o sangue derramado pelo martírio.

4. A CNBB oferece um bom repertório para esta celebração nos CD´s Festas Litúrgicas II.

5. Lembrar nas preces dos fiéis o Papa como sinal de unidade e pastor da comunhão universal da Igreja.

6. Lembrar que no dia 3 de julho, a Igreja celebra a festa de São Tomé, Apóstolo que evangelizou a índia e fundou a Missa em Rito Malabar nesse mesmo país.

7- MÚSICA RITUAL

O canto é parte necessária e integrante da liturgia. Não é algo que vem de fora para animar ou enfeitar a liturgia. Por isso devemos cantar a liturgia e não cantar na liturgia. Os cantos e músicas, executados com atitude espiritual e, condizentes com a Solenidade de hoje, ajudam a comunidade a penetrar no mistério celebrado. Portanto, não basta só saber que os cantos são da Solenidade dos Apóstolos Pedro e Paulo, é preciso executá-los com atitude espiritual. A escolha dos cantos deve ser cuidadosa, para que a comunidade tenha o direito de cantar o mistério celebrado. Jamais os cantos devem ser escolhidos para satisfazer o ego de um grupo ou de um movimento ou de uma pastoral. Não devemos esquecer que toda liturgia é uma celebração da Igreja corpo de Cristo e não de um grupo, de uma pastoral ou de um movimento.

“Não tem sentido, por exemplo, escolher os cantos de uma celebração em função de alguns que se apegam a um repertório tradicionalista, ou ainda de outros que cantam somente as músicas próprias de seu grupo ou movimento, nem de outros que querem cantar exclusivamente cantos ligados à realidade sócio-política, se isto vai provocar rejeição da parte da assembléia” (A música Litúrgica no Brasil, estudos da CNBB, página 78).

Ensina a Instrução Geral do Missal Romano que o canto de abertura tem por objetivo, além de unir a assembléia, inseri-la no mistério celebrado (IGMR nº 47). Nesse sentido o Hinário Litúrgico da CNBB nos oferece uma ótima opção, que gravado no CD: Festas Litúrgicas II.
1. Canto de abertura. O apóstolo Pedro, e Paulo, o doutor das nações, nos ensinaram, Senhor, a vossa lei. “Canta, meu povo!”..., CD: Festa Litúrgicas II, melodia da faixa 15.

2. Hino de louvor. “Glória a Deus nas alturas.” Vejam o CD Tríduo Pascal I e II e também no CD Festas Litúrgicas I; Partes fixas do Ordinário da Missa do Hinário Litúrgico III da CNBB e também a versão da CNBB musicado por Irmã Miria Reginaldo Veloso e outros compositores.

O Hino de Louvor, na versão original e mais antiga, é um hino cristológico, isto é, voltado para Cristo, que exprime o significado do amor do Pai agindo no Filho. O louvor, o bendito, a glória e a adoração ao Pai (primeira parte do Hino de Louvor) se desdobram no trabalho do Filho Único: tirar o pecado do mundo, exprimindo e imprimindo na história humana a compaixão do Pai. Lembremo-nos: o Hino de Louvor não se confunde com a “doxologia menor” (Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo). O Hino de Louvor encontra-se no Missal Romano em prosa ou nas publicações da CNBB versificado numa versão que facilita o canto da assembléia.

3. Salmo responsorial 18/19. “Os céus proclamam a glória do Senhor” CD: Festas Litúrgicas II, melodia da faixa 17.

O canto do Salmo responsorial, é a Palavra de Deus, isto é, uma espécie de leitura bíblica. O Salmo não vem de uma melodia, não inventa uma melodia, procure na Tradição da Igreja, naqueles trechos que a Igreja oferece a melodia certa. Na hora que o salmista chega no Ambão proponha e cante uma vez. Não diga quando chegar no Ambão Salmo responsorial o refrão será..., nada disso, isso só atrapalha. O salmista chega com calma diante do Lecionário (Livro da Palavra), cante sozinho (a), deixe que a assembleia responda, ele se cala, depois o salmista retoma os textos, as estrofes, cantou a estrofe, se cala, a assembleia retoma assim até o final. O salmista cantará o refrão só uma vez para iniciar, para isso precisa ensaiar a assembleia antes. O salmo responsorial que nunca pode ser mudado, ele é importante para que a Palavra de Deus que foi anunciada encontre em nós uma ressonância e se torne diante de Deus uma resposta.

4. Aclamação ao Evangelho. Ó Senhor, tu sabes tudo, tu sabes que eu te amo! (João 21,17d). Mesma música da faixa 18 do CD: Festas Litúrgicas II. O canto de aclamação ao evangelho acompanha os versos que estão no Lecionário Dominical, página 1027 ou Lecionário Santoral III, página 118.

5. Canto após a homilia. Após uns momentos de silêncio entoar um canto que confirme a confissão de Pedro. “Aleluia, tu és Pedro! Aleluia”, CD: Festas Litúrgicas II, melodia da faixa 21.

6. Apresentação dos dons. O canto de apresentação das oferendas, conforme orientamos em outras ocasiões, não necessita versar sobre pão e vinho. Seu tema é o mistério que se celebra acontecendo na fraternidade da Igreja reunida em oração, na Solenidade dos Apóstolos Pedro e Paulo. Devemos ser oferendas com nossas oferendas Expressemos nossa caridade neste momento da coleta do óbulo de São Pedro. “Quem nos separará?,...”, CD: Festas Litúrgicas II, melodia da faixa 19.

7. Canto de comunhão. “Simão, filho de João, tu me amas mais do que estes? Senhor, tu sabes tudo: tu sabes que eu te amo!”. “Toda a Igreja, unida, celebra a memória pascal do Cordeiro”, CD: Festas Litúrgicas II, melodia da faixa 20.

O canto de comunhão deve retomar o sentido do Evangelho do dia. As músicas do CD: Festas Litúrgicas II da Coleção: Cantos do Hinário Litúrgico da CNBB nos ajudam a viver melhor o mistério celebrado. Para comunhão, sugerimos o canto que está no CD, melodia da faixa 20, que une a mesa da Palavra e a mesa da Eucaristia. Esta é a sua função ministerial. Na realidade, aquilo que se proclama no Evangelho nos é dado na Eucaristia, ou seja: é o Evangelho que nos dá o “tom” com o qual o Cristo se dirige a nós em cada celebração eucarística reforçando estes conteúdos bíblico-litúrgicos, garantindo ainda mais a “unidade entre a mesa da Palavra e a mesa da Eucaristia”.

8- ESPAÇO CELEBRATIVO

1. O simbolismo da cruz traz presente o anúncio da paixão e ressurreição do Senhor. A cruz processional, a mesma que será usada na procissão de abertura, esteja na entrada da Igreja, por onde todos passam. É uma forma de trazer presente o mistério que será celerado. Ela pode ficar aí até o início da celebração, ladeada de velas e flores vermelhas, de forma que chame a atenção de todos os que vão chegando para a celebração.

2. Na entrada da Igreja poderia se colocar uma foto do Papa juntamente com uma estampa ou imagem de São Pedro e São Paulo com alguma frase do Evangelho ou das leituras.

3. Como já afirmamos, a cor litúrgica é o vermelho, lembrando o sangue derramado pelos Apóstolos Pedro e Paulo. É bom fazer um arranjo floral especial, mas simples, que evidencie a cor vermelha e a cor branca para que destaque o caráter festivo da celebração, para simbolizar o martírio como testemunho, porque celebramos a Páscoa de Jesus Cristo na vida dos apóstolos e mártires Pedro e Paulo. Seria interessante usar palmas vermelhas.

4. Usar a cor vermelha também na mesa da Palavra.

5. Diante do Ambão, onde se proclama a Palavra de Deus, ou junto a Cruz processional, pode-se colocar um ícone dos dois Apóstolos, ornamentado com pano vermelho, flores e incenso. Se não foi feito o Rito da Dedicação, colocar também duas velas acesas. No “Google imagens” basta digitar “ícone Pedro e Paulo” para se obter boas opções, caso não se encontre onde adquirir a imagem.

9. AÇÃO RITUAL

Nas igrejas onde foi feito o Rito da Dedicação, antes de iniciar a celebração, ascender as 12 ou 4 velas com o refrão meditativo: “Ó luz do Senhor, que vem sobre a terra...”.

Ritos Iniciais

1. Pode-se trazer logo depois da Cruz processional ou depois do Evangeliário, os ícones de Pedro e Paulo. Disponibilizamos no site www.calbh.com.br, duas imagens que podem servir às comunidades que não dispõem de uma iconografia litúrgica destes dois santos. O melhor é que servissem de modelo, para que algum artista da comunidade “escrevesse” o ícone (isto é, pintasse a imagem sacra. O termo escrever, em linguagem iconográfica, recorda que se trata da Escritura feito imagem. No caso, é a Escritura feito carne em Pedro e Paulo, testemunhas de Cristo). Pode-se também trazer estampas de outros mártires da caminhada.
2. Nesse caso, ambos os ícones podem ser postos junto à cruz caso ela permaneça no espaço, ou diante do Ambão. Aqui, um ensinamento de Cláudio Pastro: “No presbitério nunca se coloca imagens ou pinturas da Mãe de Deus ou de Santos, exceto as que já existem em igrejas anteriores ao Concílio Vaticano II, quando a concepção de espaço era outra”. Quando a Mãe de Deus for o trono de Cristo aí teremos exceção, pois o Cristo ainda permanece no centro. (...) Toda a Igreja será dedicada a Deus e, às vezes, em honra de um determinado santo (...) aí será bom destacar a centralidade do Cristo (que é aquele que tudo santifica) para esse santo. (...) Aqui é bom lembrar e distinguir o que é arte sacra e arte religiosa. Jamais arte de devoção estará no presbitério (Cláudio Pastro. O Deus da Beleza. Educação através da beleza. São Paulo: Paulinas, 2009, p. 103). É com base nestes dados que sugerimos ícones e que estejam junto à cruz de Jesus.

3. A saudação inicial pode ser a fórmula “d” Romanos 15,13:

O Deus da esperança, que nos cumula de toda a alegria e paz em nossa fé, pela ação do Espírito Santo, esteja convosco.

4. Após a saudação, quem preside ou o animador introduz o sentido litúrgico com palavras semelhantes:

Celebramos a memória dos Apóstolos Pedro e Paulo que tiveram suas vidas transformadas pelo encontro com Jesus Cristo. O seu amor pela Igreja e pelo Evangelho nos mostra, hoje, como em meio aos desafios do nosso tempo, seguir os passos de Jesus.

5. Na oração do dia suplicamos a Deus que nos conceda os auxílios necessários para a nossa salvação pela intercessão de Pedro e Paulo.

Rito da Palavra

1. Nas igrejas dedicadas é dia de se acender as 12 ou 4 velas da dedicação nas paredes simbolizando os Apóstolos como colunas da Igreja. Nas igrejas onde não foi celebrado o Rito da Dedicação, antes da proclamação das leituras, enquanto se canta um refrão meditativo para criar ambiente de escuta, acendem-se as duas velas diante dos ícones que está à frente da Mesa da Palavra e depõe-se o incenso. Não tem sentido acender as duas velas nas igrejas onde foi feito o Rito da Dedicação. O refrão pode ser:

Ó luz do Senhor, que vem sobre a terra, inunda meu ser, permanece em nós.

2. Nas igrejas onde foi feito o Rito da Dedicação, abrir o rito da Palavra, recordando brevemente a vida de Pedro e Paulo. Antes de proclamar as leituras, duas pessoas, previamente preparadas, uma conta vida de Pedro e a outra a vida de Paulo. Fazer uma ligação entre a Páscoa deles, a Páscoa de Jesus e a nossa Páscoa hoje. Em seguida como refrão meditativo, sugerimos “A voz de Deus se espalha”. A melodia está disponível no site www.calbh.com.br.

3. Após a homilia, seria interessante um tempo de contemplação silenciosa do Mistério Pascal em Pedro e Paulo, mediada pelo canto “Entoemos hinos”, da comunidade de Taizé. A melodia será encontrada no CD: Alegria em Deus (Paulinas). Em seguida queimar incenso diante dos ícones, ou mesmo incensar com o turíbulo enquanto se entoa o hino que recorda a ação de Deus em seus anjos e santos. A assembléia pode retomar a resposta de amor de Pedro: “Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo”. Repetir várias vezes. Em seguida renovar sua própria profissão de por meio do “Creio”. Podem ser renovadas as promessas do Batismo ou os ministros e ministras renovarem o compromisso assumido. Poderia ser com a renovação das promessas batismais, em forma dialogada, diante do Círio pascal aceso, no estilo da Vigília Pascal.

Rito da Eucaristia

1. O presidente da celebração deve motivar com muita convicção a coleta deste domingo chamado “Óbulo de São Pedro” que é destinada à caridade pessoal do papa. Hoje é realizada, em todo o mundo, uma coleta especial chamada “Óbulo de São Pedro”, cujos resultados que será encaminhada a Roma para manter inúmeras obras de caridade e ajuda às nações mais sofridas do mundo, sobretudo nas calamidades, catástrofes etc.

2. Na incensação das oferendas, não se esquecer de incensar os ícones ou imagens de Pedro e Paulo. A ordem da incensação ficaria assim: o padre incensa as oferendas, o Altar, a cruz e os ícones. O ministro do incenso (turiferário) incensa o padre, outros padres se houver, e o povo. Seria bom ser um pouco mais generoso na incensação do povo... O canto de apresentação dos dons deve prosseguir enquanto durar a incensação.

3. A oração sobre as oferendas nos convida a alegrar-nos pela festa de Pedro e Paulo e suplicamos a Deus que nos dê a salvação.

4. O prefácio próprio exigirá que se escolha entre as orações eucarísticas I, II ou III. As demais não podem ter os prefácios substituídos sem grave prejuízo para a unidade teológica e literária da eucologia. No prefácio damos graças ao Pai pelo fundador da Igreja e pelo teólogo e missionário.

5. Para as celebrações da Palavra, cantar a louvação em forma de Bendito indicada para a celebração da Palavra, cuja melodia foi gravada no CD: “Ação de Graças no Dia do Senhor”, produzida pela Paulinas/Comep, faixa 21 (ver Hinário Litúrgico III p. 71). Prefácio popular em forma de Bendito para as celebrações da Palavra:

6. Ao apresentar o pão e o vinho, isto é, o convite à comunhão, o presidente da celebração mostrando o cálice e a ambula ou patena diz o versículo bíblico do Salmo 33,9 e que se encontra no Missal Romano:

Provai e vede como o Senhor é bom; feliz de quem nele encontra seu refúgio. Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo!

7. A comunhão expressa mais nitidamente o mistério da Eucaristia quando distribuída em duas espécies, como ordenou Jesus na última ceia, “tomai comei, tomai bebei”. Vale todo esforço e tentativa no sentido de se recuperar a comunhão no Corpo e Sangue do Senhor para todos, conforme autoriza e incentiva a Igreja. “A comunhão realiza mais plenamente o seu aspecto de sinal quando sob as duas espécies. Sob essa forma se manifesta mais perfeitamente o sinal do banquete eucarístico e se exprime de modo mais claro a vontade divina de realizar a nova e eterna Aliança no Sangue do Senhor, assim como a relação entre o banquete eucarístico e o banquete escatológico no Reino do Pai” (IGMR, nº 240).

8. O silêncio após a comunhão: concluída a comunhão eucarística, reservar um breve momento de silêncio.

Ritos Finais

1. Na Oração após a comunhão suplicamos a Deus que nos fortaleça com o sacramento da Eucaristia.

2. Para confirmar a missão recebida, recordam-se os compromissos (os avisos, comunicações), propostos como expressões do envio. Portanto, feitos com objetividade, clareza e a devida motivação, para maior envolvimento da comunidade. Evitem longos comentários sobre cada aviso.

3. Há uma bênção final para a Solenidade de São Pedro e São Paulo (Missal Romano, página 527).

10- CONSIDERAÇÕES FINAIS

Com o Apóstolo Pedro testemunhamos que Jesus ó o Filho de Deus. Com o Apóstolo Paulo somos convocados a anunciar esta verdade ao mundo, sendo discípulos e discípulas missionários do Divino Mestre.

Celebremos a Páscoa do Senhor na vida e no ministério dos apóstolos e mártires Pedro e Paulo.

O objetivo da Igreja e é ajudar os padres e as comunidades de nossa diocese e todas aquelas outras comunidades fora de nossa diocese que acessar nosso site celebrar melhor o mistério pascal de Cristo.

Um abraço fraterno a todos
            Pe. Benedito Mazeti

quinta-feira, 21 de junho de 2018

SOLENIDADE DA NATIVIDADE DE SÃO JOÃO BATISTA - MISSA DA VIGÍLIA


23 de junho de 2018

Leituras

               Jeremias 1,4-10. Eis que ponho minhas palavras em tua boca
               Salmo 70/71,1-6.15.17. Sois meu apoio desde antes que eu nascesse.
               1Pedro 1,8-12. Sem ter visto o Senhor, vós o amais.
               Lucas 1,5-17. Ele reconduzirá muitos do povo de Israel ao Senhor seu Deus.


“NÃO TENHAS MEDO, ZACARIAS, PORQUE DEUS OUVIU TUA SÚPLICA”


1- PONTO DE PARTIDA

Celebramos hoje, solenemente, o nascimento de João Batista. João é muito lembrado pela tradição popular brasileira. O “São João” remete à festa, dança, comida, música, fogueira... enfim alegria contagiante.

No século VI, a Igreja Católica reservou o dia 24 de junho para comemorar o nascimento de João Batista. As comemorações foram ampliadas no século XIII, incluindo-se o dia da morte de Santo Antônio de Pádua, 13 de junho, e o da morte de São Pedro, 29 de junho.

Como dizia Santo Agostinho: A Igreja celebra o nascimento de João como um acontecimento sagrado. Dentre os nossos antepassados, não há nenhum cujo nascimento seja celebrado solenemente. [...] João apareceu, pois, como ponto de encontro entre os dois Testamentos, o Antigo e o Novo. E Santo Agostinho ainda dizia: "Tu diminuis, João, porque te cortaram a cabeça, e Ele, o Cristo, crescerá com a Cruz!".

João Batista foi o maior de todos os profetas, como testemunha o próprio Jesus (cf. Lucas 7,26-28), e apontou o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (cf. João 1,29-36). Foi também um asceta que atraiu o povo por sua austeridade de vida. O nome João significa “o Senhor se compadece”. Celebrar o seu nascimento nos junta à alegria de Isabel, de Zacarias, dos vizinhos, pois afinal Deus se lembra de nós.

2- REFLEXÃO BÍBLICA, EXEGÉTICA E LITÚRGICA

            Primeira leitura – Jeremias 1-4-10. O profeta Jeremias narra sua vocação num poema de três estrofes.

a) A primeira estrofe (versículos 4-5) insiste na predestinação do profeta. Estas se manifesta em três níveis: a preexistência no pensamento divino, a consagração no seio materno, a investidura oficial como profeta sobre as nações. A predestinação é uma maneira de afirmar a comunhão total entre Deus e seu profeta.
                       
            b) a palavra humana é incapaz de trazer em si a Palavra de Deus. Jeremias constata melhor esse fato, tanto mais que experimenta algumas dificuldades em se exprimir (versículos 6-7). É um tema corrente quando se trata de trazer presente a vocação dos profetas: Moisés gagueja (Êxodo 4,10-12), Isaias teve que purificar seus lábios (Isaias 6,1-6) e os melhores anunciadores da salvação freqüentemente foram vítimas de mudez ou de gagueira (Marcos 7,31-37). O tema destaca a comunhão entre Deus e seu profeta, assim como a iniciativa de Deus no ministério do profeta.

c) A última estrofe insiste na coragem que será necessária ao profeta (versículos 8-10). No momento em que redige esse poema, Jeremias já percebeu a hostilidade do povo para consigo. Por isso, ele se compara ao soldado diante do inimigo e ao juiz leal que pronuncia sua sentença sem se deixar impressionar.

O relato da vocação de Jeremias introduz à compreensão da personalidade religiosa de João Batista. Também se responde a um apelo de Deus, que o tocou desde o seio de sua mãe.  Também ele proclamará uma palavra que não é sua: a inauguração próxima do Reino que, nos termos em que Jesus o proclamará, vai surpreender o próprio João Batista. Também ele conhecerá a oposição do povo; será jogado na prisão e aí morrerá.

Sem anular, ou limitar a liberdade humana, Deus conhece cada pessoa desde sempre e faz para ela os Seus projetos. Foi o que aconteceu com Jeremias e com João Batista: com o profeta que viveu no ocaso da monarquia judaica e com o profeta que anunciou o Cristo, “o sol que nasce do alto” (Lucas 1,78). Ambos tiverem que enfrentar dificuldades humanamente insuperáveis. Jeremias desabafou cinco vezes narrando a sua amargura, fadigas e alegrias (cf. as “confissões”); e João, pela inveja e a leviandade do rei Herodes Antipas, acabou na prisão e morreu decapitado. Ambos, porém, foram buscar a sua força e confiança em Deus que sentiram sua presença ao seu lado, mesmo nas dificuldades.

A situação religiosa atual é parecida à deles. Já antes do nosso nascimento, o Senhor concebeu o Seu projeto a nosso respeito chamando-nos à fé cristã (cf. 1Coríntios 1,2; Romanos 1,7); e como Jeremias e João Batista, nós temos que ultrapassar várias dificuldades. Pedro exorta-nos: “Irmãos, procurai firmar a vossa vocação e eleição (2Pedro 1,10).

Salmo responsorial – 70/71,1-6.15.17. O Salmo começa com uma lamentação, com invocação, pedidos e títulos divinos, com referência ao santuário: para mover a Deus e estimular a própria confiança. Dá uma olhada para o passado: desde a juventude, desde o ventre materno experimentou o apoio de Deus: esta proteção divina foi revelada para muitos outros, e foi tema de contínuo louvor.

A confiança é intensa e segura e contempla de maneira convicta a salvação. No versículo 17 reaparece o tema, abreviado o tema da juventude e da velhice: se os benefícios de Deus no passado foram sendo convertidos em louvor e proclamação pelo salmista, o mesmo acontecerá com a nova salvação que ele espera.

O salmo mostra Deus como o único que salva e liberta. Em um conflito mortal, é a Deus que se deve recorrer, na esperança de não ser envergonhado. Como Jeremias e Jesus que confiaram em Deus desde a juventude, o Salmo suplica que o Senhor seja rocha e muralha sempre acessível. O Senhor é apoio desde o seio, desde o ventre materno é a parte radical do profeta.

O rosto de Deus no Salmo 70/71 é muito interessante. Muitos detalhes compõem um rosto extraordinário de Deus neste Salmo. Ao longo da vida, esse ancião sempre confiou em Deus e, se suplica, é porque continua confiando no Senhor que não falha. É também interessante a Aliança entre eles desde o ventre materno (versículo 6). Os versículos iniciais (2-3) apresenta Deus com as tradicionais imagens da rocha de refúgio (rochedo) e da fortaleza ou cidade fortificada. Sinais da confiança inabalável no parceiro aliado e fiel.

Como podemos ver em outros salmos de súplica, Jesus escutou todos os clamores e não decepcionou aqueles que depositaram Nele sua confiança. Salvou todas as vidas que corriam perigo, vencendo até o inimigo maior, a morte.

Coloquemos no Senhor a nossa confiança, pois é Nele que está a nossa força:

DESDE O SEIO MATERNAL, SOIS MEU AMPARO.

Segunda leitura – 1Pedro 1,8-12. Esta leitura é extraída da grande doxologia (glorificação) (1Pedro 1,3-12) que inaugura a primeira Carta de Pedro. O autor da primeira carta de Pedro parece inspirar-se num antigo hino cristão que poderia ter sido concebido em três estrofes dedicadas sucessivamente ao louvor do Pai, autor da nova criação (parafraseado nos versículos 3-5), do Filho, motivo de nosso amor até na provação (parafraseado nos versículos 6-9) e do Espírito manifestado nos profetas e nos pregadores (parafraseado nos versículos 10-12).  Existe uma outra paráfrase desse hino em Tito 3,4-8.

Em seu corte litúrgico, a passagem de hoje desenvolve alguns pontos essenciais da história da salvação. Lembra-nos que Cristo é o seu centro e que é em função desse centro que devemos compreender o papel dos profetas e dos evangelistas.

Tal como apresentada pelo Novo Testamento, a mensagem de João Batista coloca singularmente em relevo o vínculo do profetismo com a pessoa de Cristo. João Batista é o Precursor do Messias: só intervém para preparar os caminhos do Senhor e não tomar o seu lugar. Toda a sua vida se polariza pela intervenção iminente da salvação na pessoa de Cristo. Sem essa relação com Cristo, o profetismo perde sua verdadeira significação.

A liturgia escolheu este breve trecho da Primeira Carta de Pedro porque nele se afirma que os profetas “procuraram descobrir a respeito desta salvação” (cf. versículo 10). Adapta-se bem, por isso, à missão de João Batista, que “antes de nascer, exultou de alegria no ventre de Isabel, sentindo a presença do Salvador” (Prefácio).

Mas o texto diz mais: ajuda-nos a descobrir cada vez melhor a dignidade do nosso chamamento e a meta para a qual ela nos leva. “Sem ter visto o Senhor, vós o amais”. Isso nos faz lembrar outra bem-aventurança: “Bem-Aventurados os que creram sem ter visto” (João 20,29). Esta fé no amor faz-nos exultar “de alegria inefável e gloriosa” (versículo 8), porque está penetrada na glória futura quando todo o nosso ser tiver alcançado a salvação. “O Espírito de Cristo” (versículo 11), que iluminava os cristãos a respeito da glória e do sofrimento do Messias, ilumina a todos nós com o Evangelho da salvação.

Evangelho – Lucas 1,5-17. Depois do prólogo inicial, Lucas narra o anúncio do nascimento de João Batista. O trecho está situado na Palestina no tempo do rei “Herodes”, o Grande (versículo 5), falecido no ano 4 antes de Cristo. Zacarias e sua esposa Isabel, descendentes de Aarão, vivem intensamente a sua piedade hebraica, são já idosos e não tem filhos (versículos 5b-7). Enquanto Zacarias oferece no Templo o sacrifício do incenso a Deus, o anjo do Senhor anuncia-lhe que terá um filho, o qual será profeta do Altíssimo, asceta, precursor do Messias (versículo 8-17).

A idade avançada de Zacarias e Isabel e a esterilidade dela (versículo 7) sugerem a Lucas uma aproximação com Abraão e Sara (comparar os versículos 7 e 18 com Gênesis 18,11; o versículo 13 com Gênesis 17,19 e o versículo 18 com Gênesis 15,8). Contudo, o paralelo se interrompe na identidade das condições físicas nos dois casais: não podemos deduzir que Zacarias fosse um novo Abraão e João Batista um novo Isaac.

João Batista é apresentado como filho do clã de Abias (versículo 5), clã bastante desprezado se o julgarmos conforme as observações menosprezadoras do Talmud. Isso talvez explique a ruptura posterior de João Batista como sacerdócio politizado e aristocrático de Jerusalém.

O nascimento de João Batista é anunciado como de um profeta. Todos os seus traços característicos são destacados: vida de penitência (versículo 15; cf. Números 6,1-8; Mateus 11,18), a vocação manifestada desde o nascimento (versículo 15b; cf. Jeremias em Jeremias 1,5, o servo em Isaias 49,1-5 e Samuel em 1Samuel 1,11) e a posse do Espírito (Joel 3,1-3) que o aproxima singularmente de  dos apóstolos do Pentecostes (Atos 4,8; 8,29; 6,3-5; 7,55) Mas é principalmente a figura de Samuel que Lucas retém para caracterizar o profetismo de João Batista. Como Samuel (1Samuel 2,21), João é “grande” em presença do Senhor (versículo 15); como ele nasce de um seio estéril (versículo 15; cf. 1Samuel 1,11).

Último traço: João Batista será precursor à maneira de Elias (versículo 17) para afirmá-lo, Lucas retoma Malaquias 3,23-24, corrigido por Eclesiástico 48, 10-11.

O anjo mensageiro – trata-se do anjo Gabriel, cujo papel, segundo Lucas, é messiânico (cf. Daniel 8,16; 9,21) – aparece no meio de uma liturgia (versículo 11). Enquanto que Mateus apresenta Jesus sob os traços de um rabino itinerante (Mateus 4,12-17, Lucas é mais liturgista (começa e conclui seu Evangelho no templo: Lucas 1,5-23; 24,50-53), faz o ministério de Jesus Cristo iniciar-se na liturgia da sinagoga do sábado. Sendo o sacrifício o lugar ideal de encontro entre Deus e seu povo, é normal que os anjos encarregados de transmitir aos homens a vontade de Deus apareçam na fumaça do sacrifício (Gênesis 22,11-18; Josué 6,2-22; 13,16-20; 1Crônicas 21,18-30; Gênesis 28,12).

Além disso, o evangelista Lucas vê nas aparições dos anjos (Lucas 1,2, passim; Atos 1,10; 5,19; 8,26; 10,3) o sinal de que as barreiras entre o céu e a terra foram rompidas e que uma epifania do mundo celeste vai irradiar-se pela terra dos homens.

A falta de um filho, tão desejado e pedido a Deus, não impede Zacarias e Isabel de manterem um compromisso religioso irrepreensível “aos olhos de Deus (versículo 6), que os ilumina e acalma.  O culto litúrgico desempenhado no Templo em turnos definidos “na presença do Senhor” (versículo 8), fortalece espiritualmente Zacarias. Surge uma reflexão : a vida religiosa, se a vivermos com vigor interior, ajuda-nos a enfrentar as provações da vida ou, se for o caso, a vivê-las sem perder a esperança.

Assim a oração de Zacarias foi atendida para além do pedido. A própria fidelidade a Deus manifesta-se nas nossas orações, quando o Pai acolhe as nossas súplicas concedendo-nos o Espírito Santo (cf. Lucas 11,13).

3- DA PALAVRA CELEBRADA AO COTIDIANO DA VIDA

Refletindo entre o Evangelho e o Livro dos Atos dos Apóstolos, limitamo-nos aos seguintes pontos de contato, que podem servir de sugestões para a nossa vida: o clima de fé e de serenidade; a presença atuante do Espírito Santo; a alegria espiritual; o empenho vigoroso no cumprimento das boas obras. A serenidade do casal Zacarias e Isabel, “ambos justos aos olhos de Deus” (Lucas 1,6, permanece inabalável apesar da frustração de não terem filhos. Zacarias continua a exercer o seu ofício de sacerdote no serviço do Templo de Jerusalém. Do mesmo modo, a Igreja nascente vive em serenidade, “louvavam a Deus e eram estimados por todo o povo” (Atos 2,47). Também nós somos encorajados a viver com a mesma atitude de alegria interior, através do encontro com Deus, especialmente mediante o mistério eucarístico ( no “partir do pão”” Atos 2,42).

João “será cheio do Espírito Santo desde o seio materno” (Lucas 1,15; cf. 1,41.44). O que é esboçado em Lucas 1,2, onde o Espírito Santo tem um papel importante, torna-se realização plena na Igreja que nasce do Pentecostes e que, sob a ação do Espírito Santo, com a pregação se lança a conquistar o mundo para Cristo (cf. Atos 1,8). É mediante “o Espírito de Cristo” (segunda leitura: 1Pedro 1,11) que o Evangelho chegou à nossa vida e que devemos realizá-lo no dia-a-dia.

Celebrar o nascimento de João Batista nos faz experimentar o Deus que é favorável ao seu povo, como fizeram Isabel, Zacarias, os vizinhos. A pessoa de João Batista, simples, humilde, austera nos ajuda a rever nossas opções e atitudes.

Como dizia Santo Agostinho, João representa a passagem do Primeiro para o Novo Testamento. João recebeu a missão de profeta, assumiu a vida de penitência e foi chamado de “o batista”. Foi fiel a todas as missões. Ele é um profeta que, além anunciar, vai às pessoas, apontando o caminho do Senhor. Recebeu do próprio Jesus um grande elogio: “Digo-vos que dentre os nascidos de mulher não há maior do que João; mas o menor no Reino de Deus é maior do que ele” (Lucas 7,28). Pelo batismo cristão, nós também recebemos a missão de profetizar, denunciando como João a injustiça, a mentira, a opressão.

João é o santo do povo. Juntamente com a alegria, a dança, a comida e a bebida utilizadas nas festas populares em torno desse santo, que brotem com força, em nossa vida pessoal e nas comunidades, o exemplo, a coragem e a capacidade de se abaixar desse homem que soube ocupar o seu lugar na história da salvação.

4- A PALAVRA SE FAZ CELEBRAÇAO

João Batista entre os dois Testamentos

Poucos santos foram e são tão populares em todo o mundo cristão como este santo. Cantos, danças folclóricas, fogueiras e quadrilhas, foguetes além das procissões e mastros, são os aspectos típicos da festa de João Batista.Você pode perguntar porque tanta devoção e tanta festa.

Ele é o único santo, além de Nossa Senhora, em que se festeja o nascimento. Não podemos esquecer que seu nascimento é uma espécie de Natal antecipado porque foi anunciado pelo anjo do Senhor.

Santo Agostinho, em um de seus sermões, chama a atenção para o fato de que João se encontra no limite entre dois tempos, ou estes dois testamentos. Mas, antes, recorda o fato de que só o nascimento de João, entre os antigos, é celebrado solenemente, como celebramos também o de Cristo. Santo Agostinho coloca em paralelo e compara João e Cristo. O primeiro nasce de “uma mãe anciã e estéril” e o segundo de uma “jovem e virgem”. Dois nascimentos singulares. João é considerado o último dos profetas na linha do profetismo antigo. No seio materno e em seu reconhecimento da voz de Maria, a Mãe do Salvador, encontra-se a chave de compreensão do lugar de João Batista. O nascer de pais idosos indica, segundo Santo Agostinho, que ele representa o Antigo Testamento, enquanto anuncia o Novo e, por isso, é declarado profeta ainda no seio materno. O fato de reconhecer a voz da “Mãe de seu Senhor” e sua exaltação aponta para sua relação com Cristo que estava para nascer. É o último que contempla a realização das promessas, já no seio de sua mãe.

Ouvir a voz de Deus

O nascimento de João inaugura um novo tempo: o do movimento de abertura e preparação do povo para a acolhida de Jesus. Na fronteira de um período de surdez à voz de Deus e o momento em que esta será ouvida plenamente em Cristo está João com seu convite constante a cada cristão: ter ouvidos atentos para ouvir a Palavra de Deus que vem ao nosso encontro na pessoa do Filho amado. Não sejamos surdos à voz e, principalmente à vida do Batista, que nos apontou o caminho da fé cristã que rompe as distancias entre Deus e a pessoa humana.

5- LIGANDO A PALAVRA COM A AÇÃO EUCARÍSTICA

Em cada celebração, “o anúncio da Palavra de Deus repete o tema que João fazia ressoar às margens do Jordão: ‘Convertei-vos’. A narrativa da Ceia do Senhor, no centro da Oração Eucarística, é um trecho daquele Evangelho que nos deve levar também a perguntar com fé à Igreja que no o propõe: ‘que devemos fazer?’ (Atos 2,37). A resposta de Cristo, corpo-dado e sangue-derramado, é ‘Fazei isto em memória de mim!’. A vida, o martírio, do Batista é uma das inúmeras respostas-memorial que sempre sobem ao Pai por Cristo, com Cristo e em Cristo”.

João recebe o nome de grande por ser o menor. Parece parodoxo, mas é realidade. Ele não é o Messias, mas aponta para Ele; assim ele aparece na Palavra da Escritura e nos textos das orações inspirados nessa mesma palavra. Vejamos os textos eucológicos (orações): “Houve um homem enviado por Deus; o seu nome era João. Veio dar testemunho da luz e preparar para o Senhor um povo bem-disposto a recebê-lo” (antífona de entrada). “Ó Deus, que suscitastes São João Batista a fim de preparar par ao Senhor um povo perfeito, concedei a vossa Igreja as alegrias espirituais e dirigi nossos passos no caminho da salvação e da paz [...]” (oração do dia).

Lucas falando do nascimento de João Batista e a Igreja celebrando esse acontecimento na liturgia, diz-nos que somos membros vivos na Igreja que sempre está colocando em prática a dimensão profética.

Fortalecidos por essa esperança, possamos ser anunciadores da Boa Nova da Salvação e precursores de um mundo novo, fraterno, digno e harmonioso. Que a presença do Salvador em nossa caminhada nos dê a alegria da salvação que João teve desde o ventre de Isabel para vencermos os medos, as perseguições, as tristezas e as incertezas.

6. ORIENTAÇÕES GERAIS

1. É uma das celebrações que exige uma preparação especial por parte da equipe de liturgia do presidente da celebração e possibilita a valorização de elementos da piedade popular, mas com muito cuidado para não cair no folclore, no sentimentalismo e no individualismo religioso.

2. A cor litúrgica a ser usada é o branco ou o dourado.

3. Não chegue na última hora para a celebração da Missa. Chegue com certa antecedência, porque é bom que você domine o tempo, em vista do que é prioritário no seu ministério. Assim poderá ter alguns minutos de silêncio para encontrar calma, para interromper seu trabalho às vezes frenético, para tornar-se bem consciente do que está se preparando para celebrar: o mistério da fé, da esperança e do amor.

4. É bom lembrar que no dia 25 é o Dia do Migrante. Dia 26 é o Dia Internacional de Combate às Drogas e da Criação da ONU. Dia 28, é memória de Santo Irineu, bispo de Lyon e mártir.

7- MÚSICA RITUAL

O canto é parte necessária e integrante da liturgia. Não é algo que vem de fora para animar ou enfeitar a liturgia. Por isso devemos cantar a liturgia e não cantar na liturgia. Os cantos e músicas, executados com atitude espiritual e, condizentes com cada domingo, ajudam a comunidade a penetrar no mistério celebrado. Portanto, não basta só saber que os cantos são da Solenidade do Nascimento de São João Batista, é preciso executá-los com atitude espiritual. A escolha dos cantos deve ser cuidadosa, para que a comunidade tenha o direito de cantar o mistério celebrado.

A equipe de canto faz parte da assembléia. Não deve ser um grupo que se coloca à frente da assembléia, como se estivesse apresentando um show. A ação litúrgica se dirige ao Pai, por Cristo, no Espírito Santo. Portanto, a equipe de canto deve se colocar entre o presbitério e a assembléia e estar voltada para o altar, para a presidência e para a Mesa da Palavra.
1. Canto de abertura. Ele será grande diante do Senhor; estará cheio do Espírito Santo desde o seio materno, e muitos se alegrarão com seu nascimento (Lucas 1,15.14. “Antes que formasse dentro do seio de tua mãe”, CD: Festas Litúrgicas II, melodia da faixa 10. Seu texto explica a missão dos profetas de ontem e de hoje.

Ensina a Instrução Geral do Missal Romano que o canto de abertura tem por objetivo, além de unir a assembléia, inseri-la no mistério celebrado (IGMR nº 47).

2. Hino de louvor. “Glória a Deus nas alturas.” Vejam o CD Tríduo Pascal I e II e também no CD Festas Litúrgicas I; Partes fixas do Ordinário da Missa do Hinário Litúrgico III da CNBB e também a versão da CNBB musicado por Irmã Miria Reginaldo Veloso e outros compositores.

O Hino de Louvor, na versão original e mais antiga, é um hino cristológico, isto é, voltado para Cristo, que exprime o significado do amor do Pai agindo no Filho. O louvor, o bendito, a glória e a adoração ao Pai (primeira parte do Hino de Louvor) se desdobram no trabalho do Filho Único: tirar o pecado do mundo, exprimindo e imprimindo na história humana a compaixão do Pai. Lembremo-nos: o Hino de Louvor não se confunde com a “doxologia menor” (Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo). O Hino de Louvor encontra-se no Missal Romano em prosa ou nas publicações da CNBB versificado numa versão que facilita o canto da assembléia. 

3. Salmo responsorial 70/71. Sois meu apoio desde antes que eu nascesse. “Desde o seio maternal, sois meu amparo”, CD: Festas Litúrgicas II, melodia da faixa 11.

O Salmo responsorial é uma resposta que damos àquilo que ouvimos na primeira leitura. Isto mostra que o salmo é compromisso de vida e ele também atualiza e leitura para a comunidade celebrante. Primeira leitura, Palavra proposta e salmo Palavra resposta. Por isso deve ser cantado da Mesa da Palavra (Ambão) por ser Palavra de Deus. Valorizar bem o ministério do salmista.

4. Aclamação ao Evangelho. João veio dar testemunho da Luz. (João 1,7; Lucas 1,17). “Aleluia... “João veio dar testemunho da Luz; a fim de preparar um povo bem disposto, para a vinda do Senhor”, CD: Festas Litúrgicas II, mesma melodia da faixa 12. O canto de aclamação ao evangelho acompanha os versos que estão no Lecionário Dominical, missa da vigília, página 1016.

5. Apresentação dos dons. A nossa dimensão profética se concretiza na partilha dos bens em favor do culto e da missão da Igreja. Devemos ser oferenda com nossas oferendas. “Bendito seja Deus Pai, do universo criador”, CD: Liturgia VII, melodia faixa 12.

6. Canto de comunhão. Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, que visitou e libertou o seu povo! (Lucas 1,68). “Houve um homem enviado por Deus para ser testemunha da luz”, CD: Festas Litúrgicas II, melodia da faixa 13; “Jesus passa e o Batista o aponta: “Eis aí o Cordeiro de Deus!”, CD: Liturgia VI, melodia igual à faixa.

O canto de comunhão deve retomar o sentido do Evangelho do dia. As músicas do CD: Festas Litúrgicas II da Coleção: Cantos do Hinário Litúrgico da CNBB nos ajudam a viver melhor o mistério celebrado. Para comunhão, sugerimos o canto que está no CD melodia da faixa 13, que une a mesa da Palavra e a mesa da Eucaristia. Esta é a sua função ministerial. Na realidade, aquilo que se proclama no Evangelho nos é dado na Eucaristia, ou seja: é o Evangelho que nos dá o “tom” com o qual o Cristo se dirige a nós em cada celebração eucarística reforçando estes conteúdos bíblico-litúrgicos, garantindo ainda mais a “unidade entre a mesa da Palavra e a mesa da Eucaristia. Outro canto muito oportuno para esta Solenidade é: Jesus passa e o Batista o aponta: “Eis o Cordeiro de Deus!”. As estrofes são do canto de Zacarias, “Bendito o Deus de Israel, que a seu povo visitou”, Lucas 1,67-79. Este canto nos ajuda a entender as missão de João Batista e a nossa de apontar Jesus o Cordeiro de Deus.

8- ESPAÇO CELEBRATIVO

1. A Igreja deve ser ornamentada com simplicidade, recordando o estilo profético e austero de João. Preparar o espaço celebrativo de forma festiva para lembrar a alegria do nascimento de João Batista usando o branco ou o dourado.

2. Para ajudar na reflexão e na oração da assembléia, colocar, junto da Mesa da Palavra uma imagem de João Batista. Pode também ser um quadro ou ícone.

9. AÇÃO RITUAL

Se a celebração for a noite, onde for possível, pode ser iniciada ao redor de uma fogueira. Enquanto as pessoas vão chegando canta-se: “Louvarei a Deus, seu nome bendizendo! Louvarei a Deus, à vida nos conduz”. (Orações e cantos de Taizé, n. 71).

Ritos Iniciais

1. Quando o momento de iniciar a celebração, você que preside faz o ingresso. Entre na paz, na alegria interior, na serenidade, disposto, sem pressa, sabendo que você, com esse ingresso, deve mostrar o Cristo que está chegando. Você há de ser um “sinal” da vinda do Kyrios (Senhor) em nosso meio. Sim, Cristo continua invisível, mas é Ele quem realmente é o celebrante. E a liturgia acontece na comunhão entre a Igreja na terra e a assembléia das criaturas celestes e dos santos ao redor Dele, o Cordeiro que está diante do trono (cf. Apocalipse 5,6-14; 7,9-17).

2. Na celebração da vigília não pode faltar o incenso.

3. A saudação inicial do presidente deve começar trazendo esperança. Seria oportuno a saudação da página 390, d) do Missal Romano:

O Deus da esperança, que nos cumula de toda a alegria e paz em nossa fé, pela ação do Espírito Santo, esteja sempre convosco.

4. O sentido litúrgico pode ser proposto, através das seguintes palavras, ou outras semelhantes:

Celebramos hoje, solenemente, o nascimento de João Batista. O nascimento de João é um sinal da vontade salvífica de Deus que vai se cumprindo na vida do povo, em meio aos acontecimentos simples e quotidiano.
5. Antes da Recordação do Batismo, será bem-vinda a Recordação da Vida de São João Batista. Importante neste momento não antecipar o Evangelho a ser proclamado que narra seu nascimento, mas, brevemente falar de seu significado para a tradição cristã.

6. Proceda-se a bênção da água e aspersão da assembléia em recordação do Batismo no lugar do Ato Penitencial.

7. O Hino de louvor “Glória a Deus nas alturas” é antiqüíssimo e venerável, com ele a Igreja, congrega no Espírito Santo, glorifica e suplica a Deus e ao Cordeiro. Não é permitido substituir o texto desse hino por outro (cf. IGMR n. 53). O CD: Festas Litúrgicas I propõe, na faixa 2, uma melodia para esse hino que pode ser cantado de forma bem festivo, solista e assembléia. Cantar com alegria e convicção nesta Solenidade.

8. Na Oração do Dia, suplicamos a Deus todo poderoso como família reunida em assembléia que atenta às exortações de João Batista, cheguemos ao Cristo redentor que ele anunciou.

Rito da Palavra

1. As leituras sugeridas pelo Lecionário, para esse dia, foram escolhidas levando-se em consideração a característica da Missa da Vigília desta Solenidade, portanto devem ser bem preparadas e lidas compassadamente pelos leitores.

2. Dar destaque maior à proclamação do Evangelho, que hoje pode ser cantado e o livro, incensado como favorece o próprio Evangelho que narra Zacarias na sua função sacerdotal oferecendo o incenso na presença do Senhor.

3. Ao final da Liturgia da Palavra, quem preside pode fazer uma oração sobre o povo, impondo as mãos sobre a assembléia, conforme o Missal Romano propõe e orienta. Sugerimos a fórmula 25, página 534
           
4. As preces, como sugere o Missal Romano, são feitas do Ambão e recordem a vocação do povo de Deus para o anúncio do Reino e para o testemunho da presença do Cordeiro de Deus no mundo. Atenção à estrutura das preces sobre a qual falamos no roteiro do domingo anterior, evitando-se formas indiretas: “para que...”, “pela nossa...”, “a fim de que...”. recordem o aspecto memorial e a suplica seja feita com base no que foi recordado. São formas de se valorizar a Palavra na celebração.

Rito da Eucarística

1. Na Oração sobre as Oferendas suplicamos a Deus que olhe as oferendas do povo e que tenhamos uma vida devotada ao serviço de Deus.

2. O Prefácio é o da Natividade de São João Batista e a Oração Eucarística III que ressalta quatro vezes a palavra sacrifício, isto é, fazer algo sagrado. Ela evidencia que a nossa vida deve ser um sacrifício do nascer ao por do sol. O prefácio evidencia  que João é o maior entre os nascidos de mulher.

3. O rito da Fração do Pão, durante o Cordeiro de Deus, deve ser evidente para a assembléia. Assim como o profeta João apontou o Cordeiro de Deus, também nós devemos segui-Lo em seu gesto de doação e entrega pela vida do mundo.

Ritos Finais
           
1. Na Oração após a comunhão, suplicamos a Deus que como João Batista, também apontamos o Cristo que tira o pecado do mundo.

2. Preparar um testemunho sobre a profecia em nosso tempo. Quem hoje, na vida da comunidade ou da sociedade exerce o papel de profeta, denunciando as maldades e injustiças do mundo e anunciando a chegada do Reino e a presença de Deus no meio da vida e das situações? Preparar algo que seja interessante e curto e que a comunidade não se canse com esse testemunho. Seria bom que esse testemunho fosse feito nos ritos finais, como estímulo para a missão.

3. Antes da bênção, um grupo de crianças leva flores para serem depositadas aos pés da imagem de João Batista, amigo de Jesus.

4. As palavras do rito de envio estejam em consonância com o mistério celebrado: Proclamem a todos as maravilhas realizadas pelo Senhor. Sejam profetas e testemunhas de Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe.

10- CONSIDERAÇÕES FINAIS

É importante celebrar a Natividade de São João Batista. Ao celebrar a Igreja estende as suas raízes no seu solo, historicamente remoto, mas presente no espírito e no coração de cada pessoa humana. João Batista precede e proclama, para ser depois o corpo vivo do Cordeiro, precedido e proclamado.

O objetivo da Igreja é ajudar os padres e as comunidades de nossa diocese e todas aquelas outras comunidades fora de nossa diocese que acessar nosso site celebrar melhor o mistério pascal de Cristo.

Um abraço fraterno a todos
           
Pe. Benedito Mazeti
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