01 de março de 2015
Leituras
Gênesis 22,1-2.9a.10-13.15-18
Salmo 115/116b,10.15-19
Romanos 8,31b-34
Marcos 9,2-10
“E TRANSFIGUROU-SE DIANTE DELES”
1- PONTO DE PARTIDA
Domingo da
transfiguração do Senhor. Jesus transfigurado institui a Aliança. Celebramos o 2º
Domingo da Quaresma, em nossa caminhada pascal, rumo a Jerusalém, local onde
Jesus vai ser entregue, condenado, morto e ressuscitado. Nesse caminho, subimos
a montanha com Jesus, Pedro, Tiago e João para fazermos a experiência da
intimidade com o próprio Jesus, participar de sua glorificação e recebermos o
mandamento de escutá-lo sempre.
A
transfiguração-iluminação de Jesus nos faz enxergar os rostos “desfigurados” de
tantos irmãos e irmãs, pobres, doentes, sofredores, que clamam por saúde para
ter uma vida digna.
Estamos na
Quaresma e Campanha da Fraternidade. Ela tem como tema: “Fraternidade: Igreja e
sociedade”, e o lema: “Eu vim para servir” (cf. Marcos 10,45).
Levando em
conta o “tempo oportuno” da Quaresma, que luzes nos traz a liturgia de hoje
para a transfiguração do mundo?
2- REFLEXÃO BÍBLICA, EXEGÉTICA E LITÚRGICA
Contemplando os textos
Primeira leitura – Gênesis
22,1-2.9a.10-13.15-18. Esta
leitura mostra Deus fazendo uma “Aliança com Abraão”. Ele que oferece seu único
filho obedecendo a voz de Deus. Abraão, nosso pai na fé, teve que fazer em sua
vida muitos atos de fé, para entender a promessa de Deus. Como entendemos pela
primeira leitura deste segundo domingo da Quaresma do Ano B, o sacrifício de
Abraão é a prova da sua fé em
Deus. Isaac era o filho único de Abraão, “o filho da velhice
e da promessa divina”. E agora Deus pede-lhe o sacrifício da sua vida. Suprema
prova de fé, confiança, obediência e fidelidade de um homem justo. Mas no
momento crucial, o Anjo do Senhor interrompe o braço de Abraão, e um carneiro
substitui o filho no sacrifício. Por causa da sua fidelidade comprovada, Deus
renova a promessa a Abraão: descendência numerosa, posse de terra, bênção para
o seu povo e para as nações de toda a terra. Na realidade, o pano de fundo
deste quadro bíblico, bem antigo reforça ainda mais a fé de Abraão no Deus da
vida. “O núcleo central aqui é crer,
mesmo em meio à escuridão”.
O conhecimento
do rosto de Deus que “nenhum homem viu, nem pode ver” (1Timóteo 6,16) não é
imediato, mas é um caminho que avança por etapas. Neste crescimento as pessoas
purificam progressivamente essas imagens que são frutos dos seus medos, para
chegar a descobrir o autêntico rosto de Deus que tem em Jesus, “imagem do Deus
invisível” (Colossenses 1,15), a sua plena e definitiva revelação (cf. João
1,18).
No tempo da
Bíblia, sacrificar o próprio filho à divindade era considerado válido (cf. Juízes
11,32-39), porque as crianças não tinham nenhum valor. Em Jerusalém, no vale da
Geena, havia altares nos quais eram oferecidas crianças ao deus Moloch
(Jeremias 7,31; 2Reis 16,3; 21,6; 23,10). O autor do texto do Gênesis quer
acabar de modo autoritário com esta macabra tradição, declarando que o Senhor,
o Deus de Israel, não exige sacrifícios humanos. Enquanto o deus que requer a
Abraão o sacrifício do seu único filho é chamado “Eloim” (versículo 1), nome
comum das divindades, o que impede Abraão é o “anjo de Javé” (versículos
11.12.15), expressão com a qual na Bíblia se indica o próprio Senhor (cf.
Gênesis 16,10-13). São as divindades dos pagãos que pedem sacrifícios humanos,
mas não o Deus de Israel (cf. Oséias 6,6).
Já desde o
início, o autor adverte que Deus submeteu Abraão a uma prova, como para
prevenir o horror que os sacrifícios humanos causavam aos hebreus (cf. 2Reis
3,27). Sabemos que os cananeus, em certas circunstâncias, ofereciam sacrifícios
humanos, especialmente de crianças.
Os antigos
redatores do relato tiveram também uma intenção litúrgica: convencer o povo a
não mais oferecer a Deus “sacrifícios de crianças” (cf. Juízes 11,10-30; 2Reis
16,3; 21,6; Deuteronômio 12,31; Jeremias 7,31; 19,5; 32,35), que parecem ter
alcançado grande sucesso nos séculos VIII e VII. Ao relembrar que todo primogênito pertencia a
Deus (Êxodo 22,28-30), a lei insistia logo na obrigação de resgatá-lo (Êxodo
34,19-20; Deuteronômio 15,19-23) por um sacrifício de substituição, isto é, o
de animais.
O Judaísmo
lerá o episódio do sacrifício de Abraão no sentido de uma meditação do
sofrimento, isto é, ele fará do sacrifício de Isaac, sobretudo no “Livro dos
Jubileus”, a cena-tipo da investidura do futuro Messias sofredor, episódio lido
na liturgia dos Tabernáculos, que é, precisamente, uma liturgia da investidura
do futuro Messias. O único interesse desta relação entre o episódio do
sacrifício de Isaac e a investidura do Messias é manifestar, desta forma, a fé
num Messias sofredor. Assim, compreendemos que foi dentro do contexto de uma
festa dos Tabernáculos (Mateus 17 e 21) que Cristo revelou aos seus discípulos o
Messias sofredor. O relato da Transfiguração é a prova mais evidente deste fato.
O sacrifício
de Isaac é visto pelos Santos Padres como uma prefiguração do sacrifício de
Cristo. Diversos elementos comprovam isto: Isaac é filho único; é muito amado
por Abraão; Isaac se presta docilmente. Por outro lado, justamente porque Isaac
não é sacrificado, mas em seu lugar é imolado um cordeiro, muitos vêem nesse
cordeiro uma prefiguração de Cristo que morreu por nós.
Mas o que se
destaca no relato do sacrifício de Isaac é a grandeza da fé de Abraão. Ele é
alguém que crê até o absurdo, porque tem certeza de que Deus é poderoso e bom
para conduzi-lo à realização de suas promessas.
Salmo Responsorial 115/116,10.15-19. É
um salmo de ação de graças individual. Uma pessoa se encontrou diante de um
perigo mortal, clamou, foi ouvida e agora agradece diante de todo o povo. O
justo confia em Deus, que liberta os pobres e necessitados. É neste clima de
fé, que o justo cumpre seus votos.
A fé consiste
em continuar a crer que nada pode separar a pessoa do amor de Deus (cf. Romanos
8,38-39), e que o Pai tem cuidado dos Seus filhos mesmo quando os
acontecimentos da existência parecem demonstrar o contrário e se faz a
experiência do sofrimento e da morte.
O rosto de
Deus neste Salmo é de um Deus que inclina o ouvido, salva e liberta. É o mesmo
esquema do êxodo: o povo clama, Deus escuta e liberta. E o Deus deste Salmo é o
mesmo do êxodo e da Aliança.
Uma frase
importante do Salmo é: “É sentida por demais pelo Senhor a morte de seus
santos, seus amigos”. Custa para Deus aceitar que a vida de seus fiéis desapareça
prematuramente. Deus sofre quando um de seus servos morre de uma enfermidade
fatal, isto é, sente muito quando a doença acaba com a vida de uma servo seu.
Porque Ele é o Deus da vida.
Foi por isso
que Jesus curou todos os doentes que encontrou em suas viagens missionárias,
vencendo até a própria morte. E por causa disso muitos aprenderam a amar Deus
Pai em Deus Filho.
Cantemos
louvores ao Pai que nos salva da morte e dá a paz e a salvação a todos os que
põem nele a sua confiança.
Segunda leitura – Romanos 8,31-34.
Mostra-nos que Deus não poupou seu próprio Filho em vista da Aliança. São
Paulo, escrevendo aos romanos, compara Deus Pai a Abraão e Jesus a Isaac. Nada
nos separará do amor de Cristo, que por nós morreu e ressuscitou. Nele temos a
certeza da vitória, a certeza da transfiguração. Não podemos perder de vista
esta certeza. É preciso lembrar que quando o apóstolo Paulo fala de “eleitos”
(v.33) não é um termo exclusivista, mas nos diz respeito a todo aquele que
recebe o dom de Deus. Nos sinóticos, eleitos é a comunidade escatológica (Marcos
13, 20.22.27); no apocalipse são os que venceram e perseveravam até o fim (Apocalipse
17,14).
Paulo, antes
de abordar a questão dos judeus (capítulo 9), eleva a Deus, numa linguagem
triunfal, litúrgica e lírica, um hino ao seu amor. “Se Deus está conosco, quem
será contra nós?” A resposta é, certamente, nada e ninguém. Ou melhor, poderão
estar contra nós os homens e o mundo, mas temos a certeza de que não
prevalecerão, pois nosso aliado é imbatível, não perde nunca. Aqui, Paulo
retoma Romanos 5,5-8, onde mostra que a esperança cristã, fundada no amor de
Deus para conosco, não poderá deixar lugar para inquietações. Nem mesmo a morte
poderá atemorizar a pessoa humana, pois também ela foi vencida (1Coríntios 15,54).
Paulo ilustra
a grande novidade representada pela vida e morte de Jesus Cristo: a revelação
de um Deus que não pede sacrifícios para as pessoas mas, se sacrifica Ele mesmo
pelas pessoas, um Deus que não a vida mas dá a própria vida. Da parte deste Deus
as pessoas não devem esperar condenação, mas só absolvições. É esta a Boa
Notícia, o Evangelho, que as pessoas esperam.
Com Jesus
cumpriu-se a passagem definitiva da religião para a fé. Enquanto na religião a
pessoa é tentada a amar e a servir o seu deus, com Jesus é Deus que ama e Se
coloca ao serviço das pessoas. A pessoa não deve merecer o amor de Deus, mas
pode acolhê-lo apenas como dom gratuito: esta é a fé (cf. Lucas 17,11-19). O
deus da religião pede obediência às suas leis, o Pai pede que imitemos o seu
amor (cf. Lucas 6,35); o deus da religião condena e castiga, o Pai e Jesus
absolve e perdoa. Paulo quer difundir esta certeza nos cristãos. Todos os que
acolheram na sua vida a Jesus como Senhor e Mestre não estão sós, mas têm um
Deus que se fez seu servo e por amor deles tudo transforma em bem (cf. Romanos
8,28). A adesão a Jesus não elimina os inevitáveis sofrimentos da vida, mas dá
a cada um uma força nova para os enfrentarem.
Evangelho – Marcos 9,2-10. Jesus vence
a tentação no deserto e agora está transfigurado. Na transfiguração os
discípulos Pedro, Tiago e João fazem uma experiência mística, antecipada, da
ressurreição, mas eles ainda não entendem seu significado (versículo. 10). O
evangelista Marcos, imediatamente depois do anúncio de Jesus da sua paixão e
morte em Jerusalém, para onde caminha, nos mostra no evangelho desse segundo
domingo da Quaresma, uma magnífica visão teológica da figura de Cristo, “antecipando
já o triunfo da sua ressurreição”. Jesus, além de homem mortal, “é o Filho imortal
de Deus”, o Messias anunciado “na lei e pelos profetas”, representados no monte
da transfiguração por Elias e Moisés.
Não que os
mortos aparecem para comunicar mensagem. Moisés e Elias simbolizam a Lei e os Profetas
que naquele momento testemunham Jesus Cristo, isto é, todo o Primeiro
Testamento se cumpre em Jesus e também aprova a sua missão. No Prefácio da
oração eucarística de hoje transparece o sentido da transfiguração: “Tendo
predito aos discípulos a própria morte, Jesus lhes mostra, na montanha sagrada,
todo seu esplendor. E com o Testemunho da Lei e dos profetas, simbolizados em
Moisés e Elias, nos ensina que, pela paixão e cruz, chegará à glória da
ressurreição”.
Devido a esta
sua condição, “o esplendor da divindade penetra e transfigura a sua humanidade”
que transparece na glória do Filho amado do Pai e preanuncia a exaltação final.
Aqui, a teologia da cruz aparece unida ao kerigma da ressurreição, e aparece
claro o núcleo da cristologia primitiva: “fusão da divindade com a humanidade de Cristo”, Messias e Filho de Deus.
Jesus chegará à glória da ressurreição, mas não sem ter passado antes pela
prova suprema da sua “paixão e morte”. As leituras recordam o dom de Deus no
Filho Jesus para a Nova Aliança. É nesta luz que deve ser entendido o relato
evangélico da transfiguração “este é o meu filho predileto”, aquele que é dado
e se oferece para a Aliança. Este Jesus transfigurado é quem foi oferecido pelo
Pai aos homens e mulheres para restabelecer a Aliança. Uma característica
importante é que Elias e Moisés não aparecem aos discípulos, mas a Jesus. A
atenção se concentra em Jesus porque Elias e Moisés desaparecem ficando somente
Jesus. O êxodo de que fala o Evangelho significa a morte de Jesus. Aí ensina-se
que para os justos a morte é um “êxodo”, uma passagem da terra para Deus, e não
uma eliminação da companhia dos viventes.
No “Mistério
da Transfiguração”, Marcos dá prioridade a Elias sobre Moisés. “E lhes
apareceram “Elias e Moisés”, conversando com Jesus” (9,4). Marcos cita primeiro
o nome de Elias. Mateus no momento da Transfiguração cita Moisés antes de
Elias: “Nisto apareceram-lhes “Moisés e Elias”, conversando com Jesus” (Mateus
17,5). Porque se Elias é João Batista, é claro que ele anuncia o sofrimento do
Messias por seus próprios sofrimentos (cf. a explicação de Jesus em Marcos
9,12-13). Portanto, tudo indica ser esta a perspectiva do “Messias sofredor” que
está no centro do Evangelho de Marcos.
Aos olhos de
Marcos o episódio da transfiguração aparece, antes de tudo, como a revelação de
Jesus aos melhores do grupo dos apóstolos: Pedro, Tiago e João. Eles também
estarão próximos Dele no Getsêmani: Marcos 14,33.
A
transfiguração mostra essencialmente na tomada de consciência, pelos três
apóstolos, de que Jesus é verdadeiramente o Messias entronizado pela “festa dos
Tabernáculos” (festa das Tendas). A citação dos “seis dias” (versículo 2) faz
referência à duração clássica desta festa; a montanha e a nuvem são elementos
tradicionais próprios a esta festa, bem como habitar em três tendas sugeridas
por Pedro (versículo. 5). Jesus é certamente o Messias que cada ano na festa dos
Tabernáculos é entronizado antecipadamente, revestindo-O de brancura e de luz
(versículo 3) e investindo-O da própria Palavra de Deus (versículo 7). Mas no
livro “judeu dos Jubileus”, quase contemporâneo dos evangelhos, já anunciava
que o Messias esperado por ocasião da “festa dos Tabernáculos seria um Messias
sofredor”. Ora, Cristo acaba precisamente de anunciar aos seus discípulos que
sua paixão está próxima (Marcos 8,31-38).
3- DA PALAVRA CELEBRADA AO COTIDIANO DA VIDA
Analisando
o contexto de Abraão, o que significa hoje crer apesar de todas as aparências
em contrário? O que representa segundo o apóstolo Paulo, a força do amor de
Deus “que é por nós”? Parece que a resposta está naquela conversa de Elias e
Moisés com Jesus. Marcos não diz qual foi o assunto dessa conversa, mas Mateus
e Lucas falam que a conversa foi sobre a paixão, morte e ressurreição de Jesus
(o mistério da Páscoa). Os discípulos ainda não entendiam o que significava a
ressurreição (versículo 10). Mais tarde compreenderiam que a ressurreição era a
utopia do mundo novo, cujo primeiro fruto foi a ressurreição de Jesus.
Os evangelhos
sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas) narram a cena da transfiguração de Jesus depois
das tentações. A transfiguração de Jesus é um aperitivo do mundo novo que virá.
Não podemos, porém, ficar aí parados, acomodados em tendas. É preciso descer do
monte e enfrentar os conflitos do dia-a-dia da nossa vida. Na celebração de
hoje entendemos que o começo da fé é escutar Jesus, o Filho amado do Pai, como
nos diz a voz saída da nuvem da transfiguração. Cristo é a Palavra pessoal do
Pai; e onde melhor se houve é na solidão e no vazio interior. Por isso, devemos
“subir à montanha”, com Jesus, para orar e depois descer e enfrentar a
realidade que precisa de justiça e paz.
A cena da
transfiguração revela aos discípulos, que haviam escutado de Jesus o anúncio da
paixão, um sinal da sua vitória sobre a morte. Pedro, os discípulos e todos os demais
que esperam um Messias no sentido de um rei terrestre, devem mudar de
mentalidade. A palavra de ordem é escutar o filho amado de Deus.
A fé exigida
das testemunhas da transfiguração leva hoje a Igreja a não fugir das
necessárias encarnações na realidade e do despojamento que essas mesmas
encarnações acarretam consigo, a fim de não procurar um Reino de poder que se
separe da morte. A Igreja também é alertada a não desejar encarnação sem
transfigurar a realidade. Ela só é chamada a estar presente nas estruturas da
sociedade para transformá-las. A Igreja só é chamada a transformar a sociedade
aceitando morrer a todo conforto e a toda auto-segurança.
Levando em
conta o tempo oportuno da Quaresma, que luzes nos traz a liturgia deste domingo
para a transfiguração de cada um de nós, de nossa Igreja e do mundo?
O mundo novo
já está em ação com a ressurreição de Jesus, embora passando pela cruz, pelos
caminhos das contradições deste mundo. É preciso crer contra todas as
aparências e apostar neste mundo novo, transfigurado, que supera as idolatrias
e mortes e se põe em andamento a promessa feita a Abraão, retomada por Jesus e
mostrada no último livro da Bíblia como “um novo céu e uma nova terra” (Apocalipse
21,1). No mundo torto em que vivemos, o caminho de Cristo e o nosso é o da
cruz. Mas além dela está a manhã da ressurreição gloriosa.
A
transfiguração de Jesus é um “aperitivo” do mundo novo que haverá de vir. Não
podemos, porém, ficar aí parados (acomodados em tendas.). É preciso descer do
monte e enfrentar os conflitos do dia-a-dia deste mundo.
4- A PALAVRA DE FAZ CELEBRAÇÃO
A Glória do crucificado
Segundo o Rito
Romano, as procissões de entrada em nossas celebrações eucarísticas são
presididas pela cruz. Essa cruz, segundo a tradição, é a cruz gloriosa, que
manifesta tanto a morte quanto a ressurreição redentoras de Jesus. O costume no
início do Cristianismo, era representar o Cristo vivo sobre a mesma, somente
mais tarde as cruzes começaram a ostentar o Cristo morto, conforme conhecemos
contemporaneamente. . Muito antiga também era a cruz gemada, que recorda as
marcas da paixão-ressurreição, do abaixamento e humilhação total de Cristo, nos
quais residem toda a sua exaltação e dignidade.
Neste tempo da
Quaresma, em que os cristãos são convocados a converter o coração e buscar a
misericórdia divina é ocasião para viver a espiritualidade da genuflexão diante
da cruz do Salvador. Sobe-se ao monte Calvário, simbolizado pelo sacramento da
Eucaristia para depois descer aos jardins do sepulcro vazio, com os pés da fé.
A Palavra de Deus no monte
Seguindo o
itinerário quaresmal, a eucologia litúrgica insiste no fato de que a Palavra de
Deus que calibra o olhar dos batizados, para que reconheçam na cruz a glória do
Filho: “alimentai o nosso espírito com a vossa Palavra, para que purificado o
olhar da nossa fé, nos alegremos com a visão da vossa glória.” O monte da
Transfiguração aparece como uma estilização do que acontecerá no monte
Calvário. Ao celebrarmos o acontecimento que lá se deu, damo-nos a oportunidade
de ser conduzidos por Deus, verdadeiro guia no caminho quaresmal, a redescobrir
a chave interpretativa para compreender
a paixão do Salvador.
5- LIGANDO A PALAVRA COM A AÇÃO EUCARÍSTICA
No prefácio da
oração eucarística de hoje transparece o sentido da transfiguração: “Tendo
predito aos discípulos a própria morte, Jesus lhes mostra, na montanha sagrada,
todo o seu esplendor. E com o testemunho da Lei e dos profetas, simbolizados em
Moisés e Elias, nos ensina que, pela paixão e cruz, chegará á glória da ressurreição”.
O aspecto mais
profundo da espiritualidade da Quaresma consiste na participação do mistério de
Cristo, ou seja, sua paixão e ressurreição. A eucaristia é a celebração
memorial da ceia de Jesus. É isto que expressamos no coração da liturgia eucarística:
“Anunciamos, Senhor, a vossa morte e proclamamos a vossa ressurreição. Vinde,
Senhor Jesus! A aclamação eucarística expressa bem que anunciamos o mistério da
morte e ressurreição do Senhor, enquanto esperamos a sua vinda glorioso. Nas
nossas celebrações antecipamos festivamente o grande banquete celeste e nosso
encontro com o Cristo glorioso “Eu vos digo: Não beberei mais deste fruto da
videira até o dia em que convosco beberei o vinho novo no Reino do meu Pai” (Mt
26,29). Assim, a assembléia litúrgica é um sinal escatológico do encontro com o
Ressuscitado, o Cordeiro imolado.
Porém, para
que a nossa liturgia seja agradável a Deus, é necessário que ela seja
continuada na grande missão de transfigurar este mundo tão marcado por
contradições em Reino de Deus.
6- ORIENTAÇÕES GERAIS
1. A homilia
(conversa familiar) interpreta as leituras bíblicas a partir da realidade
atual, tendo o mistério de Cristo como centro do anúncio e fazendo a ligação
com a liturgia eucarística (dimensão mistagógica) e com a vida (compromisso e
missão).
2. Em todo o
rito, a Palavra se conjuga com o silêncio.
Momentos de silêncio após as leituras, o salmo e a homilia, fortalecem a
atitude de acolhida da Palavra. O silêncio é o momento em que o Espírito Santo
torna fecunda a Palavra no coração da comunidade. Nem tudo cabe em palavras.
3. A
preparação da mesa, feita com simplicidade, realce o essencial: o pão em um
único prato (sem patena à parte para o padre); o vinho em um único cálice ou
vários cálices (IGMR, 270).
4. O bom uso do
Lecionário. O ciclo A é ligado com o Batismo. O ciclo B deste ano, com a
Aliança. Na época em que foi preparado o Lecionário Dominical, diversos peritos
julgavam que, para a Quaresma, seria suficiente só o ciclo A, porque seu
alcance doutrinal é fundamental. Mas prevaleceu o parecer dos biblistas. Afinal
chegou-se a uma decisão equilibrada. Nas comunidades onde há adultos que se
preparam para os sacramentos da iniciação cristã (Batismo, Eucaristia e Crisma)
na noite da Páscoa, deve-se utilizar o ciclo A, o qual, no entanto, quando se
julgar oportuno, pode ser usado sempre como indica o próprio Lecionário
Dominical, nas páginas 438, 442, 446, 752, 756 e 760. Mas, onde não houver
adultos preparando-se para os sacramentos, poderão ser usados, conforme os
anos, os ciclos B e C, porque a linha do ciclo A é fundamentalmente batismal.
7- MÚSICA RITUAL
O canto é
parte necessária e integrante da liturgia. Não é algo que vem de fora para
animar ou enfeitar a liturgia. Por isso devemos cantar a liturgia e não cantar na liturgia. Os cantos e músicas,
executados com atitude espiritual e,
condizentes com cada domingo, ajudam a comunidade a penetrar no mistério
celebrado. Portanto, não basta só saber que os cantos são do Tempo da Quaresma,
é preciso executá-los com atitude espiritual. A escolha dos cantos deve ser
cuidadosa, para que a comunidade tenha o direito de cantar o mistério
celebrado. A função da equipe de canto não é
simplesmente cantar o que gosta, mas cantar o mistério da liturgia deste 1º
Domingo da Quaresma. Os cantos devem estar em sintonia com o Ano Litúrgico, com
a Palavra proclamada e com o sacramento celebrado. Não devemos esquecer que
toda liturgia é uma celebração da Igreja corpo de Cristo e não de um grupo, de
uma pastoral ou de um movimento.
A regra da
reserva simbólica vale para todos. A liturgia nos ensina a reservar os
elementos festivos para a festa da Páscoa. Assim, os grupos são chamados a
serem mais moderados na execução dos instrumentos, evitando “solos
instrumentais”, deixando de tocar algum instrumento, ou mesmo cantando algo “à
capela” (sem acompanhamentos musicais). É tempo também de escutar, de ser
“obediente”, de aguçar o discipulado: uma boa forma de manifestar isso seria
assumir o repertório da CNBB para as celebrações.
1- Canto de abertura: “Ao
invocar-me hei de ouvi-lo e atende-lo, e a seu lado eu estarei em suas dores”, Salmo
90/91,15-15). “Senhor, tende compaixão do vosso povo que acolhe a conversão”,
articulado com o Salmo 50/51: “Tende piedade, ó meu Deus, misericórdia”, CD:
CF-2015, melodia da faixa 3.
Como canto de
abertura da celebração, sugere-se o canto proposto pelo CD:CF-2015 CNBB. Isso
não significa exclusividade. Mas a equipe de liturgia, a equipe de celebração,
a equipe de canto juntamente com o padre usando do bom senso têm a liberdade de
variar sua escolha, desde que isso manifeste o Mistério celebrado e seja fiel
aos princípios que regem a escolha de uma música adequada para a celebração.
Uma sugestão, para entender bem o que significa isto, seria “Senhor, eis aqui o
teu povo”, CD: Liturgia XIII, melodia da faixa 1; “Reconcilia-vos com Deus”;
Hinário Litúrgico da CNBB, II, pág. 290. “João Batista clamou no deserto”,
Hinário Litúrgico da CNBB, página 284. O canto de abertura deve nos introduzir
no mistério celebrado.
Ensina a
Instrução Geral do Missal Romano que o canto de abertura tem por objetivo, além
de unir a assembléia, inseri-la no mistério celebrado (IGMR nº 47). Nesse
sentido o Hinário Litúrgico II da CNBB nos oferece uma ótima opção, que estão
gravados no CD: Liturgia XIII, CD: Liturgia XIV e CD: CF-2015.
2- Ato penitencial. Nesse
domingo seria oportuno rezar a invocação da Quaresma número 3 da página 397 do
Missal Romano. Todos se coloquem de joelhos.
3- Salmo responsorial 115/116B. Confiança
em Deus no meio da adversidade. “Andarei na presença de Deus, junto a ele na
terra dos vivos”, CD: CF-2015, melodia da faixa 6 ou CD: Liturgia XIV, melodia
da faixa da faixa 5.
A função do
salmista é de suma importância. Sua função ministerial corresponde à função dos
leitores e leitoras, pois o salmo é também Palavra de Deus posta em nossa boca
para respondermos à sua revelação. Por isso, o salmo dever ser proclamado do
Ambão e, se possível, cantado.
4- Aclamação ao Santo Evangelho.
“Este é o meu filho amado: escutai-o” (Lucas 9,35). “Glória a vós, ó Cristo,
Verbo de Deus!”, articulado com Lucas 9,35: “Numa nuvem resplendente”, CD: CF-2015, melodia
da faixa 6.
Preserve-se a
aclamação ao Evangelho cantando o texto proposto pelo Lecionário Dominical. Ele
ajudará a manifestar o sentido litúrgico da celebração, conforme orientações da
Igreja na sua caminhada litúrgica.
5- Canto após a homilia. Onde
for oportuno, após a homilia e uns momentos de silêncio, entoar o Hino da
CF-2015. “Em meio às angústias, vitórias e lidas”, Seria oportuno entoar este
hino após a homilia, para facilitar a vinculação da Liturgia da Palavra com a
vida e o tema da CF.
6- Apresentação dos dons. O
canto de apresentação das oferendas, conforme orientamos em outras ocasiões,
não necessita versar sobre pão e vinho. Seu tema é o mistério que se celebra
acontecendo na fraternidade da Igreja reunida em oração na Quaresma. Podemos
entoar, “Aceita, Senhor, com prazer o que vimos te oferecer”, CD: CF-2015,
melodia da faixa 10. A Igreja oferece outros cantos quaresmais: “Eis o tempo de
conversão”, CD: CF-2012, melodia da faixa 12; CD: Liturgia XIV, melodia da
faixa 6, e Hinário Litúrgico da CNBB, II, pág. 217; “Recebe este canto do
chão”, CD: Liturgia XIV; “O vosso coração de pedra”, CD: Liturgia XIII, melodia
da faixa5. Outra opção é o hino da CF-2015, se não for entoado após a homilia.
7- Canto de comunhão: “Este é o
meu filho muito amado”, (Mateus 17,5). “Jesus, Filho amado do Pai, divina e
gloriosa alegria”, CD: CF-2015, melodia da faixa 13.
A mesma
orientação dada para o canto de abertura vale para o canto de comunhão. Mas na
mesma liberdade e bom senso, sugerimos um canto bem conhecido da série Povo de
Deus: “Então da nuvem luminosa dizia uma voz”, CD: Liturgia XIII, melodia da
faixa 8, articulado com o Salmo 44/45. Também se encontra no Hinário Litúrgico
II da CNBB, página 41.
O canto de
comunhão deve retomar o Evangelho do 2º Domingo do Tempo Quaresma. Esta é a sua
função ministerial. Na realidade, aquilo que se proclama no Evangelho nos é dado
na Eucaristia, ou seja: é o Evangelho que nos dá o “tom” com o qual o Cristo se
dirige a nós em cada celebração eucarística reforçando estes conteúdos
bíblico-litúrgicos, garantindo ainda mais a unidade
entre a mesa da Palavra e a mesa da Eucaristia. Isto significa que comungar
o Corpo e Sangue de Cristo é compromisso com o Evangelho proclamado. Portanto,
o mesmo Senhor que nos falou no Evangelho, nós o comungamos no pão e no vinho.
No 2º Domingo da Quaresma, estamos com Jesus no alto da montanha. A exemplo do
Divino Mestre, devemos transfigurar a nossa vida.
8- O ESPAÇO CELEBRATIVO
1. Preparar
bem o espaço celebrativo, dando destaque a três símbolos fortes: a cruz, a
caminhada e a luz. Colocar no espaço celebrativo galhos secos e um cacto saindo
das pedras para lembrar que a Quaresma é tempo de deserto.
3. Colocar em
volta da mesa da Palavra e da cruz processional várias velas acesas lembrando o
brilho da transfiguração. Outra forma de valorizar a cruz neste 2º Domingo da Quaresma seria manter um pequeno
braseiro aos seus pés, com um discreto incenso durante toda a celebração. A
fumaça não só lembrará a nuvem da transfiguração, bem como valorizará a cruz
como sinal de Jesus Cristo obediente que caminha para Jerusalém.
9- AÇÃO RITUAL
A celebração
deste domingo nos recorda como homens e mulheres que nasceram no Batismo para
ser “luzeiros“ de Deus no mundo, guiando os dias e iluminando as noites. A
equipe de celebração vai acolhendo a cada um com um de maneira fraterna com um
aperto de mão.
Ritos Iniciais
1. Motivar
para que a procissão de entrada na igreja seja sinal de nossa peregrinação
quaresmal rumo à Páscoa. Vamos fazer com Jesus uma parada na igreja pra orar.
Nossa igreja vai ser hoje o monte Tabor.
2. Como
saudação presidencial sugerimos a de 2Tessalonicenses 3,5 (opção c):
O Senhor, que encaminha os nossos
corações para o amor de Deus e a
constância de Cristo, esteja convosco.
3. Após a
saudação presidencial, as comunidades que já deixaram de fazer comentário antes
do canto de abertura, porque entenderam o rito da Igreja e a primazia da
saudação (Palavra de Deus que nos convoca), em seguida podem propor o sentido
litúrgico.
Domingo da Transfiguração do Senhor. No
tempo da Quaresma somos chamados, pelo Pai, a nos elevar com seu Filho na
escuta de sua Palavra, deixando que, em meio às nossas cruzes, se manifeste a
sua glória. No Evangelho, Cristo não quer ser confundido com nenhum tipo de
messianismo afastado da cruz, ainda que tenha resplandecido diante dos
discípulos, por isso mesmo, ordena que guardem segredo a respeito do que viram.
A cruz, nosso segredo, revela-se como caminho para a glória que o Pai nos
reserva.
4. Em seguida,
fazer uma recordação da vida, tornando presentes as realidades que hoje
precisam ser transfiguradas, transformadas, especialmente em relação ao tema da
Campanha da Fraternidade. Não esquecer os fatos positivos que revelam o brilho
da luz divina. Trazer os fatos da vida de maneira orante e não em forma de
noticiários.
5. O Ato Penitencial
poderia ser celebrado como preparação à escuta da Palavra. Quem preside convida
a assembléia a uma revisão de vida diante da Palavra de Deus. Pode ser feito por toda a assembléia, de
joelhos, defronte a cruz do Senhor. Quem preside convida a assembléia a uma
revisão de vida diante da Palavra de Deus. Sugerimos o convite ao ato
penitencial da fórmula 1 da página 390 do Missal Romano.
O Senhor Jesus transfigurado que nos convida
à mesa da Palavra e da Eucaristia, nos chama à conversão.
Sugerimos para
o Ato Penitencial a invocação da Quaresma número 3 da página 397 do Missal
Romano. Todos se coloquem de joelhos.
Senhor, que fazeis passar da morte para a
vida quem ouve a vossa Palavra, tende piedade de nós.
6. Na Oração
do Dia suplicamos ao Pai, que alimente o nosso espírito com a Palavra que nos
vem através do Filho amado; que o olhar de nossa fé seja purificado, para que
enxerguemos a verdadeira glória em Jesus Cristo.
Rito da Palavra
1. Antes da
primeira leitura, todos entoam suavemente sem instrumentos musicais: “Eu vim
para escutar tua Palavra, tua Palavra, tua Palavra de amor”, e uns momentos de
silêncio.
2. Hoje
recebemos um convite todo particular para “escutar” profundamente o Filho
amado. É bom fazer um instante de silêncio antes da proclamação das leituras.
Os leitores e salmistas, imbuídos da Palavra do Senhor, tornam-se anunciadores
da boa Notícia, proclamando-a de todo o coração.
3. Na liturgia
da Palavra, Deus chama e propõe as condições da Aliança, enquanto o povo as
ouve e aceita. Na liturgia eucarística a Aliança é “selada” no sangue do
Cordeiro que tira o pecado mundo. Agora o Cristo, em seu mistério pascal
(Evangelho), é a chave da leitura da revelação bíblica (demais leituras) e dos
acontecimentos dos dias de hoje (a vida que trazemos para a Eucaristia).
4. As leituras
sejam proclamadas de forma clara, pois a ordem do Pai é de que escutemos o seu
Filho amado. Neste Domingo, incentive-se a assembléia a fazer o exercício da
escuta atenta, deixando de lado os folhetos para acompanhar as leituras com o
coração, pois “quando se lêem as Sagradas Escrituras na missa, é o próprio
Cristo que fala” (SC 7).
5. Onde houver
batismo de adultos na Vigília Pascal, pode-se fazer, neste domingo após a
homilia, um pequeno rito de entrega da Bíblia aos catecúmenos e também um
pequeno rito com a bênção e entrega de uma vela acesa aos mesmos. Adultos que
vão receber a primeira eucaristia e o crisma também participam desse rito.
6. As preces,
como Palavra que ressoa em forma de súplica, sejam proferidas do Ambão. As
fórmulas se inspirem nas leituras da celebração, trazendo sempre o elemento
memorial antes da súplica. Exemplo:
Senhor, vosso Filho nos conduz ao monte para
testemunhar a manifestação da glória que vós nos preparastes: no meio das
penúrias da vida, fazei-nos fixar o nosso olhar na face gloriosa Dele, para que
os sofrimentos não nos façam esmorecer no caminho até a Páscoa. Nós vos pedimos.
Rito da Eucaristia
1. Sejam
trazidos na procissão (a não ser em circunstâncias especiais) apenas pão e
vinho, bem como alimentos e dinheiro para as necessidades dos pobres e da
comunidade. Contudo, em certas ocasiões a procissão tornar-se á mais expressiva
se levar também para o altar ofertas simbólicas alusivas à comemoração
realizada naquele dia ou a algum aspecto da vida da comunidade. Os cristãos,
outrora, para expressar a sua participação no sacrifício eucarístico, eram
muito sensíveis à oferta do pão, do vinho e de donativos para os pobres para os
pobres.
2. A
preparação dos dons tem uma finalidade prática, expressa na procissão com que o
pão e o vinho são trazidos ao altar. Segundo o costume das refeições judaicas,
bendiz-se a Deus pelo alimento básico, o pão, e pela bebida mais significativa,
o vinho. Evitar de chamar este momento de “ofertório”, pois ele acontece após a
narrativa da ceia (consagração).
3. Na Oração
sobre as Oferendas, peçamos a Deus que as oferendas que trazemos ao Altar lavem
os nossos pecados para que sejamos santificados.
4. No Prefácio
próprio para este Domingo, contemplamos Jesus que na “montanha sagrada” mostra
todo o seu esplendor e que pela “paixão e cruz” chegará à glória da
ressurreição.
6. Ao
apresentar o pão e o vinho, isto é, o convite à comunhão, o presidente da
celebração mostrando o cálice e a ambula ou patena diz o versículo bíblico do
Evangelho de João 8,12 e que se encontra no Missal Romano: “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas, mas terá a
luz da vida. Eis o Cordeiro de Deus...”
7. Não
esquecer de, após a comunhão, reservar um tempo para a assembléia fazer um
profundo “silêncio contemplativo” do encontro havido com Deus. Seria bom que
até se fizesse uma breve motivação para esse momento de silêncio orante,
previsto pelo Missal Romano.
8. Lembramos
que, em si, não há necessidade de um “canto de ação de graças” após a comunhão
(como virou um costume errado em muitas comunidades), pois a ação de graças, na
verdade, já aconteceu; foi a Oração Eucarística, a grande prece da Igreja. O
que o Missal propõe é um canto ou salmo de louvor a Deus, que na Quaresma é
omitido juntamente com o Hino de louvor (Glória) e o Aleluia.
Ritos Finais
1. Na Oração
depois da Comunhão, suplicamos a Deus que depois de comungar o mistério da
glória, nos ajude aqui na terra, já participarmos da realidade eterna de Deus.
2. Quem começa
a dar os avisos, inicia recordando que é hora de descer da montanha e seguir os
passos da cruz de Cristo, guardando fielmente o segredo da cruz como lugar
supremo da manifestação da glória de Deus. Os avisos são desdobramentos da
cruz: a missão que a comunidade deve enfrentar.
3.
Nos Ritos Finais, seria interessante dar a bênção à comunidade com o Livro dos
Evangelhos (Evangeliário), conforme venerável tradição, antes reservada ao Papa
e agora aberta aos bispos e presbíteros. Apresentamos a seguir a sugestão de
bênção solene, inspirada nos oracional e liturgia da Palavra deste domingo:
- Deus que
revelou no monte a glória de seu Filho, vos ilumine neste itinerário quaresmal.
Amém!
- Cristo, cuja
Palavra vos foi anunciada, vos permita assumir a cruz para celebrar a
ressurreição que ela manifesta. Amém!
- O Espírito
vos dirija o caminhar, para que o fulgor do Crucificado dê sentido à vossa
vida. Amém!
- Abençoe-vos
Deus todo poderoso Pai e Filho + (com o Evangeliário) e Espírito Santo. Amém.
4. As palavras
do envio podem estar em consonância com o mistério celebrado: Transfigurai
vossas vidas e a sociedade. Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe.
10- CONSIDERAÇÕES FINAIS
É necessário
confiar e esperar sempre, pois o Transfigurado no Tabor, Filho predileto,
aparece transfigurado na Cruz, porém se torna definitivamente o Ressuscitado e
Transfigurado.
O objetivo da
Igreja e da nossa equipe diocesana de liturgia é ajudar os padres e as
comunidades de nossa diocese e todas aquelas outras comunidades fora de nossa
diocese que acessar nosso site celebrar melhor o mistério pascal de Cristo. abraço fraterno a todos
Pe. Benedito
Mazeti
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